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INTRODUÇÃO À TEORIA DO DIREITO DE RONALD DWORKIN

INTRODUÇÃO À TEORIA DO DIREITO DE RONALD DWORKIN

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Introdução. 1. Contextualizando Dworkin. 2. Introdução ao positivismo jurídico na
Inglaterra: enfoque em Bentham e Austin. 3. Aspectos da teoria jurídica de Hart. 4. As
críticas de Dworkin em relação ao utilitarismo e à Escola Analítica do Direito. 5.
Algumas conceituações teóricas de Dworkin. Considerações Finais. Referências
Bibliográficas.
Introdução. 1. Contextualizando Dworkin. 2. Introdução ao positivismo jurídico na
Inglaterra: enfoque em Bentham e Austin. 3. Aspectos da teoria jurídica de Hart. 4. As
críticas de Dworkin em relação ao utilitarismo e à Escola Analítica do Direito. 5.
Algumas conceituações teóricas de Dworkin. Considerações Finais. Referências
Bibliográficas.

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INTRODUÇÃO À TEORIA DO DIREITO DE RONALD DWORKIN
Antonio Armando Ulian do Lago Albuquerque
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 Introdução. 1. Contextualizando Dworkin. 2. Introdução ao positivismo jurídico naInglaterra: enfoque em Bentham e Austin. 3. Aspectos da teoria jurídica de Hart. 4. Ascríticas de Dworkin em relação ao utilitarismo e à Escola Analítica do Direito. 5.Algumas conceituações teóricas de Dworkin. Considerações Finais. ReferênciasBibliográficas.
Introdução
O presente estudo tem o objetivo de apresentar de forma introdutória as principaiscontribuições do pensador estadunidense Ronald Dworkin, tarefa complexa ante a enorme variedadee profundidade de escritos do teórico. Sem pretensão alguma de discorrer sobre toda a sua teoria,por questão metodológica priorizou-se aspectos centrais das obras
Derechos en Serio 
e O Impériodo Direito.Antes de adentrar-se às principais conceituações de Dworkin, faz-se premente apresentar odesenvolvimento do pensamento dos principais teóricos da Escola Analítica do Direito na Inglaterra:Jeremy Bentham, John Austin e Herbert Hart. Todos influenciaram e serviram de contraponto àformulação teórica de Dworkin.A demonstração de alguns aspectos introdutórios das teorias desses filósofos faz-senecessária para, posteriormente, evidenciar as críticas que Dworkin faz, tanto ao utilitarismo como aopositivismo jurídico. Por fim, a análise em questão desenvolverá as conceituações teóricas deDworkin como, por exemplo, a questão dos casos difíceis, a conceituação de interpretação, as suasparábolas, e o Direito como integridade.
1 Contextualizando Dworkin
Dworkin se inscreve, na atualidade, como um dos principais teóricos do Direito representantesda filosofia jurídica anglo-saxônica. Também é um ardoroso crítico das escolas positivista eutilitarista.Ronald Myles Dworkin nasce em Worcester, Massachusetts (EEUU) no ano de 1931. No finaldos anos sessenta, Dworkin sucede a Herbert Hart na Universidade de Oxford, e atualmente lecionana Universidade de
New York 
. O filósofo critica a construção jurídica positivista de Hart, pois aentende como “a mais importante e fundamental reformulação da idéia de positivismo jurídico (...).”
2
 A carreira jurídica de Dworkin começa em 1957 como assistente do juiz Learned Hand. Esteestava aposentando-se e mais se interessava em aprofundar uma série de conferências sobre a suadiscordância com um recente caso decidido na Suprema Corte dos Estados Unidos: o caso
Brown vs. Board of Education 
3
. Talvez um dos processos mais famosos que tramitaram naquela Corte, e oimpulso definitivo para o ingresso de Dworkin no mundo da teoria do direito.
4
 A Suprema Corte havia proibido a segregação racial no âmbito das escolas públicas,evidenciando a não aceitação de uma prática contrária à Constituição dos Estados Unidos. Hand,
1
Mestre em Teoria do Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor de Graduação e Pós-Graduação LatoSensu do curso de Direito da Universidade do Estado de Mato Grosso. Autor de “Multiculturalismo e direito àautodeterminação dos povos indígenas” e “A Sociologia Jurídica de Eugen Ehrlich e sua influência na interpretaçãoconstitucional”, ambos pela editora Sérgio Antonio Fabris.
2
DWORKIN, Ronald.
O Império do Direito.
São Paulo:
 
Martins Fontes, 1999, p. 42. Trata-se da obra O conceito de Direito,traduzida por A. Ribeiro Mendes e publicada na sua quarta edição pela Calouste Gulbenkian, Lisboa, em no ano de 2005.
3
DWORKIN, op. cit., p. 36.
 4
Disponível em: http://fp.chasque.apc.org:8081/relacion/9904/filosofos_de_hoy.htm>, acessada em 08 de junho de 2001.
 
