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JORNALISMO IMPRESSO II - Rubem Braga, o cronista eternizado nas páginas dos livros

JORNALISMO IMPRESSO II - Rubem Braga, o cronista eternizado nas páginas dos livros

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Published by Gian Cornachini
Trabalho de Jornalismo Impresso II sobre Rubem Braga, o mestre das crônicas. Contém uma análise de duas crônicas do autor.
Trabalho de Jornalismo Impresso II sobre Rubem Braga, o mestre das crônicas. Contém uma análise de duas crônicas do autor.

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIROCURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
 – 
JORNALISMODISCIPLINA:
JORNALISMO IMPRESSO II
 DISCENTE:
GIAN CORNACHINI
 PROFESSOR:
IVANA BARRETO
 Rubem Braga: o cronista eternizado nas páginas dos livros
Biografia
Rubem Braga, considerado por muitos como o maior cronista brasileiro desdeMachado de Assis, filho de Francisco de Carvalho Braga e Rachel Cardoso Coelho Braga,nasceu em 12 de janeiro de 1913, na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo.Quando fazia o ginásio, naquela cidade, o jovem Rubem Braga revoltou-se com um professorde matemática que o chamou de burro e pediu ao pai para sair da escola.Em 1928, começa a escrever, já como cronista, no jornal
Correio do Sul
, fundadopor seus irmãos Jerônimo e Armando, em sua cidade natal. No mesmo ano, sua família oenviou para Niterói, onde tinha alguns parentes, para estudar no Colégio Salesiano,concluindo, assim, o curso secundário. No ano seguinte, matricula-se na Faculdade deDireito do Rio de Janeiro e cursa os dois primeiros anos.Em 1931, transfere-se para Belo Horizonte, Minas Gerais, e conclui o curso lámesmo, em 1932. No início do mesmo ano, publica, no
Diário da Tarde
, sua primeirareportagem e passa a escrever crônicas e cobrir a Revolução Constitucionalista para osDiários Associados
 –
com isso, conheceu Juscelino Kubitschek de Oliveira e Adhemar deBarros. Como os Diários eram favoráveis à revolução e seus artigos eram censurados, RubemBraga acabou sendo preso, aos 19 anos, sob a acusação de espionagem.Após ser solto, mudou-se, em 1933, para São Paulo e começa a escrever crônicaspara o
Diário de São Paulo
e tem como colegas no trabalho Antônio de Alcântara Machadoe Mário de Andrade, dos quais se tornam grandes amigos. Alcântara Machado, ao se mudar
para o Rio de Janeiro, em 1935, convida Rubem Braga para trabalhar no “Diário da Noite”.
Após a morte precoce de Machado, ainda no mesmo ano, Braga transfere-se para Recife,Pernambuco, trabalhando na página policial do Diário de Pernambuco. Lá, funda o jornal
 
“Folha do Povo”, anti
-getulista. Logo após, muda para Porto Alegre e acaba retornando aoRio de Janeiro, empregando-
se no jornal de esquerda “A Manhã”.
 Na onda de repressão que sucedeu a tentativa de golpe comunista em 1935
 –
 retratada p
or Rubem Braga em crônicas como “Diário de um subversivo”, “Era uma noite deluar” e “Os perseguidos” –
 
o jornal “A Manhã” é fechado, fazendo, assim, de Rubem Braga
desempregado. No entanto, em 1936, com 22 anos, Braga publica, pela Editora José Olympio
“O
 
