Welcome to Scribd. Sign in or start your free trial to enjoy unlimited e-books, audiobooks & documents.Find out more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
2Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
George Kennan Motivacoes Da Conduta Sovietica

George Kennan Motivacoes Da Conduta Sovietica

Ratings: (0)|Views: 58|Likes:
Published by camaradazaitsev

More info:

Published by: camaradazaitsev on May 04, 2011
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/28/2011

pdf

text

original

 
Motivações da conduta
soviética
George Kennan
A personalidade política da potência soviética, tal como a conhecemos hoje, éproduto de ideologia e de circunstâncias: a ideologia herdada pelos atuais dirigentessoviéticos do movimento no qual tiveram origem política, e circunstâncias do poder queexercem já há quase três décadas. Poucas análises psicológicas serão mais difíceis quetentar traçar a interação dessas duas forças e o papel relativo de cada uma na determinaçãoda conduta soviética. Não obstante, somos forçados a essa análise, para compreendê-la ereprimi-la.É difícil resumir o conjunto de conceitos ideológicos que os líderes soviéticoslevaram consigo para o poder. A ideologia marxista, em sua projeção russo-comunista,esteve sempre em um processo de sutil evolução. Baseia-se em materiais longos ecomplexos. Porém talvez se possa resumir as características principais do pensamentocomunista em 1916:a)
 
o fator central na vida humana, o fato que determina o caráter da vida pública ea “fisionomia da sociedade”, é o sistema pelo qual os bens materiais sãoproduzidos e trocados:b)
 
o capitalismo é um sistema de produção indigno, que conduz inevitavelmente àexploração da classe trabalhadora pela classe detentora do capital, e que éincapaz de desenvolver adequadamente os recursos econômicos da sociedade edistribuir com justiça os bens materiais produzidos pelo trabalho do homem.
 
c)
 
o capitalismo contém em si mesmo os germes de usa própria destruição e, emvista da incapacidade da classe detentora de capital de ajustar-se a mudançaseconômicas, passará o poder, por meio de uma revolução, para a classetrabalhadora. Essa revolução dar-se-á no momento certo e será inevitável:d)
 
o imperialismo fase final do capitalismo, conduz diretamente à guerra e àrevolução.
“Desigualdade no desenvolvimento econômico e político é a leiinflexível do capitalismo. Daí se conclui que a vitória do socialismo poderáocorrer, primeiramente, em uns poucos países capitalistas ou mesmo em umúnico país capitalista. O proletariado vitorioso desse país, tendo expropriado ocapital, levantar-se-á contra o resto do mundo capitalista, trazendo para si, noprocesso, as classes oprimidas de outros países”
1
Deve-se notar que não se supunha que o imperialismo perecesse sem uma revoluçãoproletária. Seria necessário um impulso final, na forma de um movimento revolucionáriodo proletariado, afim de deitar por terra a estrutura vacilante. Mas era consideradoinevitável que, mais cedo ou mais tarde, esse impulso fosse dado.Essa maneira de pensar exercera uma grande fascinação nos membros domovimento revolucionário russo nos cinqüenta anos que antecederam a Revolução.Frustrados, insatisfeitos, sem esperança de auto-afirmação ou demasiado impacientes parabuscá-la nos limites confinados do sistema político czarista, e ainda carecendo de apoiopopular para optar pela revolução sangrenta como meio de aperfeiçoamento social, essesrevolucionários encontraram na teoria de Marx uma racionalização bastante eficiente paraseus próprios desejos instintivos. Preferiram uma justificação pseudo-científica para suaimpaciência, para sua negação categórica de todo valor no sistema czarista, para seu anelode poder e vingança, e para sua inclinação, que alcançá-los por atalhos. Portanto não é dese admirar que tenham chegado a acreditar implicitamente na verdade e na sensatez dosensinamentos marxistas-leninistas, tão congênitos os seus próprios impulsos e emoções.Sua sinceridade não precisa ser refutada. É um fenômeno tão velho quanto a sua própria
 
1
V. I. Lênin. “O Io/ung Soedinennykh Sntatov Evropy” (Agosto de 1915), em
 Izhrannye pratzvedenia u dvkntomahh
(4
°
edição, Moscou, 1946), 1
°
tomo, pág. 732.
 
natureza humana. Ninguém a descreveu melhor que Edward Gibbon, que escreveu
 Decadência e Queda do Império Romano
: “
 Do entusiasmo à impostura, o passo é perigosoe escorregadio: o demônio de Sócrates nos dá um exemplo memorável de como um sábio pode enganar a si mesmo, de como um justo pode enganar outrem, de como a consciência pode dormitar em um estado vago e mediano entre a auto-ilusão e a fraude voluntária
”.Foi com esse conjunto de concepções que os membros do Partido Bolchevistaganharam o poder.Ora, deve-se notar que durante todos os anos de preparação para a revolução, aatenção desses homens, como a do próprio Marx, tinha se centralizado menos a formafutura que esse socialismo
2
tomaria, do que no necessário derribamento de forças rivais, asquais, sob seu ponto de vista, tinham de preceder a introdução do socialismo. Por essarazão, suas opiniões quanto ao programa positivo a ser posto em prática, uma vez atingindoo poder, eram, na maior parte, nebulosa, visionárias e impraticáveis. Não havia nenhumprograma estabelecido além da racionalização da industria e da expropriação de capitaisprivados. O tratamento a ser dado ao camponês, que, segundo a formulação de Marx, nãoera o mesmo do proletariado, fora sempre um ponto vago no pensamento comunista; epermaneceu como objeto de controvérsias e vacilações pelos primeiros dez anos de podercomunista.As circunstâncias do período imediato após a Revolução – a existência de guerracivil e intervenção estrangeira na Rússia; acrescida do fato óbvio de que os comunistasrepresentavam apenas uma pequena minoria do povo – tornaram necessário oestabelecimento do poder ditatorial. A experiência do “comunismo hostil” e a tentativaabrupta de eliminar a produção e o comércio particular tiveram infelizes conseqüênciaseconômicas e trouxeram ainda mais mágoa contra o novo regime revolucionário. Enquantoo relaxamento temporário do esforço para comunizar a Rússia, representada pela NovaPolítica Econômica, aliviou um pouco dessa aflição econômica e, portanto, serviu seupropósito, também tornou evidente que o "setor capitalista da sociedade" ainda estavapreparado para se aproveitar imediatamente de qualquer relaxamento da pressão
 
2
Aqui e onde mais aparecer, a palavra “socialismo” refere-se ao comunismo de Marx ou Lênin, e não aosocialismo liberal da Segunda Internacional.

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->