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Ferramentas para auxiliar a elaboração de etnografias

Ferramentas para auxiliar a elaboração de etnografias

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método para facilitar a pesquisa na internet
método para facilitar a pesquisa na internet

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06/16/2011

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Ferramentas para auxiliar a elaboração de etnografias: o caso penhor
Décio Soares Vicente/NEEO/FFCH/PUCRS – decio569@hotmail.com
Área temática:
Análise de Textos
Resumo:
Os procedimentos de investigações são preocupações constantes para quem realiza aalgum tipo de pesquisa. Todavia, o avanço da tecnologia tem contribuído bastante nas técnicas deaquisição de conhecimento, que permitem tornar o desenvolvimento do trabalho de pesquisa maiseficaz, confiável e com menores custos. Portanto, este trabalho apresenta a utilização de aplicativostecnológicos que auxiliam na construção de etnografias. Através de um estudo realizado na cidadede Porto Alegre, com o objetivo de analisar as relações sociais e simbólicas na modalidade decrédito via penhor. Utilizou-se a tecnologia de gravação de áudio digital, com aparelho de MP3, eum programa convencional de planilha eletrônica para montar um banco de dados dinâmico, queauxiliasse o conjunto de técnicas para elaborar uma etnografia. 
Contexto geral e problema
Com a implementação de políticas públicas de inclusão, baseadas no acesso ao crédito, um novocenário se configura e novos padrões de consumo se incorporam à vida da população brasileira. Noentanto, faltam estudos para uma melhor compreensão dos processos e dos efeitos das políticas deincorporação das populações no mercado financeiro e de consumo.Tradicionalmente, a elaboração de políticas públicas no Brasil pouco se baseia em pesquisase análises, na sua dimensão social e simbólica, da realidade das populações. O que pode acarretar aineficácia na implementação de ações governamentais, resultando em desperdícios de recurso e nãosolucionado o problema. Um bom exemplo disso podemos encontrar no estudo sobre o PRONAF(Programa Nacional de Agricultura Familiar), segundo o autor ABRAMOVAY (2004) as políticasde inclusão ao acesso ao crédito possuem falhas, pois não levam em conta a diversidade de formas emaneiras de uso dos recursos monetários que a população já utiliza.WEBER (2002) tem mostrado a necessidade de se criar novas fórmulas matemáticas quecontemplem as condutas humanas concretas, pois não levar em consideração a forma de agir epensar de uma população é correr o risco de uma ação política sem resultados. Economistas egestores públicos devem identificar as categorias nativas de classificação que são utilizadas para ocálculo nas negociações e avaliações econômicas da própria comunidade. Isso orientaria na tomadade decisões. A pesquisa, neste sentido, tem papel fundamental e a escolha da metodologia adequadapassa a ser imprescindível. Mas, como registrar o tipo de raciocínio econômico das populações?Qual o melhor procedimento, técnica e instrumento para classificar os conceitos elaborados por umacomunidade?Ao levar em consideração as práticas sociais de uma população, o pesquisador deve inserir-se na realidade cotidiana de um grupo, pois assim é possível captar as particularidades desteuniverso vivido. Ao observar tal cotidiano, o pesquisador também deve buscar informaçõessubjetivas no modo de pensar dos indivíduos, que fazem parte deste universo vivido. Mas para isso,deve-se construir um bom objeto de análise que priorize um método de investigação maisqualitativo. A partir dessas considerações citadas, apresento de forma sucinta o estudo sobre ocrédito conhecido como penhor, que realizei em 2007 na cidade de Porto Alegre. E para realizar talestudo foi necessária a utilização de algumas ferramentas tecnológicas para melhor registrar asdiversas formas com que a população lida com procedimentos e cálculos financeiros.Após verificar o cenário de busca por financiamento no contexto brasileiro, optou-se pelotema crédito penhor. Atualmente, o penhor passa por um período de sucesso em recordes definanciamento. O que causa estranheza por se tratar de uma modalidade de financiamentotradicional, pois a tendência da sociedade contemporânea é cada vez mais a utilização do chamado
 
