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A ORIGEM DA ARTE– Heidegger

A ORIGEM DA ARTE– Heidegger

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Análise do texto de Heidegger sobre a origem da Arte.
Análise do texto de Heidegger sobre a origem da Arte.

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05/12/2014

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1
A ORIGEM DA OBRA DE ARTE
RESENHA SOBRE TEXTO DE HEIDEGGER
1
 Eugênio Araújo, 1991.
"A origem da obra de arte". Poderia haver gênese mais obscura e incerta sobre aqual se debruçasse um filósofo? Talvez só a própria origem do homem e da humanidade, jáque provavelmente arte e homem nascem juntos; aquela é fator humanizante deste. Vistoassim, buscar a origem da obra de arte é tarefa mais difícil do se possa originalmente supor.Ela nasce do homem e com o homem: é um processo histórico, dirá Heidegger. Mas comoela nasce, quando nasce, e quando é verdadeiramente real? Qual a sua essência maisprofunda, que determina por isso seu caráter irremovível de obra de arte? São essas asquestões sobre as quais Heidegger se debruça para responder à pergunta inicial: qual aorigem da obra de arte?É interessante observar como o autor nos induz a uma verdadeira odisséia pelomundo das idéias, dos conceitos e das palavras. Nesta viagem ele derruba vários deles, àsnossas vistas e conosco. Ele nos excita, emociona e deixa-nos curiosos. A viagem é ummergulho vertiginoso às origens; um mergulho de volta, como um escafandrista que buscatesouros perdidos (sempre existente e conservados) nas mais profundas "fossassubmarinas". Heidegger realiza esse mergulho de maneira competente e traz à tona e luzaquilo que sempre "esteve", que sempre "foi" e "é". Apenas se achava escondido.A odisséia começa com a simples constatação de que "a arte é a origem da obra edo artista." A arte e o artista estão na obra. Isto quer dizer que um não existe sem o outro.No entanto, Heidegger pergunta sobre a essência da arte e responde que ela está na "obrareal". Mas qual é e como identificar esta "obra real" e como ela aparece? Ele nos remeteentão à materialidade observável e sensível da obra, para que possamos melhor estudá-la."Toda obra tem um aspecto de coisa; a coisa está na obra e vice versa." A obra de arteexiste como as outras coisas. No entanto, ela é para nós mais que uma mera coisa. Ela éalegoria, carregada de valor simbólico. Nota-se pois, que Heidegger, assim tenta comdesmistificar inicialmente a obra de arte, submetendo-a ao campo
das coisas
, cuidaimediatamente em não igualá-la a estas, diferenciando-a através do seu caráter simbólico ealegórico. É preciso ir mais fundo nesta diferenciação e/ou interação entre obra e coisa. Até
1
Este texto foi apresentado como trabalho final da disciplina de graduação
Evolução da Música
 
 I 
, soborientação do prof. Antônio Jardim (Dr. em Musicologia ), EBA/UFRJ, 1990, a partir do original "
El origende la obra de arte
." Vale notar o procedimento pouco ortodoxo do professor, adotando um texto filosóficonuma disciplina de área de música. Éramos apenas quatro alunos e passamos todo o período lendo ediscutindo somente este texto, hermético e prolixo, mas que o professor recomendou como
fundamentalpara discussão sobre arte
. Entre os alunos eu e minha querida amiga Magda Godinho (hoje tambémprofessora da arte), com quem procurava discutir e esclarecer o texto. No final foi-nos solicitado umcomentário escrito sobre o ele. Resolvi fazer uma espécie de resenha, em vez de enveredar pela crítica, o querequereria mais domínio no campo da estética. Apesar das dificuldades, tal estudo foi-me bastante proveitoso.Depois de vários anos de leituras acumuladas sobre arte, consigo entender bem melhor o texto e algumasidéias e conceitos básicos, que considero determinantes, como a diferenciação entre objeto útil e objetoestético, bem como entre arte e artesanato, conceitos aliás, presente em vários outros autores. A nota obtidafoi 7,5 com o seguinte comentário: "
É um bom trabalho, muito bem escrito, porém com algumas poucasimprecisões. Senti falta de um posicionamento menos diretivo e mais crítico."
Mas quem era eu na época paracriticar Heidgger?? O texto é apresentado aqui na forma em que foi submetido ao professor.
 
