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A existência ética

A existência ética

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1Lucas Ferreira da Silva - Filosofia
A existência ética
Senso moral e consciência moral.
Vivemos certas situações, ou sabemos que foram vividas por outros, comosituações de extrema aflição e angústia. Só assim, por exemplo, uma pessoa querida, comuma doença terminal, está viva apenas porque seu corpo está ligado a máquinas. Suasdores são intoleráveis. Inconsciente, geme no sofrimento. Não seria melhor quedescansasse em paz? Não seria preferível deixá-la morrer? Podemos desligar osaparelhos? Ou não temos o direito de fazê-lo? Que fazer? Qual a ação correta?Um pai de família desempregado, com vários filhos pequenos e a esposa doente,recebe uma oferta de emprego que exige que seja desonesto e cometa irregularidadesque beneficiem seu patrão. Sabe que o trabalho lhe permitirá sustentar os filhos e pagar otratamento da esposa. Pode aceitar o emprego, mesmo sabendo o que será exigido dele?Ou deve recusá-lo e ver os filhos com fome e a mulher morrendo?Um rapaz namora, há tempos, uma moça de quem gosta muito e é por elacorrespondido. Conhece outra. Apaixona-se perdidamente e é correspondido. Ama duasmulheres e ambas o amam. Pode ter dois amores simultâneos, ou estará traindo a ambose a si mesmo? Deve magoar uma delas e a si mesmo, rompendo com uma para ficar com aoutra? O amor exige uma única pessoa amada ou pode ser múltiplo? Que sentirão as duasmulheres se ele lhes contar o que se passa? Ou deverá mentir para ambas? Que fazer? Se,enquanto está atormentado pela indecisão, um conhecido o vê ora com uma dasmulheres, deverá contar a ela o que viu? Em nome da amizade, deve falar ou calar?Uma mulher vê um furto. Vê uma criança maltrapilha e esfomeada pegar frutas epães numa mercearia. Sabe que o dono da mercearia está passando por muitasdificuldades e que o furto fará diferença para ele. Mas também vê a miséria e a fome dacriança, não se tornará um adulto ladrão e o proprietário da mercearia não terá prejuízode fato? Ou deverá silenciar, pois a criança corre o risco de receber punição excessiva, serlevada pela polícia, ser jogada novamente às ruas e, agora, revoltada, passar do furto aohomicídio? Que fazer diante desta situação?Uma pessoa vê, nas portas de uma escola, um jovem vendendo droga a outro. Essapessoa sabe que tanto o jovem traficante como o jovem consumidor estão realizandoações a que foram levados pala atividade do crime organizado, contra o qual as forças
 
2Lucas Ferreira da Silva - Filosofia
policiais parecem importantes. Deve denunciar o jovem traficante, mesmo sabendo quecom isso não atingirá as poderosas forças que sustentam o tráfico, mas apenas um fracoanel de uma corrente criminosa que permanecerá impune e que poderá voltar-se contraquem fez a denúncia? Deve falar com as autoridades escolares para que tomem algumaprovidência com relação ao jovem consumidor? Mas de que adiantará voltar-se contra oconsumidor, se nada pode fazer contra a venda propriamente dita? No entanto, comopoderá sentir-se em paz sabendo que há um jovem que talvez possa ser salvo e um vícioque irá destruí-lo? Que fazer?Situações como essa – mas dramática ou menos dramática – Surgem sempre emnossa vida. Nossa dúvida quanto à decisão a tomar não manifestam nosso senso moral(isto é, nossos sentimentos quanto ao certo e ao errado, ao justo e o injusto), mas põem àprova nossa consciência moral, pois exigem, sem sermos obrigados por outros, quedecidamos o que fazer, que justifiquemos para nós mesmo e para os outros as razões denossas decisões e que assumamos todas as consequências delas, porque somosresponsáveis por nossas opções. Em outras palavras, a consciência moral não se limita aosnossos sentimentos morais, mas se refere também a avaliação de conduta que nos levama tomar decisões por nós mesmos, a agir em conformidade com elas e a responder porelas perante os outros.Todos os exemplos mencionados indicam que o senso moral e a consciência moralreferem-se a valores (justiça, honradez, espírito de sacrifício, integridade, generosidade), asentimentos provocados pelos valores (admissão, vergonha, culpa, remorso,contentamento, cólera, amor, dúvida, medo) e a decisão que conduzem a ações comconsequência para nós e para os outros. Embora os conteúdos dos valores possam notarque estão referidos a um valor mais profundo, mesmo que subentendido: O bom ou obem. Os sentimentos e as ações, nascidos de uma opção entre o bem e o mal, tambémestão referidos a algo mais profundo e subentendido: nosso desejo de afastar a dor e osofrimento e de alcançar a felicidade, seja por ficarmos contentes conosco mesmo, sejapor recebermos a aprovação dos outros. Além disso, os sentimentos e as ações morais sãoaqueles que dependem apenas de nós mesmos, que nascem de nossa capacidade deavaliar e decidir por nós levados por outros ou obrigados por eles; em outras palavras, osenso e a consciência morais têm como pressuposto fundamental a ideia de liberdade doagente.O senso moral e a consciência moral dizem respeito a valores, sentimentos,intenções, decisões e ações referidas ao bem e ao mal, ao desejo de felicidade e aoexercício da liberdade. Dizem respeito às relações que mantemos com os outros e,
 
3Lucas Ferreira da Silva - Filosofia
portanto, nascem e exigem como parte de nossa vida com outros e, agentes morais. Osenso e a consciência morais são, por isso, constitutivos de nossa existência intersubjetiva,isto é, de nossas relações com outros sujeitos morais.
Juízo de fato e juízo de valor
Se dissermos: ”Está chovendo”, estaremos enunciando um acontecimentoconstatado por nós e o juízo proferido é um
 juízo de fato
. Se, porém, falarmos: “A chuva éboa para as plantas” ou “A chuva é bela”, estaremos interpretando e avaliando oacontecimento. Nesse caso, proferimos um
 juízo de valor
.Juízo de fato são aqueles que dizem que algo é ou existe, e que dizem o que ascoisas são e como são e porque são. Em nossa vida cotidiana, mas também na metafísica enas ciências, os juízos de valor são avaliações sobre coisas, pessoas, situações e sãoproferidas na moral, nas artes, na política, na religião.Juízo de valor avalia coisas, pessoas, ações experiências, acontecimentos,sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como bons ou maus, desejáveis ouindesejáveis.Juízos de valor não se contentam em dizer que algo é ou como algo é, mas sereferem ao que algo deve ser. Dessa perspectiva, os juízos morais de valor sãonormativos, isto é, enunciam normas que dizem como devem ser os bons sentimentos, asboas intenções e as boas ações, e como devem ser as decisões e ações livres. Em outraspalavras, juízos de valor são normas que determinam o dever ser de nossos sentimentos,nossos atos, nossos comportamentos. São por isso juízos que enunciam obrigações eavaliam intenções e ações segundo o critério do correto e do incorreto.Os juízos morais de valor nos dizem o que são o bem, o mal, a liberdade, afelicidade. Os juízos morais normativos nos dizem que sentimentos, intenções, atos ecomportamentos deveriam ter ou fazer algo para agirmos livremente e para alcançamos obem, e a felicidade enuncia também que atos, sentimentos, intenções e comportamentossão condenáveis do ponto de vista moral.Como se pode observar, senso moral e consciência moral são inseparáveis da vidacultural, uma vez que esta define para os membros de uma cultura os valores positivos enegativos que devem respeitar e desejar ou detectar e desprezar.

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