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Salmos

Salmos

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A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.
A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.

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Published by: Caminho da Graça | blog on Sep 04, 2008
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I
NTRODUÇÃO
SALMOS
 Autoria
 A descoberta dos chamados Rolos do Mar Morto, nas cavernas do monte Qunram, é consideradaa maior descoberta arqueológica do século XX, e deu origem a uma série de pesquisas e relatórioscientíficos que colaboram, até hoje, para melhor compreensão dos manuscritos bíblicos, além deatestar a autenticidade de muitas cópias historicamente mais recentes. A primeira coletânea pré-exílica de salmos foi organizada na época de Davi, quando a liturgia doculto a Javé (
Yahweh
o nome santo e impronunciável de Deus, em hebraico

transliterado muitasvezes em
 Jeová, Iavé
ou
 Adonai
– o Eterno – é em geral traduzido por
S
enhor
) começava a tomarforma.Os primeiros salmos a serem agrupados, e que mais tarde dariam origem ao Saltério, foram deno-minados “Orações de Davi, filho de Jessé” (72.20). Outros foram compostos durante o exílio. Contu-do, foi durante o reinado do seu filho Salomão (um dos reis considerados “davídicos”) e o exercíciodo serviço litúrgico e religioso no primeiro templo, que os salmos, definitivamente, passaram a fazerparte da tradição judaica. Assim, o livro dos salmos é a compilação de várias coletâneas da fina obraliterária bíblico-canônica-judaica (poemas, hinos e cânticos espirituais) e representa a etapa final deum processo que demandou séculos de vívida história. Foram os mestres e servos pós-exílicos dotemplo, entretanto, que completaram e concluíram a coletânea final de 150 salmos (número com oqual concordam a Septuaginta e o Texto Hebraico, ainda que cheguem a essa cifra de modo dife-rente), ao final do séc. III a.C. As expressões “Salmos” e “Saltério” provêm da Septuaginta (a primeira e mais notável traduçãogrega do AT, elaborada por um grupo de eruditos de Alexandria, por volta do ano 285 a.C.) e, a princí-pio, referiam-se aos instrumentos de cordas usados nas liturgias da época (harpa, lira, alaúde etc...).Mais tarde, passaram a designar não apenas os instrumentos mas, igualmente, os cânticos queacompanhavam os cultos. Os títulos hebraicos originais
tehilim
(louvores) e
tephillot 
(orações) deramorigem ao termo que usamos hoje: Salmos. É costume, nas sinagogas em todo o mundo, recitar umaoração anterior e em preparação reverente à leitura devocional dos salmos, cujo primeiro parágrafoaqui transliteramos:
lehi ratson milefanêcha Adonai Elohênu velohê avotênu, habocher bedavid avdouvezar’o acharav, vehabocher beshirot vetishbachot, shetefen berachamim el keriat mizmorê tehilim sheecrá keilu amaram David hamélech alav hasshalom beatsmo, zechuto toguen alênu
. “Ó Eterno,nosso Deus e Deus de nossos pais, que com amor acolheste Teu servo David e seus descendentes,e que Te deleitas com cânticos e louvores, possam ser de Teu agrado os Salmos que vou pronunciar.Considera-os como se pelo próprio rei David – de abençoada memória – tivessem sido recitados.”De acordo com os títulos (parte integrante do texto bíblico que, na Bíblia King James e, posterior-mente, em outras traduções, aparece como subtítulo ou junto ao primeiro versículo), Davi foi autor oufonte de inspiração de 73 salmos. O próprio Senhor Jesus Cristo afirmou categoricamente a validadedo título do Salmo 110 e a autoria de Davi (Mc 12.36).Devido à fraseologia hebraica empregada nos manuscritos, que significa, de modo geral, “perten-cente a”, surge uma dificuldade na precisão das autorias, pois essa expressão pode ser igualmenteinterpretada no sentido de “concernente a”, “para uso de”, ou ainda “dedicado a”. Portanto, o nomepode referir-se ao título de uma coleção de salmos que havia sido reunida em torno de determinadapersonagem (como “de Asafe” ou “dos coraítas”, por exemplo). Contudo, especialmente depoisdos estudos sobre os Rolos do Mar Morto, não há dúvida entre os mais renomados biblistas, deque houve um Saltério composto por esse notável compositor, músico e cantor; coletânea que podeter incluído hinos e escritos a respeito de alguns dos reis “davídicos” posteriores, ou ainda salmosescritos “à moda de Davi”. O nome “Davi” também é usado no Saltério, em sua forma original, comosubstantivo coletivo, a fim de representar os reis de sua dinastia. Nos livros hebraicos de orações,a memória de Davi é tradicionalmente reverenciada como “o doce cantor de Israel”, cujos Salmos
 
