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direta com as coisas, isso somente ocorre na medida em que ela pretendeapreender a coisa mesma a partir daquilo que tal coisa é, em sua diferença arespeito de tudo aquilo que não é ela, ou seja, em sua
diferença interna
.Objetar-se-á que a diferença interna não tem sentido, que uma tal noção éabsurda; mas, então, negar-se-á, ao mesmo tempo, que haja diferenças denatureza entre coisas do mesmo gênero. Ora, se há diferenças de naturezaentre indivíduos de um mesmo gênero, deveremos reconhecer, com efeito,que a própria diferença não é simplesmente espaço-temporal, que não étampouco genérica ou específica, enfim, que não é exterior ou superior àcoisa. Eis por que é importante, segundo Bergson, mostrar que as idéiasgerais nos apresentam, ao menos mais freqüentemente, dadosextremamente diferentes em um agrupamento tão-só utilitário: “Suponhaisque, examinando os estados agrupados sob o nome de prazer, nada decomum se descubra entre eles, a não ser serem estados buscados pelohomem: a humanidade terá classificado coisas muito diferentes em ummesmo gênero, porque encontrava nelas o mesmo interesse prático e reagiaa todas da mesma maneira”
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. É nesse sentido que as diferenças de naturezasão já a chave de tudo: é preciso partir delas, é preciso inicialmentereencontrá-las. Sem prejulgar a natureza da diferença como diferençainterna, sabemos já que ela existe,
supondo-se que haja diferenças denatureza entre coisas de um mesmo gênero
. Logo, ou bem a filosofia seproporá
esse
meio e
esse
alvo (diferenças de natureza para chegar àdiferença interna), ou bem ela só terá com as coisas uma relação negativaou genérica, ela desembocará no elemento da crítica ou da generalidade,em todo caso em um estado da reflexão tão-só exterior. Situando-se noprimeiro ponto de vista, Bergson propõe o ideal da filosofia: talhar, “para oobjeto, um conceito apropriado tão-somente ao objeto, conceito do qual
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PM, p. 52-53.