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9 - Eike Batista

9 - Eike Batista

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06/21/2011

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Eike Batista:
“É preciso ter algum tipo de estresse”
 
O homem mais rico do Brasil diz como ganhou auto-estima com a mãe e aprendeu a arriscar nogarimpo.
Leonardo Souza
Com a Baía de Guanabara ao fundo de uma sala envidraçada, Eike Batista ajeita-se na cadeirapara conceder entrevista a ÉPOCA sobre as lições tiradas de sua carreira de sucesso. Antes de começar
a falar, verifica uma mensagem que chegara naquele instante em seu celular. “Acabamos de captar
US$ 2,5 bilhões em um bond (
certificado de dívida) lançado nos quatro continentes”, disse. Eike
comemora a notícia como sinal de solidez de sua empresa, o grupo EBX.O conglomerado inclui mineração de ferro, exploração de petróleo, geração de energia,construção de navios e operação portuária em grande escala. Os negócios têm valor estimado em US$43,6 bilhões. Eike, que começou como vendedor de seguros, chega aos 54 anos como a pessoa maisrica do Brasil (e a oitava do mundo), com um patrimônio avaliado em US$ 30 bilhões, segundo arevista Forbes. O que um empreendedor tão bem-sucedido tem a dizer aos jovens talentos? Suas dicaspodem ser resumidas em quatro tópicos.
• É preciso ter algum tipo de estresse em sua vida que o mova a ganhar dinheiro.
 
• Persistência e disciplina. Fracass
ar não é nenhuma vergonha, desde que decentemente, honrandotodas as suas dívidas.
• Invista em qualificação. Quem não fala inglês ganha 40% menos.
 
• Faça estágio em empresas do mundo real. A prática vale mais do que um MBA no exterior.
 Eike não esconde o
desejo de ser o homem mais rico do mundo. “Nós temos o melhor jogador defutebol do mundo, a melhor mulher do mundo, por que não o maior empreendedor do mundo?” Ele diz
como pretende chegar lá, em entrevista a ÉPOCA
ENTREVISTA - EIKE BATISTAQUEM ÉEmpresário radicado no Rio, dono do grupoEBX. Tem a oitava maior fortuna do mundo(US$ 30 bilhões em patrimônio, segundo arevista Forbes)O QUE FEZConstruiu um conglomerado cujasempresas de capital aberto valem hoje US$43,6 bilhões e que se estendem deexploração de óleo e gás a minas decarvão. Foi casado com a ex-modelo Lumade Oliveira, com quem tem dois filhosÉPOCA
Por que o senhor virou empresário?Eike Batista
Pela vontade de todo ser humano de criar sua independência financeira. Ganhardinheiro, independentemente da vontade dos pais. Acho que todo mundo começa assim. No meu caso,quando meus pais voltaram da Europa, eu tinha 18 anos. Eu e meu irmão mais velho ficamos naAlemanha, e a mesada não dava para pagar todas as contas até o final do mês. Então, fui buscar umaforma de ganhar dinheiro, um extra para pagar as contas. Esse foi o primeiro estresse importante naminha vida. Eu recomendo a todo mundo: é preciso ter algum tipo de estresse. Aí fui vender segurosde porta em porta. Foi um aprendizado muito bacana, porque portas abriam, portas não abriam.Aprendi a conversar, a falar. Me vender, né? Qualquer empreendedor tem de saber vender uma ideia.
 