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que ponta uma interfere e/ou determina a outra? O que é uma coisa? O que é uma obra dearte?
A OBRA E A COISA
Começa aqui mais precisamente a vertigem do mergulho heideggeriano, quando eleenuncia três maneiras equivocadas de ver, sentir, e conceituar a coisa. Agora ele tambémquer buscar a essência da coisa, para diferenciá-la claramente da essência da obra de arte.Ao buscar a coisa de três maneiras distintas, ele nos leva, nos faz acreditar e depois mostra-nos sua verdade. Antes nos confunde, depois nos estarrece.
A primeira maneira
de tentar chegar à coisa e não consegui-lo remete`aterminologia, à toda linguagem ocidental. Segundo Heidegger, hoje nós simplesmente nãosabemos o que falamos! Toda tradição linguística do ocidente, fundada no latim e suasdegenerações, carrega consigo o estigma do equívoco. Tal fato se inicia quando da traduçãodo idioma grego para o idioma latino. O
grego
, ao fazer sua verbalização da
Terra
(o ente
terra
, terra = natureza), o faz como resultado de uma "experiência original" e íntima como ente, com a essência dele
 – 
Heidegger chama isso de "mundaninizar"; o
romano
, aoapossar-se das palavras e expressões do idioma grego, as adota sem as correspondentes"experiências originais". A palavra continua a mesma, mas passa a designar outra coisa. Ela já não transmite o essencial da coisa, mas o dissimula e nos parece hoje arbitrária. AquiHeidegger identifica a
"falta de terreno firme de todo pensamento ocidental".
Todas aslínguas descendentes do latim, filho do grego, apenas fizeram realçar esta "ocultação doente", antes desolcutado pelos gregos em sua essência. A definição ocidental correnteutiliza-se da adjetivação. Assim, a coisa já não é ela própria, ela é isso ou aquilo (dura,mole, feia, macia, colorida, cheirosa, agradável, etc. ). Emitem-se notas a respeito da coisa,sem que se defina a coisa em si. O pior é que este tipo de procedimento não vale apenaspara as coisas em geral, mas para todos os entes, sendo, então, impossível, através dele,separar entre os que são coisa e os que não são. Assim está formada a primeira grandeconfusão!
A Segunda maneira
de tentar captar a coisa seria quase uma espécie de fuga davisão acima: já que estamos tão distantes da coisa, esqueçamos de tudo e demos maisliberdade à coisa para que ele se mostre imediatamente! É preciso impregnar-se da coisa,senti-la em sua plenitude... Isto aconteceria através dos sentidos humanos, "atacados" pelacoisa, num estado de total receptividade de sensações advindas dela. Heidegger diz,entretanto, que tanto o primeiro, quanto o segundo modos de ver a coisa pecam porexagero: um nos afasta e outro aproxima-nos demais da coisa; é melhor evitar os dois. "
 Acoisa deve ser em si"
, ele diz. Esse enunciado é de grande importância na visãoheideggeriana.
A terceira maneira
de ver a coisa advém dessa visão sensitiva e sensível do ente eremete direto à materialidade dele. A coisa seria resultado de uma interação entre matéria eforma, conceito que serviria tanto para as
coisas naturais
quanto para as
usuais.
Heideggerentão vai rápido e fundo num mergulho paralelo na questão
matéria/forma
e nos descobreque esta visão remete ao ente ÚTIL, já que a utilidade tem papel preponderante no sentidomatéria-forma-ente. Ele explica: do tipo de material depende a forma final do produto, quesão ambos (o material e a forma dada a ele) idéias para a realização de algo, umaUTILIDADE. Assim, a conjunção matéria/forma não nos remete à coisidade da coisa e sim
 
