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Conhecimento científico e saberes cotidianos: possibilidades de tradução no trabalho com a Associação de Profissionais do Sexo de Belo Horizonte_Monteiro, Barreto e Prado

Conhecimento científico e saberes cotidianos: possibilidades de tradução no trabalho com a Associação de Profissionais do Sexo de Belo Horizonte_Monteiro, Barreto e Prado

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Published by Letícia Barreto
Trabalho publicado nos anais do XI Colóquio Internacional de Psicossociologia e Sociologia Clínica,
com o tema “Sociedade Contemporânea, rupturas e vínculos sociais”, realizado pela Universidade Federal de
Minas Gerais, entre os dias 10 e 13 de abril de 2007 e está disponível em http://www.fafich.ufmg.br/coloquio/
Trabalho publicado nos anais do XI Colóquio Internacional de Psicossociologia e Sociologia Clínica,
com o tema “Sociedade Contemporânea, rupturas e vínculos sociais”, realizado pela Universidade Federal de
Minas Gerais, entre os dias 10 e 13 de abril de 2007 e está disponível em http://www.fafich.ufmg.br/coloquio/

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Categories:Types, Research
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06/30/2012

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Conhecimento científico e saberes cotidianos: possibilidades de tradução notrabalho com a Associação das Profissionais do Sexo de Belo Horizonte
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Júnia Penido MonteiroLetícia Cardoso BarretoMarco Aurélio Máximo PradoO Núcleo de Psicologia Política da UFMG (NPP) vem pesquisando a dinâmica da participação social na esfera pública, sendo que um dos enfoques é o estudo de movimentossociais no projeto “Um estudo das estratégias de mobilização e da dinâmica de articulação dosmovimentos sociais: identidades coletivas, antagonismos políticos e procedimentos detradução”. Busca-se compreender as formas de ação, bandeiras de luta, dinâmica interna,formação de identidades coletiva e política dos seguintes grupos: o Movimento dasTrabalhadoras Rurais do Estado de Minas Gerais, o Movimento Gay, Lésbico, Bissexual eTransgênero (GLBT) de Belo Horizonte, o Movimento das Mulheres Negras e a Associaçãodas Profissionais do Sexo de Belo Horizonte (APS-BH). O presente artigo foi produzido a partir do projeto de pesquisa desenvolvido com o último grupo e apresenta como foco umareflexão acerca da relação entre o conhecimento científico e os movimentos sociais.O fato de o NPP ter muitos estudos enfocados em grupos que ocupam lugaresdesprivilegiados na sociedade levou à necessidade de entender como se relaciona com osmovimentos: como tais grupos acolhem ou não as intervenções e análises, de que maneira o NPP reconhece as práticas e saberes desses movimentos, em que medida uma parte podeaprender com a outra, quais as possibilidades de tradução entre formas de conhecimento tãodistintas quanto as da academia e as de grupos oprimidos.A entrada de pesquisadores no cotidiano dos grupos não está isenta de conflitos.Muitas vezes há demandas muito diversas, incompreensões de ambas as partes, mesclagem deatribuições, entre outros desafios. Além disso, o saber científico ocupa lugar privilegiado nasociedade, o que propicia um contato de natureza hierárquica. É proposta uma reflexão sobrea metodologia utilizada e a postura diante desses grupos, verificando se estão sendo
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Trabalho publicado nos anais do XI Colóquio Internacional de Psicossociologia e Sociologia Clínica,com o tema “Sociedade Contemporânea, rupturas e vínculos sociais”, realizado pela Universidade Federal deMinas Gerais, entre os dias 10 e 13 de abril de 2007 e está disponível em http://www.fafich.ufmg.br/coloquio/
 
