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CAPOEIRA

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Capoeira Capoeira 
Curso de instrução para práticos rne, no Rio de Janeiro,profissionais de Capoeira em busca do aprimoramento.O evento serve ainda como importante fonte de integração entre Mestres de vários estados.
Luta, dança, atividade física e O Prof. Carmelino Souza Vieira, quebrincadeira. A Capoeira é tudo isto e coordena o curso, é Presidente domuito mais. Criada pelos negros trazidos Conselho Superior de Mestres decomo escravos na época colonial, Capoeira e Vice-Presidente damantida viva apesar da discriminação Confederação Brasileira de Capoeiraque sofreu durante séculos, a Capoeira (CBC), além de Presidente da FFC.hoje é praticada no Brasil inteiro, por Com 220 horas de duração, o cursotodas as faixas etárias e classes sociais. conta com 60 mestres de Capoeira queObjeto de pesquisa do Monstro o são licenciados em Educação Física.Sagrado” Inezil Penna Marinho, um dos O objetivo é regularizar a situação doprecursores da Educação Física e o mais profissional que já ministra aulas deimportantes historiador do esporte no Capoeira desde 1995. “Após o curso,Brasil, a Capoeira recebeu o título de este profissional está respaldado peloGinástica Brasileira. De braços dados, CREF e CONFEF a continuar dando asEducação Física e Capoeira têm um suas aulas e , por força da Lei 9696/98,caminho promissor a percorrer. A prova ficaria à margem da legalizade caso odisto é o curso realizado no Rio de fizesse o curso”, explica o Prof.Janeiro, fruto de convênio firmado entre Carmelino.o CREF1-RJe a Federão Fluminensede Capoeira (FFC).Insubordinada por natureza, a Capoeirapassou grande parte de sua existência naclandestinidade. Mas, no rastro da regu-lamentação, os mestres capoeiristas queestão fazendo o curso são todos elogios.Elizeu dos Santos Felipe, Mestre Zezeu,que tem cerca de 200 alunos, porexemplo, diz sobre o curso: “Estouachando excelente. Está sendo muitoimportante para mim. Dou aulas paracrianças, adolescentes e adultos. Estouaprendendo a cuidar melhor de cadaum. São muito importante osconhecimentos que passei a ter sobre ocorpo, sobre anatomia. Estas aulas estãosendo fundamentais para que possamosconhecer mais. Antes, a gente não faziauma avaliação física, só olhava a posturadas pessoas. Agora avaliamos melhor. Se
Participantes do curso de instrução se reúnem nas escadarias do IBC (RJ)
 
a pessoa vier com má formação, a gente vaipoder ajudar. Se não pudermos, vamosencaminhar para um médico. Pediremos umaavaliação médica, conta Mestre Zezeu. Eleacrescenta que atualmente os próprios paisestão cobrando dos mestres de Capoeira umaformação melhor.A Diretora Administrativa da Liga de Capoeirado Município do Rio de Janeiro (Licarj), AliceMontico, também elogia o curso. Para ela, aCapoeira precisa caminhar na vertente queoutros esportes caminharam, mostrando a suaverdadeira importância com profissionalismo.“Enquanto ela era folclore e cultura, aCapoeira era uma coisa. Mas, a partir domomento em que se tornou fonte de ganhofinanceiro, ela atingiu outro patamar: passouda marginalização para uma prática de caráterformativo. Hoje, a Capoeira faz parte docurrículo de algumas universidades deEducação Física”, explica.Ao falar do término da primeira disciplina,sobre os conhecimentos de Educação Física,Alice Montico diz: “Acho que era o que estavafaltando para ampliar os conhecimentos doscapoeiristas. O curso deveria ter vindo antes,mas nunca é tarde para organizarmos aCapoeira.” Sobre os progressos que vemalcançando nas aulas, ela cita a filha comoexemplo: “A minha filha pratica Capoeira hácinco anos, está com 11. Ultimamente, ela estánuma boa academia e foi fazer o exame comum Professor de Educação Física,especializado na área. Ele detectou algumasdeformações e, conseqüentemente, evitoutrabalhar alguns golpes. Esta descoberta foifeita após cinco anos”, conta.Alice Montico conta ainda que tem 50 anos deidade, é aposentada e pratica a Capoeira.