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Moreira Lucia o Narrador Tecendo as Malhas Narrativas

Moreira Lucia o Narrador Tecendo as Malhas Narrativas

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O Narrador tecendo as malhas narrativas, musicais elingüísticas na minissérie
Os Maias
Lúcia Correia Marques de Miranda Moreira
Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina
Índice
Este texto foi produzido originalmente, sofrendoalgumas pequenas adequações, para integrar-se a umaobra de maior fôlego acerca da minissérie
Os Maias
exibida pela Rede Globo de Televisão em 2001. Aobra analisa mais detalhadamente a minissérie, aquiabordamos apenas uma possibilidade de configuraçãodo narrador em uma narrativa audiovisual. (cf. MOR-EIRA, Lúcia C. M. de M. e FLORY, Suely F. V.(2006)
Uma leitura do trágico na minissérie Os Ma-ias
– a funcionalidade dos objetos na trama ficcional.São Paulo: Arte&Ciência.)
Lúcia Correia Marques de Miranda Moreiraé Doutora em Letras pela Universidade EstadualPaulista “Júlio de Mesquita Filho”; Especialista –Centre de Linguistique Appliquée (CLA) Besançon-France; atualmente é professora colaboradora do Pro-grama de Pós-Graduação em Comunicação da UNI-MAR, professora do curso de Graduação, Comuni-cação Social, da Faculdade Estácio de Sá de SantaCatarina e professora do curso de Graduação, MídiaEletrônica, da Associação de Ensino de Santa Cata-rina.
6 A melodia da tragédia107 Referências13Há muitas maneiras de contar histórias,mas um aspecto é inevitável em todos os mo-dosemeiosdecontarhistórias, apresençadequem assume o entreter dessas malhas, umponto de vista e a vista de um ponto... o nar-rador.Diante de uma narrativa tradicional, comoaquela que configura a elaboração de um ro-mance, o narrador vai se delineando pelas enas palavras, num vocabulário peculiar quevai desvelando a sua posição dentro ou forada história que está contando. E assim vaientretendo e entretecendo os fatos, os per-sonagens, enfim, construindo cenários, ce-nas, ambientes, revelando momentos das vi-das verossímeis de personagens que se pare-cem com a vida real de cada um, já quevivem fatos muito semelhantes àqueles quecaracterizam a vida humana. Assim, falardo narrador é falar do discurso propriamentedito.O romance realista, no século XIX, ex-plorou como poucos alguns pontos impor-tantes da verossimilhança. Os romancis-tas dessa época tinham um propósito muito
 
