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PRINCÍPIOS ESTRUTURANTES DO PROCESSO CIVIL

PRINCÍPIOS ESTRUTURANTES DO PROCESSO CIVIL

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07/02/2013

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1.
 
Direito à jurisdição
O art. 10º Declaração Universal dos Direitos do Homem estabelece que“toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa sejaequitativa e publicamente julgada por um Tribunal independente e imparcial quedecida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação emmatéria penal que contra ela seja deduzida”.Este direito à justiça sem qualquer discriminação por motivos económicos éuma consequência do Estado social de direito que se encontra consagrado noart. 2º CRP. O acesso à justiça não é, aliás, o único direito fundamentalassegurado ao cidadão na área da protecção dos direitos: adequadamente, oart. 20º/1 CRP atribui, a par da garantia de acesso aos Tribunais, uma garantiade acesso ao próprio direito. Sem este “direito ao direito”, a garantia do acessoaos Tribunais poderia tornar-se vazia e ilusória, dado que não importa criar ascondições para aceder aos Tribunais se, simultaneamente, não se possibilitar oconhecimento dos direitos que se podem defender através desses órgãos. Nestaperspectiva, percebe-se que, nos termos do art. 20º/2 CRP, a garantia doacesso ao direito envolva o direito à informação e consultas jurídicas e, em casode necessidade, ao patrocínio judiciário e que o art. 6º DL 387-B/87, de 29/12,englobe o direito à consulta jurídica e ao patrocínio judiciário num mais vastodireito à protecção jurídica. 
2.
 
Garantias do acesso à justiça
Quando considerada na perspectiva do acesso à justiça, qualquer reformado processo civil deve orientar-se para a eliminão dos obsculos queimpedem, ou, pelo menos, dificultam, esse acesso. Cappellitti considera osseguintes obstáculos ao acesso à justiça: o
obstáculo económico,
se osinteressados não estiverem em condições de aceder aos Tribunais por causa dasua pobreza; o
obstáculo organizatório,
porque a tutela de certos interessescolectivos ou difusos impõe uma profunda transformação nas regras e institutostradicionais do direito processual; finalmente, o
obstáculo propriamente
1
 
processual,
porque os tipos tradicionais de processo são inadequados paraalgumas tarefas de tutela.
a)
 
Obstáculo económico:
A garantia do acesso à justa, para ser efectiva, pressue a odiscriminação por insuficiência de meios económicos (art. 20º/1 CRP). O art. 6ºDL 387-B/87 garante, no âmbito da protecção judica, o chamado apoio judiciário, o qual compreende a dispensa, total ou parcial, ou o diferimento dopagamento dos serviços do advogado ou solicitador (art. 15º/1 DL 387-B/87).Este apoio judiciário destina-se a evitar que os custos relacionados com oprocesso seja utilizados pela parte economicamente mais poderosa como ummeio de pressão sobre a parte mais fraca.
b)
 
Obstáculo organizatório:
O art. 26º-A regula a legitimidade para as acções e procedimentoscautelares destinados à tutela de interesses difusos, como os que se referem àsaúde pública, ao ambiente e qualidade de vida, ao património cultural, aodomínio público e ao consumo de bens e serviços.O art. 26º-A contém apenas uma norma remissiva para a leiregulamentadora da acção popular, mas, ainda assim, apresenta a vantagem deintegrar no âmbito do processo civil a legitimidade popular, isto é, a legitimidadepara a defesa dos interesses difusos através da acção popular prevista no art.52º/3 CRP. Esclareça-se, a propósito, que, nos termos do art. 12º/2 Lei 83/95, aacção popular civil pode revestir qualquer das formas previstas no Código deProcesso Civil, pelo que essa legitimidade abrange qualquer acção ouprocedimento admissível na área processual civil.
c)
 
Obstáculo processual:
O processo declarativo segue uma tramitação, comum ou especial, fixadapela lei (art. 460º/1 CPC). Abandonada qualquer correspondência entre o direitosubjectivo e a respectiva actio, são fundamentalmente motivos ligados ànecessidade prática de adaptar a tramitação processual a certas situaçõesespecíficas que conduzem à previsão de certos processos especiais. Mas, osprocessos especiais previstos na lei só abrangem certas situações particulares,o que significa que a grande maioria das acções propostas em Tribunal éregulada para a tramitação comum (art. 460º/2 CPC).Segundo o art. 265º-A CPC, quando a tramitação processual prevista na leinão se adequar às especificidades da causa, o juiz deve, mesmo oficiosamente,determinar, depois de ouvidas as partes, a prática dos actos que melhor seajustem ao fim do processo e definir as necessárias adaptações no seuprocedimento. Deve entender-se que a iniciativa da adaptação pode pertencer quer ao juiz, quer a qualquer das partes. A adaptação pode consistir tanto narealização de actos que não sejam previstos na tramitação legal e que semostrem indispensáveis ao apuramento da verdade e ao acerto da decisão,como na dispensa de actos que se revelem manifestamente inidóneos para o fimdo processo.O art. 265º-A CPC, não o diz, mas é claro que a tramitação sucedânea temde respeitar estritamente a igualdade das partes (art. 3º-A CPC) e, em particular,o princípio do contraditório (art. 3º/2/3 1ª parte CPC). Mesmo que, como o art.2
 
265º-A CPC, o exige, a parte tenha sido previamente ouvida, ela não ficaimpedida de invocar o desrespeito daqueles princípios na tramitação sucedânea.A prática ou a omissão de um acto que implica a ofensa daqueles princípiostraduz-se numa nulidade processual (art. 20/1 CPC), pois que odirectamente violados os preceitos que os consagram (arts. 3º/2/3 1ª parte e 3º-A CPC) e essa violação influi certamente no exame ou decisão da causa.Nas hipóteses de cumulação de vários objectos processuais numa mesmaacção, o problema da inadequação formal surge numa outra vertente: sempreque uma certa situação da vida jurídica comporte aspectos a que, quandoconsiderados parcelarmente, correspondam processos comuns e especiais oudiferentes processos especiais, coloca-se o problema de saber se essadiferença formal deve impedir o seu tratamento unitário num mesmo processo. Éevidente que é desejável que motivos formais não impliquem umdesmembramento de uma mesma situação jurídica por vários processos.3

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