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joão matos_o cartaz didáctico

joão matos_o cartaz didáctico

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Resumo
Com a presente reflexão pretende-se reflectir sobre ocartaz, nomeadamente o cartaz didáctico em contextode sala de aula, tendo em vista um melhor desempenhopedagógico, nas práticas correntes de estágio da forma-ção inicial de professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.Orecurso ao cartaz didáctico na sala de aula, tal comomuitos outros materiais de apoio, por nos parecer fre-quente e, por vezes, pouco consistente, merece um olharmais atento e fundamentado. A escassa bibliografia deespecialidade existente sobre o assunto traduz a pouca atenção que têm merecido materiais de apoio deste tipo.Integrado num conjunto de vários materiais didácticos,ocartaz é aqui abordado como ferramenta/produto ecomo percurso/processo. Enquanto ferramenta/pro-duto interessa-nos perspectivar este material de apoiocomo algo que serve um determinado fim pedagógico,mas que se apresenta como algo acabado e pronto a usarpor terceiros. Considerando o cartaz como uma forma de registo que ajuda a percebermelhor o percurso e oprocesso traçado até se alcançar determinada aprendi-zagem, interessa-nos um conjunto de consideraçõespedagógicas que julgamos importantes numa boa prá-tica pedagógica e que configuram um conjunto deexperiências significativas no domínio do ensino/apren-dizagem. Assim, desenvolveremos esta reflexão em torno de uma dupla questão: O que é um “cartaz didáctico”? Que consi-derações pedagógicas e comunicacionais formular a pro-pósito da utilização e construção de um cartaz didáctico?
Palavras-chave:
cartaz didáctico; tipos de cartazes didácticos;implicações pedagógicas
1Definição de cartaz didáctico
Etimologicamente, segundo Pereira (1969), a palavra “cartaz” deriva do grego “chártes”, e terá chegado até nóspelo árabe “qirtas”, designando “folha de papel; papéis,livros, escritos; pedaço de couro que serve de alvo aosarcheiros”. “Chártes” deu origem à palavra “carta”, pelolatim “charta” e designava “folha de papiro ou de papel”.Por sua vez, “cartaz”, em grego antigo, também tinha a designação de “prógrama, atos” (s. n.), significando “pro-grama, anúncio; inscrição”.Para além da partilha do radical nominal de “cartaz” e de“carta”, considerando os valores semânticos que resul-tamdeste breve levantamento etimológico, percebe-sejá, no domínio do referente, a existência de vários tiposde cartazes que configuram a utilização/construçãoactual deste tipo de documento/material.Para além do suporte “papel” e da vertente comunicativa que ressalta do termo “anúncio”, que é partilhado pormuitos enunciados cujo objectivo é pôr em comum/par-tilharum determinado quadro de experiência, o “car-taz”, mais especificamente o “cartaz didáctico”, tal comoacarta de marear, também tem como finalidade “orien-tarpara um determinado fim” e constitui-se, ele pró-prio, um “alvo” para onde se dirigem as atenções dos“archeiros”. “Orientar” não significa aqui “conduzir”; outilizador do cartaz didáctico, tal como o navegador coma“carta de marear”, deverá dominar já um conjunto desaberes e realizar um esforço de aplicação desses mes-mos saberes, no sentido de compreender o enunciadoque lhe é proposto, que é o mesmo que dizer “levar obarco a bom porto” ou “acertar no alvo”, em termosmetafóricos. Assim, um “cartaz didáctico”, pode ser definido, sob oponto de vista pedagógico, como um recurso de apoiocriado para instruir ou ensinar uma determinada maté-ria; sob o ponto de vista linguístico, (pela consistência das características que apresenta no contexto profissio-
Cartaz Didáctico
João Carlos Gonçalves de MatosESE de Paula Frassinettijoao.matos@esepf.pt
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nal específico em que se insere) com um tipo de textoque contempla uma ou várias sequências textuais (desta-cando-se a expositiva, a explicativa, a informativa, a des-critiva e a síntese); é constituído por linguagem verbal enão verbal, cuja finalidade é, predominantemente, tornarmais acessível, sob o ponto de vista da compreensão, umdeterminado conteúdo didáctico; e tem como suporte opapel, a cartolina ou o cartão em grande formato (A3; A2; A1), afixado e usado, normalmente, em lugar público,particularmente, em contexto escolar (como, por exem-plo, na sala de aula).Sendo o cartaz uma forma de texto e de discurso, apesarde não procedermos aqui à exploração deste ponto, inte-ressam-nos alguns aspectos relacionados com o actocomunicativo (contexto, em sentido amplo) e o acto lin-guístico (cotexto, em sentido restrito), de acordo comVilela (1999).Tendo presente factores sociais inerentes à comunicaçãoeelementos linguísticos verbais, de acordo com o queconstatamos a respeito da utilização dos cartazes didác-ticos nos espaços de sala de aula (sobretudo no 1º Ciclode Ensino Básico), podemos identificar, entre outros, osseguintes critérios de classificação e respectivos tipos decartazes:a) considerando o destinatário deste material de apoio,temos:i.cartazes para várias idades (desde a tenra idade atéàterceira idade);ii.cartazes para diferentes anos de escolaridade(desde o pré-escolaraté ao ensino superior);iii.cartazes adaptados às potencialidades/limitaçõesdo destinatário (desde limitações locomotoras a  visuais, afectivas, psicológicas ou cognitivas);b) considerando o conteúdo do cartaz didáctico, temos:i.os que contêm assuntos relativos a áreas curricula-res (por exemplo: cartaz de Língua Portuguesa; deMatemática; de Estudo do Meio; de História;Geografia; Expressão Plástica, Musical, Motora…);ii.os que contêm assuntos relativos à vida escolar emgeral, que, embora sendo relevantes, não são cur-riculares (por exemplo, cartaz das tarefas diárias,cartaz do registo de ocorrências, cartaz de avalia-ção de comportamento; cartaz de registo dos ani- versários, etc.c) considerando quem concebe e elabora o cartaz,temos:i.os que são concebidos por técnicos (professores,autores de manuais escolares, “designers
