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7035385 Organizacoes Internacionais Direito USP

7035385 Organizacoes Internacionais Direito USP

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DIREITO DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS –DIN 418Professor Alberto do Amaral Júnior INTRODUÇÃO
Nesta primeira aula do semestre, o Professor Albertotratará de alguns exemplos de organizações internacionais(OI) com questões de ordem prática, atinentes ao cenáriodas relações internacionais. Depois destacontextualização, passará a abordar nas próximas aulaselementos característicos das OI, a fim de se possibilitar oestudo de uma teoria sobre tal tipo de organização.
Exemplos para contextualização do tema das OI.
1)Aproximão ao Mercosul – temática das quesestarifárias entre Brasil e Argentina. Mercosul surge peloTratado de Assunção de 1991. Quase quatro anos depois,os países membros decidiram configurar ao Mercosul umcaráter institucional (de permanência de suas instituições),estabelecendo seus órgãos sicos. No seu tratadoconstitutivo havia uma previsão da potica a seadotada. A grande novidade introduzida pelo Protocolo
1
deOuro Preto foi a definição da Comissão de Comércio, aqual surgiu com uma missão específica: fixar uma tarifaexterna comum (o que daria um caráter de unoaduaneira, necessária para a verificação de uma área delivre comércio: abolição de tarifas comerciais praticadasentre países que mantém relações entre si, ou seja,relações interestatais). Além da abolão de tarifas,significa a adoção de uma política comercial (não confundir com política econômica) comum em relão a outrosmercados, bem como em relação a importões deprodutos e serviços de outros países, não-membros dobloco. É preciso que os governos não pertencentes aobloco conformem-se com as decisões do mesmo. Tanto apolítica interna quanto externa desses Estados membrossão adotadas no plano regional, tão somente.2)Brasil acordos TRIPs (
Trade Related Intelectual Property Rights
). Esse tipo de acordo surgiu mediante umareivindicação de países desenvolvidos na Rodada Uruguaida Organização Mundial do Comércio (OMC). Tais acordosforam um importante passo para as legislaçõesdomésticas, uma vez que ensejaram certa uniformizaçãoda mesma, em relação aos diversos sistemas jurídicosestatais existentes. Havia, contudo, a fragilidade de saber quem iria fiscalizar a observação de tais acordos: nãohavia um sistema sancionario eficaz. o havia nocenário internacional, quanto ao comércio, um órgão dessetipo. A lei brasileira é um espelho fiel em relação ao que oPaís se comprometera durante a rodada Uruguai. O Brasilnão pode, por decisão unilateral, suspender opatenteamento de produtos farmacêuticos. Essa medidanão pode ser tomada em âmbito doméstico, uma vez quehá previsão nos TRIPs de concessão ampla a produtosindustriais de patentes. Anteriormente a esses TRIPs, nãohavia patenteamento desses produtos. Com apossibilidade, após a Rodada, de patentearem, houve umenorme aumento no preço dos farmacêuticos.3)Legislação de defesa comercial impedir ocomércio desleal e evitar que um país sofra asconseqüências desfavoráveis em virtude da prática de
1
Protocolo como “atualização” do conteúdo do Tratado.
subsídios, de dumping, do aumento súbito de importações,sem adotar qualquer providência para coibi-la. A previsãode tal tipo, mune o Estado de instrumentos para prevençãodessas conseqüências e para a adão de poticasindustriais.4)Questão da segurança nas relões internacionais,atinente a conflitos de qualquer tipo, principalmente, entreEstados. Uma resolução do Conselho de Segurança (CS)da ONU, como as resoluções que estabelecem embargoseconômicos / comerciais (exemplo célebre é o da África doSul pela prática de discriminação racial potica de
apartheid 
).Isso demonstra o papel importante que as OI matualmente. Vivemos num
mundo de porosidades: vidadoméstica do Estado e externa
. No passado, podia-seestudar Direito sem se saber o que ocorria no âmbito dasrelações internacionais. Hoje, não é mais possível: quemquiser se especializar em carreira doméstica jamais poderádispensar os conhecimentos obtidos em direitointernacional. O curso de direito das OI cuidará doaparecimento, das características, da competência e dosdesafios enfrentados pelas organizações internacionais.
Ordem de Vestefália (
Westfalia
)
 