 
2
“dinheiro virtual”. Cada vez mais o cartão de crédito ganha espaço na sociedade. Além disso,bancos, financeiras, cooperativas de crédito, etc. concorrem no mercado criando uma variedade deprodutos e serviços financeiros para atender os diferentes segmentos da população. Portanto,busquei compreender como o penhor sobrevive e se insere nas estratégias financeiras dos sujeitosem relação a este novo cenário de oferta de crédito no mercado.
Objetivo do projeto
Construir um procedimento de coleta e tratamento de dados qualitativos para otimizar o conjunto detécnicas utilizadas para elaboração de uma etnografia.
Equipe envolvida
Apenas um pesquisador foi necessário.
Recursos tecnológicos utilizados no projeto
Aparelho de MP3 para gravação digital de áudio e um programa convencional de planilha eletrônicapara montar um banco de dados dinâmico a partir de entrevistas e observações coletadas.
Descrição do estudo, pesquisa ou aplicativo
O estudo sobre o penhor faz parte do projeto
 Me dá um dinheiro aí? Crédito e inclusão financeirasob a ótica de grupos populares,
que está sob a responsabilidade da Profª. Dra. Lúcia Helena AlvesMüller. O projeto iniciou em agosto de 2006 no Núcleo de Estudos de Empresas e Organizações(NEEO), do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, da Faculdade de Filosofia e CiênciasHumanas (FFCH), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).O tema do projeto
 Me dá um dinheiro aí?
são as políticas públicas de caráter econômico esocial, que utilizam os mecanismos financeiros como instrumentos de acesso ao crédito para apopulação de baixa renda, que vêm sendo adotadas pelo governo brasileiro como medidas para adistribuição de renda e promoção do desenvolvimento econômico. Políticas como: microcrédito,crédito pessoal, crédito consignado, crédito para servidores públicos, etc. O objetivo deste projeto é
 
compreender o contexto simbólico a partir do qual os indivíduos de classe popular estãoincorporando em suas vidas os novos mecanismos e recursos financeiros que lhes estão sendooferecidos, bem como os novos conhecimentos que esse acesso demanda e/ou proporciona.(MÜLLER, 2006).No âmbito desse projeto, entre agosto de 2006 e julho de 2007, trabalhei como Bolsista deIniciação Científica do CNPq no NEEO. Meu trabalho enfocou um dos instrumentos de créditodisponíveis à grande população: o penhor. No Brasil, esse serviço financeiro existe desde 1861, éoferecido pela CAIXA e tem sido apontado como uma das alternativas mais atrativas para apopulação, em função dos baixos juros cobrados.Partindo do pressuposto de que “colocar no prego” é uma prática que possui especificidadeseconômicas e simbólicas, em relação às novas modalidades de crédito oferecidas no mercado, namedida em que a transação envolve a avaliação de objetos. Pode-se supor que as jóias possuemmemórias, não são simplesmente coisas, são parte da história de vida das pessoas(STALLYBRASS, 2000). Para demonstrar essa hipótese, buscou-se uma técnica de pesquisaqualitativa, e que fosse agregado a utilização de recursos tecnológicos capazes de registrar de formaprática, eficaz e confiável os dados coletados. Neste sentido, foi necessário escolher umequipamento mais apropriado, disponível no mercado, de baixo custo, que seja possível registrar asentrevistas e transferi-las para um computador.
 
