2 - O Período Colonial
A história da Administração Pública angolana encaixa-se na trilha dos macrosacontecimentos políticos do país. Na carruagem destes factos a administraçãosempre ocupou lugares cimeiros. Enquanto colónia ultramarina, a organização e ofuncionamento da administração em Angola era definida pela metrópole, assim oque sucedia em Portugal, em termos de mudanças políticas, tinha efeitos direitossobre Angola e outras províncias do ultramar da colónia.Ao longo de quase quatro séculos, a administração portuguesa procurou emprimeira linha fixar-se no vasto território angolano, levando consigo a medida queavançava na conquista de novos espaços, os serviços sociais básicos daadministração, a igreja e a Polícia. Viveu-se durante aquela extensão de tempo operíodo da ocupação, marcado pelo volume de construções de infra-estruturasincluindo aquelas para acolher os serviços do Estado.Só em finais do século XIX, a política administrava da colónia demarca-se deforma mais visível. Administrativamente o território estava dividido em Distritos,Conselhos, Circunscrições Administrativas, Postos Administrativos eInstitucionalizados, Câmaras Municipais, Comissões Municipais e Juntas deFreguesias.Até 1975 a divisão político-administrativa compreendia 16 Distritos, Conselhos120, 37 Circunscrições Administrativas, 423 Postos Administrativos eInstitucionalizados, 72 Câmaras Municipais, 47 Comissões Municipais e 34 Juntasde Freguesias.Angola era Governada por um Governador Geral nomeado pelo Chefe do GovernoPortuguês, o Governador tinha grosso modo a incumbência de assegurar o bomfuncionamento dos Distritos e escalões inferiores, resolver em primeira instânciaos quesitos sobre sua jurisdição, bem como reportar anualmente a sua actividadeà entidade com competência para o nomear. Por sua vez os Distritos, que tinhama competência de aprovar e executar os seus planos urbano, recensear e registara população, reportavam ao Governador Geral, que era a entidade que procedia asua nomeação e exoneração.Os Conselhos e Câmaras Municipais, ficavam reservados as actividades comodistribuição e comercialização de água e luz, construção de moradias sociais einfra-estruturas de apoio tais como, hospitais, escolas, estrada e jardins. Paraalém da multiplicidade de órgãos administrativos verificava-se neste época umatendência descentralizadora destes serviços, quer pela autonomia (administrativa,patrimonial e financeira) na prestação dos seus serviços quer no facto de que emmuitos domínios se regiam por diplomas, distinto daqueles que vigoravam nametrópole. A Administração estratificou a sociedade em três classes e por força disto existiamno território dois grandes blocos de normas, o primeiro constituído por aquelas que
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