3reduzida a modelos matemáticos, os quais, ainda que algumas vezes violentem a realidademuito mais complexa que pretendem traduzir, permitem, em contrapartida, uma visão do processo econômico muito mais clara e precisa.
I- DA MICRO À MACROECONOMIA
Este grande desenvolvimento da análise econômica, porém, não impediu que a mesma sedividisse em dois ramos principais, a micro e a macroeconomia, os quais, até hoje, não foramsatisfatoriamente coordenados. A microeconomia tem sua origem nos autores clássicos eganhou grande desenvolvimento com o surgimento da teoria da utilidade - marginal, nasegunda metade do Século XIX. Depois da síntese clássica - realizada por John Stuart Mill daobra dos grandes economistas anteriores, de Cantillon, Adam Smith, Quesnay, Turgot, Say,Ricardo, Malthus, Senior e James Mill, para nos limitarmos aos principais nomes, a EconomiaPolítica entrará em um ponto moto, agravado pela crítica impiedosa de Marx, baseada nateoria do valor trabalho, adotado pela Escola Clássica.Surge, então, através da obra de Stanley Jevens na Inglaterra, de Leon Walras na França ede Karl Menger, na Áustria, a teoria do valor subjetivo, baseado no conceito de utilidademarginal, que vem representar uma revolução na teoria econômica. Com esta teoria, oseconomistas capitalistas, que agora passam a chamarem-se neoclássicos, resolviam, a seu ver de modo satisfatório, não só o problema ideológico gravíssimo, criado pela teoria marxista daexploração, como também, logravam unificar a teoria econômica da produção e dadistribuição da renda, feito que os economistas clássicos não haviam conseguido realizar. Nofim do Século XIX temos então um grande número de economistas neoclássicos que contribui para o desenvolvimento da teoria econômica ortodoxa. Para nos limitarmos aos principais,citaríamos apenas Bohm-Bawerk e Friedrich Wieser, na Áustria, Edgworth, Wicksteed,Pigou, Hicks, na Inglaterra, Pareto e Pantaleoni, na Itália, Wicksell, na Suécia e Clark eFischer nos Estados Unidos. O economista central desta época, porém, que iría ser responsável pela grande síntese neoclássica, assim como Stuart Mil havia sido responsável pela síntese clássica, é Alfred Marshall, na Inglaterra. Marshall, além de trazer contribuiçõesoriginais para a Economia, realiza sua grande síntese, contida nos
Principles of Economics
(l890), usando não só da contribuição de uma parte dos economistas já citados, mas tambémde dois economistas clássicos franceses e de um alemão, respectivamente Cournot, Dupuit eVan Thunen, que escreveram na primeira metade do Século XIX. O Resultado desta sínteseencontra-se fundamentalmente nos livros V e VI de seus
Principles
, que iriam constituir ocentro da microeconomia, nos termos em que ela é até hoje ensinada.Estamos realizando esta abordagem da Economia sob um enfoque histórico, porque, foradesta perspectiva, parece-nos totalmente artificial e vazia qualquer tentativa de distinguir eanalisar os diversos ramos em que esta ciência se subdividir, na medida em que ia sedesenvolvendo e ganhando complexidade.