“Alguns golpes não são mais permitidos. Épreciso ter o embasamento mais profundosobre anatomia e só a Educação Física podedar. É preciso ter noção até onde se pode ir.Acompanhar com o aluno a sua capacidade,sem gerar danos futuros. E quando se joga nãovê, depois o tempo é que vai mostrar. Eugaranto que rejuvenesci. Ter contato comdiversas faixas etárias é gratificante, sentir-seútil é enobrecedor. É muito estimulante ter a
Uma pequenahistória da capoeiraUma pequenahistória da capoeira
A partir do século XVI, os colonizadoresportugueses começaram a trazernegros paratrabalharem como escravos nas lavouras decana-de-açúcar brasileiras.Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro,na época capitanias hereditárias, foram osprincipais destinos de mais de 2 milhões denegros. Capturadas, tribos inteiras, Eramtrazidas da África para o Brasil.Os pesquisadores ainda não sabem com certeza se osescravos trouxeram a Capoeira da África ou se a criaramaqui. O certo é que nunca foi encontrado registro da práticada Capoeira, ou outra forma similar de dança ou luta nocontinente africano, anterior ao seu surgimento no Brasil. Emmeados da década de 1960, Inezil Penna Marinho esteve emAngola para pesquisar a origem da Capoeira e chegou àconclusão de que ela era inteiramente desconhecida por lá.Observando danças e lutas africanas, o pesquisador nãoencontrou nada parecido com a Capoeira, ou que pudesse justificar suas raízes naquele continente. Alguns estudiososapontam os quilombos, onde viviam os negros que serebelavam contra a escravidão e fugiam, como o berço daCapoeira. Segundo esta corrente, os negros desenvolveramuma série de movimentos para se defender. Os escravoscativos recebiam os ensinamentos sobre estes movimentosdos que haviam sido recapturados. Para mascarar os golpes,os negros juntaram a música, procurando dar a impressãoaos senhores de engenho de que estavam dançando, e nãoaprendendo a lutar.No entanto, para outros pesquisadores, a Capoeira tem a suaorigem na prática religiosa dos negros livres na África ecativos no Brasil. Os gestos e movimentos litúrgicos, feitos aosom de instrumentos de percussão durante os rituais efestas, acentuados pela destreza e agilidade, teriam originadoa Capoeiragem.Dos quilombos e dos terreiros de engenhos, a Capoeira seespalhou, chegou às vilas, onde continuou sendo praticadamesmo após a Abolição da Escravatura, em 1888. Em 1891,sua prática foi proibida no Brasil. Durante décadas, emSalvador, grupos de capoeiristas provocavam arruaças,ajudando a disseminar o conceito marginal da luta. Oscapoeiristas eram considerados delinqüentes e podiam serenquadrados em lei penal.Em 1930, convidado a comparecer ao Palácio de Ondina,onde funciona o Governo da Bahia, em Salvador, Manuel dosReis Machado, o Mestre Bimba, achou que teria problemascom a polícia. Mas, na verdade, recebeu um pedido de JuracyMontenegro, na época interventor federal na Bahia, para queapresentasse, com seus alunos, a Capoeira às autoridades.Depois, Mestre Bimba teve o registro de seu gruporeconhecido pelo Estado. A Capoeira começava a sair daclandestinidade e ganhava, pouco a pouco, o seu espaço. Em1945, o presidente Getúlio Vargas, através de um DecretoLei, liberou a prática da Capoeira no Brasil.Atualmente, a Capoeira é praticada por todas as idades,raças e camadas sociais do Brasil inteiro e outros países,ganhando cada vez mais notoriedade e importância mundiais.Já existem federações de Capoeira em Portugal, Canae Argentina. A criação de uma federação na França deveacontecer em breve.