manifestam sua exaltação, esperanças, tristeza e alegria, temor e angústias, perseverança e amor a
 Am Israel 
, o Povo de Israel, sempre invocando a ajuda do Eterno (
 Adonai
) e, mesmo nos momentosmais difíceis, manifestando sua confiança absoluta no socorro dEle!”Sendo assim, Asafe foi autor de 12 salmos, os filhos de Corá compuseram 11, Salomão foi autor dedois, e Moisés e Etã foram autores de um salmo cada. Cerca de 50 salmos não têm autor definido,embora a Septuaginta apresente Ageu e Zacarias como autores de cinco salmos.Os mais recentes relatórios baseados nos Papiros ou Rolos do Mar Morto e, portanto, em averigua-ções e estudos apurados em relação aos mais antigos manuscritos do AT, atestam que a maioria dossalmos foi escrita por volta do ano 1000 a.C. e que não há um único salmo canônico que tenha suacomposição datada depois do ano 300 a.C.
Propósitos
Qualquer tentativa de estudo, sistematização ou esboço do Livro dos Salmos deve ser geral econsiderar dois aspectos fundamentais da sua constituição: o Saltério é oração, devoção e poesia,do começo ao fim. E a teologia que perpassa os Salmos deve ser analisada em sua essência con-fessional e doxológica; jamais de forma abstrata ou, de outro extremo, como um mero catecismo dedoutrinas. Alguns pregadores, na tentativa de sistematizar a teologia inerente ao Saltério, transforma-ram obras de arte canônica, teológica e de louvor a Deus, em pílulas pragmáticas de doutrina e, nãoraro, propagaram muitas heresias. Portanto, cada salmo deve ser analisado e compreendido à luzda coletânea e, evidentemente, do todo das Escrituras, pois que uma verdade bíblica isolada devecorresponder e harmonizar-se à Verdade geral das Escrituras Sagradas.Portanto, a essência teológica dos Salmos, o centro gravitacional da História e de toda a criação,seja a filosofia, a ética, a moral e a fé, ou ainda os mistérios da terra e dos céus, resume-se em Deus(
Yahweh
– Javé ou Iavé – o
S
enhor
). É muito sintomático que o mais respeitado e imponente rei dos judeus tenha-se curvado, humildemente, diante do Rei dos reis, o
S
enhor
dos senhores, clamandopor sua misericórdia e reconhecendo a soberania, a justiça e o amor leal de Deus.O Saltério é dividido em cinco livros, cada um dos quais encerrado com uma doxologia. Portanto,no estudo dos salmos, mais significativo que algum diagrama geral é a classificação deles, de acor-do com os assuntos tratados.Cerca de metade dos salmos é de Davi ou de algum dos seus descendentes (davídicos) e, conformeseus títulos, vêm quase todos do período áureo de Israel, isto é, de aproximadamente 1.000 a.C. E, semdúvida, alguns deles foram compostos mais tarde, até mesmo no tempo do cativeiro, como o salmo137, por exemplo. A grande virtude dos cânticos espirituais, hinos e, portanto, dos salmos, é atingir –simultaneamente – espírito, razão e coração, provando que conhecimento intelectual não é o bastante:o âmago do espírito humano deve também ser tocado pelo poder da Graça remidora de Deus.É importante frisar, especialmente para os leitores ocidentais, de língua portuguesa, que a poesiamilenar hebraica não consiste em rima, nem obedece a um sistema métrico semelhante ao nosso,mas consiste principalmente em repetição de pensamento (idéias) numa cláusula paralela. Comoneste exemplo: “Não nos trata segundo os nossos pecados nem nos retribui de acordo com asnossas culpas” (Sl 103.10). A simples observação a essa regra do paralelismo hebraico pode nosajudar a interpretar palavras obscuras e, algumas vezes, certos enigmas bíblicos, ao lermos comatenção o paralelo mais claro. Ou seja, uma frase ajuda na compreensão da outra e do sentido geralda mensagem, pela associação ou esclarecimento da idéia central que está sendo comunicada.Outro recurso lingüístico observado com freqüência nos poemas hebraicos é a dramatização, assimcomo as figuras de linguagem (símiles e metáforas, em profusão). Davi escrevia como quem sentiao coração dos seus leitores e ouvintes. Quando interpretamos os salmos messiânicos, é importanteficarmos alertas para o fato de que, nesse caso, Davi também escreveu na primeira pessoa, aindaque exiba, com vívidos detalhes, as experiências do Mestre e Messias (Sl 22).Cerca de metade dos salmos pode ser classificada como “orações de fé em tempos de crise”.Quantas pessoas atravessaram guerras, longos períodos de graves enfermidades, calamidades, de-pressões profundas, falências, desilusões, traições, amarguras terríveis, dor e medo, orando, comfé e persistência lendo os salmos bíblicos. Alguns desses salmos passaram para a História comoícones universais de devoção, piedade e confiança em Deus. É comum ver a Bíblia aberta em um
 