 – de 1650 a 1950,aproximadamente.
Dominou durante o período acima, até o momento em queé influenciada, a ordem internacional, pelo aparecimentodas OI.
Os Estados percebem que precisavam de umaestrutura internacional nova que comportasse erespondesse as suas novas necessidades (oriundasde uma crescente interdependência de suas relaçõespolíticas, econômicas, sociais, culturais, jurídicas); asOI emergem nos mais variados assuntos da esferainternacional, a partir do início de sua criação pelosEstados soberanos.
Não é a Ordem de
Westafalia
mais suficiente para omundo em que vivemos, o qual exige uma organizaçãoinstitucional mais complexa (não só mais
o Estado é ocentro de tudo; não se tem mais somente o Estado-nação como soberano na ordem internacional,conferindo-lhe, portanto, o caráter de ser o único enteapto a relacionar-se na esfera externa
).
As Organizações Internacionais definem regras, que seconstituem pólos de poder, os quais têm um destaqueinconfundível e incontestável na formação da vidainternacional contemporânea.
 Há também um processo de
sofisticação institucional
em andamento: antes se tomava como processo decisórioa unanimidade formal para que se agisse
 
(como, por exemplo, a maioria absoluta em alguma votação); hoje,contudo, prevê-se a necessidade de que haja
consenso
(preponderância, portanto, de um elemento mais materialem relação a um aspecto de mera forma).As OI trouxeram uma
nova dinâmica
para as relaçõesinternacionais (RI): as
organizações internacionais
aparecem com
recursos de poder 
, que em princípio, sóos Estados possuíam. A chamada
diplomaciaparlamentar 
faz com que haja uma diferenciação,
1
 
inovando nessa dinâmica. Tal tipo de diplomacia muda opanorama de negociações: as conformações de interessesmudam conforme os temas analisados e discutidos. Estetipo diplomático introduz aspectos novos como a formaçãode alianças para garantir peso àqueles países menosexpressivos, tanto em relação ao poder político, quantoeconômico, refletidos em seu poder de negociação nopanorama mundial. É importante observar que taisaliaas mudam conforme os temas tratados. Assimsendo, é diferente a diplomacia parlamentar da
diplomacia secreta
, exercida durante a ordemvestefaliana com maior ênfase; este tipo era visto naquelaordem como o que seria o maior elemento de confrontoentre os Estados, já que por seu caráter secreto traziamaior insegurança e instabilidade à cena internacional.As
OI adquiriram personalidade jurídica
, e tornaram-se
centro de imputações de obrigações e de direitos
m, como finalidade, a persecão de interessessupraindividuais. O início das OI se dá com a interpretaçãodada pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre aCarta de 1946, a qual fundava a ONU. A interpretaçãodada era a de que a ONU seria um centro diferente,descolado dos países-membros, a que seriam imputáveisobrigações e direitos.
Organizações o-Governamentais (ONGs)
participação no processo decisório, início da sociedadecivil, como ativa no cenário internacional – questão de taisorganizações possuírem legitimidade e efetividade paraparticipação e transparência nos processos decisórios dasOI. Efetividade e transparência: temas intimamente ligadosà questão da legitimidade. Toda a questão da reforma doCS é uma discussão sobre a representatividade e sobre alegitimidade da ONU em um mundo em intensa econstante transformação.
Desafios
.Assim, sendo, novos desafios a serem enfrentadospelas OI. Um bom exemplo seria o surgimento de novosatores no cenário internacional: indivíduos, empresastransnacionais, ONGs. Isso trouxe maior complexidade aoprocesso, o que implica numa revio institucional,fortemente divulgada pela mídia.Outro aspecto é garantir a representatividade e atransparência das OIs, esses temas se ligam intimamenteà queso da legitimidade (vide discuso sobre aformão vestfaliana do CS e a recente queso dasubstituição da Comissão de Direitos Humanos da ONU,por um Conselho de Direitos Humanos - com atransformação dessa ordem, a estrutura internacional doCS passa a ser questionada quanto à representatividade eà legitimidade, o que implica no questionamento do papelda própria ONU).
CAUSAS DE SURGIMENTO DAS OI
Desde a 2ª metade do século XVII houve a predominânciada Ordem Internacional de
Westfalia
, que tem como eixocentral de seu padrão o conceito de Estado-nãosoberano.
Soberania
: face externa – independência emrelação às demais unidades soberanas e face interna –supremacia em relação às demais fontes de poder.
Ordeminternacional
: conjunto de relões entre Estadossoberanos; é um sistema cuja principal unidade é oEstado, se observada uma concepção vestefaliana.Durante os dois primeiros séculos dessa ordem, a maioriadas relações era do tipo bilateral e o direito internacionalera predominantemente consuetudinário
2
. A partir deentão, os tratados comaram a se tornar maisimportantes com a ordem de Westafalia.
Tratado de Westfalia:
agrega tratados bilaterais. Por umlongo período havia poucos Estados, o que ensejavapoucos tratados bilaterais e as discussões eram feitas emconferências diplomáticas. De tempos em tempos, asprincipais nações se reuniam e deliberavam como agir empeodos de crise. Esse esquema foi-se mostrandoinsuficiente com o crescimento da interdependência, quepode ser simétrica ou
assimétrica
. Esta última consisteem
relações recíprocas, nas quais um dos paísespredomina sobre o outro, ao contrário dainterdependência simétrica.
Na segunda metade do culo XIX aprofunda-se aconsciência entre os Estados de que há umainterdependência entre eles, o que fica mais acentuadodurante todo o século XX. Com a facilitação dos meios detransporte, as relações de interdependência aumentaramdemasiadamente, de tal ordem que as conferênciasdiplomáticas não bastavam.
 
