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A Ciência da Natureza

Passando da constituição do campo da filosofia, através dos pensamentos e dos textos de Aristóteles e Platão, até a grande revolução da física, século XVI e XVII, deu-se um salto de 20 séculos de história. Destacando-se o leste do mediterrâneo, que entre o século III a.c. e os séculos V, VI de nossa era, teve uma participação importante, principalmente com as elaborações do pensamento neoplatônico.

Desde o século III, no ocidente, produzem-se acontecimentos intelectuais de extrema importância, bastando citar Santo Agostinho, São Bernardo e São Tomás de Aquino. A Idade Média foi tão importante quanto o que precedeu e o que a seguiu.

Os conceitos essenciais que dirigem a filosofia política a partir do século XVI, saíram do pensamento medieval, caracterizado pelo desenvolvimento da racionalidade técnica. Daí, a abordagem da noção de razão através de Platão e Aristóteles, para chegar a perceber como ela se articula hoje com a idéia da ciência.

Significa que a filosofia não tem um objeto em si, distingui-se de outros gêneros culturais, toma os seus objetos de uma realidade exterior, e mesmo autônoma, na determinação do seu estilo, não é independente do seu contexto, estando ligada ao aparecimento de um outro contexto, o da ciência.

A filosofia deixa de alimentar-se da realidade política, mas sim das transformações profundas da concepção da natureza, enquanto Descartes se interroga sobre o significado da ciência, outros pensadores refletem transformações na sociedade.

As grandes descobertas começam com o renascimento com um importante acontecimento intelectual: o aparecimento da física, produzindo uma mutação no interesse dos homens. Por volta da década de 1480, Verrochio, em Florença , reúne em torno de si, jovens e lhes ensina a se considerarem exploradores da realidade material, faz-se uma verdadeira educação à vista.

Os livros eram poucos e se tinha o hábito de lê-los em voz alta, mais tarde não se lê mais os texto falando, e ele é descoberto virtualmente e torna-se um aspecto mais abstrato. Aristóteles já dizia: “ O olho é um explorador mais ágil que o ouvido”.

Depois de todas as incursões da Idade Média produziram um abalo na concepção de mundo começa. A revolução da física no século XVI e XVII como a publicação dos textos de Galileu que apareceram no século XVII quando começou a ser divulgada e a se tornar acessível.

A concepção de mundo na época é aristotélica, que é hierarquizado. Em cima, a forma pura; em baixo, a matéria prima, havendo no seu interior uma fronteira onde a lua marca o limite da realidade supralunar, constituído de matéria sutil , e da realidade sublunar onde cada corpo aqui existente é composto de uma forma e de uma matéria que lutam entre si.

Essa descrição de mundo traz como conseqüências duas ciências da realidade material, a astronomia e a física, um dos argumentos metodológicos é que a melhor hipóteses, a hipótese mais simples. Copérnico se situa nessa perspectiva – ressuscita uma das hipóteses, a de Aristarco de Samos, astrônomo grego, que formulara a hipótese de que o sol se encontrava no centro do nosso universo, tendo sua hipótese a vantagem de ser a mais simples, pois pode ser expressa em linguagem matemática, apesar de conservar alguns resíduos inexplicáveis.

Sendo a astrologia uma ciência fácil, o sistema de Copérnico vindo da fama de Kepler como astrólogo, suscitou um vivo interesse pelo público, sem atrair o interesse por parte dos tribunais de inquisição. Já Giordano Bruno, discípulo de Copérnico, adota a idéia do Heliocentrismo e afirma que o mundo é INFINITO, afirmação que o levaram a condenação e foi queimado em Roma no ano de 1600.

O problema da física com as autoridades eclesiásticas, iniciou-se com Galileu que foi mais contestador, já Copérnico foi mais prudente. Galileu provocou uma verdadeira revolução intelectual e cosmológica, quando chegou à conclusão de que o sublunar e o supralunar estão submetidos ao mesmos princípios. A proposição fundamental é: O MUNDO É UNO.

Em meados do século XV e até o início do século XVII houve um grande desenvolvimento da matemática, que se constitui como um corpo global com suas regras, sua linguagem, oferecendo a imagem de uma racionalidade integral e transparente. Galileu diz em uma de suas obras, que a natureza escreve em linguagem matemática.

Na ótica tradicional, a ciência do mundo sensível, sublunar, é puramente descritiva. Assim Galileu propõe projetar toda a realidade que se dá no espaço geométrico, definido por Euclides, tornando-se assim integramente transparente, graças a matemática, a ciência do real não é mais uma ciência descritiva, ela se torna explicativa.

René Descartes popularizou-a lutou para que a nova física fosse aceita. Após uma revelação em sonhos, que lhe indica que deve participar de uma revolução científica, revolucionando o saber, decide começar pela matemática com a redação de um tratado no século XVIII, que é o famoso livro sobre as regras para a direção do espírito. Decidido a revolucionar o saber, esforça-se por tirar as conseqüências metodológicas da prática científica que utiliza-se publicando, em 1637 o discurso do método que é a introdução de três opúsculos científicos; geometria, ótica e astronomia.

Em 1641, Descartes, escreveu em latim Meditações Metafísicas, onde quer demonstrar que na origem deste mundo que é pensamento puro e matéria pura, há deus, pois a linguagem matemática é a linguagem da racionalidade integral. Esse princípio servirá de fio condutor à vários pensadores e na origem do desenvolvimento da ciência e da técnica nos séculos XIX e XX.

Nasceu assim, na Idade Média, a teologia, que consiste em demonstrar a luz sobrenatural graças aos meios da luz natural. Descartes usa a palavra “idéia” ao invés da palavra “conceito” quando se trata de representação mental, o que provoca um furor pela formulação cartesiana em Blasé pascal, mas é o trabalho de Spinosa, que a luz da racionalidade, vai interrogar os textos sagrados, o que faz Hegel dizer que Descartes é o fundador da modernidade.

A obra cartesiana faz triunfar as idéias diretoras da nova física, mas a tentativa aristotélica de pensar a corporeidade humana é infinitamente mais eficaz do que a perspectiva cartesiana.

Iara Aparecida Fagundes
História e Sistemas da Psicologia
Professor: André Vieira
ULBRA – São Jerônimo

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