desses salmos, como um símbolo de reverência e convite à leitura (Sl 23; 91 e 121). Aproximada-mente outros 40 salmos foram consagrados especialmente ao tema da adoração e louvor (Sl 100 e103, por exemplo), os quais deveriam ter uma participação em nossas leituras e meditações diárias.Considerando que uma classificação detalhada dos salmos é uma tarefa extremamente difícil e,de certa forma, sempre imprecisa, o Comitê de Tradução da Bíblia King James deixa aqui apenasuma sugestão didática de reunião dos salmos, para estudo: Salmos do Homem Sábio (Sl 1; 15; 101;112 e 113); Salmos Reais (Sl 2; 21; 45; 72; 110 e 132); Orações Pessoais (Sl 3,7,8); Louvor Salvífico(Sl 30,34); Louvores Comunitários (Sl 12; 44; 79); Louvor Pela Salvação da Comunidade (Sl 66; 75);Expressão de Fé (Sl 11; 15; 52); Hinos à Majestade de Deus (Sl 8; 19; 29; 65); Hinos à Soberania deDeus (Sl 47; 93 – 99); Cânticos de Sião (Sl 46; 48; 76; 84; 122; 126; 129 e 137); Cânticos de Pere-grinação (Sl 120 – 134); Cânticos Litúrgicos (Sl 15; 24; 68); Cânticos Didáticos (Sl 1; 34; 37; 73; 112;119; 128; 133); Salmos Penitenciais (tradicionalmente assim chamados, e que incluem partes dossalmos 38; 130 e 143, além dos conhecidos Sl 51 e 32); Salmos Vindicativos (Sl 69; 101; 137 e certasporções dos salmos 35; 55 e 58); Salmos Históricos (Sl 78; 81; 105 e 106); Salmos de Revelação(19; 119); Salmos Messiânicos (Sl 2; 8; 16; 22; 40; 41; 45; 68; 69; 89; 102; 109; 110; 118); SalmosMessiânicos Proféticos (2; 45; 110). É importante notar as revelações feitas, por meio dos salmos,em relação ao Messias (
Cristo
, em grego). No Sl 45.6, o Cristo aparece como Deus; no salmo 110,Ele é o Rei-Sacerdote e Senhor de Davi; no salmo 2, Ele é o Filho de Deus, digno de todo louvor eadoração. Outros salmos anunciam: os sofrimentos do Messias (Sl 22), seu sacrifício vicário (Sl 40),e sua ressurreição miraculosa (Sl 16.10, 11). O salmo 89 nos apresenta o Cristo como Aquele quecompletará o pacto davídico (Aliança), em cumprimento às esperanças garantidas pelo Senhor aIsrael e a todo o povo de Deus.
Data da primeira publicação
 Ao questionarmos a data da publicação dos salmos, uma primeira pergunta se faz necessária: dequal salmo especificamente estamos falando? Porquanto o Saltério é composto de salmos que vãodesde a época pré-exílica, passando por todo o tempo de cativeiro, até o pós-exílio. Como já vimos,o processo de descobrimento, seleção e formação da coletânea canônica dos salmos levou váriosséculos, e foi concluído somente no final do século III a.C. Os salmos eram reverenciados e usadoscomo “Livro de Orações” – o que significava, também, ensino, louvor e adoração – nos cultos re-alizados no templo de Zorobabel e Herodes, portanto, na reconstrução do templo de Salomão, ouno chamado “segundo templo”, bem como para uso litúrgico em todas as sinagogas (Lc 20.42; At1.20). No primeiro século da era cristã, já era conhecido como o “Livro dos Salmos”, o que significatambém todo o cânon do Antigo Testamento Hebraico ou “Escritos” (Lc 4.24-44).Como já vimos, muitas coletâneas antecederam a formação final dos Salmos, e as primeiras cole-ções surgiram pelas mãos de Davi, na época dos primeiros cultos no templo construído por determi-nação de seu filho com Bate-Seba, o terceiro rei de Israel, Salomão (971 – 931 a.C.).Considerando que metade de todo o Saltério é de autoria de Davi (ou davídicos), e que quase to-dos foram originados no período áureo de Israel e alguns até mais tarde, podemos datar as primeiraspublicações dos Salmos por volta do ano 1000 a.C.
Esboço Geral dos Salmos
LIVRO IComo vencer os momentos de crise, angústia e depressão (Sl 1 – 41)
Louvando e adorando ao Senhor Deus
Yahweh
(8; 24; 29; 33)Exaltando a majestade e o amor leal do Senhor (2; 21)Reverenciando a justiça misericordiosa e severa de Deus (1; 15)Confessando e abandonando o pecado (32)Crendo, absolutamente, na revelação do Senhor (19)
LIVRO IIComo orar com fé, em meio às adversidades da vida (Sl 42 – 72)
Louvando e adorando ao
S
enhor
 Adonai
(47; 48; 50; 65 – 68)

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