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existencia de Deus

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argumentos sobre a existência de Deus
85
 
and Confirmation Theory.
 British Journal for the Philosophy of Science
42: 513–33.Hume, David. 1748.
 Investigações sobre o Entendi-mento Humano e sobre os Princípios da Moral.
São Paulo: UNESP, 2003.Le Blanc, Jill. 1993. Infinity in Theology andMathematics.
 Religious Studies
29: 51–62.Prevost, Robert. 1990.
 Probability and Theistic Ex- planation
. Oxford: Clarendon.Price, Richard. 1768. On the Importance of Christi-anity and the Nature of Historical Evidence, andMiracles. In Earman 2000.Salmon, Wesley. 1990. Rationality and Objectivity inScience or Tom Kuhn Meets Tom Bayes. Reim- presso em M. Curd e J. A. Cover, orgs.,
 Philoso- phy of Science
. Nova Iorque e Londres: W. W. Norton & Company.Sober, Elliott. 1988.
 Reconstructing the Past.
Cam- bridge, MA: MIT Press.Swinburne, Richard. 1996.
Será que Deus Existe?
 Trad. D. Murcho et al
.
Lisboa: Gradiva, 1998. — 2004.
The Existence of God.
Oxford: Clarendon.
argumentos sobre a existência de Deus
Ten-tativas de fundamentar ou refutar, com base em premissas universalmente aceitáveis, a conclu-são de que Deus (definido com base na doutri-na das grandes religiões monoteístas) existe. No seu conjunto, esses argumentos constituemum empreendimento que valoriza o uso deformas de raciocínio e premissas cuja validadee valor de verdade sejam acessíveis a todos em princípio. Ou seja, os argumentos sobre a exis-tência de Deus pretendem-se neutros em rela-ção ao tipo de atitude frente à crença religiosaque se tenha concretamente, ou seja, se se éateu, agnóstico ou adepto de uma dada religião.Assim, o empreendimento intelectual dosargumentos sobre a existência de Deus, que noseu conjunto é tradicionalmente conhecidocomo «teologia natural», caracteriza-se por  procurar discutir esse tema num plano comumtanto a crentes religiosos quanto a não crentes.O objectivo deste esforço é fundamentar ourefutar a crença em Deus com base não na reli-gião revelada, mas na discussão conduzidaconforme regras de raciocínio e dados empíri-cos acessíveis, em princípio, a todos os envol-vidos no debate.O conceito de Deus em causa nos argumen-tos em questão é já em si uma complexa questãofilosófica. Em geral, na tradição monoteísta do judaísmo, cristianismo e islamismo, Deus éentendido como um ser incorpóreo, criador egarante do universo físico, omnipotente, omnis-ciente, omnipresente, eterno, maximamente bom, maximamente livre, digno de culto e ado-ração e que se manifesta aos homens em oca-siões especiais. Colocam-se questões importan-tes tanto quanto à coerência interna desses con-ceitos quanto à sua inter-relação. Um exemplode problemas internos aos atributos divinos é ochamado
PARADOXO DA PEDRA
relativo ao atribu-to da omnipotência: teria Deus poder para criar uma pedra tão pesada que Deus não pudesseerguer? Em caso afirmativo, Deus não é omni- potente, pois haveria pelo menos uma coisa quenão poderia fazer. Em caso negativo, o mesmo problema se coloca. Um exemplo famoso dadificuldade na relação entre as qualidades divi-nas é o problema do mal, que aponta para a difi-culdade de se conciliar a existência de um ser sumamente bom, omnipotente e omniscientecom a existência do mal, tanto na natureza comona moralidade.Os argumentos mais famosos em prol daexistência de Deus são os seguintes: o
ARGU-MENTO ONTOLÓGICO
, o argumento cosmológicoe o argumento teleológico (
ver também
 
