Dificilmente haverá mudanças significativas e consistentes naspráticas de avaliação formativa sem uma teoria que, para além de asenquadrar ao nível dos fundamentos epistemológicos, ontológicos emetodológicos, contribua para a indispensável clarificação conceptual sobreque práticas se deverão apoiar e desenvolver. Mudar e melhorar práticas deavaliação formativa implica que o seu significado seja claro para osprofessores, tanto mais que são muito fortes e complexas as suas relaçõescom os processos de ensino e de aprendizagem.Para além desta introdução, o artigo desenvolve-se ao longo de cincosecções:
clarificar, integrar, definir, teorizar
e
reflectir
. Na primeira,
clarificar
,discutem-se termos que têm vindo a ser utilizados para designar algumaforma de avaliação formativa, acabando por se propor uma designação –
avaliação formativa alternativa
— que parece mais clarificadora e maiscoerente com os esforços teóricos que têm vindo a ser desenvolvidos. Nasegunda secção,
integrar
, analisam-se duas fortes tradições teóricas nodomínio da avaliação formativa — a tradição francófona e a tradição anglo--saxónica — com o objectivo de caracterizar e procurar integrar algumas dassuas contribuições. Na terceira secção,
definir
, parte-se de discussõesdesenvolvidas nas secções anteriores para caracterizar o conceito deavaliação formativa alternativa. Na quarta secção,
teorizar
, apresentam-se ediscutem-se alguns elementos constituintes de uma teoria da avaliaçãoformativa, referindo o que parece ser mais relevante e que,consequentemente, deverá ser objecto de atenção especial em próximosdesenvolvimentos. Finalmente, na quinta secção,
reflectir
, é feita uma síntesecrítica e uma avaliação acerca dos aspectos essenciais da discussão,recomendando-se possíveis evoluções futuras nos domínios da investigaçãoempírica e da construção teórica.
Clarificar
Aavaliação formativa, tal como era entendida nos anos 60 e 70 doséculo XX (ver, por exemplo, Scriven, 1967; Bloom, Hastings & Madaus,1971), pouco tem a ver com a avaliação formativa dos dias de hoje (ver, porexemplo, Earl, 2003; Harlen & James, 1997; Sadler, 1998; Torrance & Prior,2001). No primeiro caso, estamos perante uma visão mais restritiva, muitocentrada em objectivos comportamentais e nos resultados obtidos pelos
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Domingos Fernandes