ÉPOCA
Quem lhe serviu de inspiração?Eike
Ninguém. Talvez uma coisa muito importante da minha mãe, o carinho, a maneira que ela me
motivava. Ela curiosamente me chamava de “bundinha de ouro”. É esse negócio de injetar autoestima
na criança, e não fazer o contrário, porque muitas vezes os filhos trazem notas ruins. Seu filho,eventualmente, não vai ser um bom matemático, mas não precisa ser um engenheiro. Se ele tivervocação para outra coisa, puxe pela vocação dele, sempre elogiando. Acho que o elogio que eu recebi
da minha mãe, esse negócio da autoestima, me formou um cara, assim, “eu sei voar”. E nós, quando
somos jovens, achamos que sabemos voar. Ninguém melhor que pai e mãe para embutir essasementinha da autoestima. Minha mãe embutiu em mim de uma maneira extraordinária. Até porque,até meus 20 anos, eu praticamente não convivi com meu pai. E, dos 20 aos 30, nunca pude misturarnada dos meus negócios com os da Vale, porque ele foi muito rígido com isso. (O pai de Eike, EliezerBatista, foi presidente da Vale.)
ÉPOCA
Alguém lhe deu algum conselho ou disse algo marcante?Eike
Não, nada. Essencialmente, o que me marcou foi a vontade ferrenha de ganhar dinheiro, pagarminha conta. Quando você precisa pagar, você olha as coisas mais imediatas que pode fazer e correatrás. É um processo imediatista, não é visionário.
ÉPOCA
Como o senhor começou?Eike
Comecei a comercializar diamantes e tentava vender carne enlatada. Eu era um intermediador,ganhava uma comissão. Tinha um amigo no Brasil que fazia a parte daqui, e eu buscava oscompradores fora. Tinha uns 19 ou 20 anos. E, aí, quando eu voltei para o Brasil, com 21 ou 22 anos,li numa manchete que estava acontecendo uma corrida do ouro na Amazônia. Não foi Serra Pelada, foiantes. Aí decidi fazer uma visita a Itaituba, no Pará, que era um centro nervoso das operações delogística do ouro da Amazônia. Enxerguei ali uma oportunidade e virei comprador de ouro, vendendodepois em São Paulo e no Rio de Janeiro. Foi aí que comecei a me estruturar. Montei uma empresa decompra e venda de ouro, chamada Autram, e já tinha meu sol inca como símbolo, que está em todosos meus negócios. Cheguei a ter 60 compradores de ouro. Em um ano e meio, cheguei a comprar US$60 milhões em ouro e fiquei com 10% desse dinheiro. Ganhei US$ 6 milhões. Aí veio um lado curioso:eu não tinha sido roubado, não tive acidentes, mas a margem, que era de 10% líquida, começou acair, porque começou a entrar concorrência.
ÉPOCA
Foi aí que o senhor decidiu comprar garimpos?Eike
Sim. E então veio um lado muito engenheiro da minha vida. Eu sabia que tinha ouro. Compreias terras, tomei posse, e junto com as terras vieram as concessões minerais. Contratei uma empresacanadense para furar. Se colocasse a máquina para funcionar, teria margens líquidas de 80%. Como
sempre chamei, “uma mina à prova de idiota”. Uma mina rica que aguentava pagar todos os meus
desaforos. De fato, a mina estava 100 quilômetros fora da estrada, não tinha água, não tinhaacampamento, nada. Eu fiz uma ponte aérea. Desmontava um trator aqui e remontava dentro damina. Combustível, mantimentos, você cria uma cidade. É um negócio logístico brutal. Como você émeio autossuficiente, tem de tomar conta de tudo sozinho, daí vem a cultura de a gente pensarsempre de forma holística. E a mina era tão rica que pagou a conta toda. Quando começou afuncionar, passou a gerar US$ 1 milhão por mês. O que eu aprendi? A funcionar de forma diferente. Eupodia ter quebrado nessa empreitada.
ÉPOCA
Como o senhor explica o fato de ter alcançado o sucesso tão jovem?Eike
Eu diria que sou muito persistente. É como uma corrida de maratona, você tem de tentar denovo, não desistir na primeira. Tem de insistir, o que implica disciplina. Minha mãe me educou assim.Eu tive asma com 10 anos. Ela me botava numa piscina para nadar, e eu literalmente curei minhaasma. A disciplina me trouxe a solução. Uma coisa muito boa para os jovens é o autodesafio. Porexemplo, esporte. Que seja uma caminhada de 2 quilômetros. Não precisa ser uma maratona, maspelo menos coloca uma meta. Ter meta com disciplina é uma coisa muito bacana para a formação.
 