 
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politicamente era um liberal de esquerda e radicalmente favorável à bandeira antidiscriminatória, nãosó do ponto de vista político, mas também sob o viés moral. Juridicamente não concordava com adecisão final do caso, pois entendia que o debate residia no caso precedente:
Plessy vs. Ferguson 
. Aparte ré alegou que a prática do segregacionismo infringia a emenda constitucional décima quarta
. ASuprema Corte estadunidense negou a alegação "afirmando que as exigências dessa cláusulaestariam sendo atendidas se os Estados oferecessem serviços separados, porém iguais, e que, porsi só, o fato da segregação não tornava esses serviços automaticamente desiguais".
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 O caso
Brown vs. Board of Education 
se inscrevia sobre outro contexto social, a maioria dasociedade já não mais aceitava a segregação e a decisão da Suprema Corte não descartavatextualmente a forma “separado, mas igual” do caso
Plessy 
. Baseando-se em análises sociológicas o julgado demonstrou a existência de segregacionismo nas escolas públicas como um indicativo daimpossibilidade de terem tratamento iguais por esta mesma razão.Para alguns críticos a segregação, apesar de imoral, era perfeitamente constitucional, pois aexpressão “igual proteção” não possibilitava dizer se a segregação estava proibida ou não. Oslegisladores da décima quarta emenda tinham consciência de que o segregacionismo ocorria nasesferas públicas, logo se não expuseram expressamente a contrariedade a tal prática é porquepretendiam mantê-la, ou, pretendiam continuar dando legitimidade a sua prática, portanto, taisalegações fundamentam-se em questões de direito constitucional e não na ordem moral. Oprecedente
Plessy 
, não deveria ser tão “levianamente” derrubado. Para Hand os juízes não deveriamse envolver com as decisões políticas ou assumir a atividade de um filósofo. Não deveriam confundiro plano moral com o nível político-jurídico.Dworkin torna-se assistente de Learned Hand nesse contexto, três anos depois do caso
Brown 
.O desenvolvimento de sua carreira jurídica torna-se uma busca incessante de demonstrar o equívocode Hand, afirmando que os juízes devem permitir que as justificações morais desempenhem umpapel nas suas decisões. O fundamento concentra-se no reconhecimento e na proteção dos direitosindividuais. Este é o principal tema de sua primeira coleção de ensaios:
Derechos en Serio 
.Essa obra de Dworkin não só outorga um lugar sério aos direitos na Teoria Geral, mas tratasobre os direitos como núcleo e justificação última da lei.
Para Dworkin, era simplemente inconcebible que la Constitución de los EE.UU.admitiera la segregación racial, por eso decidió que la "Declaración de Derechos" nodebería verse como "la lista concreta y detallada de remedios", sino como "uncompromiso con un ideal abstracto de gobierno justo". Si la Constitución y lasdecisiones judiciales que forman jurisprudencia no proveen la compensaciónsuficiente, nosotros deberíamos cambiar nuestra lectura de ellas. Así comienzaDworkin a trabajar sobre una teoría que pudiera identificar los derechosfundamentales aun donde la ley positiva sugiera su ausencia.
7
 
A década de sessenta tem influência direta sobre o pensamento a respeito dos direitosindividuais. É neste momento histórico que se concentram esforços para o reconhecimento dosdireitos civis, dos direitos ao voto, da liberdade de expressão, da liberdade reprodutiva, reagindocontrariamente ao principal estorvo para a sociedade estadunidense: a discriminação racial.Tais questões necessitam apoiar-se num marco referencial da teoria jurídica e política,conduzindo o trabalho teórico de Dworkin ao estabelecimento das contrariedades teóricaspredominantes no Direito e na Teoria Política dos anos sessenta.A perspectiva teórica de Dworkin apresenta-se em três dimensões inter-relacionadas.Primeiramente, no reconhecimento dos direitos individuais e liberais como elementos básicosconstitutivos da lei. Posteriormente no trabalho de situar os direitos individuais sob o plano da teoria
5
DWORKIN, op. cit., p. 36. Este caso data de 1896, portanto, logo após o fim da Guerra civil norte-americana. Os estadosdo norte emendaram a Constituição pondo fim a escravidão. A décima quarta emenda dispõe que nenhum Estado podenegar a ninguém a igualdade perante a lei. Mas após a reconstrução, os estados sulistas, novamente com o novo controlesobre a própria política, praticaram a segregação racial em serviços públicos.
6
Ibid.
7
OENEN, Gijs van.
Deconstruyendo a Ronald Dworkin el Derecho y sus descontentos
. Disponível em:<http://fp.chasque.apc.org:8081/relacion/9904/filosofos_de_hoy.htm, acessada em 08 de junho de 2001.
 