Assim, era preciso
dar um ar de permanência eestabilidade às conferências existentes
. Dessanecessidade nasceram as OI que se transformaram emcentros de poder. As primeiras OI surgiram para resolver problemas comuns, como a navegação dos Rios Reno eDanúbio. Além disso,
tinham um caráter eminentementetécnico-administrativo
.A essa se somam outras causas importantes que deramensejo ao nascimento das OI, como o aspecto dasegurança e proteção dos direitos. Um exemplo são osdireitos dos trabalhadores, cuja crescente organizaçãorepresenta um conflito aberto de classes, que vai, aospoucos, se institucionalizando em sindicatos. Aqui seencontram os germes dos atos sociais da primeira metadedo século XX (Constituição de Weimar e atos mexicanos).
Surgimento da OIT
: desigualdade social no plano internoe guerras no plano externo; os conflitos internos acabavampor precipitar os conflitos externos. Conexão do processode consolidação dos atos sociais na esfera doméstica e osatos sociais no plano internacional.
OIT
: atividade bastante significativa nas recomendaçõesna esfera trabalhista. Representa um ponto de força napreocupação com os direitos sociais.
Outra causa para o surgimento das OI
é a proteção devalores que só podem ser garantidos na esferainternacional. Valores estes, como por exemplo, o respeitoe a observância aos tratados de Direitos Humanos(principalmente à Declaração de 1948).As OI
nascem
 
como meras reuniões administrativas
,
sem personalidade judica e com o sistema de
2
Antes de
Westfalia
.
2
 
votação baseado na unanimidade
; as características quepodem ser observadas hoje, apresentam-se ao longo doséculo XX e eram inexistentes no século XIX.O aparecimento das OI traz uma
nova dinâmica
para asrelações internacionais em que o
coeficiente de poder 
dos Estados
não é a única determinante
, pois as aliançasentre os Estados passaram a ser muito significativa.
Tema da paz e da guerra.
Na ordem vestefaliana, os tratados de paz eram osresultados dos anseios pela paz e o havia ainda aconcepção de uma organização para esse fim; a guerraera um meio considerado legítimo para a solução decontrovérsias e tido como justo na Ordem Internacional daCristandade
3
.Na primeira metade do culo XX, esseestado de coisas se alterou porque a paz e a guerra nãoeram mais um tema a ser deixado ao mero arbítrio dosEstados (Luigi Ferrajoli chama as duas Guerras Mundiaisdo século XX como 2ª Guerra dos Trinta Anos, em alusãoao conflito que, após terminado, deu início à Ordem de
Westfalia
) como na ordem vestefaliana
Causas de surgimento das OIs:
interdependência entre os Estados no cenáriomundial;
facilitação dos transportes;
proteção dos direitos;
determinação do espaço internacional.
As OI
passam a ser espaços de solução decontrovérsias
, sejam elas administrativas ou judiciais.
Normas de adjudicação
: contribuem para transformar asnormas de ato internacional (regras de condutas primáriasdo ato internacional clássico). As OI cooperam para mudar este quadro, pois propiciam a criação de regras demudança e regras de adjudicação. Nascem, no século XX,
OI específicas
com a finalidade de solucionar conflitos,como o GATT – OMC. Elas assinalam uma mudança semprecedentes no relacionamento entre os Estados, sendotidas como
pólos emanação de poder e de produção denormas.Pólo de produção de normas
: os Estados deixam de ser os únicos sujeitos responsáveis pela produção normativa.Esses novos fatores dão a dimensão do papel das OI naalteração do cenário mundial; com o decorrer do tempo aatuação das OI se dirige para uma multiplicação das áreasconsideradas importantes para a vida internacional.
Poder regulamentar das OI
:
 
