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STONE, Lawrence. O Ressurgimento Da Narrativa

STONE, Lawrence. O Ressurgimento Da Narrativa

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O RESSURGIMENTO DA NARRATIVA: REFLEXÕES SOBRE UMANOVA VELHA HISTÓRIA
Lawrence Stone
1
IOs historiadores sempre contaram estórias
2
. Desde Tucídidese Tácito a Gibbon e Macaulay, a composição de uma narrativa emprosa viva e elegante sempre foi considerada como sua maiorambição. A história era vista como um ramo da rerica. Nosúltimos cinquenta anos, pom, essa fuão de contar esriasadquiriu uma reputação negativa entre os que se consideram a simesmos na vanguarda da profissão, os praticantes da chamada"nova história" do período posterior a Segunda Guerra Mundial
3
. NaFraa, o contar estórias foi desqualificado como "historieévénementielle". Agora, pom, vejo sinais de uma tendênciasubternea que vem atraindo muitos "novos historiadores"importantes de volta para alguma forma de narrativa.Antes de iniciar um exame das indicações de tal mudança ede avançar algumas especulações sobre suas possíveis causas,seria melhor esclarecer uma rie de coisas. A primeira é aacepção em que aqui se entende a "narrativa”
4
.A narrativa aquidesigna a organização de materiais numa ordem de sequênciacronogica e a concentrão do contdo numa única esriacoerente, embora possuindo sub-tramas. A história narrativa sedistingue da história estrutural por dois aspectos essenciais: suadisposição é mais descritiva do que analítica, e seu enfoque central
1
 
Sou muito grato à minha mulher e meus colegas, os professores Robert Darnton.Nalalie Davis. Felix Gilbert. Charles Gillispie. Theodore Rabb, Carl Schorske e muitosoutros, pelas valiosas críticas a um esboço inicial desde artigo. Aceitei a maioria dassugestões, mas a responsabilidade pelo produto final cabe apenas a mim.
2
Utiliza-se nesta tradução o pouco consagrado "estória", para manter a distinção coma “história", conforme o uso de
 
"story"
e
 
"history"
no original.
3
o se deve confundir esses "novos historiadores" recentes com os "novoshistoriadores" americanos de uma geração anterior, como Charles Deard e JamesHarvey Robinson.
4
 
Sobre a história da narrativa, ver L Gossman, Augustin Thierry and
LiberalHistorio
graphy"
 
History and Theory.
 
Beiheft XV.
 
1979.
H. White
; Methahistory: The
Historical Imagtnation in the Nineteenlh Century.
Baltimore, 1973. Agradeço aoprofessor Randolph Starn por chamar minha atenção para este último.
 
diz respeito ao homem, e não às circunstâncias. Portanto, ela tratado particular e do espefico, de preferência ao coletivo e aoestastico. A narrativa é uma modalidade de escrita histórica,modalidade esta, pom, que também afeta e é afetada peloconteúdo e pelo método.O tipo de narrativa em que estou pensando não é o do simplescronista ou analista de coisas passadas. É a narrativa orientada poralgum "princípio fecundo", e que possui um tema e um argumento.O tema de Tucídides eram as guerras do Peloponeso e seus efeitoscatastróficos sobre a sociedade e a política gregas; o de Gibbon erao declínio e queda do Império Romano; o de Macaulay, osurgimento de uma disposição participativa liberal nas correntes dapolítica revolucionária. Os biógrafos contam a estória de uma vida,desde o nascimento até a morte. Nenhum historiador narrativo, nosentido em que aqui os defini, deixa a análise totalmente de lado,mas ela não constitui o arcabouço de sustentação em torno do qualconstroem sua obra. E, por fim, eles estão profundamentepreocupados com os aspectos retóricos de sua apresentação. Quersuas tentativas dêem certo ou não, eles certamente pretendemalcançar concisão, espírito e elegância estilística. Não se contentamem lançar palavras numa página e ali deixá-las, pensando que, namedida em que a história é uma ciência, dispensa o auxílio dequalquer arte.Não se deve considerar que as correntes aqui identificadas seapliquem a grande massa dos historiadores. O que se tenta éapenas assinalar uma mudança perceptível de conteúdo, método eestilo entre uma parcela muito reduzida, masdesproporcionalmente destacada, da profissão histórica como umtodo. A história sempre teve muitas sedes, e assim deve continuarpara prosperar no futuro. O triunfo de um gênero ou escola sempreacaba levando a um sectarismo estreito, ao narcisismo eautobajulação, ao desprezo ou tirania em relação aos de fora, eoutras características desagradáveis e contraproducentes. Todosnós conhecemos exemplos disso. Em alguns países e instituições,foi pernicioso que, nos últimos trinta anos, os "novos historiadores"tenham conseguido se impor de tal maneira, e será igualmentepernicioso se a nova corrente, se é que é uma corrente, alcançar,aqui e ali, um mesmo tipo de dominação.É também fundamental estabelecer de uma vez por todas queeste ensaio tenta mapear transformões observadas no estilohistórico, sem fazer juízos de valor sobre as modalidades boas e asnão tão boas de escrita histórica. Em qualquer estudohistoriográfico, é difícil evitar juízos de valor, mas este ensaio nãopretende erguer qualquer bandeira nem conflagrar uma revolução.
 
Ninguém está sendo instado a jogar fora sua calculadora e contaruma estória.IIAntes de observar as correntes recentes, primeiramente épreciso explicar o abandono, por parte de muitos historiadores, hácerca de cinquenta anos atrás, de uma tradição que, durante doisséculos, encarou a narrativa como modalidade ideal. Em primeirolugar, apesar de acaloradas afirmativas em contrário, reconheceu-se amplamente, com certa razão, que as respostas de tipocronológico a perguntas sobre
o quê
e
como,
mesmo queorientadas por um argumento central, de fato não avançam muitopara responder a perguntas sobre o
porquê.
Além disso, naquelaépoca, os historiadores se encontravam sob a forte influência tantoda ideologia marxista, quanto da metodologia das ciências sociais.Por decorrência, estavam interessados em sociedades, e não emindivíduos, e confiavam que se poderia chegar a uma "a históriacientífica" que, com o tempo, criaria leis generalizadas para explicara transformação histórica.Neste ponto, devemos parar mais uma vez, para definir o quese entende por "a história cienfica". A primeira "a históriacientífica" foi formulada por Ranke no século XIX, e se baseava noestudo de novas fontes. Acreditava-se que a detalhada críticatextual de registros até então intocados, enterrados em arquivosoficiais, estabeleceria definitivamente os fatos da história política.Nos últimos trinta anos, apareceram três tipos muito diferentes de"história científica", correntes na profissão, todos baseados não emnovos dados, mas em novos modelos ou novos métodos: o modeloeconômico marxista, o modelo ecológico-demográfico francês e ametodologia "cliométrica" americana. Segundo o velho modelomarxista, a história avança num processo diatico de tese eantítese, através de um conflito de classes, elas mesmas criadaspor uma transformação no controle sobre os meios de produção.Nos anos 1930. essa idéia resultou num determinismo econômico-social bastante simplista, que afetou muitos jovens estudiosos daépoca. É uma noção de "história científica" que foi firmementedefendida por marxistas até o final dos anos 1950. Deve-se notar,porém, que a atual geração de "neo-marxistas" parece terabandonado a maioria dos prinpios sicos dos historiadoresmarxistas tradicionais da década de 1930. Agora estão tãointeressados pelo estado, a política, a religião e a ideologia quantoseus colegas o-marxistas, e nesse meio-tempo parecem ter

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