 
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política liberal. E, finalmente, na formulação de uma teoria do direito que relacione essas duasdimensões anteriores. Dworkin opõe-se à cultura jurídica predominante de sua época, sobretudo àobra de seu predecessor em Oxford (Hart).O ataque ao positivismo jurídico e a crítica ao utilitarismo constituem o grande objetivo de seutrabalho. Quer Dworkin construir uma alternativa de ciência jurídica fundada em outros pressupostosque não os tradicionais.
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O pensamento jurídico tradicional anglo-saxão reside nas teorias de JeremyBentham, John Austin e Herbert Hart.
 
2 Introdução ao positivismo jurídico na Inglaterra: enfoque em Bentham e Austin2.1 Jeremy Bentham
O pensamento de Bentham contraria a tese jusnaturalista, pois inconciliável com o caráterempírico de suas investigações. Criticava-a pela impossibilidade de comprovar historicamente aexistência de um contrato do qual se originava, e não encontrava o motivo pelo qual os homenspoderiam cumprir tal compromisso.Embora inconciliável essa idéia com a sua teoria, ele não refutava o ideal iluminista-racionalistade fundar uma ética objetiva da qual se deduziria as regras do comportamento humano. O princípiono qual essa ética funda-se reside no fato empírico de que cada homem busca a própria utilidade.
9
 Não se funda no próprio homem, como defendiam os jusnaturalistas.
 
Jeremy Bentham nasceu em Londres em 15 fevereiro de 1748 e faleceu em 06 de junho de1832 em
Queen’s Square 
, aos 84 anos. Desde o início de seus estudos já se destacava por escreverversos em grego e latim. Em 1760 ingressa em
Queen’s College 
, Oxford, bacharelando-se em 1763,tornando-se "o mais jovem graduado que as universidades inglesas jamais tinham visto".
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Nessemesmo ano ingressa em
Lincoln’s Inn 
para estudar Direito, profissão de seu pai, e forma-se quatroanos depois. A carreira jurídica jamais o atraiu preferia mais as preocupações teóricas. Talvez a suamaior obra teórica date de 1789, trata-se de "Uma Introdução aos Princípios da Moral e daLegislação".
 
Nesta obra, Bentham estuda pormenorizadamente a aplicação do princípio da utilidade comofundamento para a conduta individual e social. Indaga-se sobre quais sentimentos devem serpreferidos a outros, considerando todas as circunstâncias de prazer: intensidade, duração, certeza,pureza etc. Posteriormente, indaga-se sobre "quais os castigos e recompensas que poderiam induziro homem a realizar ações criadoras de felicidade e quais os motivos determinantes das açõeshumanas, com seus respectivos valores morais".
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A natureza humana colocou o gênero humano sob o domínio de dois senhoressoberanos: a dor e o prazer. Somente a eles compete apontar o que devemos fazer,bem como determinar o que na realidade faremos. Ao trono desses dois senhoresestá vinculada, por uma parte, a norma que distingue o que é reto do que é errado, e,por outra, a cadeia das causas e efeitos. O princípio da utilidade reconhece estasujeição e a coloca como fundamento desse sistema, cujo objetivo consiste emconstruir o edifício da felicidade através da razão e da lei.
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Para Bentham, o indivíduo dever obedecer o Estado na medida que essa obediência contribuimais para a felicidade geral do que a desobediência. Essa felicidade geral é a soma dos prazeres edores dos indivíduos. Somente a experiência pode provar se uma ação ou instituição é útil ou não.
8
CALSAMIGLIA, Albert.
Por que es importante Dworkin? 
 
Revista de Filosofía del Derecho DOXA
. n. 2, Universidad deAlicante, 1984, p. 154. "el ataque al
 
positivismo jurídico y la crítica del utilitarismo constituye uno de sus grandes objetivospolémicos. Su alternativa exige la construcción de una ciencia general del derecho basada en presupuestos distintos a losde la ciencia jurídica tradicional".
9
BOBBIO, Norberto.
O positivismo Jurídico: lições de Filosofia do Direito.
Editora Ícone, 1995, p. 92.
10
BENTHAM, Jeremy.
Uma Introdução aos princípios da moral e da legislação.
Trad. de Luiz João Baraúna; MILL,John Stuart.
Sistema de Lógica Dedutiva e Indutiva e outros textos.
Trad. João Marcos Coelho, Pablo RubénMariconda. Coleção: Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979, p. VI.
11
Ibid., p. X.
12
BENTHAM, op. cit., p. 3.

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