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estagios da meditação

estagios da meditação

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1
Fórum de filosofia budista
 
Sinopse dos estágios da meditação
A meditação consiste no cultivo de uma compreensão, para que esta se torneespontânea. Uma compreensão inicial surge mediante a escuta de um ensinamento, édesenvolvida mediante a ponderação sobre o que se escutou e, finalmente, éaperfeiçoada mediante a meditação sobre o que se ponderou; têm-se, assim, assabedorias surgidas da escuta, da ponderação e da meditação.Especificamente, a sabedoria surgida da meditação sobre a realidade é o antídotoúnico, capaz de eliminar a ignorância, a causa fundamental de todos os sofrimentos,nossos e dos outros. Em que consiste essa realidade é o tema de muitos outros textosencontrados no
; aqui, trataremos do modo de meditar sobreessa realidade, de modo que sua compreensão se torne espontânea.Como visto, a meditação não é possível sem a ponderação, nem esta é possível sema escuta. A escuta se faz evitando-se os três problemas do pote. Um pote emborcadonão pode receber água; do mesmo modo, uma mente que não aspire receber oensinamento não pode recebê-lo. Um pote furado recebe a água, mas não pode retê-la;do mesmo modo uma mente desatenta recebe um ensinamento, mas não pode retê-lo.Um pote contendo veneno pode receber e reter a água, mas a envenenará; do mesmomodo, uma mente contendo preconceitos pode receber e reter um ensinamento, mas odistorcerá de modo a torná-lo inútil. Portanto, obtém-se uma sabedoria surgida daescuta ao escutar-se um ensinamento com aspiração, atenção e imparcialidade.Uma vez obtida uma compreensão surgida da escuta, é necessário ponderar-se sobreessa compreensão, para verificar-se sua validade. Válido é aquilo que não é desmentidonem por uma percepção direta nem por uma inferência. Assim, investigam-se todas aspossibilidades de invalidação de nossa compreensão surgida da escuta, até que,exauridas essas possibilidades sem qualquer dano a nossa compreensão, obtenhamosuma sabedoria surgida da ponderação.Tornada incontrovertível nossa compreensão, mediante a sabedoria surgida daponderação, é chegado o momento de meditar-se sobre nosso objeto, até que suacompreensão se torne espontânea. Isso se faz, inicialmente, praticando-se a meditaçãoestabilizadora, até alcançar-se a tranqüilidade da mente, que é um estado surgido dameditação; em seguida, alterna-se essa meditação estabilizadora com a meditaçãoanalítica, até que a tranqüilidade da mente se una à visão especial, que é, finalmente,uma sabedoria surgida da meditação e o antídoto único, capaz de eliminar a ignorânciaque nos prende ao sofrimento.Para praticar-se a meditação estabilizadora, escolhemos um lugar confortável,pacífico, saudável e silencioso, em companhia favorável a nossa prática, ou o que maisse aproximar dessas condições. Diminuímos nosso desejo de obter objetos materiais,geramos contentamento com aquilo que possuímos, abandonamos atividadesirrelevantes, mantemos boa conduta moral e abandonamos distrações e outrospensamentos perturbadores.Satisfeitas essas condições, sentamo-nos com as pernas cruzadas; a mão direitadentro da esquerda sobre o colo, polegares se tocando à altura do umbigo; a colunavertebral ereta como um fio de prumo; os ombros alinhados horizontalmente; a cabeçaligeiramente inclinada como a de um cisne; a língua tocando o palato e os olhossemicerrados suavemente voltados para a ponta do nariz. Inspiramos e expiramossuavemente dez ciclos completos, sem perder a conta, a atenção voltada apenas para arespiração.
 
