As primeiras medidas implantadas visavam eliminar órgãos imperiais: dissolveuas câmaras, aboliu o conselho de estado, transformou as províncias em estados enomeou o primeiro ministério da República.Um problema enfrentado pelo Governo Provisório foi gerado pela políticafinanceira de Rui Barbosa, ministro da Fazenda. Para ele, a República só se consolidaria“sobre alicerces seguros quando suas funções se firmarem na democracia do trabalhoindustrial”. Apoiada pela pequena burguesia urbana, essa política emissionista e defacilitação de créditos para a indústria não seria bem aceita pelas oligarquias dos principais Estados e até por seus colegas de ministério, como Campos Sales, da Justiça.Para muitos, inclusive Rui, a melhor solução era estimular a produção interna:ele aumentou as tarifas alfandegárias sobre os produtos aqui existentes, como os fios para as manufaturas têxteis, e facilitou a entrada de matérias-primas. Por um tratado decomércio com os Estados Unidos – que desde a Proclamação tentavam substituir aInglaterra na influência sobre o Brasil – ele tentou aumentar as exportação do açúcar.Mas o que mais se destacou na política financeira de Rui Barbosa foi à emissão de papelmoeda em larga escala.A enorme quantidade de dinheiro que passou a circular não tinhacorrespondência com a produção real da economia, resultando em uma grande inflação,além de estimular o surgimento de empresas fantasmas. Conseqüentemente a economiase tornou insustentável. A facilidade de créditos levou, por outro lado, a umadesenfreada especulação com os papéis e ações das novas empresas. Essa especulaçãofoi apelidada de
encilhamento
, pois a euforia barulhenta da Bolsa de Valores lembrava olocal de apostas no Jóquei, quando os cavalos se preparavam para um páreo.Em meados de 1890, o governo tentou conter as especulações, só permitindo afundação de sociedades anônimas com um capital subscrito por inteiro, ou seja, comgarantia da existência de todo o capital necessário. Mas o descontrole financeiro já eraquase total, pois o orçamento de vários Estados estava a ponto de quebrar. No final desse ano, as falências começaram. Por causa da inflação, muitasempresas não puderam saldar suas dividas e com isso caía o valor de suas ações e ovolume dos seus negócios. Era a crise: prejuízo para muitos que investiram suas poupanças e lucros para uns poucos, os especuladores.A estabilização da economiafoi atingida no governo Campos Sales.