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Origens e Matrizes Discursivas da Reforma Urbana no Brasil

Origens e Matrizes Discursivas da Reforma Urbana no Brasil

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Published by Eder Silva 7
artigo publicado na revista espaço e debates
artigo publicado na revista espaço e debates

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Origens e matrizes discursivas da Reforma Urbana no Brasil
Éder Roberto da Silva
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Ricardo Siloto da Silva
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Introdução
O conteúdo que compõe o Estatuto da Cidade é resultado de um longo processo deconstrução de um pensamento de política urbana no Brasil, referenciado pela reforma urbana.Este trabalho busca identificar as suas origens e matrizes discursivas desse processoconsiderando os principais momentos dos últimos quarenta anos, na história do planejamentourbano no Brasil.Primeiramente, este ideário surge com as reformas de base de João Goulart nos anos60; num segundo momento, reaparece no final dos anos 70 e início dos anos 80, ainda durante aditadura militar sob iniciativa do próprio governo e, depois em meados da década de 80, durante oprocesso constituinte, sendo desta vez protagonizado pelo Movimento Nacional pela ReformaUrbana. O resultado deste último momento foi consagrado na Constituição de 1988 onde houve,pela primeira vez na história do país, a inclusão de um capítulo específico sobre política urbana.Cada um destes três momentos foi protagonizado por diferentes agentes e ocorreu emconjunturas adversas e distintas. Este trabalho aponta que, apesar de inserirem-se em situaçõesespecíficas, identificam-se aspectos comuns de defesa de uma cidade mais igualitária edemocrática para todos que nela vivem, o que veio a se constituir em um marco na política urbanabrasileira.
1. O Seminário de Habitação e Reforma Urbana de 1963
Em 1963, destaca-se o primeiro momento, quando o termo “reforma urbana” surge notítulo de um Seminário realizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB e o IBASE, intitulado“Reforma Urbana”, no Hotel Quitandinha, na cidade de Petrópolis no estado do Rio de Janeiro.Nele, reuniram-se mais de setenta profissionais de diversas áreas como arquitetos, engenheiros,sociólogos, economistas, advogados, assistentes sociais, técnicos, líderes sindicais, estudantis erepresentantes de entidades civis. O propósito era diagnosticar e elaborar soluções para oenfrentamento dos problemas urbanos daquele período, com o intuito de inserir a temática do
 
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Arquiteto e Urbanista, mestre em Engenharia Urbana, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, email:ede-roberto@bol.com.br
2
Arquiteto e Urbanista, Doutor em História, Universidade Federal de São Carlos, email:rss@power.ufscar.br
 
2
urbano nas discussões das reformas de base de João Goulart. Naquele momento, havia umamobilização em torno das reformas de base com vistas a estabelecer uma nova linha política parao país.O Seminário produziu um documento síntese que teve como foco principal a questãoda habitação e da reforma urbana, sendo esta, tratada de forma complementar à primeira. Deacordo com as considerações iniciais, a reforma urbana entrou na pauta nacional em decorrênciado agravamento dos problemas urbanos provocados pelos altos índices de urbanização existenteno país naquele momento. Nesse sentido, tal situação era determinada pela condição desubdesenvolvimento do país e, pelo intenso incremento demográfico desacompanhado demedidas que, no interesse nacional, ordenassem e disciplinassem o surto industrial e as arcaicasrelações de produção agrária, que determinavam fortes movimentos migratórios para os núcleosurbanos.A questão da habitação veio assim a constituir num dos principais problemas a serenfrentado, sobretudo, nos grandes centros urbanos. Uma situação agravada “e
ssencialmente pela desproporção cada vez maior entre o salário ou a renda familiar e o preço de locação ou de aquisição de moradia e pelo déficit crescente de disponibilidade de prédios residenciais, em relação à demanda do povo brasileiro, uma vez que o significativo número de habitações construídas tem se destinado quase exclusivamente às classes economicamente mais favorecidas” 
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Desse modo, nota-se que, desde o início, a questão da habitação orientou odiagnóstico e as propostas formuladas pelo Seminário, considerando a realidade crítica daquelemomento, além de denunciar a desigualdade social.No bloco de afirmações, o acesso à habitação foi colocado como direito fundamentaldo homem e da família. Por similaridade com as considerações sobre habitação, a reforma urbanafoi vinculada a limitações ao direito de propriedade e uso do solo, relação esta, que seria matériade debate por várias décadas no planejamento urbano no Brasil, conforme pode ser observadonos itens 1 e 5, os quais afirmavam que
“dentre os direitos fundamentais do homem e da família,se inclui o da habitação e que a sua plena realização, exigindo limitações ao 
direito de propriedade e uso do solo 
, se consubstanciaria numa 
reforma urbana 
, considerada como o conjunto de medidas estatais, visando à justa utilização do solo urbano, à ordenação e ao equipamento das aglomerações urbanas e ao fornecimento de habitação condigna a todas as famílias” 
(Resoluções do Seminário, afirmações, item 1).A solução para os problemas urbanos ali diagnosticados foi colocada nos marcos dopadrão desenvolvimentista presente naquele período. O objeto de intervenção era o espaçonacional por intermédio da ação centralizada, racionalizadora e redistributiva do Estado (RIBEIRO,1996). Nessa linha afirmava-se que
“essa situação contrasta flagrantemente com os conceitos de 
democracia e justiça social 
e, só poderá ser superada pela atualização da estrutura econômica nacional e por um considerável avanço construtivo, através da coordenação de esforço e da 
 