ÉPOCA
Qual é o papel dos jovens no futuro do Brasil?Eike
No nosso roadshow (a captação de recursos no exterior feita pela OGX, empresa da área depetróleo e gás) , metade das quatro equipes tinha menos de 27 anos. Nossa tropa de elite mais velhasão veteranos da Petrobras. E essa tropa de elite só vai buscar uma nova tropa de elite (mais jovem) .Competência traz competência. Fiquei fascinado com a garotada nesse roadshow. O futuro é dageração nova. E eles estão preparados.
 “Ela (sua mãe) me motivava. Me chamava de „bundinha de ouro‟. Ninguém melhor que pai e mãe paraembutir essa sementinha de autoestima” 
 
ÉPOCA
As novas gerações vão suplantar essa tropa de elite mais velha?Eike
Vão suplantar. Tem uma garotada extraordinária aí. E nós fomentamos isso. Temos muitosestagiários aqui, e a vontade da turma sênior é passar isso para a garotada.
ÉPOCA
A qualidade do ensino no Brasil é suficiente para formar empresários?Eike
Há escolas extraordinárias e ensino mais que suficiente para atender às necessidadesbrasileiras sem precisar treinar lá fora. Os executivos brasileiros foram treinados na guerra nos últimos20 anos. Os americanos ficaram preguiçosos.
ÉPOCA
Fracassos do passado serviram para corrigir a rota que lhe permitiu chegar até aqui?Eike
Sim. Primeiro porque um choque de humildade é sempre bom. Segundo, se você passar peloprocesso de fechar uma empresa, mas pagar aos bancos direitinho, remunerar direito seusfuncionários, você será benquisto para voltar para o mercado. Isso é muito importante. Fracasso não éuma coisa feia. Você pode tentar cinco vezes. Vários bilionários americanos fracassaram muito antesde acertar. Não é vergonha, partindo do princípio de que você encerrou sua operação da maneiracorreta.
ÉPOCA
Fracassar com honestidade.Eike
 
Isso. No Brasil, tinha muito aquele negócio de “a empresa quebrou, mas na pessoa física o c
ara
ficou bem”. Aí não. Se você quebrou, honre tudo com seus bens e eventualmente o sistema vai te dar
uma segunda chance. Essa é uma lição muito importante para os empresários brasileiros: fechem seusnegócios com decência.
ÉPOCA
Que lição passaria aos jovens?Eike
Qualifiquem-se para ganhar mais. Por isso eu falo inglês. Se você fala inglês, ganha 40% amais. Fazer estágio em empresas do mundo real muitas vezes é mais importante que fazer um MBA láfora. Deixa o MBA para mais tarde. Uma das grandes razões para o meu sucesso é que parti para omundo real muito cedo. O mundo real é que paga a conta. Ali é que você sente se acontece ou não.
ÉPOCA
Por que o senhor quer ser o homem mais rico do mundo?Eike
Isso é uma bobagem. Eu sempre fui muito competitivo. Corri de lancha. Aí os paulistas medesafiaram lá em Angra dos Reis a correr de lancha. Entrei no circuito e ganhei o campeonatobrasileiro. Aí disseram que correr aqui era muito fácil. Corri lá fora, ganhei o mundial e o campeonatoamericano. Parei porque não queria morrer. Sou muito competitivo. Esse negócio de ser o primeiro vaiser consequência das coisas que já construí. Eu estou aqui fazendo uma previsão do que vai acontecerem 2015 por coisas que eu já construí.
ÉPOCA
Ser o homem mais rico, então, seria consequência do que existe hoje?Eike
Consequência do que já está montado hoje. Os US$ 2,5 bilhões que entraram hoje sórepresentam mais um pilar dessa história. Nós temos o melhor jogador de futebol do mundo, a melhormulher do mundo, por que não o maior empreendedor do mundo?

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