 
2reproduzidos discursos e práticas colonizadores ou se há um trabalho pela emancipação, demodo a romper com um processo de humilhação social já estabelecido.O principal campo desta pesquisa foi o trabalho com a Associação das Profissionais doSexo de Belo Horizonte, como já mencionado acima. A escolha deste grupo ocorreu devido à prévia inserção de pesquisadoras do NPP em campo, participando de reuniões e eventosrealizados pela APS-BH, com fins de pesquisa, extensão e estágio. É evidente a complexidadeda dinâmica das relações das profissionais do sexo entre si e com as pesquisadoras, oestabelecimento de hierarquias e conflitos, como também de negociações. Ademais, levandoem conta os outros movimentos sociais estudados pelo NPP, a APS-BH tem participantessócio-economicamente desfavorecidas, com grau de instrução muito baixo, com umaorganização política insipiente, o que pode condicionar ainda mais uma relação colonizadoraentre pesquisador e sujeito pesquisado.Para realizar a análise, foram utilizadas fundamentalmente as reflexões de Santos(2002, 2004) referentes à sociologia das ausências, à sociologia das emergências, ao trabalhode tradução e ao pós-colonialismo. Tais idéias permitiram que a relação entre o grupoestudado e as pesquisadoras fosse analisada levando em conta suas posições no sistema socialcomo um todo. Deste modo, torna-se necessário apresentar esta teoria antes de articulá-lacom os dados coletados.A consolidação da sociedade industrial no Ocidente, nos séculos XIX e XX, trouxegrandes mudanças nos valores sociais, dentre os quais se destaca o individualismo moderno(Prado, 2001). A partir deste período, os saberes e práticas capitalistas iniciaram um processode imposição de sua hegemonia, por meio da produção de não-existências. Aquilo que eraconsiderado diverso dos valores legitimados pelo capitalismo foi não apenas marginalizado,mas ativamente tomado como ausente, para corroborar com a manutenção do sistema.Muitos movimentos sociais surgiram nesse contexto. Diante de exclusões,discriminações e desigualdades, grupos foram se reunindo e organizando ações políticascoletivas em busca de mudanças sociais. A teoria da tradução, proposta por Boaventura deSousa Santos (2002), discute a necessidade de termos instrumentos analíticos capazes de permitir a emergência de formas de saber e da experiência humana que foram consideradosinexistentes, favorecendo a democratização da sociedade.
 
 
3O referido autor propõe uma importante reflexão epistemológica, diante daconstatação
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de que a experiência social é ampla, mas desperdiçada devido ao modelo deracionalidade ocidental que ele denomina como razão indolente. Tal razão se caracteriza por quatro formas: razão impotente, razão arrogante, razão metonímica e razão proléptica. Santoscentra-se nas duas últimas por acreditar que foram menos debatidas na literatura. Além disso, propõe um novo tipo de razão denominada cosmopolita, que se torna possível através de três processos: a sociologia das ausências, a sociologia das emergências e o trabalho de tradução.Segundo Santos (2002), na razão metonímica há uma idéia de totalidade da apreensãodo mundo. O todo permeia e homogeneíza todas as partes, assim, não é possível pensar uma parte fora da sua relação com o todo. No entanto, apenas uma das partes é tomada como atotalidade e é mais valorizada, em detrimento da outra, como por exemplo nos dualismoshierárquicos homem/mulher e global/local.A razão metonímica é responsável pela contração do mundo, através da contração do presente, que é colocado em uma estrutura linear, na qual ele tem um pequeno papel entre o passado e o futuro. Assim, a contemporaneidade é definida por quem dita as regras e há umenorme desperdício da experiência, que só poderá ser recuperada através da dilatação do presente.O autor propõe um procedimento para efetuar a dilatação do presente, onde a noção detotalidade da razão metonímica será negada, através de uma negação dos dualismos, como por exemplo: pensar a mulher como se não houvesse homem. Este processo é chamado sociologiadas ausências, ou seja, devemos procurar o que existe na mulher que está fora da relaçãohomem/mulher, e que até então esteve ausente da nossa apreensão do mundo. Este procedimento é proposto para que ocorra a negação da produção da não-existência que se dáatravés de cinco modos de produção: monocultura do saber e do rigor do saber, monoculturado tempo linear, lógica da classificação social, lógica da escala dominante e lógica produtivista. Esses cinco modos de produção são responsáveis por cinco formas de não-existência: o ignorante, o residual, o inferior, o local e o improdutivo, que se caracterizamcomo obstáculos à razão dominante, e por isso mesmo são vistos como “formasirreversivelmente desqualificadas de existir” (Santos, 2002).A sociologia das ausências visa assim a ampliação do mundo, colocando formas queaté então eram desqualificadas como formas sociais possíveis e que devem ser analisadas por 
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a partir de um projeto de investigação realizado em seis países (África do Sul, Brasil, Colômbia, Índia,Moçambique e Portugal), que pode ser consultado no endereço eletrônico: www.ces.fe.uc.pt/emancipa.

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