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Ana Lima 2007_duas Escolas de Arquitectura - Bauhaus e a Escola de Cambridge

Ana Lima 2007_duas Escolas de Arquitectura - Bauhaus e a Escola de Cambridge

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1III FRUM DE PESQUISA FAU.MACKENZIE I 2007
DUAS ESCOLAS DE ARQUITETURA: BAUHAUS E ESCOLA DE CAMBRIDGE
Ana Gabriela Godinho Lima
 Neste texto, vamos analisar duas experiências de ensino que não apenas revelam visõesdiferentes sobre a educação da mulher como arquiteta, mas também representam papéisbastante distintos na história da arquitetura, tal como se estuda tradicionalmente. Aprimeira, a alemã Bauhaus (1919-1933), provavelmente a mais famosa escola de artes earquitetura, e a segunda, a Escola de Cambridge (1915-1942), dedicada exclusivamente aoensino de arquitetura para mulheres nos Estados Unidos - uma experiência sem dúvidanenhuma mais modesta e bem menos conhecida.
Estudantes na Bauhaus (1)
A Bauhaus consiste, possivelmente, na construção do sistema pedagógico mais notório noensino de artes e arquitetura do século XX. Considerada o paradigma da modernização nosmodos de ver e fazer arte, foi a sede intelectual geradora de produtos que hoje sãoconsiderados clássicos do design, como a cadeira vermelha e azul de Gerrit Rietveld (1917),o bule de chá de Marianne Brandt (1924), a luminária Bauhaus de Karl J. Kucher e WilhelmWagenfeld (1923-24). Ali foram produzidos objetos tendo em vista as mais variadasatividades, incluindo as brincadeiras infantis. Exemplos são o boneco articulado de Josef Hartwig e Oskar Schlemmer (1923) e o jogo de blocos de construção de Alma Buscher(1924). Em termos de arquitetura, a imagem clássica associada à Bauhaus é a do edifício
Θ
Mestre em Estruturas Ambientais Urbanas (FAUUSP-1999) e Doutora em Educação (FEUSP – 2004), professora daFaculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É autora de artigos nacionais einternacionais na área de arquitetura e educação. Recentemente publicou o livro: “Reflexões de Arquitetura na Obrade Dante Della Manna” (C4, 2007), e ministrou o curso de estensão
Climate, Culture and Urbanism: the Brazilian Case 
na Universidade de Lund, Suécia (2007).
 
