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A Teoria Kenesiana

A Teoria Kenesiana

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06/06/2011

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DA MACROECONOMIA CLÁSSICA À KEYNESIANA
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Versão corrigida em 1974 de apostila publicadaoriginalmente em 1968. EC-MACRO-L-1968 (E-73). São Paulo, abril de 1968. Revisado em maio de1976.
A Economia Política é a ciência social que estuda o comportamento do homem no processo de produção, circulação e distribuição de bens escassos. Sua preocupação está emsaber como se produz um excedente econômico e como essa produção que excede o consumode subsistência é apropriado e dividido pelos diversos grupos sociais.Dentro da Economia Política podemos distinguir algumas áreas de estudo principais: aHistória Econômica, a História do Pensamento Econômico, a Economia Aplicada, a Análiseou Teoria Econômica e a Política Econômica. As duas primeiras áreas, História Econômica eHistória do Pensamento Econômico, são definidas pelos próprios nomes. Na primeiraestudamos de um ponto de vista histórico o processo econômico dos países e regiões, e nasegunda examinamos o desenvolvimento das doutrinas e da análise econômica, através do pensamento dos grandes economistas. Por Economia Aplicada entendemos os estudos decaráter econômico que são realizados de um determinado país, de uma determinada região, deum determinado setor industrial, agrícola ou comercial, ou mesmo de uma determinadaempresa. Estudos, por exemplo, sobre a Economia Brasileira, ou sobre a produção de algodãono mundo, ou sobre a inflação na América Latina. Chamamos de Economia Aplicada, porqueesses estudos são sempre realizados através da aplicação, em maior ou menor grau, da Análiseou Teoria Econômica. A análise Econômica é a parte central da Economia, que lhe garante ocaráter de ciência. Importa no estudo das relações básicas que se estabelecem entre as diversasvariáveis econômicas, no sentido de determinar a produção e a distribuição de bens. A teoriaeconômica ortodoxa
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possui dois ramos centrais: a microeconomia, na qual a análise defuncionamento geral da economia é realizada através do exame do comportamento dosagentes econômicos individuais - os consumidores e os produtores, e a macroeconomia, querealiza essa mesma análise, partindo do estudo de agregados econômicos, como a renda, oconsumo, e o investimento agregados. Temos ainda, dentro da análise econômica, a Teoria da
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Entendemos por teoria econômica ortodoxa a teoria econômica clássica, neoclássica e até certo ponto a teoria econômica keynesiana. À esta teoria ortodoxa opõem-se as teorias econômicas críticasdo sistema capitalista: a marxista, a neo-keynesiana-neo-marxista, e as diversas formas de que serevestiu a teoria estruturalista latino-americana.
 
 2Moeda e do Crédito, e a Teoria das Finanças Públicas, que depois de Keynes tornaram-sesubsidiária à macroeconomia; a Teoria do Desenvolvimento Econômico, que é umaabordagem dinâmica e geralmente com maior atenção às teorias - sociológicas, damacroeconomia; e finalmente a Teoria do Comércio Internacional, ainda apoiada principalmente na discussão sobre a lei dos custos ou vantagens comparativas.Finalmente, a Política Econômica, que teve seu grande momento a partir da obrarevolucionária de Keynes no campo de macroeconomia, implica no estudo das medidas deintervenção do governo na economia, visando o pleno emprego, o maior desenvolvimentoeconômico, a estabilidade monetária e a melhor distribuição da renda. Quando pensada emtermos de longo prazo, e acompanhada de um sistema administrativo para executá-la, aPolítica Econômica transforma-se em Planejamento Econômico.Ao definirmos Economia ou Economia Política dissemos que se trata de uma ciênciasocial. Este fato evidente, já que a Economia tem como objeto o comportamento humano, étodavia facilmente esquecido ou pelo menos relegado a um segundo plano injustificável. Semdúvida, a Economia preocupa-se apenas com o comportamento econômico do homem. Só lheinteressam as atividades desempenhadas pelo homem no sentido de produzir, distribuir econsumir recursos escassos, ou seja, bens econômicos. Mas, embora se limitando apenas àanálise deste tipo de comportamento, e às suas implicações na produção da renda e na suarepartição, a Economia é ainda e sempre uma ciência social. A análise econômica parte, portanto, sempre, de pressupostos a respeito do comportamento humano. O fato destes pressupostos serem geralmente simplificadores em excesso do comportamento, como é o casodo
homo economicus
, racional, onisciente em suas ações no mercado, procurando sempremaximizar seus lucros, é sem dúvida uma limitação da análise econômica. O mesmo se diga para o fato de a análise econômica raramente levar em consideração o comportamentohumano em termos sociológicos. O homem é quase sempre visto individualmente, agindosempre de forma racional, com completa independência dos grupos e classes sociais em quede fato está inserido.Estas são sem dúvida limitações importantes da análise econômica. E há outros tipos delimitação fundamentalmente, limitações de ordem ideológica e histórica, que fazem daEconomia, não obstante toda a sua grande aspiração à universalidade, uma ciência ideológica,histórica e geograficamente condicionada. Ela está na dependência dos interesses políticos eeconômicos das classes sociais a que pertenciam os economistas que a formularam. Ela só pode ser compreendida em função dos momentos históricos e dos países em que ela foiconcebida.Por outro lado, o objeto fundamental da Economia Política muitas vezes deixa de ser a produção global para concentrar-se sobe o excedente econômico, ou seja, sobre aquela partedo produto que excede o consumo socialmente necessário. A Economia Política estáfundamentalmente interessada nos mecanismos que garantem, dentro do sistema capitalista, aapropriação desse excedente pelos capitalistas e forma pela qual eles o dividem entre si. Estefato torna a Economia eminentemente política. A partir dessa constatação todas as veleidadesde neutralidade ideológica da Teoria Econômica vão por terra. Não obstante, e talvez exatamente devido aos pressupostos simplificadores de que aciência econômica adotou, alcançou ela um grau de desenvolvimento, de sofisticação analíticae de precisão notáveis. Toda a estrutura básica da Teoria Econômica pôde inclusive ser 
 