 
Desde os tempos da escravidão a capoeirfoi perseguida, tendo sido proibida por decreto imperial, revogado somente na "Era Vargas" 
idade que tenho e fazer coisas considerados excluídos, como negros, pobres, crianças de rua eque outros da mesma idade o deficientes físicos”, afirma Carmelino.fazem. Plantei bananeiras com48 anos, nunca poderia imaginar Certamente por todos estes motivos, segundo Carmelino, oque isto fosse acontecer... Eu era grande mestre Inezil tenha sido iluminado para escrever umbancária!orgulha-se a projeto que resgatasse a brasilidade de nosso povo atras daPresidente da Licarj.ptica descriminativa da Capoeira. “Infelizmente, o seu projetonão teve a ressonância esperada, em nível tão abrangente paraNão desmerecendo os outros os quatro cantos da nação, a exemplo do que ocorre com o Tae-esportes, mas as nossas rzes kwon-do, na Coréia do Sul, onde é considerado esporte nacionalestão na Capoeira. É um e tem o seu ensino obrigatório nas faculdades, escolas e Forçasmomento certo de instruir, Armadas. Quero dizer o seguinte, se fizéssemos com a Capoeiraalicerçar e valorizar os mestres, aqui no Brasil o que foi feito com Tae-kwon-do na Coréia do Sul,inclusive os saudosos, que certamente teríamos ganhos bastante significativos, comtrouxeram a Capoeira com ressonâncias sociais, políticas e educacionais, além, é claro, damuita garra. Compete a nós saúde, conseqüência gica decorrente da prática ordenada deperpetuar. Este é o nosso sonho qualquer esporte ou atividade física”, acrescenta.e a nossa meta”, planeja Alice.Segundo Carmelino, a Capoeira tem tudo para se tornar umNa condição de Professor e esporte nacional: Começando por um projeto amplo eMestre em Educação Física, abrangente de capacitação de recursos humanos adequados eMestre em Capoeira, Faixa Preta suficientes para disseminar a Capoeira principalmente no ensinoem Judô, Caratê e Tae-Kwon-fundamental. É um projeto de custos reduzidos, que abrirádo, portanto, na condição de um empregos para milhares de profissionais de educação especialista em lutas, vejo a sica que sejam especializados em Capoeira”, prevê.Capoeira como uma das práticas
Um importante meio de socialização
mais adequadas para a educaçãoe formação de nossas crianças. AO Contra-Mestre Boy Alexandre Batista de Lima, tambémCapoeira, que é uma atividadefreqüenta o curso ministrado pelo CREF1-RJ. Ele é do Grupogenuinamente brasileira eMandiga de Escravo e viaja uma vez por mês, junto com oitonatural, não exige muito espaço,colegas, de São José dos Campos (SP), onde mora, para assistir àvestimentas ou sofisticaçõess aulas, ministradas no Instituto Benjamin Constant, no bairro dapara sua prática. Ela promove oUrca, Rio de Janeiro. Na opinião dele, o curso é importantelazer e desperta outrosporque, para poder exigir, é preciso estar em dia. Com ainteresses centrados na música,regulamentação em mãos, ele tem a certeza de que estarána dança, no folclore e no ritmo.legalizado e poderá prestar um serviço de melhor qualidade aosAlém disto, a Capoeira é umseus alunos. Além disto, o Contra-Mestre diz que o curso serveinstrumento de grande poder decomo importante meio de união. “Esta socialização de grupos ésocialização e ajuda na melhoriamais importante que treinar o corpo”, compara.da auto-estima de nossos jovense crianças, sobretudo aquelesE por falar em socialização, Alexandre conta que usa a Capoeirano trabalho com deficientes físicos e mentais. Ele afirma que osresultados são surpreendentes. “A gente faz este trabalhorespeitando os limites que cada deficiente tem. O pouco queconseguem fazer já é um grande passo para eles. A Capoeiradesenvolve a coordenação motora grossa, que é a lateralidade e

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