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Criancas-de-Rua

Criancas-de-Rua

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Precisamos compreender que este problema que enfrentamos é enorme,
Precisamos compreender que este problema que enfrentamos é enorme,

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Published by: Rosangela Arregolão on Jun 06, 2011
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06/06/2011

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PASSO A PASSO
CRIANÇAS DE RUA 
No.28 NOVEMBRO 1996 
Criançasde rua
 por James Beaunaux
ÉQUASE MEIA-NOITE.As ruas docentro de Bogotá, Colômbia, estãovazias, com exceção da presença dealguns policiais militares. Com suasarmas automáticas prontas, elesguardam todos os cruzamentosdesta capital porque o presidente daVenezuela está na cidade.
Wilson, de cinco anos de idade, estásentado na calçada chorando. O pai deWilson vai bater nele novamente hoje ànoite se ele voltar para casa sem 1.000pesos (US $1,50). Ele está arrepiado com ofrio de uma noite andina. Ele está descalçoe apenas vestindo um agasalho leve. Dooutro lado da rua, Daisey, a irmã dele desete anos, está pedindo esmolas. Daiseyprecisa de dinheiro para comprar sapatos eela não pode voltar para casa até que tenha1.500 pesos.Para um número crescente de crianças nasruas de cidades ao redor do mundo, estecenárioé muito típico.É necessário havermaior consciência da situação destascrianças de rua.
A dimensão do problema
Precisamos compreender que esteproblema que enfrentamos é enorme,especialmente na América Latina. É difícilimaginar o número de crianças que vivemnas ruas em todo o mundo, muitos dosquais sem nenhum elo familiar. O númerode crianças de rua em todo o mundocitado hoje em dia chega assustadoramenteaos 100 milhões (ONU).Quase um terço da população mundial temmenos de quinze anos de idade. NaColômbia, há 11 milhões de crianças commenos de 15 anos de idade. Cada vez maisdestas crianças estão indo para a rua.Estimativas do número de crianças de rua
LEIA NESTA EDIÇÃO
• Famílias abandonadas• Cartas• Hortas urbanas ou detelhados• Diretrizes para se trabalharcom crianças de rua• Centro Girassol, Peru• Crianças de rua em Uganda• Produção de pão• Estudo bíblico:A multiplicação dos pães• RecursosÓleo de moringa
   F  o   t  o  :   T  e  a  r   F  u  n   d
 