 
2III FRUM DE PESQUISA FAU.MACKENZIE I 2007
sede da Bauhaus projetada por Walter Gropius em 1926, quando a escola mudou-se deWeimar para Dessau.Nesse ambiente, as mulheres encontraram sistematicamente dificuldades em suas trajetóriascomo estudantes ou professoras. Embora a Constituição de Weimar, nos anos iniciais defuncionamento da escola, garantisse o direito irrestrito de aprendizado às mulheres, e opróprio diretor da escola, Walter Gropius, em seu primeiro discurso aos estudantes daBauhaus, se referisse às mulheres como detentoras dos mesmos direitos e obrigações queseus pares masculinos, o fato é que as práticas de discriminação e desvalorização dasmulheres foram constantes na escola. Em setembro de 1920, o mesmo Gropius sugeriria aoConselho dos Mestres, que deliberava sobre as atividades da Bauhaus, que “a seleção deviaser mais rigorosa desde o princípio, particularmente no caso do sexo feminino, que contava já com um número excessivo”.(1) Droste observa que nenhuma mulher deveria ser admitidapara estudar arquitetura, adicionando que a Bauhaus de Weimar dificultoufundamentalmente a entrada das mulheres e [....] quando elas venciam os primeirosobstáculos, eram enviadas para a tecelagem. Observa ainda que muito do que as mulheresda época produziam de artístico era rejeitado pelos homens como sendo “feminino” ou“artesanal”. Os homens receavam uma tendência demasiado “decorativa” e viam o objetivoda Bauhaus, a arquitetura, em perigo.Interessa chamar a atenção para a imagem quase exclusivamente masculina que seconstruiu e se veiculou da Bauhaus, à medida em que ela foi se tornando objeto de estudona história da arquitetura. O esforço propagandístico da escola, por si só muito justificável,logrou estabelecer uma imagem apenas masculina da escola, deixando de lado,deliberadamente, a contribuição feminina. Contribuição essa significativa, apesar dasdificuldades impostas às mulheres. A fase conclusiva da discriminação e desvalorização daidentidade feminina como profissionais e participantes do processo de criação e produçãoda Bauhaus está no banimento ou diminuição de seus nomes e seus trabalhos dos catálogose livros produzidos sobre a escola.Se considerarmos o tratamento discriminatório que era dispensado às mulheres na Bauhause o fato de que seus trabalhos e suas figuras serem sistematicamente diminuídos em relaçãoaos seus colegas homens nos materiais publicados para divulgar a produção da Bauhaus,como por exemplo seu famoso catálogo de 1938, podemos inferir que dificilmente a visãoque tinham de si mesmas e seu comportamento não tenham sido afetados por essascircunstâncias. Como Ruëdi Ray registra, Marianne Brandt, mais tarde uma designerreconhecida, escreveu sobre sua experiência de discriminação pelo fato de ser mulher:At first I was not accepted with pleasure – there was no place for a woman in a metalworkshop, they felt. They admitted this to me later on and meanwhile expressed theirdispleasure by giving me all sorts of dull, dreary work. How many little hemispheres did Imost patiently hammer out of brittle new silver, thinking that was the way it had to be andall beginnings are hard. Later things settled down, and we got along well together. (2)
 
 
3III FRUM DE PESQUISA FAU.MACKENZIE I 2007
O tratamento distinto, as dificuldades por que estudantes mulheres e professoras passarame o obscurecimento de suas contribuições nas publicações da Bauhaus interferiram ainda navisão que se transmitiu da escola por todo o mundo. Nas mais variadas publicações sobre aescola, as mulheres acabaram por ser eclipsadas, ao menos parcialmente. Ruëdi Ray aoobservar o tratamento injusto dispensado às mulheres no catálogo de 1938, reflete:
“(...) Documentation of female students and teachers at the Bauhaus is limited andneeds further research. References to students appear in a few meetings of the Councilof Masters and occasionally in speeches. Although the 1938 catalog claimed that one-third of Bauhaus students were female, this is difficult to discern from the photographsand names of the authors of work shown which are overwhelmingly male. GuntaStadler-Stölzl, who ran the weaving workshop where almost all of the females studentsworked, is the only workshop mistress included in the biographical section, probablybecause it made the greatest profits for the Bauhaus business. Marianne Brandt, who ranthe commercially successful metal workshop, is not included. ” (2)
Nestas considerações sobre a Bauhaus, é importante lembrar que este texto procura ater-seà a alguns aspectos que sugerem a reflexão sobre a questão da formação da identidade dealunas(os) e professoras(es), ou seja, o senso de pertinência e importância na categoriaprofissional enquanto integrantes da Bauhaus, tendo em vista a valorização desproporcionalda presença masculina, denunciada em catálogos e estudos produzido pela Bauhaus ou aseu respeito. Também refere-se apenas à ação e influência de Walter Gropius na Bauhaus, enão a de outros professores, uma vez que parece ser um consenso que foi este arquiteto,mais do que seus sucessores, a imprimir a imagem histórica que a escola acabou porassumir. Como Ruëdi Ray observou (idem), Gropius acabou se transformando em uma figurasimbólica da Bauhaus, de uma maneira jamais conseguida por Hannes Meyer ou Mies Vander Rohe.
A Escola de Cambridge
Estudante na Escola de Cambridge (4)

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