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paulo mueller 2006_o método científico

paulo mueller 2006_o método científico

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ESCOLA BANDEIRANTES
Educação Infantil e Ensino Fundamental
Lista de Exercícios de Ciências Naturais
Prof. Paulo Henrique MuellerData: 20/02/06Turma: 8ª série
Sábio
 
não é aquele que fornece as verdadeiras respostas,mas quem formula as verdadeiras perguntas.
Claude Lévi-Strauss, antropólogo belga (1908)
O Método Científico
No laboratório de uma universidade, um senhor senta-se diante do microscópio eletrônico. Com anos deprática, observa atentamente um fragmento de fígado retirado de um paciente, à procura de pequenos organismosresponsáveis por uma infecção comum em nosso país. Suas pesquisas têm grande importância porque podemmudar as formas de prevenção da moléstia e até mesmo alterar a maneira como os responsáveis pela SaúdePública vêm lidando com a questão.Ao mesmo tempo, no pantanal mato-grossense, lutando contra as cãibras, uma jovem ajeita-se como podeno interior de uma abafada barraca. Às voltas com nuvens de pernilongos e acotovelando-se com máquinasfotográficas e cadernos de anotações, ela estuda o comportamento de uma ave daquela região do Brasil, epermanecerá horas a fio naquela incómoda posição.Nesse instante, ao redor da mesa do café, um grupo de pessoas conversa acaloradamente diante de umapilha de papéis cheios de números. Há meses estão empenhadas em compreender como determinada doençahereditária é transmitida de pais para filhos, e estão muito perto de alcançar seu objetivo. Certo nervosismo tomaconta dessas pessoas, pois sabem que outro grupo de pesquisadores também está próximo da solução domesmo problema. Se conseguirem publicar seus resultados em alguma revista científica antes dos rivais, terão oreconhecimento da comunidade internacional de cientistas; caso contrário, seus esforços terão sido quase emvão. Descobertas científicas costumam dar méritos somente a quem chega em primeiro lugar!Quando pensamos em um cientista, geralmente a imagem que nos vem é a de alguém com ar pensativo,vestindo um longo avental, em um laboratório cheio de frascos fumegantes e equipamentos eletrônicos.Entretanto, todas as pessoas citadas anteriormente são cientistas. Embora as "ferramentas" que utilizem —máquinas fotográficas, microscópios, tabelas com números etc. — sejam diferentes, todas buscam solucionar questões e compreender o mundo em que vivemos.
A ciência
(do latim
scientia,
que significa "conhecimento") é o exame e a verificação da experiência hu-mana; é a maneira cuidadosa e organizada de estudar uma folha de goiabeira, um cão, um vírus ou mesmo ouniverso inteiro. O que a move é a curiosidade!Diferentemente da religião, da arte e da filosofia, a ciência limita-se àquilo que pode ser observado emedido de forma precisa. Os cientistas buscam a imparcialidade e a objetividade; já os artistas procuram asubjetividade, colocando diante dos olhos "lentes" capazes de modificar sua visão do mundo. A responsabilidadede retratar o universo exatamente como ele é não cabe aos artistas, e sim aos cientistas.Os cientistas são pessoas reais: têm ambições, receios e também cometem erros. A ciência não faz julgamentos; os cientistas, porém, como qualquer pessoa, podem fazê-los. Sabemos, por exemplo, que as usinasnucleares geradoras de eletricidade podem trazer riscos à saúde das pessoas. Por meio de experimentos, aciência pode quantificar esses riscos, estabelecendo relação entre a dose de radiação e as lesões que ela causa.A partir dessa informação, todos — e não apenas os cientistas — poderão fazer seu próprio julgamento e decidir se querem ou não a construção de usinas nucleares nas regiões em que vivem.Os cientistas procuram construir representações precisas (ou seja, consistentes e não arbitrárias) do mundoque nos cerca. Porém, as convicções pessoais — de natureza religiosa, cultural ou política — e o contextohistórico, social e econômico podem influenciar a percepção que eles têm dos fenômenos e o modo como osinterpretam. Reconhecendo esse fato, a ciência adota critérios que visam minimizar essas influências. O conjuntode procedimentos padrão adotados com essa finalidade constitui o
método científico.
O trabalho dos cientistas — isoladamente ou em equipe — é a investigação, e a maneira como cada umexecuta suas tarefas difere de acordo com a área do conhecimento em que atua e suas características pessoais.Os cientistas lidam com fatos, ideias, hipóteses, dados experimentais e teorias. Vejamos um exemplo docotidiano, embora aparentemente "pouco científico": logo pela manhã, você tenta dar a partida no automóvel, masele não pega.
O automóvel não dá a partida.
Esse é um fato, ou seja, algo que pode ser observado, constatado, percebido etc. Muitas coisas podem passar 
 
