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Artigo ESTE- Final

Artigo ESTE- Final

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04/29/2013

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U
MA CONTRAPOSIÇÃO DE METODOLOGIAS PARA A PREVISÃO DA TRAJETÓRIA DAECONOMIA
:
ESTADO DA ARTE E MONITORAMENTO DA
P
RODUÇÃO
I
NDUSTRIAL MINEIRA
.
Raquel Guimarães
Faculdade de Ciências Econômicas – UFMG Bolsista do Programa de Educação Tutorial – SESu/MEC 
Sueli Moro
Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional – UFMGProfessora Adjunta do Departamento de Ciências Econômicas - FACE/UFMG
R
ESUMO
 
As previsões dos ciclos econômicos são primordiais para nortear a política econômica, bem comodelinear as decisões dos agentes a respeito do investimento e poupança. Este artigo avaliou diversasmetodologias de previsão para o acompanhamento da Produção Industrial Mineira. O exercício empíricoconsistiu da estimação e previsão da trajetória da economia mineira, a partir de um conjunto deindicadores antecedentes, através de três metodologias: i. NBER; ii. combinação de previsões de sériestemporais a partir do modelo de Box e Jenkins e Holt-Winters aditivo; iii. análise econométrica medianteaplicação dos vetores auto-regressivos (VAR). A despeito de ser de fácil aplicação, os indicadoresantecedentes do NBER apresentaram o melhor poder preditivo da série de referência, medido em termosda raiz do erro quadrático médio, seguidos pelo vetor auto-regressivo e combinação de previsões.
P
ALAVRAS
-
CHAVE
:
 
Previsões macroeconômicas; Indicadores Antecedentes; Combinação dePrevisões; VAR; Produção Industrial de Minas Gerais.
I
NTRODUÇÃO
 
Antever as flutuações da economia tem sido uma preocupação recorrente não apenas dos profissionais dessa área do conhecimento, como também de matemáticos, estatísticos e até mesmo profissionais de outras disciplinas. Essa busca deve-se ao fato de que a decisão de investimento dasempresas, além do consumo e poupança das famílias, é influenciada pelas expectativas desses acerca dofuturo dos negócios.Dessa forma, especialistas e pesquisadores, a partir de um horizonte de previsão, objetivamencontrar padrões e regularidades que possam ser projetados no futuro
baseados no comportamento passado das variáveis macroeconômicas
. Esses estudos são vantajosos do ponto de vista dos agenteseconômicos, pois este poderá auferir lucros caso antecipe corretamente uma melhora na economia comoum todo, ou a minimização de prejuízos quando já se prevê um desaquecimento do nível de atividadeeconômica.Embora a temática apresente uma relevância considerável, a pesquisa em previsão econômica émarcada por um intenso debate, tanto do ponto de vista teórico quanto metodológico. Sobre essa pluralidade, afirmam Clements e Hendry (2002):
"A forecast is a statement about the future. Such statements may be wellfounded, or lack any sound basis; they may be accurate or inaccurate on a givenoccasion, or on average; precise or imprecise; and model-based or informal.(…) Thus, forecasting is potentially a vast subject". (p. 2)
 No que tange especificamente à teoria dos ciclos de negócios, a pluralidade nas abordagenstambém norteia o debate entre os cientistas. Jevons, Malthus, Schumpeter, Keynes e outros economistas,1
 