tido basicamente comosendo relativo à
produção normativa
.
Centros de imputação de atos e obrigações
: as OIadquirem
personalidade jurídica
, fato que se consolidaapós a 2ª Guerra Mundial, com o estabelecimento da ONUe parecer consultivo da CIJ favorável à exisncia depersonalidade jurídica desta organização universal.
3
Esta sendo como antecessora da Ordem de
Westfalia
: naCristandade organiza-se a sociedade transnacional, quanto assuas relações, atras de uma vio do mundo criso,submetendo os Estados aos mandos tanto do Imperador, quantodo Papa. Este era tido como árbitro supremo e inapelável dosconflitos estabelecidos entre os Príncipes cristãos.
ASPECTOS GERAIS DAS FUNÇÕES DAS OIDiplomacia parlamentar 
: exemplo – rodada do Uruguaique discutiu a questão relativa à propriedade intelectual ea questão da agricultura – acesso aos mercados atravésde um
trade-off 
entre os países desenvolvidos e os emdesenvolvimento. Exemplo: grupo de Cairnes: congregagrupo de países desenvolvidos e em desenvolvimento nointeresse de liberalizar o comércio agrícola.A diplomacia parlamentar cria uma nova dinâmica nointerior das OI que as
aproxima dos parlamentosinternos dos Estados
. Seu mecanismo de negociaçãoatua de maneira muito similar ao mecanismo defuncionamento de um parlamento de um Estado; tratam-sede configurações de interesses ou de jogos de geometriavariável, pois elas mudam conforme o tema em discussão,logo não há alianças definitivas.
Constitucionalismo Internacional
.As constituições das OI, suas cartas, assemelham-se àsconstituições nacionais com a sua estruturação emprincípios básicos e mecanismos. Exemplo: Acordo quecriou a OMC – princípio da não-discriminação (cláusula danação mais favorecida), princípio da transparência. Esseconstitucionalismo estabelece um horizonte depossibilidades em torno do qual os países analisam oposicionamento recíproco e definem diretrizes. As OI têmuma capacidade de supervisão sobre os assuntosdomésticos, o que era impenvel no passado.Globalização vertical; assuntos internacionais que seinserem no plano interno; Globalizão horizontal:organização das relações entre Estados. As OI podem seinserir também na globalizão vertical, quer pelostratados celebrados em seu âmbito, quer por exigir umaatuação das OIs que verifique a compatibilidade doposicionamento adotado pelos Estados e seu planointerno. Exemplo: globalização vertical fixação de alíquotasno Mercosul que se refletem em cada membro,individualmente (regional); acordo TRIPs na OMC(universal).
Supervisão das OI sobre as poticas externas,financeiras, econômicas, educacionais, etc. dosEstados
.A ONU verifica se o comportamento de seus membros éadequado aos princípios da organização. O FMI tem comouma das funções estabelecer paridades entre as moedasnacionais; se um país quer estabelecer paridades, deveconsultar o Fundo; em geral, os acordos com o Fundoobrigam os países a não estabelecer barreiras ao comérciointernacional (política condicionante). A OMC dispõem deum sistema de notificações que estabelece o grau depublicidade e transparência das políticas comerciais.A supervisão exercida pelas OI pode ser instrumentoimportante para permitir aos outros membros conhecer ograu de comprometimento dos Estados nas obrigaçõesassumidas. Exemplo: controle da observância dos direitoshumanos na ONU – atualmente, mais enfatizado com acriação do Conselho de Direitos Humanos em substituiçãoà antiga Comissão de Direitos Humanos.As OI deram origem a uma espécie de
tensão valorativa
que trouxe à tona o problema da vinculação (
linkages
); em
3

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