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Georgette Heyer - Fantasmas Do Passado (PtBr)

Georgette Heyer - Fantasmas Do Passado (PtBr)

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1
 
Fantasmas do Passado 
Georgette Heyer 
Paris, século XVIII. Enquanto a nobreza deleita-se em badalados saraus, a miséria toma conta das ruas, obrigando aspessoas a disputarem um pedaço de pão. Em meio a tantos contrastes surge um amor intenso everdadeiro, um encontro entre um homem de espírito nobre e uma jovem cuja vida fora severamente marcada pelainjustiça.Caminhando por ruelas escuras, o elegante Duque de Avon choca-se com um rapaz que julga ser ladrão. Ao fitar seurosto sob a luz escassa dos lampiões, ele percebe haver uma semelhança entre o jovem — que se apresenta como Leon — e seu maior inimigo, um patife com quem tem dívida antiga a cobrar. Este é o início de uma trama movimentada que amente criativa de Georgette Heyer desenvolve com todos os ingredientes das histórias românticas do início do século.São muitas as aventuras vividas pelas personagens e a expectativa cresce a cada página, atingindo um clímaxemocionante num sarau em que o Duque de Avon revela a verdadeira identidade de sua tutelada, Léonie, diante de umaplatéia atônita, composta pelos mais representativos nomes da alta sociedade parisiense da época.Enquanto desenterra os fantasmas do passado, o duque assiste triunfante cair a máscara do inescrupuloso Conde Henride Saint-Vire. Suas palavras o atingem como punhais, rasgando o véu de mentira com que o conde durante anos vieraencobrindo sua crueldade.
 
 
2
 
CAPÍTULO I
Sua Alteza de Avon Compra um Indivíduo 
Um cavalheiro caminhava por uma rua afastada de Paris, voltando da casa da senhora de Verchoureux.Andava um tanto afetadamente, porque os saltos vermelhos dos sapatos eram muito altos. Um mantocomprido, de cor púrpura, forrado de rosa, caía-lhe dos ombros e pendia descuidadamente sobre a roupa,revelando um paletó de cetim roxo, de abas largas excessivamente enfeitado de dourado; usava colete deseda estampada com flores, calções impecáveis, exibindo uma ostentação exagerada de jóias na gravata eno peito. O chapéu de trêspontas, debruado, estava colocado sobre a cabeleira empoada, e na mão carregava uma bengala comprida,adornada de filas. Estava vulnerável a qualquer ataque e, embora um pequeno sabre estivesse pendurado aoseu lado, o punho ficava perdido nas pregas do manto, dificultando, em caso de necessidade, o uso rápido dosabre. Nesta hora tardia, nesta rua deserta, era a maior temeridade caminhar exibindo jóias, mas o cavalheirodava a impressão de não estar ciente da imprudência. Prosseguia languidamente o seu caminho, sem olhar àsua volta, aparentando ignorar possíveis perigos.Mas quando avançava pela rua, girando ociosamente a bengala, um corpo arremessou-se contra ele,disparado como uma bala de canhão de um beco escuro que desembocava à direita do magnífico cavalheiro.A figura agarrou-se àquele manto elegante, gritou numa voz assustada e tentou recuperar o equilíbrio.Sua Graça de Avon deu uma virada, agarrando os pulsos do possível agressor e mantendo-os abaixadoscom uma força tão impiedosa que não correspondia à aparência de janota. A vítima deu um gemido de dor ecaiu de joelhos, tremendo a seus pés. — Meu senhor! Ah, me solte! Eu não pretendia... eu não sei.... eu não ia... Ah, meu senhor, me solte!Sua Alteza curvou-se para o rapaz, ficando de lado, de maneira que a luz de um poste da rua adjacentecaísse no rosto branco, agoniado. Olhos grandes, azul-violeta, olharam-no arregalados, com profundo terror. — Você não acha que é um tanto jovem para este negócio? — indagou o duque arrastando as palavras. —Ou achou que ia me pegar desprevenido?O rapaz corou, e os olhos escureceram de indignação. — Eu não queria roubar o senhor! É verdade, é verdade, não queria! Eu... eu estava fugindo! Eu... ah, meusenhor, deixe eu ir! — Em boa hora, minha criança. De onde você estava fugindo, posso perguntar? De outra vítima? — Não! Ah, por favor, deixe eu ir embora! O senhor... o senhor não compreende! Ele já deve ter começado ame procurar! Ah, por favor, por favor, meu amo!Os olhos do duque, curiosos, de pálpebras pesadas, não se afastavam do rosto do rapaz. Subitamente,tinham-se arregalado, tornando-se atentos. — E quem, menino, é ele? — Meu... meu irmão. Ah, por favor...Um homem vinha virando a esquina do beco. Ao ver Avon, ele parou. O rapaz estremeceu, agorapendurando-se no braço do duque. — Ah! — explodiu o recém-chegado. — Agora, por Deus, se o cachorrinho tentou roubá-lo, ele vai pagar porisso! Seu vagabundo!Pirralho ingrato! Você vai se arrepender, eu prometo! Senhor, mil desculpas! O rapaz é meu irmão maismoço. Eu estava batendo nele por causa da preguiça, quando escapou de mim...O duque levou um lenço perfumado ao nariz.
 
