Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword or section
Like this
2Activity

Table Of Contents

0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Ratings: (0)|Views: 124 |Likes:

More info:

Published by: gabriel_rodrigues_22 on May 06, 2011
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/29/2012

pdf

text

original

 
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de AssisFonte:
Assis, Machado de.
Obra Completa
. vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
Texto proveniente de:
A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro <http://www.bibvirt.futuro.usp.br>A Escola do Futuro da Universidade de São PauloPermitido o uso apenas para fins educacionais.
Texto-base digitalizado por:
Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Lingüística<http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/literat.html>Este material pode ser redistribuído livremente, desde que não seja alterado, e que as informaçõesacima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para <bibvirt@futuro.usp.br>.
 Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se vocêquer ajudar de alguma forma, mande um e-mail para <bibvirt@futuro.usp.br> e saiba como isso é  possível.
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS
MACHADO DE ASSIS
AO VERMEQUEPRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNESDO MEU CADÁVERDEDICOCOMO SAUDOSA LEMBRANÇAESTASMEMÓRIAS PÓSTUMASAo LeitorQue, no alto do principal de seus livros, confessasse Stendhalhavê-lo escrito para cem leitores, coisa é que admira e cons-terna. O que não admira, nem provavelmente consternará ése este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nemcinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez, Dez? Talvez cin-co. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, BrásCubas, se adotei a forma livre de um Stern de um Lamb oude um de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens depessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevia-a com a penada galhofa e a tinta da melancolia; e não é difícil antever oque poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente graveachará no livro umas aparências de puro romance, ao passoque a gente frívola não achará nele o seu romance usual; e ei-
 
lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos,que são as duas colunas máximas da opinião.Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e omeio eficaz para isto é fugir a um prólogo explícito e longo. Omelhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as dizde um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evitocontar o processo extraordinário que empreguei na composi-ção destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seriacurioso, mas nimiamente extenso, e aliás desnecessário aoentendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agra-dar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-tecom um piparote, e adeus.Brás CubasCAPÍTULO 1Óbito do AutorAlgum tempo hesitei se devia abrir estas memórias peloprincípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meunascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja co-meçar pelo nascimento, duas considerações me levaram aadotar diferente método: a primeira é que eu não sou propria-mente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem acampa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assimmais galante e mais novo. Moisés, que também contou a suamorte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radicalentre este livro e o Pentateuco.Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-fei-ra do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara deCatumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos,era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompa-nhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdadeé que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia- peneirava - uma chuvinha miúda, triste e constante, tãoconstante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da últimahora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que profe-riu à beira de minha cova: -- "Vós, que o conhecestes, meussenhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece es-tar chorando a perda irreparável de um dos mais belos carac-teres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estasgotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul comoum crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói ànatureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublimelouvor ao nosso ilustre finado."Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apó-lices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dosmeus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscoveredcountry de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço
 
príncipe, mas pausado e trôpego, como quem se retira tardedo espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove oudez pessoas, entre elas três senhoras, -- minha irmã Sabina,casada com o Cotrim, -- a filha, um lírio-do-vale, -- e... Te-nham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceirasenhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda quenão parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade,padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se dei-xasse rolar pelo chão, epiléptica. Nem o meu óbito era coisaaltamente dramática... Um solteirão que expira aos sessentae quatro anos, não parece que reúna em si todos os elemen-tos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinhaa essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama,com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhoramal podia crer na minha extinção.- Morto! morto! dizia consigo.E a imaginação dela, como as cegonhas que um ilustreviajante viu desferirem o vôo desde o Ilisso às ribas africanas,sem embargo das ruínas e dos tempos, -- a imaginação dessasenhora também voou por sobre os destroços presentes até àsribas de uma África juvenil... Deixá-la ir; lá iremos mais tar-de; lá iremos quando eu me restituir aos primeiros anos. Ago-ra, quero morrer tranqüilamente, metodicamente, ouvindo ossoluços das damas, as falas baixas dos homens, a chuva quetamborila nas folhas de tinhorão da chácara, e o som estrídulode uma navalha que um amolador está afiando lá fora, à por-ta de um correeiro. Juro-lhes que essa orquestra da morte foimuito menos triste do que podia parecer. De certo ponto emdiante chegou a ser deliciosa. A vida estrebuchava-me nopeito, com uns ímpetos de vaga marinha, esvaía-se-me a cons-ciência, eu descia à imobilidade física e moral, e o corpo fa-zia-se-me planta, e pedra, e lodo, e coisa nenhuma.Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos apneumonia, do que uma idéia grandiosa e útil, a causa da minhamorte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade.Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.CAPÍTULO 2O EmplastoCom efeito, um dia de manhã, estando a passear na chá-cara, pendurou-se-me uma idéia no trapézio que eu tinha nocérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, afazer as mais arrojadas cabriolas de volantim, que é possívelcrer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grandesalto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma deum X: decifra-me ou devoro-te.Essa idéia era nada menos que a invenção de um medica-mento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinadoa aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de pri-

Activity (2)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 thousand reads
1 hundred reads

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->