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Dissertacao - A Teoria Das Emocoes Do Jovem Sartre Entre a Fenomenologia e a Psicologia

Dissertacao - A Teoria Das Emocoes Do Jovem Sartre Entre a Fenomenologia e a Psicologia

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Uma dissertação que aborda o problema das emoções na reflexão do jovem Sartre
Uma dissertação que aborda o problema das emoções na reflexão do jovem Sartre

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Categories:Types, Research, Science
Published by: Leandro Calbente Câmara on Jul 09, 2011
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A teoria das emoções do jovem Sartre: entre a fenomenologia e apsicologia
O problema das emoções ocupa um papel destacado nas reflexões do jovemSartre. Desde seu texto inaugural,
Uma idéia fundamental da fenomenologia de Husserl: a intencionalidade
, Sartre precisou se confrontar com as teorias clássicas sobrea vida emotiva para elaborar uma singular empreitada filosófica. A proposta dessadissertação é acompanhar a reflexão sartriana sobre as emoções e demonstrar como, por meio dela, Sartre foi obrigado a operar diversas transformações de relevo nas suasideias e formulações. O problema central é entender como o esforço de análise dosfenômenos emotivos leva ao limite as possibilidades analíticas de uma fenomenologia pura, na qual a consciência é situada num plano puramente transcendental, o que obrigaSartre a reavaliar a relação que havia inicialmente proposto entre fenomenologia e psicologia, chegando mesmo a formular as bases de uma
 psicologia fenomenológica
.Para tanto, recorrei principalmente a três obras do autor: o já mencionado textosobre a noção de intencionalidade, bem como
 A transcendência do ego
e o
 Esboço parauma teoria das emoções
. De partida, reconstituirei a noção de intencionalidade e comoSartre a utiliza para propor uma teoria radical da consciência, esvaziada de qualquer conteúdo mental. É a partir dessa teoria que Sartre esboçará sua primeira teoria dasemoções. Os problemas levantados por essa primeira propostas exigem algumasredefinições na reflexão sartriana, o que será tema do segundo movimento dessadissertação, através da recuperação de algumas passagens de
 A Transcendência do Ego
.Finalmente, a parte final do trabalho é uma discussão em torno do tema da psicologiafenomenológica, uma tentativa de superar os impasses provocados pela reflexão defenomenologia pura apresentada nos dois primeiros textos. É a partir dessa categoria1
 
que Sartre tentará elaborar uma teoria das emoções que consiga articular tanto oconceito de intencionalidade, quanto as vivências concretas do homem em
 situação
.O gesto inaugural da reflexão sartriana é a descoberta do conceito de
intencionalidade
, a partir da obra de Husserl. É se apoiando nesse conceito que nossoautor poderá recusar aquilo que denominou de “filosofia alimentar”, ou seja, todo tipode análise que enxerga a consciência como uma estrutura que opera por assimilação“das coisas pelas idéias, das idéias entre elas e dos espíritos entre si”, numa produçãoincessante de “conteúdos de consciência”
1
.Esses conteúdos são as imagens mentais, asrepresentações produzidas na consciência a partir da observação do mundo, como sefosse possível uma lenta digestão de toda experiência vívida.A resposta de Sartre à “filosofia alimentar” é muito simples: é necessárioesvaziar a consciência de todos os seus conteúdos, enxergando-a não mais como umaquina devoradora, mas em correlão com o mundo e com o vido. E é aintencionalidade que possibilitará esta operação. Como diz nosso autor, “a consciência eo mundo surgem simultaneamente: exterior por essência, o mundo é por essênciarelativo a ela. Conhecer é ‘estourar para’, arrancar-se da úmida intimidade gástrica para prosseguir, por ai fora, para além de si, pra o que se não é, por ai fora, perto da árvore etodavia fora dela, pois escapa-se e repele-me e eu não posso perder-me nela mais doque ela diluir-se em mim: fora dela, fora de mim”
2
.Esse lançar-se para fora é o que define a consciência sartriana, uma consciênciaque não devore mais o mundo, mas que com ele se relaciona. É esse o sentido da frase,retomada de Husserl, “toda consciência é consciência
de
qualquer coisa”
3
. Aintencionalidade é esse modo de ser relacional próprio da consciência. É a partir disso
1
SARTRE, Jean-Paul, “Uma ideia fundamental da fenomenologia de Husserl: a intencionalidade” em
Situações I 
, São Paulo: Cosac&Naify, 2005, p. 55 (doravante IF)
2
IF, p. 56.
3
IF, p. 56.
2
 
que Sartre tentará explicar as possibilidades de manifestação, numa consciênciaintencional, de emoções, tais como o medo, ódio, amor, terror. Afinal, sendo vazia etranslúcida, ela não pode carregar em si mesma algo como uma estrutura afetiva.Se as emões o o produzidas por mecanismos internos da própriaconsciência, argumenta Sartre, estas podem apenas advir do próprio mundo. Nas palavras de nosso autor, “odiar outrem é ainda uma maneira de estourar para ele, éencontrar-se de bito em frente dum desconhecido de que se e se sente primeiramente a qualidade objetiva e ‘odiável’. (...) As coisas é que se revelam a nósimediatamente como odientas, simpáticas, horríveis, ou amáveis. Ser terrível é uma
 propriedade
duma máscara japonesa: é uma propriedade inesgotável, irredutível, queconstitui a sua própria natureza – e não a soma das nossas reações subjetivas a um pedaço de madeira esculpida.”
4
A resposta é simples e sedutora, as emoções são propriedades das coisas e nossaconsciência as manifesta na medida em que nos relacionamos com esses objetos. É amáscara que me assusta e não uma determinada matéria ou estrutura da consciência quesofre uma animação diante de um tal objeto. Na sua primeira formulação da consciênciaintencional, Sartre busca resolver o problema das emoções num movimento só, comoque “reinstalando o horror e o encanto nas coisas”
5
,podendo abraçar inteiramente aradicalidade de sua tese contra a “filosofia alimentar”. O problema, porém, é que essasolução não é muito satisfatória.Vejamos o motivo. Se as emoções são propriedades das coisas, uma máscaraaterrorizante sempre manifestará seu aspecto ameaçador, não importa o observador. Damesma forma, uma mulher amável manifestaria universalmente seu aspecto amoroso.Ora, como entender, nessa perspectiva, que um mesmo objeto possa provocar emoções
4
IF, p. 57.
5
IF, p. 57.
3

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Louise Vieira added this note|
Muito bom seu artigo!
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