de várias correntes de pensamento, dedicaram-se ao estudo dos ciclos e sua caracterização
1
.ParaMassimiliano (2005), o debate concentrava-se em dois pontos:
"This belongs to the old debate on the characterization of business cycles asextrinsic phenomena, i.e, generated by the arrival of external shocks propagatedthrough a linear model, versus intrinsic phenomena, i.e., generated by the nonlinear development of the endogenous variable". (p. 3)
Do ponto de vista empírico, além de uma grande disponibilidade de instrumentais para o estudodos ciclos econômicos, observou-se ainda o desenvolvimento dos pacotes estatísticos, que facilitaram acomputação de algoritmos e a análise de bancos de dados que monitoram as observações em tempo real.Para adequar metodologia aos objetivos do pesquisador, são necessários alguns cuidados naanálise empírica dos ciclos:
 precisão das estimativas
(o valor estimado empiricamente é consistente como valor observado na realidade?)
 , confiança na estimativa
(qual é o seu nível de erro do valor previsto pelo exercício empírico?)
ou ambos
. Deve-se ressaltar que a literatura sugere que as previsões nunca são“ótimas”, podendo sempre ser avaliadas e aprimoradas, uma vez que, especialmente no estudo dos ciclos,o comportamento das variáveis econômicas é bastante sensível às políticas e, por conseguinte, as sériesapresentam muitas quebras estruturais e desvios (Granger e Newbold, 1977, p.268).Este artigo pretende avaliar e contrapor diversas metodologias de previsão para oacompanhamento da Produção Industrial Mineira. Com esse intuito, o trabalho consiste de quatro partes. Na primeira seção, verificar-se-á o estado da arte no tema, sendo identificadas e discutidas ali as primeiras pesquisas empíricas que investigaram o estado dos negócios. Na segunda parte será revisada aliteratura brasileira de estudos empíricos dos ciclos. Na terceira seção, far-se-á uma caracterização daeconomia mineira, o que servirá de subsídio para a escolha das variáveis relevantes para a mensuração deseu nível de atividade econômica. Na quarta seção, realiza-se a contraposição das metodologias NBER,combinação de previsões de métodos estatísticos e VAR. Por fim, sintetizam-se as contribuições destetrabalho e sugere-se uma agenda de pesquisas.
1.
 
O
ESTUDO EMPÍRICO DOS CICLOS
:
ESTADO DA ARTE
 
Os primeiros estudos para a investigação dos ciclos econômicos podem ser observados a partir doséculo XIX. O trabalho pioneiro do marginalista Jevons
2
 argumentava que os ciclos das manchas solares(
sunspots cycles
) seriam determinantes das flutuações econômicas por influírem diretamente nascondições metereológicas. Daí ocorria que estas exerciam impactos significativos
a posteriori
sobre aagricultura, demanda e níveis de preços. De acordo com Morgan (1990), essas primeiras contribuiçõesiniciais baseavam-se predominantemente na investigação das regularidades estatísticas de fenômenosisolados, buscando-se antever e justificar causalidades para os ciclos de negócios.Cardim e Hermanny (2003) apontam que, desde o início das discussões acerca das previsões dosciclos econômicos, até aproximadamente 1950, havia duas correntes distintas no que se refere aotratamento modelístico conferido às variações do nível de atividade econômica.A primeira vertente na taxonomia dos autores assentava-se no entendimento do ciclo como umfenômeno econômico, porém com uma visão bastante "mecanicista". Isto é, a explicação para os pontosde reversão
3
 é baseada, essencialmente, nas causalidades básicas macroeconômicas. Entretanto, de acordocom os autores, essas investigações desconsiderariam aspectos importantes como as
expectativas dosagentes
e a
incerteza
. Um exemplo do tratamento "mecanicista": um choque adverso na agriculturacausaria uma queda na oferta e, conseqüentemente, acarretaria em aumento de preços e queda do nível deatividade.Por sua vez, a segunda corrente analisava as flutuações econômicas como um processoeminentemente empírico, "tentando-se identificar os processos econômicos que fossem sensíveis ao
1
Para mais detalhes sobre o debate teórico a respeito dos ciclos econômicos nos economistas clássicos e de outras correnteseconômicas, ver Lima (2005). Para uma discussão mais atual teórica, ver Zarnowitz (1999).
2
O economista William Jevons viveu entre 1835 e 1882. Seu livro, publicado em 1871,
The theory of Political Economy,
foi o precursor da teoria neoclássica.
3
São aqueles pontos nos quais há uma mudança de comportamento, i.e, de uma recessão para uma expansão ou o contrário.
2
 
 padrão de flutuação agregado, sua duração, profundidade, inter-relação com outros processos (...)" (p.2).Para Koopmans (1947), esses trabalhos prezavam pela mensuração desvinculada da teoria.Com o avanço das metodologias, é possível identificar três tipos de abordagens para previsãocíclica (Clements e Hendry, 2002):i.
 