2 Lúcia Correia Marques de Miranda Moreiraclaro: trazer a vida real para dentro das pági-nas dos livros que, ao entreterem, tambémdeveriam desempenhar uma outra função so-cial: desvelar, denunciar as mazelas soci-ais por trás do “manto diáfano da fantasia”!Quer dizer, os romances realistas traziamtodos os aspectos que competem a umaobra ficcional – personagens, fatos, espaçoe tempo criados, inventados – a fantasia; e,por outro lado, procuravam atribuir a todosesses elementos um tom tão real quanto pos-sível, delineando uma proximidade com asangústias, as dúvidas, as vitórias e os fracas-sos individuais e coletivos. Tanto assim, queesses romances acabavam por se caracterizarcomo uma verdadeira entrada na casa e naconsciência de cada um.Roland Bourneuf e Real Quellet, em
OUniverso do Romance
, confirmam os aspec-tos ficionais e reais/verossímeis deste tipo deobra:(...) heróis fictícios, figuras históri-cas, intrigas fabricadas, batalhasverdadeiramente travadas, as-pirações confusas, ambições,filosofia de vida... “Romance”,portanto, identifica-se de imediatoa “lazeres”, a “fériasdo corpoe da imaginão, a “divero”no sentido de que nos afasta davida real para nos imergir nummundo ficcio. Na realidade,talvez o romance permita atingirmelhor a realidade e conhecê-laprofundamente, mas para o leitorvulgar o romance é, em primeirolugar, uma história complexa einverossímil, encontros miracu-losos, heróis demasiado perfeitose heroínas demasiado belas paraserem verdadeiros. (1976: p. 5)O romance, portanto, sempre se erigiuneste meio complexo e conflituoso en-tre o real e a ficção – “
Fiction
( ficção),dizem os anglo-americanos; “iluo”poderíamos traduzir sem grande infideli-dade.” (BOURNEUF, QUELLET, 1976. pp.5-6)Temos então que o romance, no séculoXIX, transformou-se na mais importante emais complexa forma de expressão literáriados tempos modernos, visto que o entreten-imento romanesco agora interessava-se maispela psicologia, os conflitos sociais, políti-cos. O romance passou a ser também um es-paço privilegiado para a reflexão filosófica,para o estudo da alma humana e das relaçõessociais, bem como para a reportagem.Neste contexto, vale pensar um poucoacerca da estruturação dessa forma de ex-pressão literária, acerca da “instância auton-omizada que produz intratextualmente o dis-curso narrativo” (AGUIAR e SILVA, 2002:p. 255). O texto narrativo pressupõe umainstância doadora do discurso: a mediação.Podem-se verificar, no texto narrativo, cer-tas marcas verbais identificadoras do tipoou tipos de narrador/enunciador ali presente.No entanto, é conveniente lembrar que, as-sim como os outros aspectos subjacentes àestrutura da narrativa, o narrador também éum objeto de criação, também é uma criaturafictícia, produto de um autor textual que seresponsabiliza pela, digamos, paternidade dotexto.Assim, o emissor de um texto narrativopode ser compreendido como uma instânciana qual se reconhecem três faces: a do
poeta
(cria, do ponto de vista estético), a do
autor 
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O Narrador tecendo as malhas narrativas, musicais e lingüísticas na minissérie Os Maias
3(assume a “paternidade” do texto literário)e a do
escritor 
(concretiza no papel o uni-verso imaginário presente nas outras instân-cias). Ora, assim, o narrador, uma criaturafictícia, é resultado de um discurso que se or-ganiza considerando as faces de um emissorque a produz, onde se identificam postura es-tética e ideológica inerentes ao seu criador.As relações entre o narrador e o universodiegético
1
consolidam-se no
foco narrativo
2
através do qual se reconhecem as escolhasdiscursivas do narrador, a sua posição dianteda história que conta. As relações entre onarrador e o receptor ficam assim estabeleci-das por estas escolhas.Quando se conta uma história, tem-se umintuito, ou vários intuitos: convencer, en-treter, justificar, exemplificar... enfim, por-tanto é importante moldar a “voz” que irá(re) velar as intenções inerentes a ela. ainda outro aspecto relevante a considerarpara delinear os caminhos narrativos que onarrador irá utilizar: trata-se do
meio
pelo
1
Diegese: trata-se de um termo usado por GérardGenette para distinguir a
história
(diegese – “o sig-nificado ou conteúdo narrativo”), da
narrativa pro- priamente dita
(“o significante enunciado, discursoou texto narrativo em si mesmo”) e da
narração
(“oato narrativo produtor e, por extensão, o conjunto dasituação real ou fictícia na qual se situa”). A
diegese
não tem existência própria, autônoma, só adquire ex-istência através do discurso do narrador e assim essaexistência é inseparável da natureza e dos caracterestécnicos desse discurso. A
diegese
de uma narrativaaudiovisual nunca será igual à
diegese
do romance doqual foi extraída, por mais fiel que se pretenda a adap-tação da obra escrita refletida na criação fílmica. (Cf.Vítor Manuel de Aguiar e Silva.
Teoria e Metodolo-gia Literárias
. Lisboa : Universidade Aberta, 2002)
2
Ponto de vista e foco narrativo
: terminologia uti-lizada pela crítica européia e norte-americana;
focal-ização
: termo proposto por Gérard Genette (cf. VítorManuel de Aguiar e Silva.
A estrutura do romance
. 3ed. Coimbra: Almedina, 1974.)
qual o narrador fará a
mediação
! Se o meiofor o livro – especificamente o romance –o narrador é puro discurso verbal que noslevará a devaneios imaginativos permeadospelo verbal e pelo não verbal; se o meio fora TV, o narrador é um
operador de lingua-gens
que aciona no receptor diversos senti-dos ao mesmo tempo (visão, audição), al-imentadores dos nosso meandros imagina-tivos, talvez um pouco mais passivos do quequando lemos as páginas de um romance...Na narrativa audiovisual, temos oato de narração, que compete aonarrador (o responsável pela or-ganização da história), compartil-hado. Se num romance conven-cional temos um narrador identi-ficável nos rumos da história e noponto de vista apresentado, de umfilme (ou qualquer produção nar-rativa audiovisual) não podemosdizer a mesma coisa. Há que con-siderar o papel do roteiro e da di-reção do filme propriamente dito, já que a história, no formato au-diovisual, chega ao leitor/receptor(e/ou destinatário) como resultadode um ato narrativo que passoupelo compartilhar de vários op-eradores de linguagens. (MOR-EIRA, Lúcia C. M. de M. “Narra-tivas literárias e narrativas audio-visuais” in FLORY, Suely F. V.(org.).
Narrativas ficcionais
: daliteratura às mídias audiovisuais.o Paulo: Arte & ao Ciência,2005, p. 29)
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