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Apostila Teoria Geral Do Direito Economico

Apostila Teoria Geral Do Direito Economico

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DIREITO ECONÔMICO
 
Flávio Filgueiras Nunes
1.
 
Teoria Geral do Direito Econômico
Podemos definir, conforme veremos adiante, o mercantilismo como o marco inicial para oEstado Liberal, que se caracterizava pela primazia da liberdade individual nas relações jurídicas(liberdade contratual – pacta sunt servanda), bem como na não intervenção do Estado naeconomia, tendo seu auge no Século XIX.Todavia, a disputa por mercados econômicos, bem como o exercício abusivo das liberdades edireitos individuais levou a derrocada do modelo liberal econômico, tendo como marcohistórico a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, fato que levou o Estado a repensar seu papel diante daOrdem Econômica interna e internacional, atuando, inclusive, no sentido de limitar e cercearos direitos e liberdades individuais.
1.1
 
Conceito de Direito Econômico
Conceito de Direito Econômico:
 
O ramo do Direito Público que disciplina a condução da vidaeconômica da Nação, tendo como finalidade o estudo, o disciplinamento e a harmonização dasrelações jurídicas entre os entes públicos e os agentes privados, detentores dos fatores de produção, nos limites estabelecidos para a intervenção do Estado na ordem econômica
 (Leonardo Vizeu Figueiredo).
O conjunto das técnicas jurídicas de que lança mão o Estado contemporâneo na realização desua política econômica
(Fábio Konder Comparato).
Conceituação subjetiva:
 
O ramo jurídico que disciplina a concentração ou coletivização dosbens de produção e da organização da economia, intermediando e compondo o ajuste deinteresses entre os detentores do Poder Econômico Privado e os Entes Públicos
(Leonardo VizeuFigueiredo).
Conceituação objetiva:
O conjunto normativo que rege as medidas de política econômicaconcebidas pelo Estado, para disciplinar o uso racional dos fatores de produção, com o fito deregular a ordem econômica interna e externa
(Leonardo Vizeu Figueiredo).
1.2
 
Objeto do Direito Econômico
Partindo-se da conceituação do Direito Econômico acima delineada, podemos identificar que omesmo é o sistema de norma ou a disciplina jurídica que objetiva:
a)
 
a organização da economia,
definindo juridicamente o sistema e o regime econômicosa serem adotados pelo Estado;
b)
 
a condução, ou controle superior, da economia pelo Estado,
uma vez que estabeleceo regime das relações ou equilíbrio de poderes entre o Estado e os detentores dosfatores de produção;
c)
 
o disciplinamento dos centros de decisão econômica não estatais,
enquadrandomacroeconomicamente a atividade e as relações inerentes à vida econômica.
 
DIREITO ECONÔMICO
 
Flávio Filgueiras NunesAssim, o Direito Econômico objetiva o estudo do disciplinamento jurídico da organização e doplanejamento da ordem econômica, a ser efetuada por parte do Poder Público, norteando osagentes econômicos do mercado.
1.3
 
Características do Direito Econômico
O Direito Econômico caracteriza-se, precipuamente, pela influência do Estado nas relaçõessocioeconômicas, atuando com prevalência sobre a autonomia de vontade das partes, pararegular a atividade econômica.Pode-se destacar as seguintes características gerais do Direito Econômico:
a)
 
Recenticidade:
é um ramo novo do direito ainda em formação sujeito às constantesinfluências e mudanças que ocorrem no dinâmico mercado econômico.
b)
 
Singularidade:
é um ramo jurídico próprio para o fato econômico característico decada pais, não havendo, comumente, um conjunto de regras universais e cosmopolitaspara norteá-lo, como ocorre com outros ramos do Direito, trais como o Civil e o Penal.
c)
 
Mobilidade ou mutabilidade:
suas normas são sujeitas a constantes mudanças deordem política e econômica, havendo tendência de curta vigência no que se refere aseus diplomas legais. Daí decorre uma produção normativa abundante e constante,havendo necessidade de não sujeitar seu disciplinamento apenas ao crivo do PoderLegislativo, outorgando grande parcela de competência normativa ao Executivo, ante aespecificidade do tema e a celeridade de soluções que seus conflitos exigem.
d)
 
Maleabilidade:
a norma de direito econômico, durante seu período de vigência, deveser capaz de adaptar-se à constantes mudanças econômicas, de modo a não se fazernecessário à edição de novo ato, a cada alteração de mercado. Assim, muitas de suasregras são oriundas de atos administrativos.
e)
 
