Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
22Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Hannah Arendt_ Banalidade Do Mal

Hannah Arendt_ Banalidade Do Mal

Ratings:

1.0

(1)
|Views: 2,875 |Likes:
A Banalidade do Mal
Ricardo Gomes Ribeiro1 Uma filósofa e teóloga, enviada para descrever o que estava vendo entrou em choque com a esperança da comunidade judaica ao ler o relato sobre o ocorrido. Nunca se chegaria à dimensão que o horror nazista obteve com a divulgação de uma condenação extrema em Jerusalém. O que a comunidade queria era um castigo midiático, tão forte quanto o horror sofrido, mas isto seria impossível. O crime e o julgamento foram dois fatos diferentes e isolados, apesar da c
A Banalidade do Mal
Ricardo Gomes Ribeiro1 Uma filósofa e teóloga, enviada para descrever o que estava vendo entrou em choque com a esperança da comunidade judaica ao ler o relato sobre o ocorrido. Nunca se chegaria à dimensão que o horror nazista obteve com a divulgação de uma condenação extrema em Jerusalém. O que a comunidade queria era um castigo midiático, tão forte quanto o horror sofrido, mas isto seria impossível. O crime e o julgamento foram dois fatos diferentes e isolados, apesar da c

More info:

Categories:Types, Research, Science
Published by: Ricardo Gomes Ribeiro on Jun 22, 2011
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/10/2013

pdf

text

original

 
A Banalidade do Mal
Ricardo Gomes Ribeiro
1
Uma fisofa e teóloga, enviada para descrever o que estavavendo entrou em choque com a esperança da comunidade judaica aoler o relato sobre o ocorrido. Nunca se chegaria à dimensão que ohorror nazista obteve com a divulgação de uma condenação extremaem Jerusalém. O que a comunidade queria era um castigo midiático,tão forte quanto o horror sofrido, mas isto seria impossível. O crime e o julgamento foram dois fatos diferentes e isolados, apesar da causa, econseqüência terem sido a mesma,
o holocausto
. Passou pela autora acapacidade de abstrair dos crimes cometidos por todo o regime e fixar-se apenas naqueles cometidos pelo réu em questão (Adolf Eichmann).Não era a intenção da autora escrever um tratado a respeito do“mal”. A banalidade apontada remete a questão do comandante nazistaem questão tratada no livro. Era necessário trazer a questão jurídicaimplicada no comportamento do estado do regime totalitário, que ocidadão em questão e todo o comando nazista; julgava, condenava eaplicava a pena sem parâmetros claros e plausíveis. E então a partir daí segue-se grandes reflexões, estas, com uma urgência filosófica, muitomais que psicológica, tentando perceber talvez um aspectoantropológico a um comportamento tão absurdo.No centro do tema esa queso moral, quanto ao aspectonormativo até eno entendido em nossa sociedade com nossosvalores. Um mundo aparentemente à parte surgia dentro na concepçãototalitária. Não há discussão quanto a percepção de que o “homemnazista”, entendia a violência abusiva como um ato corriqueiro enecessário para a manutenção do regime de governo. O automatismo edisciplina militar baseado na credulidade do sucesso dos novos valoreséticos da permanência exclusiva sociobiológica de uma raça, faziadesses soldados pessoas envolvidas fanaticamente sem a capacidade
1
Mestrando Filosofia Política. PUCRS.
 
de pensar no ato, simplesmente tomado pelo aparente estado de podere idealismo. Esta Incapacidade de pensar leva a incapacidade de julgar.Para Hannah Arendt, o pensar que está ligado a inteligência, aonde ohomem com sua capacidade inteligente, vai além dos limites do supra-sensível, pois com o poder do cérebro busca o conhecer e o fazer. “Kantdeixou o legado da razão para a posteridade, baseado na e nametasica, com a rao abriu espo, o para a , mas para opensamento e o conhecimento
2
. Nisto observa, a autora que ainteligência poderia ou não estar ligado ao “mal”, mas o pensar quecom momentos de estupidez, não raro para pessoas inteligentes, seriacapaz de proporcionar o “mal”. A
Opacidade da razão
, caracterizada porpensamento distante dos princípios morais do que se entende porbondade e solidariedade humana no aspecto da vida como entidadehumana. Uma opacidade que torna os seres responsáveis pelo terror epelo mal, insensíveis, com ausência do pensar. A descartabilidade doser humano característica do regime, exe uma comprovadapercepção de que a falta da razão e a ausência do pensar estavampresentes, muito mais do que a moralidade. Ora, se a moralidade é decerta forma, um sentido normativo, pode-se constatar então que existiavalores até eno desconhecidos, que descobriram uma novamoralidade, partindo do princípio de que a moralidade comnormatividade ética estabelece padrões de um povo e de uma cultura,e a partir dos prinpios da autonomia, esligado ao homem quelegisla pra si as normas a serem seguidas, pois um ser autônomo é oser que se auto-governa. Se o regime totalitário seguia princípios evalores estabelecidos pelo próprio povo, enganado ou o pelaestratégia propagandística, dentro de uma perspectiva de que estesvalores eram coerentes sociobiologicamente, então estes seriam osprincípios morais, e a questão então não é o julgamento da moralidade,mas o julgamento da razão e do pensar, e onde isto interfere no motivopara a produção de armas de destruição humana, onde a vida e a
2
 
ARENDT, Hannah.
Responsabilidade e Julgamento.
2008, p. 231.
 
morte, a dignidade e a indignidade passaram a ser desprezados pelosprincípios morais entendidos como corretos pelo regime, que acreditavaem uma raça superior, e o prinpio do racismo que estabelece o
continuum
biológico da espécie humana.As armas de destruão que proporciona o terror em nossacivilização com a ruptura de tudo o que se entendia e se acreditava atéentão, traziam a pena sem culpa, onde o julgamento de que outrasraças eram a desgraça da humanidade, o convencimento desta verdadepassou a isentar a culpa pelos atos de terror e do mal. Tornando banal oassassinato igual a uma rotina automática dentro de uma engrenagemque funcionava em uma burocratizão como uma quina deextermínio, e o homem, comandante destes crimes seria a engrenagemnessa máquina, passível de substituição, para que a máquinacontinuasse funcionando perfeitamente ao trocar um dente desajustadopor outro mais adequado.Com uma idéia de que a hierarquia das raças e a pureza dosangue seria a principal fonte inspiradora do ideal, a regra moral entrouno pensamento alemão como uma saída para a nova nação superior. Osentido do domínio biológico de pensar leva a um desmoronamento depadrões jurídicos, e aparecem aí os criminosos simples, queestabelecem na sua rotina burocrática o extermínio e o mal feito de umpadrão, moral legal e sociobiogico deturpado, comandado porcriminosos inteligentes, que com a astúcia da razão estúpida fazem do“malum ato corriqueiro sem auto-julgamento do pensar. oentendendo a dimensão da destruição e terror que, seria avassaladorapara a eternidade de nossa civilização, fazem daquele momento uminstante congelado de violência contra a humanidade e ruptura com osvalores morais e jurídicos até então entendidos como corretos.A banalidade desta violência terrível exercida pela burocratizaçãode uma rotina diária de extermínio e incineração de corpos, presente namente desses criminosos é um exemplo do que se espera dahumanidade, caso não se perceba onde encontram-se os motivos e

Activity (22)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
rochafer08 liked this
Luis02Santos liked this
Heider Carlos liked this
Kit Menezes liked this
ze_n6574 liked this
Amanda Ostetto liked this
Iolly Aires liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->