por sua cabeça, e você pode ter diversas ideias a respeito. O que aconteceu? Quando aconteceu? Por queaconteceu?Em uma possível explicação, você afirma:
O automóvel não pega porque está com a bateria descarregada.
Trata-se de uma hipótese, mas você pode acreditar tão firmemente nela que a considera a única explicaçãopossível para o fato observado. Porém uma outra pessoa, girando a chave de ignição, nota que as lâmpadas dopainel se acendem, e que os faróis e o toca-fitas podem ser ligados normalmente. Esse outro observador alega,então, que o defeito está no motor e não na bateria.E agora? Contrariado, você quer demonstrar a exatidão de sua hipótese. Para isso, pede a um mecânico quemeça a carga elétrica da bateria. Testando assim a hipótese, poderá concluir por sua veracidade ou não.Antes de testar nossa hipótese, devemos fazer o máximo de observações possíveis, porque, muitas vezes, aosubmeter determinada hipótese a avaliações ou experimentos, deparamo-nos com outros fatos capazes delevantar novas questões. Abrindo o compartimento do motor do automóvel, por exemplo, você verifica que um doscabos conectados à bateria está coberto por um estranho material esverdeado. O que será aquilo?Os caminhos da ciência são cheios de encruzilhadas. Uma vez despertada a curiosidade do cientista, ele podeimaginar outras experiências e lidar com os novos fatos que observou.
Os passos do método científico
O método científico — percurso normalmente seguido pelos pesquisadores — tem etapas fundamentais:
• Observação.
O cientista verifica a ocorrência de um ou mais fatos, fenómenos naturais ou qualquer outraobservação que possa ser confirmada por mais pessoas.
• Levantamento de questões.
Depois de encarar o fato como um problema, imaginam-se possíveis variáveis,causas e consequências.
• Formulação de hipóteses.
Definido o problema, levantam-se possíveis explicações. Cada uma delas é umahipótese, que também pode envolver previsões relativas ao fato.
• Elaboração e execução de experimentos.
Os experimentos capazes de testar as hipóteses formuladasdevem lidar com uma parte do problema de cada vez e ser cuidadosamente controlados.
• Análise dos resultados.
Os resultados dos experimentos devem ser criteriosamente analisados, para severificar se confirmam ou refutam as hipóteses apresentadas.
• Conclusões.
Se as hipóteses propostas não se mostrarem verdadeiras ou as previsões não se comprovarem,os experimentos deverão ser checados e repetidos. Caso os resultados ainda assim não se confirmarem, seránecessário rejeitar as hipóteses iniciais e elaborar novas.
• Publicação.
Confirmados os resultados, eles devem ser publicados em revista científica, para que sejamanalisados e criticados por outros pesquisadores, que podem repetir os experimentos. Posteriormente, ashipóteses passam a ser aceitas como teorias.As conclusões do método científico são
universais,
ou seja, sua aceitação não depende do prestígio ou dopoder de persuasão do pesquisador, mas de suas evidências científicas. Além disso, elas são
repetíveis,
isto é,podem ser refeitas e confirmadas por qualquer outro pesquisador que realize os mesmos experimentos ouobservações.
Experimentos controlados
Na realização de um experimento, um desafio é o controle sobre todas as variáveis envolvidas. Vejamos umexemplo: um médico que atende pessoas adultas acredita existir correlação entre o hábito de fumar e as doençasdo coração. Sua hipótese é que "pessoas que fumam têm mais doenças do coração que as que não fumam". Elepassa a acompanhar centenas de fumantes durante vários anos, verificando que 30% deles têm algum tipo dedoença cardíaca. Conclui, então, que "fumar aumenta a chance de ter doenças cardíacas".Você aceitaria sem restrições essa conclusão? Que objeções poderia fazer? Em primeiro lugar, precisamosconhecer qual é a incidência de doenças cardíacas entre os não-fumantes, para saber se de fato ela é maior entreos fumantes. Em segundo lugar, devemos saber se as pessoas que apresentaram doenças cardíacas tinham,além do hábito de fumar, outros fatores capazes de provocá-las, tais como pressão arterial elevada, idadeavançada, vidasedentária etc. Essas são outras variáveis importantes para esse problema.Uma forma de testar essa hipótese é a execução de um
experimento controlado,
que pode envolver oacompanhamento de dois grupos homogéneos, ou seja, formados por pessoas de mesma faixa etária, mesmosexo, pressão sanguínea inicialmente normal etc. A única diferença entre eles deve ser a variável que está sendotestada; no caso, o hábito de fumar: um grupo de fumantes e um grupo de não-fumantes. Assim, as conclusões
 
