Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
2Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
“COTIDIANO” E “LUGAR”: CATEGORIAS TEÓRICAS DA HISTÓRIA E DA GEOGRAFIA ESCOLAR.

“COTIDIANO” E “LUGAR”: CATEGORIAS TEÓRICAS DA HISTÓRIA E DA GEOGRAFIA ESCOLAR.

Ratings: (0)|Views: 387 |Likes:
“COTIDIANO” E “LUGAR”: CATEGORIAS TEÓRICAS DA HISTÓRIA E DA GEOGRAFIA ESCOLAR
Andrea Coelho Lastória ∗ Rafael Cardoso de Mello
RESUMO: Fruto de mudanças epistemológicas que marcam a trajetória das ciências, duas categorias dentro da História e Geografia chamam a atenção na atualidade. Este trabalho existe com o desiderato de promover uma discussão sobre as conseqüências do uso das categorias “Cotidiano” e “lugar” em sala de aula. Permiti-se assim, a um vasto públicos de leitores (a professores,
“COTIDIANO” E “LUGAR”: CATEGORIAS TEÓRICAS DA HISTÓRIA E DA GEOGRAFIA ESCOLAR
Andrea Coelho Lastória ∗ Rafael Cardoso de Mello
RESUMO: Fruto de mudanças epistemológicas que marcam a trajetória das ciências, duas categorias dentro da História e Geografia chamam a atenção na atualidade. Este trabalho existe com o desiderato de promover uma discussão sobre as conseqüências do uso das categorias “Cotidiano” e “lugar” em sala de aula. Permiti-se assim, a um vasto públicos de leitores (a professores,

More info:

Categories:Types, School Work
Published by: Grupo de Estudos da Localidade - ELO on Jun 08, 2011
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/12/2014

pdf

text

original

 
“COTIDIANO” E “LUGAR”:CATEGORIAS TEÓRICAS DA HISTÓRIA E DA GEOGRAFIAESCOLAR
Andrea Coelho Lastória
Rafael Cardoso de Mello
 
RESUMO:
Fruto de mudanças epistemológicas que marcam a trajetória dasciências, duas categorias dentro da História e Geografia chamam a atenção naatualidade. Este trabalho existe com o desiderato de promover uma discussãosobre as conseqüências do uso das categorias “Cotidiano” e “lugar” em sala deaula. Permiti-se assim, a um vasto blicos de leitores (a professores,pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação, técnicos e gestores deEducação) problematizar estas categorias de análise nas práticas pedagógicas.
PALAVRAS-CHAVE:
Cotidiano, lugar e práticas pedagógicas.
Introdução
A História e a Geografia são ciências consideradas fundamentais para aconstrução de conceitos básicos, imprescindíveis ao exercício de uma cidadaniaplena. Tal consideração, apesar de amplamente difundida nos dias atuais, érelativamente recente. Essas áreas do conhecimento passaram, nos últimosanos, por diversas mudanças epistemológicas que alteraram seus pressupostosteóricos e metodológicos, tanto na esfera acadêmica, como na escolar. Osdesdobramentos destas mudaas podem ser percebidos no dia-a-dia deprofessores e alunos, mais especificamente, no delineamento de novas políticase práticas pedagógicas.Os conteúdos de ensino e as formas de ensinar História e Geografia forammudados nos últimos anos. Afinal, o pensamento histórico e geográfico tem sidomarcado por diversas correntes ou vertentes. Algumas que privilegiaram umolhar para o passado à procura dos grandes fatos e personalidades, outras, maisvoltadas à observão do real, a partir da descrição do espaço sico dosterritórios, outras ainda, voltadas à análise das tensões sociais e, as maisrecentes, que partem de paradigmas culturais com tendências humanistas.
 
Docente do Departamento de Psicologia e Educação, da Faculdade de Filosofia Ciênciase Letras de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo. Coordenadora do Grupo deEstudos da Localidade de Ribeirão Preto – ELO, na referida universidade. Pós-doutoradona Universidade de Oviedo, Espanha. Doutora e Mstre em Educação pela UniversidadeFederal de São Carlos – UFSCar, Licenciada em Geografia, Pedagogia e Bacharel emGeografia pela Universidade Estadual Paulista-UNESP.
 
Mestrando em História (UNESP-Franca) e graduando em Geografia (Centro UniversitárioBarão de Mauá-Ribeirão Preto). Professor da Fundação Educacional de Fernandópolis,onde exerce o cargo de Coordenador de Publicação do CDEPE (Centro de Documentação,Ensino, Pesquisa e Extensão). É membro do Grupo ELO (Estudos da Localidade/USP-Ribeirão Preto) e do CEMUMC (Centro de Estudos da Modernidade e da Urbanização doMundo do Café/UNESP-Franca).
 
