3O referido autor propõe uma importante reflexão epistemológica, diante daconstatação
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de que a experiência social é ampla, mas desperdiçada devido ao modelo deracionalidade ocidental que ele denomina como razão indolente. Tal razão se caracteriza por quatro formas: razão impotente, razão arrogante, razão metonímica e razão proléptica. Santoscentra-se nas duas últimas por acreditar que foram menos debatidas na literatura. Além disso, propõe um novo tipo de razão denominada cosmopolita, que se torna possível através de três processos: a sociologia das ausências, a sociologia das emergências e o trabalho de tradução.Segundo Santos (2002), na razão metonímica há uma idéia de totalidade da apreensãodo mundo. O todo permeia e homogeneíza todas as partes, assim, não é possível pensar uma parte fora da sua relação com o todo. No entanto, apenas uma das partes é tomada como atotalidade e é mais valorizada, em detrimento da outra, como por exemplo nos dualismoshierárquicos homem/mulher e global/local.A razão metonímica é responsável pela contração do mundo, através da contração do presente, que é colocado em uma estrutura linear, na qual ele tem um pequeno papel entre o passado e o futuro. Assim, a contemporaneidade é definida por quem dita as regras e há umenorme desperdício da experiência, que só poderá ser recuperada através da dilatação do presente.O autor propõe um procedimento para efetuar a dilatação do presente, onde a noção detotalidade da razão metonímica será negada, através de uma negação dos dualismos, como por exemplo: pensar a mulher como se não houvesse homem. Este processo é chamado sociologiadas ausências, ou seja, devemos procurar o que existe na mulher que está fora da relaçãohomem/mulher, e que até então esteve ausente da nossa apreensão do mundo. Este procedimento é proposto para que ocorra a negação da produção da não-existência que se dáatravés de cinco modos de produção: monocultura do saber e do rigor do saber, monoculturado tempo linear, lógica da classificação social, lógica da escala dominante e lógica produtivista. Esses cinco modos de produção são responsáveis por cinco formas de não-existência: o ignorante, o residual, o inferior, o local e o improdutivo, que se caracterizamcomo obstáculos à razão dominante, e por isso mesmo são vistos como “formasirreversivelmente desqualificadas de existir” (Santos, 2002).A sociologia das ausências visa assim a ampliação do mundo, colocando formas queaté então eram desqualificadas como formas sociais possíveis e que devem ser analisadas por
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a partir de um projeto de investigação realizado em seis países (África do Sul, Brasil, Colômbia, Índia,Moçambique e Portugal), que pode ser consultado no endereço eletrônico: www.ces.fe.uc.pt/emancipa.