ARGU-MENTO ONTOLÓGICO DE
G
ÖDEL
). Discutiremosapenas os dois últimos, bem como o principalargumento contrário à existência de Deus, o problema do mal.
Argumento cosmológico
 Num argumentocosmológico típico as premissas contêm tantoalgum facto empírico público (como a ocorrên-cia de mudanças ou a existência do universo)quanto algum princípio de causalidade, demodo a fundamentar a conclusão de que se pode afirmar que Deus existe como causa fun-damental daquele dado empírico.Há dois tipos básicos de argumento cosmo-lógico. Um deles, denominado «argumento
kalam
», foi sugerido inicialmente por filósofos
 
argumentos sobre a existência de Deus
86
 
islâmicos e judeus na idade média, como al-Kindi e Saadia ben Joseph, respectivamente, e posteriormente adoptado por São Boaventura,no âmbito cristão. O argumento
kalam
refere-sea Deus como criador do universo num dadomomento do tempo. Este tipo de argumentocosmológico sustenta, então, que o universo tevede ter tido origem num momento no tempo (umatese, em geral, defendida com base na ideia deimpossibilidade da
REGRESSÃO
 AD INFINITUM 
decausas) e, uma vez que nada é causa de si mes-mo, apenas um ser distinto do universo poderiaser a causa do surgimento deste.O segundo tipo de argumento cosmológico prescinde da ideia de que o universo teve uminício no tempo e, por sua vez subdivide-se emduas formas: uma que defende a tese da exis-tência de Deus como ser necessário e agentecausal na manutenção dos entes contingentesna existência; e outra que se vale do princípioda razão suficiente de Leibniz. Na primeira forma deste tipo de argumentocosmológico, «contingente» e «necessário»têm, em geral, um sentido distinto do usado emlógica e devem ser entendidos como a expres-são da situação de um ente quanto à suadependência ontológica. Assim, um ente con-tingente é aquele que depende de outro paraexistir, ao passo que um ser necessário é aqueleque existe independentemente de qualquer cau-sa para sua existência. Um exemplo famoso deexposição desta forma de argumento cosmoló-gico, de entre as que não postulam uma origemdo universo no tempo, encontra-se no Livro I(questão 1, artigo 3) da
Suma Teológica
deTomás de Aquino, na terceira das suas cincovias para se provar a existência de Deus. Ape-sar de admitir a possibilidade de que o universoseja eterno, o argumento sustenta que, sendocontingente, ou seja, uma vez que o universo poderia não existir, o facto de continuar a exis-tir tem de ter uma causa que não seja, elamesma, contingente (ou seja, que não dependade outro ente para a sua existência). Assim,Deus é postulado não como uma causa criado-ra, mas sim como garante do universo. Nessestermos, essa segunda versão do argumentocosmológico teria a seguinte forma:
1. Observa-se que existe pelo menos um ente con-tingente.2. Esse ente contingente tem uma causa para suaexistência.3. A causa desse ente contingente tem de ser algodiferente de si próprio.4. A causa desse ente contingente tem de estar numconjunto que contenha ou entes contingentesapenas ou pelo menos um ser necessário, nãocontingente.5. Um conjunto que contenha apenas entes contin-gentes não pode ser a causa da existência do entecontingente observado, pois careceria, ele pró- prio, de causa.6. Assim, temos de postular a existência de pelomenos um ser necessário como causa primeirados entes contingentes.
 Na versão que recorre ao princípio da razãosuficiente de Leibniz, o argumento é epistemo-lógico e não ontológico. Ou seja, Deus não écolocado como o agente causador último dosentes contingentes, mas como a explicação fun-damental da ocorrência desses. Este princípioafirma que toda verdade de facto tem de ter umarazão suficiente que explique por que razão écomo é e não de outra maneira. Ou seja, tudoque é matéria de facto tem de ter uma explicaçãoque a torne suficientemente inteligível. Assim,argumenta-se que a existência de cada objectono universo tem de ter uma explicação para suaexistência. No entanto, nenhum objecto particu-lar se explica a si próprio. Por outro lado, se, natentativa de explicar um objecto que não tenharazão suficiente em si próprio, nos restringimosa outro objecto da mesma natureza, a sequênciainteira será ininteligível e irracional. Assim,temos de aceitar a existência de um ponto finalna cadeia explicativa que dê inteligibilidadeúltima a todos os elementos subsequentes e que, por sua vez, contenha em si a razão suficiente dasua existência.Das muitas objecções ao argumento cosmo-lógico, apresentamos a seguir uma breve selec-ção. Um ponto crucial que se aplica às três
 