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gráfi-cos…) oferecidos ou comercializados pelas edito-ras de livros (escolares, regra geral);ii.os que são produzidos pelos professores dos uten-tes do cartaz naquele ano ou noutro ao longo da sua carreira;iii.os que são produzidos pelos alunos, com ou semorientação do professor, tendo como destinatáriosaturma ou a escola;d) considerando o local onde se afixa o cartaz didáctico,temos:i.os cartazes que se afixam nos locais mais visíveis(normalmente, pela importância que assumem, esco-lhidos estrategicamente em função da previsível uti-lização dos espaços e da sua respectiva adequação –por exemplo, cartazes didácticos orientadosporprofessores e que pretendem evidenciar o traba-lho alcançado por alunos durante um determi-nado período de tempo);ii.os cartazes que se afixam nos locais menos visíveis,(normalmente, pela pouca importância atribuída aoespaço onde se afixam ou por insuficiente avaliaçãodo grau de adequação ao espaço em se inserem –por exemplo,cartazes didácticos sobrepostos,commuita informação visual à volta, afixados muito emcima ou muito em baixo relativamente ao seu leitor,em “placards” com fundos desajustados, em “vitrines”espelhadas ou plastificadas, resultando reflexos deluz perturbadores de uma boa/fácil leitura);
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e) considerando o factor tempo (momento em que seafixa e duração da afixação do cartaz), temos:i.cartazes que se podem afixar a qualquer momentoeque estão sempre actualizados ou pertinentes –normalmente, são cartazes que não contém mar-cadores ou deícticos temporais que condicionem a sua utilização no momento em que são utilizados(por exemplo,um cartaz sobre o corpo humano);ii.cartazes que se podem afixar apenas num deter-minado momento, porque só nesse momento sãopertinentes, dado que têm como referente umdeterminado período de tempo; (por exemplo,um cartaz sobre um evento próximo ou uma esta-ção do ano);iii.cartazes que se afixam antes de se apresentar uma determinada matéria (como motivação para osaber, por exemplo);iv.cartazes que se afixam durante a exploração deuma determinada matéria (como construção dosaber, por exemplo); v.cartazes que se afixam depois da exploração deuma determinada matéria (como síntese do saber,por exemplo); vi.cartazes que podempermanecer afixados durantetodo o ano lectivo com validade e/ou pertinência (como forma de recapitulação e consolidação dematérias escolares); vii.cartazes que podem permanecer afixados duranteaexploração de uma determinada matéria (comoforma de reforço da informação apresentada); viii.cartazes que podem ser afixados de forma inter-mitente (como forma de dar relevância à sua pró-pria presença num determinado espaço físico).Naturalmente, esta lista podia ser ainda mais extensa,porém é suficiente para ilustrar a natureza complexa deste tipo de material de apoio, pela utilização e pelosmúltiplos olhares que pode comportar.Para a definição do conceito, não é menos importantetambém perceber como é que um cartaz didáctico éconstituído. Regra geral, o cartaz, enquanto texto/ registo gráfico, tem como suporte o papel, a folha, a car-tolina ou a tela; as características desse suporte (cor,tamanho e formato) variam de acordo com a intençãopedagógica e essa variação não é indiferente nos seusefeitos/resultados comunicacionais.Para além do suporte, a propósito da constituição docartaz, temos a considerar o conteúdo e a forma.Oconteúdo visual gráfico pode ser igualmente muitodíspar; podemos considerar, entre outros elementos, osseguintes: letra, palavra, título,subtítulo, legenda,assunto,texto,corpo do texto, linha, verso, estrofe, fala,tópico, frase, didascália, parágrafo, coluna, tabela,autor/editora do cartaz; numeração do cartaz, indicaçãoda áreacurricular ou, indicação da colecção, ilustração,imagem, fotografia, desenho, esquema… Aforma visual gráfica, por sua vez, pode ser constituída por: limite do cartaz; fundo; alinhamento do texto; com-posição/distribuição dos vários elementos gráficos; carac-terísticas da letra – tipo, tamanho, inclinação, alinhamento,ligação das letras, espaçamento, sentido de movimento,estrutura das letras, serifas, sublinhado,cor,etc
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.No sentido de corroborar a complexidade do cartazdidáctico, contribuindo para a sua definição, interessa também perceber o papel dos intervenientes no pro-cesso de concepção e produção do mesmo.Com a industrialização dos processos tipográficos, comasfacilidades tecnológicas no processamento de texto ecom as sofisticadas ferramentas das artes gráficas, hojeem dia, é muito frequente assistir-se a uma oferta signi-ficativa de materiais didácticos que, preenchendo mui-tos dos quesitos apontados anteriormente não são,contudo, concebidos e produzidos por quem os utiliza.Este aspecto é apenas um, entre muitos outros exem-plos, que ilustra o carácter “prêt à porter” de muitas prá-ticas pedagógicas, com consequências evidentes.
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Cf. Gonçalves, G (1973)

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