geral, as meninas são mais protegidas doque os meninos. A proporção menino/menina pode chegar a ser tão alta quantonove meninos para cada menina. Asmeninas, consideradas mais ‘úteis’, ficamem casa enquanto os meninos sãoconsiderados mais fortes e menos sensíveisa uma vida de ameaças nas ruas.A maioria das crianças de rua não sãoabandonadas por suas famílias. Pelocontrário, elas saem de casa fugindo demaus tratos, pobreza ou da simplesautoridade dos pais. A falta deestabilidade na vida familiar é a razãoprincipal para levar uma criançaàs ruas.Nas ruas elas encontram outas criançasque vieram de situações igualmentedifíceis. No entanto, as crianças logodescobrem que no mundo da rua elas sãotão maltratadas quanto em suas casas. Estadesilusãoé um choque tremendo – acriança percebe que não pode confiar emseus pais e em nenhuma outra figura deautoridade. O escape mental, geralmenteatravés de drogas inalantes, torna-se parteda estratégia de sobrevivência da criança.As crianças de rua experimentaramviolência no lar nas mãos de seus pais.Como resultado, elas se tornam‘caçadoras’, procurando infligir dor eviolência aos outros. A droga ajuda aaliviar o sentido da realidade.
Crianças descartáveis
Imagine chamar crianças de
desechables
‘joga-fora’ ou ‘descartáveis’. Mas é assimque elas são conhecidas nas ruas deBogotá. Este termo veio ao meuconhecimento recentemente quando ummenino com o qual eu estava trabalhandofoi morto uma noite e o seu corpo jogadoem um buraco. Eu conheço também outras
PASSOAPASSO
ISSN 1353-9868
A
Passo a Passo
é uma publicação trimestral queprocura aproximar pessoas em todo o mundoenvolvidas na área de saúde e desenvolvimento.A Tear Fund, responsável pela publicação da
Passo a Passo
, espera que esta revista estimulenovas idéias e traga entusiasmo a estas pessoas. Arevistaé uma maneira de encorajar os cristãos detodas as nações que trabalham buscando amelhoria de suas comunidades.A
Passo a Passo
é gratuita para aqueles quepromovem saúde e desenvolvimento. É publicadaem inglês, francês, português e espanhol.Donativos são bem vindos.Os leitores são convidados a contribuir com suasopiniões, artigos, cartas e fotografias.
Editora:
Isabel Carter83 Market Place, South Cave, Brough,East Yorkshire, HU15 2AS, Inglaterra.Tel/Fax: (0)1430 422065Email: imc@tearfund.dircon.co.uk
Editora– Línguas estrangeiras:
Sheila Melot
Comitê Editorial:
 Jerry Adams, Dra Ann Ashworth, Mike Carter, Jennie Collins, Bill Crooks, Richard Franceys,Dr Ted Lankester, Sandra Michie, Nigel Poole,Louise Pott, José Smith, Mike Webb, Jean Williams
Ilustração:
Rod Mill
Design:
Wingfinger Graphics, Leeds
Tradução:
L Bustamante, R Cawston, Dr J Cruz,S Dale-Pimentil, S Davies, M V Dew, N Edwards, J Martinez da Cruz, R Head, M Leake,O Martin, N Mauriange, J Perry, J-D Peterschmitt, J-M Schwartzenberg
Mailing List:
Escreva, dando uma breve informação sobre otrabalho que você faz e informando o idiomapreferido para: Footsteps Mailing List, Tear Fund,100 Church Road, Teddington, Middlesex, TW118QE, Inglaterra. Tel: (0)181 977 9144.Artigos e ilustrações da
Passo a Passo
podem seradaptados para uso como material de treinamentoque venha a promover saúde e desenvolvimentodesde que os materiais sejam distribuídosgratuitamente e que os que usam estes materiaisadaptados saibam que eles são provenientes da
Passo a Passo
.Publicado pela Tear Fund, uma companhia limi-tada, registrada na Inglaterra sob o No.994339.Organização sem fins lucrativos sob o No.265464.
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   F  o   t  o  :   R   i  c   h  a  r   d   H  a  n  s  o  n ,   T  e  a  r   F  u  n   d
em Bogotá variam tremendamente, de umnúmero conservador de 2.500 a um númeroenorme de 110.000 (UNICEF).É difícil estimar o número de crianças derua pois elas se movem muito de um lugarpara outro. Uma criança ou até mesmo umagangue de crianças podem partir doextremo sul de Bogotá de manhã, estar nocomeço da tarde no centro de Bogotá e noParque Lourdes (norte de Bogotá) no finalda tarde. Outra razãoé que algumascrianças são‘fechadas a trinco’; elas vivemnas ruas durante o dia mas retornam paracasaà noite.
Quem são estas crianças?
Quatro grupos de crianças podem seridentificados:
Crianças totalmente abandonadas
Estes são osgamíns na Colômbia, os meninos de rua noBrasil, os pelón no México. Estas criançasvivem nas ruas e não têm nenhum contatocom suas famílias. Elas geralmente usamdrogas, preferindo as inalantes –geralmente cola de sapateiro. Estascrianças não trabalham.
Crianças parcialmente abandonadas
Estascrianças vivem nas ruas mas têm algumcontato com suas famílias. O uso de drogasé comum e geralmente elas não trabalham.
‘Crianças fechadas a trinco’
Elas perambulampelas ruas mas são cuidadosas em mantercontato com suas famílias. Elas não usamdrogas e não trabalham.
Crianças trabalhadoras
Estas crianças estãonas ruas enquanto trabalham. Elasengraxam sapatos, lavam vidros de carros,vendem doces e cigarros. Na maior partedo tempo elas vivem com suas famílias.Elas não costumam usar drogas.Na América Latina, meninos e meninasvivem nas ruas. No entanto, de maneira
 
