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LÍNGUAS INDÍGENAS: A QUESTÃO PURI-COROADO

LÍNGUAS INDÍGENAS: A QUESTÃO PURI-COROADO

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Published by Vlademir Luft
publicado em Caderno de Criação, ano V, número 15 - junho, Universidade Federal de Rondônia - Centro de Hermenêutica do Presente, Porto Velho - RO, 1998, pp. 4-11.
publicado em Caderno de Criação, ano V, número 15 - junho, Universidade Federal de Rondônia - Centro de Hermenêutica do Presente, Porto Velho - RO, 1998, pp. 4-11.

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Categories:Types, Research, History
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 LÍNGUAS INDÍGENAS: A QUESTÃO PURI-COROADO
1
Vlademir José
Luft
2
 Luciana
Maghelli
3
 Juliano
Resende
4
 Existem duas maneiras de entendermos o elemento indígena no Brasil, e quemsabe no mundo. Uma remete-nos ao conhecimento popular, onde o índio é consideradoum elemento exótico e totalmente diferente do “civilizado”, portanto, passível de ser tutelado. A outra maneira, relaciona-se à forma como o mundo acadêmico-intelectualentende este elemento. Evidentemente esta visão dependerá das flutuações ideológicasde cada época. De qualquer forma, pode-se perceber que, com raras exceções, oindígena é encarado como um elemento que não faz parte do domínio da História.Infelizmente a tendência da historiografia brasileira tem sido a de manter os índiosno domínio da Antropologia e/ou da Etnologia. Isto faz com que estes trabalhos, que sãode suma importância para estas respectivas áreas, fiquem sem uma visão contemporizadae crítica da sociedade indígena. Além disso, o historiador fica com a impressão de queeste assunto não faz parte de seu objeto de estudo, logo, ele não tem qualquer responsabilidade sobre sua análise.É evidente que se tivermos em mente um conceito de história tradicional, ou seja,a História que se inicia, no caso brasileiro, com a chegada da armada de Pedro AlvaresCabral em 1500, logicamente os índios anteriores à esta data não serão do âmbito da
1 Caderno de Criação, ano V, número 15 - junho, Universidade Federal de Rondônia - Centro de Hermenêutica do Presente, Porto Velho - RO, 1998, pp. 4-11.2 Professor e Pesquisador da UNESA; Doutorando em História Social do IFCS-UFRJ; Bolsista do CNPq., a nível de Doutorado; Coordenador do ProgramaArqueológico Puri-Coroado apoiado pela UNESA.3 Bacharelanda em Arqueologia; Mestranda em História Social do IFCS-UFRJ; Estagiária do Programa Arqueológico Puri-Coroado apoiado pela UNESA; Bolsistade Iniciação científica da UNESA.4 Bacharelando em Arqueologia; Estagiário do Programa Arqueológico Puri-Coroado apoiado pela UNESA; Bolsista de Iniciação Científica do PIBIC-CNPq.-UNESA.
 
Historia, e os posteriores somente o serão na medida em que complementarão
 
o contextoeuropeu da época. Para os autores desta linha, os índios aparecem somente em algunsmomentos da História do Brasil, como por exemplo, com a chegada da armada de PedroAlvares Cabral, com as tentativas de escravização ou com os aldeamentos.Se a Arqueologia que defendemos é uma História das sociedades passadas, que busca tratar o maior número possível de documentos, é necessário que comecemos atrabalhar com os grupos indígenas. Como o historiador, que se volta cada vez mais paraas análises interdisciplinares envolvendo as mais diversas áreas do conhecimento, cabe aoarqueólogo fazer uso de fontes e metodologias, o mais abrangentes possível, visandoconhecer o processo histórico da sociedade com a qual estiver trabalhando.Esta não foi a preocupação da grande maioria dos que escreveram sobre associedades indígenas no Brasil em épocas passadas. Observando a historiografiatradicional sobre o indígena brasileiro, pode-se constatar que este, o índio, é visto comosendo um bloco único com características gerais. Isto ocorreu por falta de conhecimento prévio de cada grupo por parte dos cronistas e dos autores posteriores a eles. Destamaneira, o conhecimento sobre o índio brasileiro foi sendo passado de geração emgeração de forma pouco crítica por parte dos historiadores.Como conseqüência desta visão acrítica, a maior parte das obras sobre os índios brasileiros, não são análises que se detêm nas particularidades de cada um dos grupos.Por sua vez, a Arqueologia, que trabalha com esses grupos nos mais diversosmomentos de sua história, muito pouco tem feito no sentido de recuperar aquelasociedade com a qual está trabalhando, tampouco de segui-la ou mesmo de escolher asociedade com a qual irá trabalhar. Seu intuito, na maioria das vezes, é de estabelecer 
 
 panoramas gerais, muito longe das particularidade e dos modos de vida de cada gruponos mais diversos momentos históricos.Um bom exemplo do que acabamos de dizer é a área do Norte Fluminense, Estadodo Rio de Janeiro, conhecida em sua quase totalidade pela expressão “baixada dosGoitacases”, tradicionalmente identificada como tendo sido ocupada pelos índiosGoitacá. O que acontece é que encontramos nela diversos outros grupos, tais como osPuri, os Coroados e os Coropó. Os viajantes e depois os historiadores e arqueólogos nãose preocuparam, ou não tiveram conhecimentos suficientes, para fazer as distinções entrecada grupo. Desta maneira, foi traçado um “modelo” do que seria o indígena e aocupação desta área somente a partir dos Goitacá. Esse fato tem provocado, em nossoentender, uma série de distorções na realidade da ocupação desta e de muitas outras áreas.Desta forma é muito comum ler a respeito de uma possível identificação entre osíndios Puri e Coroado e os índios Goitacá, chegando, alguns autores, a afirmação de queaqueles teriam sido os descendentes dos índios Goitacá, quando estes teriam chegado aoterritório das Minas Gerais. Devemos assinalar que desde o século passado encontramosviajantes que fazem esta ligação. Neste sentido, Eschwege, Wied, Saint-Hilaire eMartius já diziam que Puri, Coroado, Coropó e Goitacá tinham origem comum.Ehrenreich também os considera tribos aparentadas, constituindo uma família lingüísticado tronco Gê. No entanto, ao interarmo-nos do que diz Métraux, observamos que taisargumentações poderiam não ser verdadeiras, não existindo provas de natureza científicaque as comprove. A grande crítica que faz aos pesquisadores é de aceitar o que foiafirmado anteriormente, sem realizar qualquer exame crítico. Foi exatamente o que fez,

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