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Transparencia - Vanice Lirio

Transparencia - Vanice Lirio

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Published by: Direito Administrativo em Debate on Apr 13, 2011
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04/13/2011

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TRANSPARÊNCIA E GOVERNANÇA: NOVAS VERTENTESLEGITIMADORAS DO AGIR DO POER 
Vanice Lírio do ValleO conceito de transparência, aplicado à Administração Pública – originalmenteapresentado como uma atualização expansiva do princípio constitucionalmenteconsagrado da publicidade[1] –; acompanhando as profundas transformações pelasquais passam o modelo de estado, e na mesma esteira, a função administrativa, hoje nãomais se poderá conter nos limites estreitos de uma obrigação quase que formal deapregoar o agir do Poder Público.É razoável que assim seja, quando se tem em conta que consagrado o EstadoDemocrático de Direito como o modelo mais disseminado de organização dassociedades ocidentais; expandem-se as fronteiras de interesse e investigação em relaçãoaos fundamentos do agir do poder, que é de se apresentar orientado ao atingimento dosobjetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, traduzidos no art. 3º daConstituição Federal. Introduz-se então a idéia de governança, que se contrapõe àconcepção anterior de que as instituições públicas se identifiquem como meramentedetentoras do monopólio da constrição legítima, para introduzir a percepção de que deoutras organizações humanas, de outros atores, se possa construir um consenso cidadãopara, através da regulação econômica e social, alcançar o bem comum[2].Se governança traduz a capacidade das sociedades humanas de se dotar desistemas de representação, instituições, processos e corpos sociais que articulados,permitam uma gestão democrática de seus próprios interesses, o compromissovalorativo que a Carta de Outubro, por sua vez, traça para o exercício do poder que ela,igualmente, estrutura organicamente, passa a se constituir fundamento último devalidade desse mesmo agir do poder, que encontrará na prática da boa governança, seufundamento de legitimidade.É nesse contexto que são retomadas – e reformatadas – velhas idéias atinentes aoagir do Estado como estrutura de poder, para harmonizá-las com as também inéditas
 
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demandas postas ao Estado Democrático de Direito; abre-se aqui espaço à idéia datransparência, como pedra de toque a guiar a ação do bom governo[3]; garantidor daefetividade do direito fundamental à boa administração[4] (FREITAS, 2007). Mais doque um elemento estático, incidente sobre o resultado concreto da funçãoadministrativa; transparência como vetor característico do bom governo, transcende àcondição de atributo do ato administrativo, para se converter numa qualidade do agir daAdministração, que em tempos de pluralismo, não pode mais abdicar da inestimávelcontribuição que a participação social e o controle – em todas as suas manifestações – pode oferecer ao aprimoramento da atividade administrativa.Se de característica associada ao agir está-se falando, natural que o conteúdo quese reconheça à prática transparente guarde igualmente esse traço de dinâmica. A açãotransparente da Administração Pública, portanto, traduz-se: 1) na manutenção de umfluxo de informações; 2) pertinentes, confiáveis, inteligíveis e oferecidas no momentooportuno; 3) relacionadas aos vetores diretos e indiretos que influenciam esse mesmoagir administrativo 4) dirigidas ativamente às diversas estruturas de poder e àcidadania;. A contrario sensu, atenta contra a transparência, a ocultação de informaçõesatinentes ao mesmo agir da Administração, seja no seu extremo máximo – de negativaabsoluta de qualquer elemento de informação – seja nas dezenas de matizes mais suavesde violação à transparência, que envolvem a oferta de informação insuficiente,ininteligível, extemporânea, ociosa ou irrelevante, e tantas outras deficiências que osdesvios de finalidade contingentes podem permitir.Primeiro destaque a se empreender – e que decorre da compreensão de quetransparência, como atributo do agir da Administração, não se constitui elemento quepossa ser aferido pontualmente – é o de que ela impõe não um momento, uma açãoisolada de disclosure, mas sim um trânsito de informações, trânsito esse que há de serevelar apto a proceder, ao longo do processo de formação da decisão, ao diálogo paracom os destinatários da ação transparente (a saber, outras estruturas de poder, sociedadeorganizada e cidadania).Qualifica ainda a ação administrativa como transparente, a inteligibilidadedaquilo que é informado, e a sua oferta em momento oportuno. Afinal, se mais
 
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complexa é a ação do Estado; é presumível que também mais herméticos sejam oselementos de que ele, Estado, se vale para orientar esse seu agir. Nesse sentido, éimperativo que não se permita o comprometimento da transparência em nome datecnocracia, ou pior ainda, do paternalismo, contido nas velhas fórmulas que sustentamque há temas que jamais serão alcançados, na sua complexidade, pelo cidadão ordinário.Inteligibilidade da informação há de envolver engenho e arte em enunciar minimamenteas variáveis que estão a determinar o agir da Administração de forma compreensível àcidadania – sem prejuízo do acesso às informações técnicas, na plenitude de suadificuldade, àqueles que detenham a expertise necessária à sua compreensão direta.Em estreita relação com a circunstância de que a informação há de ser inteligível, têm-se a necessidade de que elas sejam úteis – ou seja, que guardem efetivarelação de pertinência com a decisão em curso. Afinal, em tempos de multiplicidade defontes, em plena sociedade da comunicação, mecanismo sutil de comprometimento datransparência será o soterrar dos virtuais interessados, com um volume tal de dados, quenão permita a identificação do que seja efetivamente relevante.Completa-se a qualificação das informações – como instrumentais àconcretização da transparência – a sua oferta em ocasião oportuna, ou seja, emmomento que permita àqueles que são beneficiários da transparência, um oportunidadereal de exame e reação tempestiva em relação a esses mesmos elementos. Frise-se aquique a transparência é característica instrumental ao incremento da governança – e nessesentido, constitui um ganho desejável maximizar as possibilidades de contribuição dasociedade organizada e da cidadania à formação da decisão do poder público.Importante ainda que a transparência se exercite, tendo em conta uma dimensãorelacional das várias vertentes do agir administrativo. Isso porque, como se sabe,administrar não se constitui na adoção de atos ou condutas isoladas, desconectados entresi, mas sim no norteamento de um conjunto de ações e inações necessariamentearticuladas por intermédio de políticas públicas, subordinadas por sua vez pelas opçõesfinalísticas formuladas pela Constituição ao Estado Brasileiro[5]. Se assim o é, a práticatransparente há de ter em conta, quando da concepção de um determinado programa ouação, as relações de inter-penetração, de retro-alimentação, de dependência mútua que

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