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fato de que “o Homem é um
ser vivo
”. A
manutenção
e a
reprodução
da vidabiológica tornam-se impositivas. Necessidades sociais são aquelas oriundas do fato deque “o Homem é
‘
mais de um’
”. São impositivas a
convivência
e ao mesmo tempo amanutenção da
individualidade
. Necessidades transcendentais são aquelas oriundasda percepção de que “o Homem é
incompleto
”. Torna-se impositiva a
complementação
, o extrapolar a limitação característica do
hic et nunc
(aqui e agora)humanos; o que, inevitavelmente, remete o homem ao contato e
convivência com omisterioso
, o desconhecido, presentes no futuro provável do projeto de cadaindivíduo. Este é o âmbito do exercício da esperança e da crença, itens presentes só emprojetos humanos.
Ser projeto significa viver por antecipação, estar vivendo o que eu ainda nãovivo. Paradoxalmente, vivemos do futuro para o presente, porque estamosprojetados no futuro antes de ele se fazer presente, quando, então, já épassado”.
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O que falta ao Homem e lhe aparece como necessidade, pode ser encontrado nacircunstância, naquilo que o cerca.
Potencialidade
é o que está ao redor de cadaindivíduo
e que pode ser por ele utilizado
. A circunstância concretiza-se como oconjunto das potencialidades, a realidade existente e percebida para além do “eu”natural e indigente, e capaz de complementá-lo. As potencialidades que compõem acircunstância do Homem são o
“mundo material”,
o
“si mesmo”,
os
“outros”
e os
“transcendentais”.
Na relação com o Homem, cada potencialidade torna-se um
polo de atividade,
uma vez que passam a atrair sua atenção. De fato, para suprir necessidades biológicas,cada indivíduo
precisa contar com o mundo material.
As atividades de manutenção ede reprodução da vida obrigam cada indivíduo a aproximar-se da realidade material aseu redor. O mundo material atrai a atenção do homem, “polariza” sua atividade. Omundo material torna-se, então, um dos
polos
de atividade
do homem.As necessidades sociais de individualidade e convivência levam o homem acontar com o
“si mesmo”
e a contar com os
“outros”
homens. Para ser um “eu”
Preferimos adotar e adaptar a terminologia utilizada pela Escola de Louvain, de modo especial por JosephNuttin (cf. especialmente
Psicanálise e Personalidade
e
La structure de la personalité
); e também por JoãoMohana (cf. especialmente
Padres e bispos autoanalisados
e
O mundo e eu
). Estes autores falam em nívelpsicobiológico, psicossocial e psicoespiritual de manifestação do impulso vital do Homem e suasrespectivas necessidades primárias: manutenção da vida, reprodução da vida, individualidade,sociabilidade, realização de si e transcendência.
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KUJAWSKI, Gilberto Mello.
Ortega y Gasset: a aventura da razão
. São Paulo: Moderna, 1994. (ColeçãoLogos). p. 56.