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crianças que foram mortas pela polícia, porgangues de traficantes de drogas ou poresquadrões da morte formados porcomerciantes que querem limpar as ruasde‘crianças sujas’ ou até por outraspessoas que vivem na rua.Relatórios recentes fornecem evidênciasassustadoras de que há grupos nas cidadeslatino-americanas usando crianças de ruapara ajudar a satisfazer a demandamundial por partes do corpo. As crianças‘afortunadas’ que sobrevivem a estascirurgias in loco acordam nas ruas edescobrem que perderam um rim, umtestículo ou um olho durante a noite.Geralmente uma cirurgia destas leva acriançaà morte.
Há alguma solução?
Muitas organizações dizem que ajudam ascrianças de rua. No entanto, a UNICEF emBogotá relata que muitas agências de‘caráter social’ estão vendendo a misériadas crianças para arrecadar fundos para oseu trabalho.O governo colombiano faz tudo o quepode com seus recursos limitados. O‘Instituto Nacional de Bienestar Familiar’ busca grupos externos, cristãos e seculares,com os quais possa trabalhar. Elesprocuram incentivar que mais recursossejam usados para ajudar as crianças derua.Apesar de tudo os governos e as agênciasde caráter social não são donas desteproblema mundial. Ele pertence a todosnós. A Palavra de Deus para nós está cheiade mandamentos para que cuidemos dosórfãos. Estas palavras para nós são tãonovas nos dias de hoje como quando elasforam ditas:
‘Mas se deveras melhorardes os vossoscaminhos e as vossas obras, se deveras fizerdes juízo entre vós e não oprimirem…oórfão…’ (Jeremias 7:5-6)
‘Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça… não façais mal ou violência ao…órfão…’ (Jeremias 22:3)‘A religião pura e imaculada para com Deusé esta: Cuidar dos órfãos… em suastribulações e guardar-se da corrupção domundo.’ (Tiago 1:27)
Deve haver uma resposta ao problema decrianças em risco nas ruas. Está claro queno momento estamos perdendo a batalha.
Rumo ao progresso...
ETAPA 1:
AMOR
A primeira etapa rumo a uma soluçãoé acomunidade cristã mundial reconhecerque todos nós podemos fazer uma parte.Se pelo menos respondêssemosà Palavrade Deus, alcançaríamos estas criançascrendo que esta é a nossa responsa- bilidade. Compartilhar o amor de Cristocom estas criançasé a parte maisimportante em qualquer solução.A igreja cristã nacional também devedecidir enfrentar o problema das criançasnas ruas de suas próprias cidades. A igrejatem sido estranhamente vagarosa paraatuar nesta área. Apesar disto, a igrejanacional deve estar envolvida em prepararuma estratégia para resolver o problema.Na Colômbia, a igreja nacional , compoucas exceções, não está pronta paraatender aos problemas sociais em nome de Jesus. As congregações locais não sãoensinadas de que têm umaresponsabilidade para com as viúvas, osórfãos e outros grupos marginalizados.Oúnico programa para criançasnecessitadas em Bogotá que é totalmenteendossado e financiado por uma igrejalocalé o da Iglesia Casa Roca. Nesteministérioúnico, meninos e meninas sãoapoiados em um sítio no norte da cidade.Existem outros ministérios cristãos emBogotá incluindo o Futuro Juvenil, o qualtrabalha com órfãos e procura educar oscolombianos sobre adoção, uma idéiaestranha na Colômbia; o Hogar Vida enCristo, um programa para ex-traficantes; eLa Bergerie, uma equipe médica francesaque vai às ruas para ajudar com asnecessidades físicas das crianças.O maior programa para crianças de rua emBogotá, com aproximadamente 700crianças,é realizado pelo Padre Nicolo,queé Católico Romano. Ele faz um bomtrabalho tirando as crianças das ruas masmuitos fogem porque o ‘programaé muitoestrito’.Apesar de não ser um ministério cristão,talvez o programa melhor conhecido naAmérica Latina é o Crianças dos Andes. Oseu diretor, Jamie Jaramillo, um homem deverdadeira compaixão, tem recebido muitaatenção da mídia pelo seu trabalho deresgate de crianças dos esgotos de Bogotá.
ETAPA 2:
PROVENDO ALTERNATIVAS
A segunda etapa mais importante éprevenir que as crianças cheguem às ruas.A potencial criança de rua deve teralternativas disponíveis
antes
de entrar navida de rua.O Hogar Infantil (Lar Infantil) é um laralternativo para crianças.É um exemplodo que pode ser oferecido a crianças derisco. Na Colômbia, o
In Ministry toChildren Group’ trabalha com 16 criançasem um lar em Sasaima, uma pequenacidade agrícola a uma hora e meia a oestede Bogotá. Como um ‘substitutoà família’
Trabalho (à esquerda) e uso de drogas (à direita) – aspectosnormais da vida de milhões de crianças de rua no mundo.
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