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Imunidade de Jurisdição

Imunidade de Jurisdição

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 A IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO DOS ORGANISMOS INTERNACIONAIS EOS DIREITOS HUMANOSSILVEIRA, Rubens Curado.A imunidade de jurisdição dos organismosinternacionais e os direitos humanos. São Paulo: LTr, 2007. 175 p.Por Antônio Augusto Cançado Trindade*É com grata satisfação que escrevo este prefácio à obra A Imunidade deJurisdiçãodos Organismos Internacionais e os Direitos Humanos, de autoria doJuiz Rubens Curado Silveira, por distintasrazões. Em primeiro lugar, tive aocasião de acompanhar ± em meio a meus constantes deslocamentos à sededa Corte Interamericana de Direitos Humanos em San José da Costa Rica ± odesenvolvimento pelo autor de seu projeto de pesquisa, no período 2001-2004,de que resultou este livro. Durante seus estudos de mestrado em Direito naUniversidade de Brasília, cursou ele minhas disciplinas Direito InternacionalPúblico (Organizações Internacionais) e Direito Internacional dos DireitosHumanos, nele pude identificar, além de uma já sólida formação jurídica, suasalentadoras preocupações de cunho humanista. Recordo-me, com satisfação,de nossos muitos diálogos, em que identifiquei ademais sua vocaçãoacadêmica, a par do exercício principal da magistratura; tanto é assim que, noperíodo 2003-2005, lecionou Direito Processual do Trabalho tanto naUniversidade de Brasília como na Escola Judicial do Tribunal Regional doTrabalho da 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins).Em segundo lugar, o tema escolhido e aqui desenvolvido pelo autor, atinenteà imunidade de jurisdição e à responsabilidade das organizaçõesinternacionais, reveste-se da maior atualidade e relevância, em um momentoem que passou a ser tratado ± para preencher uma lacuna no DireitoInternacional contemporâneo ± pela própria Comissão de Direito Internacional(CDI) das Nações Unidas. Em nada surpreende que, em 2000, o tópico tivessesido incluído na agenda da CDI, e que, até a defesa da tese de que resultou olivro, tivesse a CDI produzido três relatórios e 16 projetos de artigos adotadosprovisoriamente a respeito. Em terceiro lugar, o tratamento dispensado peloautor ao tema é dos mais salutares e alentadores, ao analisá-lo a partir doprisma do Direito Internacional dos Direitos Humanos, em suas vertentes tantodoutrinária como jurisprudencial.O livro A Imunidade de Jurisdição dos Organismos Internacionais e os DireitosHumanos, de autoria do Juiz Rubens Curado Silveira, resulta da sua tese deestrado na Universidade de Brasília, que defendeu com brilhantismo no dia 16de dezembro de 2005. Tive a oportunidade de compor a Banca Examinadora,na companhia de minhas distinguidas colegas, a Professora Loussia P. MusseFélix (orientadora da Universidade de Brasília) e a Professora Deisy Ventura
 
(da Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul). Recordo-me dasegurança e tranqu
ilidade com que o autor expôs seus pontos de vista, noauditório Joaquim Nabuco da Universidade de Brasília, tendo a tese sidounanimemente aprovada pela banca com a nota máxima.Compõem o trabalho de Rubens Curado Silveira cinco capítulos, além daintrodução e conclusão da obra. A matéria é examinada em sequ
.ncia lógica, asaber: proclamação e garantia dos direitos humanos (I); organismosinternacionais ± da origem à imunidade absoluta (II); os limites da imunidade de jurisdição dos organismos internacionais (III); a jurisprudência dos tribunaisbrasileiros sobre a imunidade de jurisdição dos organismos internacionais (IV)e a execução de sentenças desfavoráveis a organismos internacionais (V). Apar da análise dos reais propósitos da imunidade de jurisdição dos organismosinternacionais, o ponto central desenvolvido pelo autor, ao longo da obra, dizrespeito à responsabilidade ³civil´ daqueles organismos por lesão aos direitosindividuais, abordada tal responsabilidade sobretudo a partir do conteúdomaterial do direito à jurisdição, da necessária supremacia do direitoimperativo (jus cogens), no entendimento de que a imunidade de jurisdição emdefinitivo não é, e não pode ser, um subterfúgio para a busca indevida daimpunidade inaceitável.Permito-me aqui recordar que, há vinte anos, emiti, então como consultor  jurídico do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, meu Parecer CJ/14, de22 de abril de 1986, intitulado ³A Questão da Imunidade de Jurisdição do Agente Diplomático em Matéria Trabalhista´
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(pronta e devidamente acatado eseguido pelo Itamaraty), em que, ainda que me atendo ao plano das relaçõesessencialmente interestatais à luz da Convenção de Viena sobre RelaçõesDiplomáticas de 1961, sustentei a tese da necessidade de se pôr um fim àimunidade absoluta e se prever limitações e restrições à mesma, com o fim desalvaguardar direitos individuais intangíveis em matéria trabalhista (inclusivecom o estrito cumprimento da Revista CEJ, Brasília, Ano XI, n. 38, p. 90-92, jul./set. 2007 legislação trabalhista local, ademais das normas internacionaisde proteção).Transcorridas duas décadas, vim a ter a grata satisfação de constatar o mesmoraciocínio retomado, no plano das organizações internacionais, com tantalucidez, pelo Juiz Rubens Curado Silveira, abrindo caminho para esta novamaneira de pensar o Direito no presente domínio das imunidades jurisdicionais. A tese de Rubens Curado Silveira é produto e reflexo dos novos tempos, dadoo fenômeno, que denominei e examinei com detalhes em meu recente CursoGeral de Direito Internacional Público na Academia de Direito Internacional daHaia em 2005, da expansão da personalidade jurídica internacional
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. Asorganizações internacionais, como sujeitos do Direito Internacional (a par dosEstados, dos indivíduos e da humanidade como um todo), também, assumem acorrespondente responsabilidade de respeitar os direitos individuais, vendoseno dever de abster-se de invocar imunidades quando há lesão a taisdireitos.Com a consolidação da personalidade e capacidade jurídicas internacionaisdas organizações internacionais
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, têm-se tornado indispensáveis a
 