Conde e o Passarinho”
, seu primeiro livro, que reúne crônicas selecionadas. Na crônica
título, escreveu: “
 A minha vida sempre foi orientada pelo fato de eu não pretender ser conde.
O livro é recebido com entusiasmo pelo público, marcando o início de uma carreiraúnica na literatura brasileira: a do cronista que deixa as páginas efêmeras dos jornais paraeternizar suas crônicas em livros.Rubem Braga começou a passar anos difíceis na vida profissional. Entre 1936 e1944, arrumava empregos esporádicos em jornais de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e SãoPaulo, sempre fugindo da repressão do Estado Novo. Em 1936, na capital mineira, casou-secom Zora Seljan Braga, de quem se desquitou posteriormente, tendo tido apenas seu únicofilho Roberto Braga. Em 1944, foi enviado à Europa como correspondente de guerra do
“Diário Carioca”. Acompanhou a Força Expedicionária Brasileira na Itália até o fim da
Segunda Guerra Mundial.
Retornando ao Brasil, publicou o livro “Com a FEB na Itália”, que
reuniu suas melhores crônicas do período. Através desse livro, que fez muito sucesso,Rubem Braga consagrou-se, definitivamente, como um grande escritor brasileiro.Nos anos seguintes, o cronista passou trabalhando em jornais no Rio de Janeiro eem São Paulo. Suas constantes viagens e
ntre as duas cidades aparecem na crônica “Umbraço de mulher”, passada na ponte aérea. Braga cobriu a primeira eleição de Juan Perón,na Argentina, em 1946 e, no ano de 1950, trabalhou como correspondente do “Correio daManhã” em Paris, capital da França. Em 1955, foi nomeado chefe do “Escritório Comercialdo Brasil”, em Santiago do Chile, mas permaneceu no cargo apenas alguns meses,
retornando ao Brasil e ao jornalismo. Em 1956, Rubem Braga cobriu a reeleição dopresidente Eisenhower, nos Estados Unidos.Na década de 1960, fundou, junto ao amigo Fernando Sabino, a Editora Sabiá eserviu como Embaixador do Brasil em Marrocos, na África, mas nunca se afastou do jornalismo. Fez reportagens sobre assuntos culturais, econômicos e políticos na Argentina,Estados Unidos, Cuba e outros países.
 
Em 1975, Rubem Braga foi contratado pelo departamento de jornalismo da “TVGlobo”, onde permaneceu até o final de sua vida.
Na noite de segunda-feira, 17 dedezembro de 1990, o escritor reuniu um pequeno grupo de amigos, em sua cobertura naRua Barão da Torre, em Ipanema, em Rio de Janeiro, capital. Foi uma visita silenciosa, masmuito bem subentendida pelos amigos Moacyr Werneck de Castro, Otto Lara Resende eEdvaldo Pacote. Na quarta-feira, dois dias após a reunião, Rubem Braga morreu, às 23h30,sedado em um quarto do Hospital Samaritano, sozinho como desejou e pediu aos amigos.As lembranças da infância em Cachoeiro de Itapemirim, cercadas de lirismo,refletem nas crônicas de Rubem Braga. Nos textos
como “Praga de menino”, “Lembrança deZig” ou “O Cajueiro”, narrados na primeira pessoa,
reconta sua infância na cidade natal demaneira
explícita e amorosa. Em outros, como “Tuim criado no dedo” e “Negócio deMenino”,
as personagens infantis são memórias de quando o cronista era um garoto caçadorde passarinhos.
Análise das Crônicas- 1 -
 A menina Silvana - Rubem Braga, fevereiro de 1945
Um camponês velho deu as informações ao sargento: Silvana Martinelli, 10 anos de idade.
 
 A menina estava quase inteiramente nua, porque cinco ou seis estilhaços de uma granadaalemã a haviam atingido em várias partes do corpo. Os médicos e os enfermeiros, acostumados acuidar rudes corpos de homens, inclinavam-se sob a lâmpada para extrair os pedaços de aço quehaviam dilacerado aquele corpo branco e delicado como um lírio - agora marcado de sangue. Acabeça de Silvana descansava de lado, entre cobertores. A explosão estúpida poupara aquela pequena cabeça castanha, aquele perfil suave e firme que Da Vinci amaria desenhar. Lábioscerrados, sem uma palavra ou um gemido, ela apenas tremia um pouco - quando lhe tocavam num ferimento contraía quase imperceptivelmente os músculos da face. Mas tinha os olhos abertos - equando sentiu a minha sombra ergueu-os um pouco. Nos seus olhos eu não vi essa expressão decachorro batido dos estropiados, nem essa luz de dor e raiva dos homens colhidos no calor docombate, nem essa impaciência dolorosa de tantos feridos, ou o desespero dos que acham que vãomorrer. Ela me olhou quietamente. A dor contraía-lhe, num pequeno tremor, as pálpebras, como se aluz lhe ferisse um pouco os olhos. Ajeitei-lhe a manta sobre a cabeça, protegendo-a da luz, e elavoltou a me olhar daquele jeito quieto e firme de menina correta.

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