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racionalização de métodos de produção” 
(Resoluções do Seminário, afirmações, item 4), e que
em conseqüência, a solução do 
problema habitacional 
e da 
reforma urbana 
está vinculada à política de desenvolvimento econômico e social – através da qual possa ser rapidamente elevado o padrão de vida do povo brasileiro” 
(Resoluções do Seminário, afirmações, item 5). Ao se referirà participação popular afirmava que
“é de grande importância para a política habitacional a formação de uma consciência popular do problema e a participação do povo em programas de desenvolvimento de comunidades“ 
(Resoluções do Seminário, afirmações, item 8
 ).
Somenteneste item, refere-se especificamente à participação da comunidade. Nota-se que existe apreocupação com relação à importância da conscientização por parte da população sobre osproblemas tratados colocados. Haja vista que, neste período, em vários lugares do país jáexistiam movimentos urbanos pela busca de uma moradia digna como na cidade do Rio deJaneiro e na Bahia, entre outros. No entanto, a proposta não chega a aprofundar o temaexplicitando, por exemplo, como se daria o processo participativo, de certo modo vinculado àpolítica habitacional. Observa-se que, neste momento, a concepção de poder aparece muitocentrada em torno do Estado centralizador, não constando ainda o envolvimento e a incorporaçãoda população às instâncias de gestão.O item 13, disposto a seguir, revela que a desapropriação para fins de reforma urbana
,
também, já estava presente nesse debate. A proposta implicava mudança constitucional
, “de maneira a permitir a desapropriação sem exigência de pagamento à vista, em dinheiro” 
.Especificando, propôs que: “
Ficarão sujeitas à desapropriação por interesse social os bens considerados necessários à habitação, ao equipamento dos centros urbanos e ao aproveitamento do território”.
O diagnóstico apresentado também pontuou a especulação imobiliária comoresponsável nesse processo, por meio de forte crítica a atividade, afirmando que “
é imprescindível a adoção de medida que cerceiem a especulação imobiliária, sempre anti-social, disciplinado o investimento privado nesse setor”.
No sentido de priorizar e atender a urgência da demanda habitacional sugeriu-se acriação de um
Órgão Central Federal 
para executar a política habitacional. Para tanto, afirmava-sea necessidade de uma intervenção eficiente em todo o território nacional, por meio de uma açãocentralizada e munida de recursos. Segundo alguns autores, a criação do BNH foi inspirada nestaproposição, que afirmava
“para a execução da política habitacional, se torna necessário à criação de um Órgão Central Federal, com autonomia financeira e autoridade para atingir seus objetivos”.
Pelo texto, percebe-se que esse item recebeu um detalhamento especial diante dos demais.Foram arroladas as atribuições e as características da organização, com definição de estrutura eaté normas para constituição de patrimônio. Nesse meio, foi proposto também que o ÓrgãoCentral administraria um Fundo Nacional de Habitação, para o financiamento da políticahabitacional. Os recursos teriam a seguinte proveniência: arrecadação do imposto de habitação a

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