O Sistema de Indicadores Antecedentes (SIA);ii.
 
Modelos de séries temporais;iii.
 
Sistemas de equações econométricos. Nos itens a seguir serão caracterizadas os três principais tipos de instrumental para o estudo dosciclos de negócios.
1.1.
 
O
 
S
ISTEMA DE
I
NDICADORES
A
NTECEDENTES
(SIA)
A técnica de investigação das flutuações econômicas pelo Sistema de Indicadores Antecedentesconsiste na previsão econômica de uma variável-chave, que acompanha e caracteriza o ciclo de negócios,através do comportamento de outras variáveis que antecedem a sua trajetória, gerando efeitos sobre avariável-chave
a posteriori
(MOORE E LAHIRI, 1991).Burns e Mitchell (1946) foram os pioneiros no estudo dos ciclos econômicos valendo-se desseinstrumental. Os pesquisadores criaram uma classificação para os indicadores de acordo com a defasagemde sua influência sobre a variável-chave:i.
 
 Indicadores coincidentes
: são aqueles que acompanham as variações na variável-chave -ou, em uma visão mais moderna, aquelas que possuem o mesmo padrão de comportamento(cointegradas);ii.
 
 Indicadores antecedentes
: são aqueles cuja análise de seu comportamento podem propiciar inferências razoavelmente seguras sobre os movimentos futuros da variável de referência;iii.
 
 Indicadores defasados
: suas variações se dão
a posteriori
aos movimentos da variável dereferência sendo que, nas palavras de Lima (2005), "a ocorrência de movimentos nestesindicadores serve para confirmar ou retificar o que está apontado na série de referência".Os indicadores antecedentes foram computados durante muitos anos pelo NBER (National Bureauof Economic Ressearch)
4
.Atualmente, o sistema NBER é adotado pelo The Conference Board (TCB)
5
,etambém a Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD)
6
 calcula diversosíndices para a previsão de ciclos econômicos e pontos de reversão, valendo-se de instrumentalsemelhante
7
. Um pressuposto forte da metodologia NBER assume que, uma vez que as variáveis secomportaram de maneira eficaz como antecedentes do ciclo no passado, elas permanecem com esseatributo ao longo do tempo. Dessa forma, bastam-se que essas variáveis defasadas sejam combinadas deforma a representarem o próprio comportamento da variável de referência – no caso utilizado peloinstituto, o PIB (LIMA, 2005, 72).Leeuw (1991) considera que o sistema de indicadores antecedentes é o menos teórico dasferramentas de previsão. Além disso, ele argumenta que os pioneiros no uso desses indicadores – os pesquisadores do NBER – conheciam as teorias de ciclos de negócios, mas não as utilizavam paraclassificar as variáveis em Antecedentes, coincidentes ou defasadas.Por outro lado, Nefcti (1991) argumenta que a abordagem dos indicadores, a despeito decontribuir pouco no entendimento dos fenômenos econômicos, apresenta menos controvérsia, menosrestrições quanto à implementação e mais robustez em suas predições (p. 57).Ainda assim, o uso dos indicadores antecedentes intensificou-se na atualidade, com o intuito de seobterem melhores previsões das flutuações econômicas. Uma nova metodologia consiste na da construçãode índices compostos a partir dessas variáveis. Essa abordagem é denominada de Indicadores
4
http://www.nber.org
5
http://www.conference-board.org/economics/bci/
6
http://www.oecd.org
7
Uma discussão sobre as diferenças nas metodologias do NBER e OECD pode ser encontrada em Lima (2005).
3

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