2
Assim preparados, escolhemos nosso objeto de meditação, que é necessariamenteum objeto mental. Pode ser um estado mental como o amor, a compaixão, oubodhicitta; ou um fenômeno como a morte, a impermanência ou a vacuidade; ou umaimagem mental auspiciosa, como a de um buddha, sendo esta última a melhor escolha.Qualquer que seja o objeto de meditação escolhido, entretanto, deve ser mantido atéalcançar-se a tranqüilidade da mente.Se tivermos escolhido Buddha Shakyamuni como nosso objeto de meditação, ovisualizamos diante de nós, à distância de nosso próprio corpo estirado para a frente,com a altura de um palmo, no nível de nossos olhos, feito de luz, suave, pacífico eradiante. Uma imagem física pode ser utilizada ocasionalmente como auxiliar, mas oobjeto de meditação é nossa imagem mental. Passamos, então, a progredir ao longo denove etapas, ou estações mentais:
1.
Inicialmente, utilizamos o
 poder da escuta
(da descrição do objeto, no caso, deBuddha Shakyamuni, com todos os seus detalhes), para obter a
colocação damente
sobre seu objeto.
2.
Em seguida, utilizamos o
 poder da ponderação
(que investiga o objeto demeditação) e uma atenção ainda forçada, para obter uma
colocação continuada
da mente sobre seu objeto. Nestas duas etapas, nossa atenção é
forçada
, e afalta da
 preguiça
é vencida pelos antídotos da
confiança
, da
aspiração
, do
esforço
e da
maleabilidade
.
3.
Em seguida, utilizamos o
 poder do lembramento
para fazer nosso objeto demeditação reaparecer caso desapareça de nossa mente, e para fazer nossamente retornar a esse objeto caso se dirija a algum outro; esta é a
recolocaçãoda mente
sobre o seu objeto, etapa em que nossa atenção, embora não maisforçada, é ainda
interrompida
.
4.
Em seguida, completamos o
 poder do lembramento
, para obter uma
colocaçãocerrada
, em que o objeto de meditação não mais desaparece de nossa, nem estase dirige a outro objeto. Nestas duas últimas etapas, a falta do esquecimento évencida pelo antídoto do lembramento.
5.
Em seguida, utilizamos o
 poder da detecção
para identificar uma queda naintensidade da aparência de nosso objeto de meditação, falta que corrigimosaumentando ligeiramente a intensidade do modo de apreensão desse objeto,obtendo assim o
controle
da mente
.
6.
Em seguida, utilizamos o
 poder da detecção
para identificar o surgimento deoutros objetos em nossa mente, falta que corrigimos diminuindo ligeiramente aintensidade do modo de apreensão de nosso objeto de meditação, obtendo assima
 pacificação
da mente.
7.
Em seguida, utilizamos o
 poder do vigor 
para eliminar completamente osurgimento, ainda que tênue e intermitente, de outros objetos e assim obter a
 pacificação completa
da mente.
8.
Em seguida, completamos o
 poder do vigor 
para obter uma
apreensão unificada
do objeto de meditação. A atenção, que até agora era interrompida, passa a ser
ininterrupta
.
9.
Em seguida, utilizamos o
 poder da familiaridade
de nossa mente com seu objetode meditação para obter uma atenção
espontânea
e a nona estação mental, acolocação
em equilíbrio
.Alcançada esta etapa, a cultivamos até que se manifestem as experiências depurificação mental e física, seguidas das experiências prazerosas da maleabilidade física
 
3
e mental, grande alegria e flutuação, a qual, atenuada, dá lugar à
tranqüilidade damente
, em que nossa concentração goza de estabilidade, claridade, intensidade emaleabilidade.Obtida essa concentração, que é uma meditação estabilizadora, passamos, como ditoacima, a alterná-la com a meditação analítica, que consiste na análise, mediante o usoda razão, ou de inferências, do objeto de meditação. Neste ponto, podemos modificarnosso objeto de meditação; agora, o melhor objeto consiste na realidade, o objeto únicocuja observação purifica nossa mente da ignorância, a causa de todos os sofrimentos.E por que é necessária a meditação analítica? Porque a realidade, inicialmente, nãoaparece diretamente à nossa percepção, sendo pois necessário determiná-la com o usode inferências. Assim, determina-se inferencialmente o significado da realidade, e nissoconsiste a meditação analítica. Uma vez determinado esse significado, toma-se-o comoobjeto de nossa meditação estabilizadora, segundo as estapas acima descritas.Assim, nossa meditação analítica, ao determinar inferencialmente o significado darealidade, induzirá alguma das nove etapas acima descritas, a qual deve ser cultivadaaté alcançar-se a tranquilidade da mente, tendo-se por objeto o significado da realidade.Neste ponto, a estabilidade mental não é possível ao analisar-se, e a análise não épossível ao estabilizar-se a mente, ou seja, ainda não se deu uma união datranqüilidade da mente com a visão especial do significado da realidade proporcionadapela análise.Para obter-se essa união, alterna-se entre meditação estabilizadora e meditaçãoanalítica, sempre tendo-se por objeto o significado da realidade, de modo que a análiseinduza progressivamente cada uma das nove etapas acima descritas, que é entãocultivada até alcançar-se a tranqüilidade da mente. Esse processo é, então, repetidomuitas vezes, até que a própria análise induza diretamente as experiências depurificação mental e física, do prazer da maleabilidade física e mental, de grandealegria, flutuação e finalmente a tranqüilidade da mente.Neste ponto, a análise não mais impede a estabilização, antes, a induz diretamente;e a estabilização não mais impede a análise, antes, a torna mais penetrante, de modoque obteve-se a união da tranqüilidade da mente com a visão especial. A partir de entãoos estágios da meditação estão delineados em
.E por que praticamos os estágios da meditação? Porque queremos a eliminação detodo sofrimento, nosso e dos outros, bem assim de suas causas, as mentes aflitivascomo a raiva, o apego e a raiz de todas elas, a ignorância que obscurece a realidade.Portanto, com a motivação de alcançarmos não apenas a libertação individual dosofrimento, mas também o estado desperto de um buddha, para conduzir todos osdemais seres a esse mesmo estado, praticamos com vigor os estágios da meditação atéeliminarmos a totalidade da ignorância que obscurece a realidade, e dedicamos todas asvirtudes de nossa prática à obtenção desse resultado.© 2002Júlio Springer Pitanga

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