obtidas podem ter valor.É importante que os grupos tenham certo número mínimo de indivíduos, porque amostras muito pequenaspodem levar a erros provocados pelo acaso. O grupo de não-fumantes — chamado
grupo-controle
— serácomparado com o de fumantes —, que é o
grupo experimental.
A única diferença entre os dois grupos deve ser avariável que está sendo testada: no caso, o hábito de fumar.Vejamos outro caso: um laboratório farmacêutico desenvolveu uma droga para o tratamento de vermesintestinais em cães e garante sua eficácia em 70% dos casos; um laboratório concorrente alega que ela "não valenada".Vamos realizar um experimento controlado para descobrir se a droga é eficaz. Inicialmente, separamos doisgrupos de cães parasitados, que devem pertencer à mesma raça, ter aproximadamente a mesma idade e nãoapresentar outras doenças associadas. O grupo experimental recebe a droga na dose adequada; aos animais dogrupo-controle é dado um medicamento sem nenhum efeito, como farinha. Esse "falso remédio" é denominado
placebo.
Tal procedimento é necessário para se evitar a crítica de que a doença está sendo tratada não peladroga, mas apenas por se estar dando algo estranho aos cães.Depois de efetuado o tratamento, poderemos dizer se a taxa de cura entre os animais do grupo experimental,que receberam o novo medicamento, foi maior do que entre os animais do grupo-controle, que receberam oplacebo.Efeito placebo é a melhora que os doentes podem apresentar, causada apenas pelo fato de receberem certamedicação, independentemente das reais propriedades curativas que esta possa ter.
Atividades
(Observação: As questões devem ser respondidas no caderno de Química)
1 -
No texto a seguir, reproduzido do livro
Descobertas acidentais em ciências,
de Royston M. Roberts, algumasfrases referentes a etapas importantes na construção do conhecimento científico foram destacadas e precedidaspor um numeral romano."Em 1889, em Estrasburgo, enquanto estudavam a função do pâncreas na digestão, Merling e Minkowskiremoveram o pâncreas de um cão. No dia seguinte, um assistente de laboratório chamou-lhes a atenção sobre ogrande número de moscas voando ao redor da urina daquele cão.
(I) Curiosos sobre por que as moscas foram atraídas à urina, analisaram-na e observaram que esta apresentavaexcesso de açúcar.
 (II)
 Açúcar na urina é um sinal comum de diabetes.
Von Merling e Minkowski perceberam que estavam vendo pelaprimeira vez a evidência da produção experimental de diabetes em um animal.(III) O
fato de tal animal não ter pâncreas sugeriu a relação entre esse órgão e o diabetes. [...] 
Muitas tentativas de isolar a secreção foram feitas, mas sem sucesso até 1921. Dois pesquisadores, Frederick G.Banting, um jovem médico canadense, e Charles H. Best, um estudante de Medicina, trabalhavam no assunto nolaboratório do professor John J. R. MacLeod, na Universidade de Toronto. Eles extraíram a secreção do pâncreasde cães.(IV)
Quando injetavam os extratos [secreção do pâncreas} nos cães tomados diabéticos pela remoção de seus pâncreas, o nível de açúcar no sangue desses cães voltava ao normal, e a urina não apresentava mais açúcar." 
A alternativa que identifica corretamente as frases grifadas com as etapas de construção do conhecimentocientífico é:IIIIIIIV
 
a)HipóteseTeste da hipóteseFatoObservaçãob)FatoTeoriaObservaçãoTeste da hipótesec)ObservaçãoHipóteseFatoTeste da hipótesed)ObservaçãoFatoTeoriaHipótesee)ObservaçãoFatoHipóteseTeste da hipótese
2 -
Você está estudando em seu quarto quando a lâmpada se apaga subitamente. Proponha uma forma deverificar cientificamente por que ela apagou. Explique cada etapa de sua proposta de acordo com osprocedimentos usuais do método científico.
3 -
Revistas, jornais e anúncios na TV apresentam uma infinidade de "dietas milagrosas" ou sugerem equipamen-tos de ginástica, chás e outras fórmulas de emagrecimento. Que tipo de evidências você acredita que essas pro-pagandas deveriam apresentar para que alguém pudesse aceitar tais recomendações?
4 -
Segundo o jornal francês
Lê Monde,
uma empresa suíça, para testar novos medicamentos, recrutava nos

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