 
3
  — Mantenha distância, camarada — disse ele desdenhosamente. — Sem dúvida apanhar é bom para os jovens.O menino encolheu-se, aproximando-se mais dele. Não se esforçou para fugir, mas torcia as mãosconvulsivamente. Mais uma vez os olhos estranhos do duque passaram por ele, parando por um momentonos cachos ruivos, cor de cobre, que estavam cortados bem curtos, emaranhados e desarrumados. — Como observei, apanhar é bom para os jovens. Seu irmão, você disse? — encarou agora o homemmoreno de feições grosseiras. — Sim, nobre senhor, ele é meu irmão. Cuidei dele desde que nossos pais morreram e ele me paga comingratidão. É uma maldição, nobre senhor, uma maldição! — Qual é a idade dele, camarada? — o duque parecia refletir. — Dezenove anos, milorde. — Dezenove. — O duque examinou o rapaz. — Não é muito pequeno para a idade? — Ora, milorde, se... se é a culpa não é minha! Eu... eu o alimento bem. Eu lhe peço, não dê atenção ao queele diz! É uma víbora, uma fera, uma verdadeira maldição! — Vou livrá-lo da maldição — falou Sua Alteza calmamente. — Milorde...? — O homem encarou-o sem compreender. — Suponho que ele esteja à venda.Mãos frias insinuaram-se nas do duque, agarrando-as. — À venda, milorde? O senhor... — Pretendo comprá-lo para ser meu pajem. Quanto vale? Um luís? Ou não tem valor? Um problemainteressante. — É um menino bom, nobre senhor. — Os olhos do homem brilharam subitamente com avareza sagaz. —Pode trabalhar. Na verdade, vale muito para mim. E sou muito afeiçoado a ele. Eu... — Darei um guinéu por este inútil. — Ah, não, milorde! Ele vale mais! Muito, muito mais! — Então fique com ele — disse Avon e prosseguiu.O rapaz correu atrás dele, pendurando-se no seu braço. — Milorde, me leve! Ah, por favor me leve! Hei de trabalhar bem para o senhor! Juro! Ah, eu suplico, me leve!Sua Alteza parou. — Fico conjeturando: será que sou tolo? — falou ele em inglês. Tirou o alfinete de brilhante da gravata, esegurou-o de modo que faiscasse e brilhasse sob a luz da lâmpada. — Bem, camarada? Isto é suficiente?O homem olhou a jóia como se não pudesse acreditar no que via.Esfregou os olhos e aproximou-se, encarando. — Por isto — disse Avon — eu compro seu irmão, corpo e alma. Então? — Me dá! — sussurrou o homem, e estendeu a mão. — O menino é seu, milorde.

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