configuração e a determinação do regime jurídico de sua responsabilidadeinternacional (a par da dos Estados e demais sujeitos do Direito Internacional),de modo a assegurar seu cumprimento das obrigações internacionais e evitar lesões a direitos individuais
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. O Juiz Rubens Curado Silveira corretamenteassinala o declínio da imunidade absoluta a acompanhar pari passu aemergência da imunidade relativa e identifica as tendências jurisprudenciaiscentradas na necessidade funcional daimunidade, com a primazia das normasimperativas do Direito Internacional e o direito universal à jurisdição.Em seu correto entendimento, os direitos individuais devem ser protegidosindependentemente do agente causador da lesão ou de quem figure no pólopassivo dos processos judiciais. Para ele, impõe-se compatibilizar a regradaimunidade jurisdicional com o próprio direito universal à jurisdição, o qual só seconsuma com a entrega efetiva e plena da prestação jurisdicional. É o querequerem, inclusive, diversos tratados de direitos humanos, hoje vigentes nosplanos tanto universal como regional.Como o autor assinala ± em suas próprias palavras ±, com particular acertoe lucidez, em sua conclusão: A tendência judicial que condiciona o reconhecimento da imunidade à adoçãode mecanismos alternativos de solução de controvérsia é amplamentereconhecida pelos tribunais internacionais eestrangeiros. A sua grandeaceitabilidade decorre sobretudo da sua adequação ao Estado democrático,pois coloca no centro da discussão um dos seus pilares ± o direito à jurisdição ± e a necessidade contemporânea de o Direito servir como instrumento àefetiva proteção dos direitos humanos.O próprio Juiz Rubens Curado Silveira tem contribuído, no âmbito de nossoDireito interno, não só como acadêmico, mas, também, como magistrado, a dar expressão concreta à tese defendida neste livro, ao haver inspirado a mudançada jurisprudência do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, em25/10/2005, sobre a matéria em apreço
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. A respeito, assume o autor, de modolouvável, uma postura crítica quanto ao hermetismo da maior parte dosoperadores do Direito em nosso País, normalmente avessos ao DireitoInternacional e aos debates jurídicos travados mais além de nossas fronteiras.Convida-os a uma reconsideração de sua posição fechada, para melhor aproveitarem a experiência acumulada nos últimos anos pelos tribunaisinternacionais e estrangeiros em temas que extrapolem nossas fronteiras, taiscomo a asserção e vindicação de direitos humanos universais, que requeremque a linguagem comum de tais direitos alcance as bases das sociedadesnacionais e a operação dos distintos sistemas jurídicos nacionais. Este livro AImunidade de Jurisdição dos Organismos Internacionais e os DireitosHumanos, de autoria do Juiz Rubens Curado Silveira, constitui uma valiosa epioneira contribuição neste sentido, dá mostras da formação humanista doautor como destacado expoente das novas gerações promissoras dosmagistrados brasileiros e preenche uma lacuna na bibliografia especializadapátria sobre a matéria.NOTAS E REFERÊNCIAS1 Reproduzido no volume VIII (período 1985-1990) da coletânea Pareceres dos

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