argumentos sobre a existência de Deus
87
 
formas do argumento expostas é a rejeição dairracionalidade da ideia de sequência infinitade causas ou explicações. Embora a rejeição decadeias infinitas actuais seja mais característicado argumento
kalam
, esta tem também um papel importante nas outras duas versões.Porém, segundo o filósofo britânico J. L. Mac-kie, é possível eliminar as aparentes contradi-ções geradas pela ideia de infinito actual desdeque se distingam os critérios pelos quais seidentificam um conjunto menor que o outrodos parâmetros para identificar conjuntosiguais. Se forem critérios diferentes, então nãohá contradição. Além disso, se há mesmonecessidade de um término da sequência, oargumento precisa ainda de mostrar por querazão tal término tem de ser uma causa primei-ra e não num número indefinidamente grandede causas incausadas. Por fim, caso esta causa primeira fique estabelecida, a sua identificaçãocom Deus está longe de ser auto-evidente.Por outro lado, o argumento cosmológico éacusado de incorrer na falácia da composição aosupor que o universo é um ente contingente por ser composto apenas por entes contingentes. Nesse ponto, inclui-se a tese kantiana de que ouniverso não é objecto de conhecimento, poiscaso contrário cai-se em antinomias. Uma res- posta famosa a essa objecção alega que, mesmosem se referir à contingência do universo comoconjunto de todos os entes, cada um desses entes poderia deixar de existir; isto é, o facto de cadaobjecto continuar a existir ao invés de desapare-cer no nada exige uma causa que esteja para láde cada um desses objectos. Deus seria, assim, oelemento que sustentaria cada ente no ser, evi-tando o seu colapso no nada. No que se refere especificamente ao argu-mento leibniziano, discute-se se faz sentidoexigir-se uma explicação fundamental e abso-luta para se explicar a existência de um enteobservado; por que não contentarmo-nos com aexplicação deste por meio da causa imediataque lhe seja suficiente? De facto, no âmbitocientífico e da vida quotidiana, por exemplo, asexplicações não são cabais e nem por isso sãoconsideradas insatisfatórias; portanto, esse não pode ser um critério de racionalidade em geral.Estes são alguns dos pontos que mais suscitamdebate no que respeita ao argumento cosmoló-gico e que são ainda hoje objecto de intensadiscussão no meio filosófico.
Argumento teleológico
Este argumento par-te da premissa de que o universo tem umaordem para fundamentar a conclusão de queDeus existe. Em vista da importância de secaracterizar o modo pelo qual o mundo físicofunciona de forma a extrair dali uma base parafundamentar a existência de Deus, uma dascaracterísticas fundamentais do argumento teleo-lógico é a sua forte conexão com os desenvol-vimentos históricos do conhecimento científico.Também comummente denominado «argu-mento do desígnio», o argumento teleológicotem antecedentes que remontam pelo menos aPlatão, o qual, no livro X das
 Leis,
fala da pro- porção e ordem no movimento dos corposcelestes como argumento para demonstrar aexistência dos deuses. É em Tomás de Aquino, porém, que encontramos um exemplo históricomais claro do argumento teleológico, mais pre-cisamente na quinta via para se provar a exis-tência de Deus. O argumento tomista parte daconstatação de uma ordem de acções com vistaa um fim, observável em todos os objectossujeitos a leis da natureza e desprovidos deconsciência. Assim, por exemplo, toda a pedra,quando solta, cai em direcção ao chão e todo oser vivo, ao nascer, tende a realizar a essênciaimutável da sua espécie na fase adulta. Dadoque há uma constância no modo ordenado peloqual esses objectos agem e dado que não têmvontade nem inteligência que os capacitem adirigir suas próprias acções, pode-se inferir queesta ordem não seja mera coincidência aciden-tal, mas se deva a uma tendência em direcção aum fim causado por um arquitecto inteligente.Com os desenvolvimentos na física e na biologia posteriores ao séc. XIII, porém, oargumento tomista parece perder a sua força, pois o movimento dos corpos já não são expli-cados em termos de causas finais, como nafísica aristotélica, nem se entende o desenvol-vimento biológico como a realização de um

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