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Subjetividade Behaviorismo Radical

Subjetividade Behaviorismo Radical

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Psic. da Ed., São Paulo, 20, 1º sem. de 2005, pp. 119-135
Subjetividade: a interpretaçãodo behaviorismo radical
*
 Melania Moroz Denize Rosana Rubano e Equipe
**
Skinner, em seu livro
 About Behaviorism,
faz uma lista de vinte afirmaçõesque, segundo ele, são erroneamente atribuídas ao behaviorismo radical; a pri-meira afirmação é a de que “O Behaviorismo ignora a consciência, os sentimen-tos e os estados mentais” (1974/1982, p. 7).
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De fato, Skinner tem razão:diferentes estudos, tal como verificado por Gioia (2001), identificaram que umadas críticas recorrentes ao behaviorismo é a de que ele considera o homemuma “caixa preta”, no sentido de que o mundo interior do indivíduo não élevado em consideração.No Brasil, afirmações de que “A tônica da visão de mundo behavioristaestá nos comportamentos observáveis e mensuráveis do sujeito, isto é, nas res-postas que ele dá aos estímulos externos”, de que “o comportamentismo não seocupa do organismo do sujeito, pois a crença básica é que certo estímulo provo-cará certa resposta, independentemente do sujeito (daí a analogia com a caixanegra)”, ou, ainda, de que “A Psicologia de Skinner é uma psicologia do ‘orga-nismo vazio’, que estuda as condições ambientais (estímulos), pesquisando omodo como afetam o repertório de respostas do organismo”, entre outras, fo-ram detectadas por Gioia (ibid., pp. 145-146) em livros dirigidos à área deeducação, mais especificamente à formação de professores. Dado que os refe-
*Este trabalho foi um dos produtos elaborados durante realização de projeto de pesquisa, que tevea primeira autora como coordenadora e os demais autores como participantes.**Alessandra Maurutto, Marcos A. Lucci, Mônica Helena T. A. Gianfaldoni (doutorandos), HéliaHisako Utida, Ketney Bocchi (mestrandos), alunos do Programa de Estudos Pós-Graduados emEducação: Psicologia da Educação.1Serão apresentadas, sempre, a data do texto original seguida da data da edição citada (quando estafor diferente).
 
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ridos livros foram editados ou reeditados na década de 90, fica claro que essasafirmações não estão relegadas ao passado, mas ainda fazem parte do contextoatual de discussão da abordagem. Justifica-se, assim, a relevância de um texto que apresente o tratamentodado por Skinner aos eventos caracterizados, em outras abordagens, como men-tais, cognitivos, afetivos, isto é, aos eventos relativos à subjetividade do indiví-duo. Como recurso de explicitação de suas idéias, utilizar-se-ão trechos de obrasdo próprio autor. Assim, nada melhor, ao iniciar o presente texto, do que a elerecorrer.
A afirmação de que os behavioristas negam a existência de sentimentos, sensa-ções, idéias e outros traços da vida mental precisa ser bem esclarecida. Obehaviorismo metodológico e algumas versões do positivismo lógico excluíamos acontecimentos privados porque não era possível um acordo público acercade sua validade. A introspecção não podia ser aceita como uma prática científicae a psicologia de gente como Wilhelm Wundt e Edward B. Titchener era ataca-da por isso. O behaviorismo radical, todavia, adota uma linha diferente. Nãonega a possibilidade da auto-observação ou do autoconhecimento ou sua possí-vel utilidade, mas questiona a natureza daquilo que é sentido ou observado e,portanto, conhecido. Restaura a introspecção, mas não aquilo que os filósofos eos psicólogos introspectivos acreditavam “esperar”, e suscita o problema de quantodo nosso corpo podemos realmente observar. (1974/1982, p. 18)
O texto acima permite pontuar que há diferentes versões do behaviorismo,sendo Skinner representante da corrente behaviorista radical, a qual se opõe aobehaviorismo metodológico, tanto quanto a derivações do positivismo lógico,no que se refere à aceitação da existência de acontecimentos privados. Comoexplicitamente declara Skinner, parte do mundo de um indivíduo está contidano interior de sua pele e não há razão para não considerá-la em uma ciência docomportamento. A admissão da privacidade do indivíduo é assim explicitada, jáem 1953:
Mas parte do universo está encerrada dentro da pele de cada um. Portanto,algumas das variáveis independentes podem se relacionar ao comportamento demaneira singular. A resposta de um indivíduo a um dente inflamado, por exem-plo, é diferente da resposta que qualquer outra pessoa possa mostrar em relação
 
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àquele particular dente, desde que ninguém mais pode estabelecer o mesmotipo de contato com ele. Os eventos que acontecem durante uma excitação emo-cional ou em estados de privação, freqüentemente são únicos e inacessíveis aosoutros pela mesma razão; neste sentido, nossas alegrias, tristezas, amores e ódiossão particularmente nossos. Com respeito a cada indivíduo, em outras palavras,uma pequena parte do universo é privada. (1953/1981, p. 248)
Natureza dos eventos privados
Embora admita a existência de eventos privados, Skinner não aceita quetenham uma natureza diferente da dos eventos públicos, isto é, opõe-se à sepa-ração entre um mundo de natureza física e um mundo de natureza não-física,expressando uma postura monista em relação ao ser humano. Assim, difere dasposturas dualistas, as quais admitem haver mundos ontologicamente diferen-tes, como, por exemplo, substâncias materiais e espirituais.O dualismo cartesiano (que considera a mente com características dife-renciadas das do corpo) pode ser considerado, segundo Lampreia (1996),parâmetro no debate filosófico contemporâneo da consciência. A concepçãocartesiana de mente envolve duas suposições: a) os fenômenos mentais são não-físicos; b) o único conhecimento confiável é o dos próprios estados mentais, jáque é um conhecimento imediato e direto.Expressando uma postura monista em relação ao ser humano, Skinnerconsidera que os eventos privados têm a mesma natureza que os eventos públi-cos, isto é, ambos são físicos; como afirma, há um mundo no interior do indiví-duo, mas
 
este é tão físico quanto o mundo exterior.
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O autor, portanto, rejeitaa noção cartesiana de mente não-física, mas admite a existência de eventosprivados. Tal como destacado por Moroz (1991), aceita “inclusive, ser possívelutilizar a própria introspecção (auto-observação) como instrumento metodo-lógico, já que para ele eventos privados também são considerados dados, sendoum erro não considerá-los como tais” (p. 73).Ao falar de eventos privados, Skinner faz referência ao “mundo dentro dapele”. Desse mundo certamente faz parte tudo o que está relacionado ao fun-cionamento corpóreo – órgãos, vísceras, glândulas, vasos sangüíneos, etc.
2Posteriormente ficará claro, também, que Skinner opõe-se ao segundo aspecto da concepçãocartesiana.

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