acadêmico mais profundo após o Supremo Tribunal Federal haver decidido pelaconstitucionalidade da Lei de Biossegurança, que autorizou a pesquisacientífica com células-tronco embrionárias
. Os debates ocorreram
antes
do julgamento e, com a decisão judicial, o assunto esfriou, como se não houvessemais o que fazer diante da autoridade da
coisa julgada,
exceto compreender oque foi decidido. É como se a voz do Supremo, a quem competiria pronunciar a“última palavra”, calasse todas as demais vozes.A decisão sobre as uniões homoafetivas, imediatamente, provocouum novo estilo de debate acadêmico, pois a comunidade jurídica parece terpercebido quão poderosa pode ser a jurisdição constitucional e quãoimportante é o papel da academia enquanto espaço de crítica sobre essaatividade. Agora, pelo que tenho notado, os juristas debruçam-se sobre adecisão do Supremo Tribunal Federal não apenas para compreendê-la, mastambém para avaliar o seu acerto e especialmente para questionar os próprioslimites da jurisdição constitucional. Enquanto diversos setores da sociedadeelogiavam ou lamentavam, conforme o viés ideológico, a decisão pelo seumérito, vários artigos críticos, escritos por juristas respeitáveis, forampublicados nos dias seguintes à decisão, denunciando que o STF teriaextrapolado a sua missão constitucional e violado os “limites semânticos daconstituição” (STRECK, 2011), “reescrevendo o texto da Constituição semlegitimidade para tanto” (DOUGLAS, 2011) e “criando um direito até entãoinexistente” (ARRUDA, 2011). Mesmo alguns autores simpáticos à causa doshomossexuais questionaram o
modus operandi
da decisão, pois, segundo eles,seria necessária uma revisão constitucional para reconhecer a validade jurídicadas uniões homoafetivas ou, pelo menos, uma alteração legislativa, de modoque, de uma forma ou de outra, caberia ao parlamento e não ao judiciáriodecidir a matéria. Nesse sentido, qualquer equiparação judicial das relaçõeshomoafetivas às uniões estáveis entre homem e mulher fragilizaria o princípiodemocrático que exige que tais decisões sejam deliberadas na instânciapopular, de modo que o reconhecimento das uniões homoafetivas na esfera judicial provocaria “uma instabilidade institucional pela fissura provocada notexto da Constituição através de um protagonismo da Corte Constitucional”,gerando “um tipo de mal-estar institucional gravíssimo” (STRECK, OLIVEIRA &BARRETO, 2011). Outros, notoriamente antipáticos à causa dos homossexuais,pegaram carona nas críticas e iniciaram uma verdadeira cruzada contra a jurisdição constitucional, alegando que os ministros do Supremo TribunalFederal, “à luz da denominada ‘interpretação conforme’, estão conformando aConstituição Federal à sua imagem e semelhança, e não àquela que o povodesenhou por meio de seus representantes” (MARTINS, 2011)
. Referidos
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STF, ADI 3510, rel. Min. Ayres Brito, j. 29/05/2008.
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Há um aspecto interessante nessa crítica de Ives Gandra ao chamado “ativismo judicial”do Supremo Tribunal Federal. O STF, há muito tempo, vendo sendo extremamente ativistaem matéria tributária, deixando de aplicar várias leis que prejudicam os contribuintes echegando até mesmo a declarar a inconstitucionalidade de uma emenda constitucional(STF, ADI 939, rel. Min. Sidney Sanches, j. 15/12/1993). Em muitas situações, o STF deixoua literalidade do texto constitucional de lado para limitar o poder do fisco, quando, por
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