 
3
Com o aparelho de MP3
1
foi possível registrar os depoimentos dos entrevistados dapesquisa. O aparelho de MP3 possui algumas vantagens em relação aos gravadores de fitas K7. Aprincipal vantagem é que as entrevistas podem ser gravadas em um tempo maior, sendo capaz degravar mais de 100 horas sem interrupção nos aparelhos em que a memória virtual possua 1GB.Atualmente já existem modelos de aparelho MP3... 4, 5, 6, 7... com maior capacidade de memóriavirtual do que à apresentada e com mais funções. Outra vantagem do aparelho é que as entrevistasestarão disponíveis em arquivo digital e podem ser salvas em CD ou enviadas através de
e-mails,
reduzindo os custos com materiais de consumo.As entrevistas realizadas com aparelho de MP3 possibilitaram maior flexibilidade à técnicade coleta de dados, pois, ao contrário de um questionário
survey
, em que existem opções derespostas pré-definidas, onde o entrevistado deve selecionar àquelas que mais se enquadra, nãodando liberdade dele próprio elaborar suas respostas.Em vez de adotar um
survey
e uma técnica de entrevista tradicional (um roteiro deperguntas), optou-se por uma técnica que visasse uma “conversa livre”. O pesquisador somente teráque administrar a entrevista a partir de um roteiro de temas, que podem ser sugeridos durante aconversa com o entrevistado ou mencionadas pelo entrevistado durante essa conversa.Porém, as entrevistas gravadas devem ser transcritas (degravação), o que poderia aumentar operíodo de organização dos dados. A alternativa para esse problema foi elaborar um banco de dadosque fosse possível encontrar nas gravações o tema desejado para análise.O programa
Excel
(item do pacote
 Microsoft Office
) facilitou a consulta e a interpretaçãodos dados, através de planilhas contendo colunas, linhas e
células
dinâmicas. A escolha desseprograma, como banco de dados, teve como critérios: facilitar a manipulação, visualização ecomparação dos dados a partir de um grande painel dinâmico. Além disso, alguns recursos doprograma
Excel
possibilitaram maior agilidade no trabalho de análise.Para o programa
Excel
ficar no formato de um banco de dados que receba informaçõesqualitativas foi necessário uma
Configuração
adequada. A planilha eletrônica deve ser formatadapara receber textos. Para isso, deve-se selecionar toda a planilha e clicar o botão
Formatar – Célula – Alinhamento
para encontrar o alinhamento do texto para posição horizontal (selecionar
 Justificar)
e na posição vertical (selecionar
Superior).
Com estes comandos o texto fica adequado paravisualização na
célula
. Podendo também ser aumentado o tamanho da coluna e linha para melhorpreenchimento do texto na
célula.
Nas colunas localizadas na primeira linha da planilha eletrônica deverão ser colocados osnomes das variáveis em cada
célula
. É importante nomear a c
élula
A1 com o código, pois auxilia oregistro dos dados. Após isso, as
células
devem ser nomeadas com variáveis mais específicas dapessoa que foi entrevistada, como local da entrevista, data, horário, sexo, profissão, idade, religião,etc. Para melhor visualização, as células devem ser configuradas com cores distintas. Nas próximas
células,
onde os temas da pesquisa serão abordados, novamente terá o código de registro, mas agoracom a função de localizar o trecho da entrevista gravada no programa
 Media Player 
2
. Além disso,podemos citar algumas vantagens do procedimento de tratamento de dados a partir das seguintesconfigurações:a)
 
 Hyperlink 
- No banco de dados foi criado um código de registro que indica a localização exata(tempo de gravação) das entrevistas sobre o tema de interesse. Com o auxílio do recurso
 Hyperlink,
o código de registro acessava o arquivo digital de áudio, abrindo automaticamentequando clicado, isto é, o programa
 Media Player 
(este programa reproduzia as entrevistas quetinham sido gravadas e salvas no computador). Assim foi possível ouvir as entrevistas e registraro tempo da gravação, nas
células
do
Excel,
com o tema de interesse. Isso facilitou muito o
1
Tocador de música digital e rádio,
 pen drive
e gravador de som/voz.
2
Para comodidade do pesquisador, o fone de ouvido melhora a qualidade do som e aumenta a percepção da análise daentrevista. Ruídos externos deixam de atrapalhar a concentração.

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