Influência aos valores políticos:
segue a corrente ideológico-partidária de quem seencontra no poder. Observe-se que a intervenção do Estado na economia é pautadade acordo com os princípios prescritos na Lei Fundamental.
f)
 
Ecletismo:
mescla valores e princípios do direito privado de maneira a viabilizar aatividade econômica do agente privado, orientando-lhes dentro dos princípiosconsagrados na Lei Fundamental.
g)
 
Concretismo:
o Direito Econômico é
filho de seu tempo
. Disciplina os fenômenossócio-econômicos concretos, visceralmente vinculado aos fatos históricos relevantesao Estado e aos indivíduos.
1.4
 
 Autonomia do Direito Econômico
Um ramo de direito pode ser considerado autônomo, para fins didáticos, tão-somente, quandopossui normas e princípios próprios, dentro de seu respectivo ordenamento jurídico, uma vezque o Direito, quanto ciência, é uno.Com a Constituição de outubro de 1988, o Direito Econômico brasileiro passou a ter princípiosespecíficos delineados no art. 170, sendo que passou a ser competência concorrente da União,Estados e Distrito Federal legislar especificamente sobre suas normas (art. 24, I, CRFB).
1.5
 
Princípios do Direito Econômico
 
DIREITO ECONÔMICO
 
Flávio Filgueiras NunesOs princípios gerais do Direito Econômico são fundados, norteados e permeados,concomitantemente, tanto em valores de Direito Público quanto em valores de DireitoPrivado, dado o ecletismo que caracteriza este ramo jurídico, dando aos referidos princípiostraços próprios e específicos que os distinguem de sua aplicação em outros ramos do Direito.
a)
 
Princípio da Economicidade (arts. 3º, inciso II; 170, caput e 174, caput todos daConstituição Federal):
estabelece que o ente estatal, na busca da realização de seusobjetivos fixados em sua política econômica, deve alcançar suas metas com apenas osgastos que se fizerem necessários, a fim de não onerar excessivamente o Erário e todaa sociedade. Assim, o Estado, ao estabelecer suas decisões políticas, bem como paraorientar o mercado, deve primar pelas condutas que impliquem em menor custosocial, conjugando quantidade com qualidade.
 b)
 
Princípio da Eficiência (art. 37, caput e 170 e incisos da CF/88):
a eficiência determinaque o Estado ao estabelecer suas políticas públicas, deve pautar sua conduta com ofim de viabilizar e maximizar a produção de resultados da atividade econômica,conjugando os interesses privados dos agentes econômicos com os interesses dasociedade, permitindo a obtenção de efeitos que melhor atendam ao interessepúblico, garantido, assim, o êxito de sua ordem econômica.
 c)
 
Princípio da Generalidade:
confere às normas de Direito Econômico alto grau degeneralidade e abstração, ampliando seu campo de incidência ao máximo possível, afim de possibilitar sua aplicação em relação a grande multiplicidade de organismoseconômicos, a diversidade de regimes jurídicos de intervenção estatal, bem como àsconstantes e dinâmicas mudanças que ocorrem no mercado. Ex.: Lei n. 8.884/94 (Leide Proteção à Concorrência).
 
1.6
 
Fontes do Direito Econômico
Ao se falar sobre fontes do direito, deve-se ter em mente a gênese da relação jurídica. Emoutras palavras, trata-se do conjunto de atos e institutos que dotam as relaçõesinterindividuais de vinculação e proteção jurídica, no sentido de sujeitar, coercitivamente, avontade de um sujeito à de outrem.No que se refere ao direito econômico, como toda a sociedade baseada no sistema jurídico dacivil Law, a fonte primária de obrigações é a lei. Isto é, o direito está precipuamente baseadono conjunto normativo positivado em texto escrito, de observância obrigatória e imposiçãocogente.Todavia, há que se ter em mente que as relações disciplinadas pelo direito econômico podemter outras fontes jurídicas, além da lei, desde que estejam em conformidade com esta.Assim, podemos ressaltar as seguintes fontes do direito econômico:
a)
 
Constituição:
em relação ao direito econômico, seu fundamento de validadeconstitucional, bem como sua autonomia jurídica encontram-se Express nos arts. 24, I,e 170 e seguintes, todos da Lei Maior;
b)
 
Espécies Legislativas:
no que se refere ao direito econômico, o mesmo possui diversasfontes legislativas infraconstitucionais, tais como a Lei de Proteção à Concorrência (n.8.884, de 1994), as Leis de Mercado de Capitais (n. 4.728, de 1965 e n. 6.385, de 1976),a Lei do Sistema Financeiro Nacional (n. 4.595, de 1964), dentre tantas outras.;

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