 3reduzida a modelos matemáticos, os quais, ainda que algumas vezes violentem a realidademuito mais complexa que pretendem traduzir, permitem, em contrapartida, uma visão do processo econômico muito mais clara e precisa.
I- DA MICRO À MACROECONOMIA
Este grande desenvolvimento da análise econômica, porém, não impediu que a mesma sedividisse em dois ramos principais, a micro e a macroeconomia, os quais, até hoje, não foramsatisfatoriamente coordenados. A microeconomia tem sua origem nos autores clássicos eganhou grande desenvolvimento com o surgimento da teoria da utilidade - marginal, nasegunda metade do Século XIX. Depois da síntese clássica - realizada por John Stuart Mill daobra dos grandes economistas anteriores, de Cantillon, Adam Smith, Quesnay, Turgot, Say,Ricardo, Malthus, Senior e James Mill, para nos limitarmos aos principais nomes, a EconomiaPolítica entrará em um ponto moto, agravado pela crítica impiedosa de Marx, baseada nateoria do valor trabalho, adotado pela Escola Clássica.Surge, então, através da obra de Stanley Jevens na Inglaterra, de Leon Walras na França ede Karl Menger, na Áustria, a teoria do valor subjetivo, baseado no conceito de utilidademarginal, que vem representar uma revolução na teoria econômica. Com esta teoria, oseconomistas capitalistas, que agora passam a chamarem-se neoclássicos, resolviam, a seu ver de modo satisfatório, não só o problema ideológico gravíssimo, criado pela teoria marxista daexploração, como também, logravam unificar a teoria econômica da produção e dadistribuição da renda, feito que os economistas clássicos não haviam conseguido realizar. Nofim do Século XIX temos então um grande número de economistas neoclássicos que contribui para o desenvolvimento da teoria econômica ortodoxa. Para nos limitarmos aos principais,citaríamos apenas Bohm-Bawerk e Friedrich Wieser, na Áustria, Edgworth, Wicksteed,Pigou, Hicks, na Inglaterra, Pareto e Pantaleoni, na Itália, Wicksell, na Suécia e Clark eFischer nos Estados Unidos. O economista central desta época, porém, que iría ser responsável pela grande síntese neoclássica, assim como Stuart Mil havia sido responsável pela síntese clássica, é Alfred Marshall, na Inglaterra. Marshall, além de trazer contribuiçõesoriginais para a Economia, realiza sua grande síntese, contida nos
 Principles of Economics
 (l890), usando não só da contribuição de uma parte dos economistas já citados, mas tambémde dois economistas clássicos franceses e de um alemão, respectivamente Cournot, Dupuit eVan Thunen, que escreveram na primeira metade do Século XIX. O Resultado desta sínteseencontra-se fundamentalmente nos livros V e VI de seus
 Principles
, que iriam constituir ocentro da microeconomia, nos termos em que ela é até hoje ensinada.Estamos realizando esta abordagem da Economia sob um enfoque histórico, porque, foradesta perspectiva, parece-nos totalmente artificial e vazia qualquer tentativa de distinguir eanalisar os diversos ramos em que esta ciência se subdividir, na medida em que ia sedesenvolvendo e ganhando complexidade.

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