Enfim, correntes que tomam forma e se constituem, pela ação dos cientistas edos professores, em suas esferas profissionais, políticas e ideológicas.Este artigo discute as duas categorias explicitadas à luz de reflexõesteóricas da História e da Geografia. Há de se lembrar que tal proposta é temcomo destino um público numeroso e variado: professores, pesquisadores,alunos de graduação e pós-graduação, técnicos e gestores de Educação. O cernedas reflexões apresentadas consiste na necessidade de ressaltar tais categoriasnas práticas pedagicas de professores que pretendem contribuir,efetivamente, com a melhoria do ensino de História e Geografia na escola básicabrasileira.
Considerações sobre o cotidiano e seu ensino
A definição de cotidiano encontrada no Novo Dicionário Aurélio da LínguaPortuguesa é a que se refere
àquilo de todos os dias; a vida cotidiana
. Que
se faz 
ou
sucede todos os dias
. Que sucede ou se pratica
habitualmente
, dentre outros.Aparentemente, o cotidiano não precisa de esforço ou reflexão, pois comosua própria definição expressa, ele se materializa em tudo o que é ou está nodiário das pessoas. A História, por muito tempo, creditou pouco valor às análisese interpretações que miravam o cotidiano de homens e mulheres comuns. Osresultados deste descaso aparecem em vários trabalhos de historiadores que(durante anos) não se preocuparam em investigá-lo, de valorizar as relações dodia a dia das pessoas, das minorias étnicas, dos trabalhadores, dentre outras.Eles entendiam que estas questões eram menos importantes ou, até mesmo,desnecessárias se considerarmos o “escopo” científico da época. Seriam esforçosem prol do imediatismo, da “vida privada e familiar, [...] atividades ligadas àmanutenção dos laços sociais, ao trabalho doméstico e às práticas de consumo.São assim, excluídos os campos do econômico, do político e do cultural na suadimensão ativa inovadora.” (DEL PRIORI, 1999: 260-261)No entanto, devemos levar em consideração que as abordagens quemergulharam no cotidiano das pessoas, ao longo do tempo, não são recentes.Desde a Grécia Antiga, Heródoto já realizava tais análises quando descreveu oscostumes dos persas e dos egípcios, para explicar os conflitos entre gregos ebárbaros. (CARBONELL, 1987:15-27)No século XX, vários historiadores (inspirados por autores que se utilizamde análises do cotidiano para explicar tensões sociais, lutas e conflitos políticos)valorizam esta categoria teórica em suas investigações. Agnes Heller (1985) écitada por vários historiadores e geógrafos por tomar a vida cotidiana como:
... a vida do homem inteiro; ou seja, o homem participa na vida cotidiana comtodos os aspectos de sua individualidade, de sua personalidade. Nela, colocam-se‘em funcionamento’ todos os seus sentidos, todas as suas capacidadesintelectuais, suas habilidades manipulativas, seus sentimentos, paixões, idéias,ideologias.
(HELLER, 1985:17)
Assim como na ciência histórica, encontrarmos propostas pedagógicas quese pautam no cotidiano, como uma das categorias centrais da História e da
 
Geografia. Os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais de História e Geografia,os Referenciais Curriculares para a Educação Infantil e outros documentos doMinistério da Educação valorizam o cotidiano. As discussões e publicaçõesoriginadas nos Encontros Nacionais de Didática e Prática de Ensino - ENDIPE, nosEncontros Nacionais de Prática de Ensino de Geografia – ENPEG, nos eventospromovidos pela Associação Nacional de Professores de História – ANPUH e pelaAssociação dos Geógrafos Brasileiros – AGB reafirmam tal abordagem.Isto significa trabalhar com o ensino de uma história que nega aquilo queainda é perpetuado em algumas práticas escolares, ou seja, negar as descriçõesassépticas dos grandes eventos e seus heróis (em sua maioria, personagensmasculinos e caucasianos que aparecem como atores principais, ou únicos, nopalco do processo civilizatório da humanidade).O dramaturgo alemão Eugen Bertolt Friedrich Brecht (1898 -1956), poeta,teórico de teatro, crítico severo do capitalismo , pessoa que valorizava a açãopolítica e abominava o “analfabeto político” ilustra tais colocações no poema quesegue:
Perguntas De Um Operário Que Lê.Quem construiu Tebas, a das sete portas?Nos livros vem o nome dos reis,Mas foram os reis que transportaram as pedras?Babilônia, tantas vezes destruída,Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casasDa Lima Dourada moravam seus obreiros?No dia em que ficou pronta a Muralha da China para ondeForam os seus pedreiros? A grande RomaEstá cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quemTriunfaram os Césares? A tão cantada BizâncioSó tinha paláciosPara os seus habitantes? Até a legendária AtlântidaNa noite em que o mar a engoliuViu afogados gritar por seus escravos.O jovem Alexandre conquistou as ÍndiasSozinho?César venceu os gauleses.Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?Quando a sua armada se afundou Filipe de EspanhaChorou. E ninguém mais?Frederico II ganhou a guerra dos sete anosQuem mais a ganhou?Em cada página uma vitória.Quem cozinhava os festins?Em cada década um grande homem.Quem pagava as despesas?Tantas históriasQuantas perguntas
Neste contexto, faz se necessário refletir sobre a história do cotidiano, desuas qualidades e potencialidades nas práticas pedagógicas escolares da escolabásica. A partir do cotidiano, e de seus protagonistas anônimos (VAINFAS, 2002),professores e alunos podem perceber na História, a presença de pessoascomuns. Pessoas, que ao seu modo, vivem, sentem, se apaixonam, trabalham e

Activity (2)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 thousand reads
1 hundred reads

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->