3
à utilidade do útil. Essa descoberta é deveras interessante e com ela Heidegger traça umaescala linear ascendente que vai da coisa à obra de arte, no qual o útil ocupa posiçãointermediária (1.coisa-2.útil- 3.obra de arte ). O autor aproveita essa passagem pela questãodo útil e enuncia: "
O útil é aquilo que serve para algo, que é perecível, que sucumbemediante ao uso e que deve servir muito bem e de forma super-eficiente àquilo a que se propõe ( o ser-de-confiança do útil ); quando bem usado, essencialmente útil, o objeto útilé esquecido."
Trata-se, como se vê, de algo bem distinto da obra de arte
2
.Nossa questão continua sendo, porém, o "cósico da coisa". O que há de coisa nacoisa e de coisa na obra de arte? Por extensão, o que há de arte na obra? Já que as trêstentativas de ver a coisa pelos modos convencionais falharam
 – 
ver o cósico na obra éimpossível pelos meios até agora utilizados
 – 
talvez isso seja sinal de que o material cósicoda obra não pertença à obra.
"Tentamos captar uma realidade mais evidente na obraatravés de sua materialidade cósica e falhamos; portanto, o cósico não pertence à obra."
 – 
 afirma Heidegger. Aqui ele propõe uma inversão nas investigações: já que não foi possívelver o que há de cósico na obra, tentemos ver o que há de obra no cósico, pois é certo quecósico e obra mantêm uma estreita relação entre si. A inversão é sutil, mas totalmenteelucidante.A obra de arte é algo singular. Ela não é a cópia do real existente, mas a reproduçãoda "essência geral das coisas". A arte não copia, mas enuncia; nela há verdade e aí vive suaessência: pôr a verdade em operação. Assim a
arte seria o quarto caminho para chegar àessência, não só das coisas, mas dos entes em geral, além de si própria.
É preciso
 – 
dizHeidegger
 – 
esquecer todos os pre-conceitos e equívocos anteriores e enveredar agora poresse caminho, em busca do cósico da coisa, do ser da obra, e do cósico da obra.
A OBRA E A VERDADE
Heidegger diz que a verdade acontece na obra de arte. Mas o que é essa verdade ecomo ela acontece aí? Aqui, um outro mergulho que começa com o enunciado já visto deque é necessário
"deixar a obra repousar em si, sobre si e só"
, para que ela assim nosmostre a sua verdade. É preciso isolar a obra de toda relação que não seja dela com elaprópria. Ele ainda se questiona: mas não é próprio da obra de arte estar em estreita relaçãocom o mundo? A resposta é curta: "
a obra só deve pertencer ao reino que se abre por meiodela e só ai mantém relações; o ser-obra só existe nesta abertura.
"A obra estabelece e cria seu próprio mundo (diferente de todos os outros); elaconsagra e glorifica porque exige do ser obra que ele se manifeste
 – 
a obra desfolha-sesobre si e nos apresenta o seu mundo e o mantém em imperiosa permanência. Neste
2
Hoje quando trabalho esta idéia com meus alunos exemplifico com o sapato. Um sapato verdadeiramenteútil é aquele que não sentimos quando usamos. Esse é o ponto máximo do conforto do sapato, seu grau ótimode utilidade. Qualquer sapato que se mostre à nossa consciência é porque nos incomoda, ou seja, não cumpresua função primordial de ser útil e esquecível, porque funciona muito bem. O sapato que não se esquece éaquele que quando calçado, aperta e faz calo, não segura no pé, causa dores, desequilíbrio, etc. todos defeitosque podem ser considerados gravíssimos para um sapato. No entanto o ser humano inventou para ele umaoutra categoria, o
sapato de arte
. Pensemos nos saltos agulha altíssimos que algumas mulheres gostam deusar e que custam boas dores na coluna; pensemos nas plataformas de Carmem Miranda, nada práticas;pensemos no antigo costume chinês de usar calçados números muitas vezes menor que o pé, para diminuí-lo,etc. Há vários exemplos de como um sapato deixa de ser apreciado apenas por sua utilidade e passa a serapreciado pela sua beleza ou seu efeito estético. Essa é uma diferenciação básica entre
coisa útil
e
obra dearte
.

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Antonio Jardim added this note
Bom trabalho!!!!! Mas mantenho que poderia ter ousado mais criticamente.
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