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Ler Eça de Queirós

Ler Eça de Queirós

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Categories:Types, School Work
Published by: Maria Filomena Ruivo Ferreira on Jul 15, 2011
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Ler Os MaiasEça de Queirós
José Maria Eça de Queirós nasceu em 1845 na Póvoa de Varzim no seio de umafamília culta. Entre 1861 e 1866, frequentou o curso de Direito na Universidade deCoimbra onde tomou contacto com as correntes ideológicas e literárias europeias daaltura, nomeadamente, o positivismo, o socialismo e o realismo e o naturalismo. Aíconheceu Antero de Quental e Teófilo Braga, dois dos futuros representantes daGeração de 70.Em 1867, integrou um grupo de amigos, chamado o Cenáculo, que promovia tertúliasliterárias e ideológicas e do qual faziam parte Jaime Batalha Reis, Ramalho Ortigão,Oliveira Martins, Teófilo Braga, Antero de Quental, entre outros.Em 1869 e 1870, Eça de Queirós viajou até ao Egipto para assistir à inauguração doCanal de Suez e esta viagem inspirou alguns dos seus trabalhos como, por exemplo,A Relíquia, apenas publicado em 1887.Em 1871, participou nas chamadas Conferências do Casino Lisbonense, proferindo a
quarta conferência intitulada ―A Nova Literatura, o Realismo como Nova Expressão daArte‖ que lançou os fundamentos da sua concepção do Realismo.
 Em 1872, Eça iniciou a sua carreira diplomática como Cônsul de Portugalsucessivamente em Havana, Newcastle, Bristol e Paris.Este afastamento do meio português e a experiência de vida no estrangeiropermitiram-lhe observar Portugal de forma mais objectiva. Aliás, foi em Inglaterra queEça de Queirós escreveu a parte mais significativa da sua obra romanescaconsagrada à crítica da vida social portuguesa.A 16 de Agosto de 1900, Eça de Queirós, um dos maiores romancistas de toda anossa literatura, morreu em Paris.
Conferências Democráticas do Casino Lisbonense
O grupo dos jovens intelectuais que se sublevaram contra Castilho na QuestãoCoimbrã juntou-se novamente após a conclusão dos seus cursos, desta vez emLisboa, e acrescido de outras personalidades. Juntos formaram o Cenáculo, um grupoque promovia tertúlias literárias e ideológicas em nome da livre discussão de ideias eideais, composto por Antero de Quental, Eça de Queirós, Teófilo Braga, RamalhoOrtigão, Jaime Batalha Reis, Salomão Saragga, Manuel Arriaga, Germano Meireles eGuerra Junqueiro.Foi no Cenáculo que nasceu o projecto das Conferências Democráticas do CasinoLisbonense, uma consequência natural das discussões ideológicas travadas duranteas reuniões de artistas e literatos. O programa das Conferências definia como seuprincipal objectivo reflectir acerca dos problemas responsáveis pelo estado dedecadência do país e pelo seu afastamento em relação à Europa culta.Com uma forte intenção democrática, as Conferências simbolizavam uma tentativa decolocar Portugal a par da actualidade europeia, ligando-
o ao ―movimento moderno‖,agitando na opinião pública ―as grandes questões da Filosofia e da Ciência Moderna"e estudando as ―condições de transforma
ção política, económica e religiosa da
sociedade portuguesa‖.
 Assim, em 1871, numa altura em que no panorama internacional decorriam inúmerosacontecimentos, tais como a Comuna de Paris (principal insurreição operária e populardo século XIX), a unificação da Itália e as guerras na Polónia e na Irlanda, surgiram as
 
Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, que pretendiam abordar temasmuito diversificados.
1ª Conferência:
O Espírito das Conferências 
, de Antero de Quental.
A conferência inaugural afirmou a necessidade de regenerar Portugal "pela educaçãoda inteligência e pelo fortalecimento da consciência dos indivíduos".
2ª Conferência:
Causas da Decadência dos Povos Peninsulares 
, de Antero deQuental.
A segunda conferência apontou como principais causas de decadência do nosso povoo obscurantismo do catolicismo pós-tridentino, que tinha aniquilado as liberdadeslocais e individuais, e a política expansionista ultramarina, que havia impedido odesenvolvimento da pequena burguesia.
3ª Conferência:
A Literatura Portuguesa 
, de Augusto Soromenho.
A terceira conferência denunciou a decadência da literatura portuguesa e defendeu anecessidade de "dar por base à educação a moral, o dever, do que aproveitará aliteratura".
4ª Conferência:
A Literatura Nova (O Realismo como Nova Expressão de 
 
Arte) 
,de Eça de Queirós.
 
Na quarta conferência, Eça de Queirós lançou os fundamentos da sua concepção deRealismo, influenciada por Flaubert, Proudhon e Taine.
5ª Conferência:
O Ensino 
, de Adolfo Coelho.
A quinta conferência coube a Adolfo Coelho, que, de uma forma revolucionária, propôsa reorganização do ensino em Portugal, designadamente a "separação completa doEstado e da Igreja".As conferências foram interrompidas antes da sexta, por portaria ministerial domarquês de Ávila e Bolama, onde se alegava que estas se tinham sustentado em"doutrinas e proposições que atacavam a religião e as instituições políticas do Estado".Estavam ainda anunciadas as seguintes conferências, que espelhavam a pluralidadede temas que os seus mentores pretendiam abordar:
- Os Historiadores Críticos de Jesus 
, de Salomão Saragga;
 - O Socialismo 
, de Batalha Reis;
 - A República 
, de Antero de Quental;
 - A Instrução Primária 
, de Adolfo Coelho;
 - Dedução Positiva da Ideia Democrática 
, de Augusto Fuschini.
 
Os conferencistas reagiram contra a proibição com um protesto público, com o qual sesolidarizaram vários intelectuais, como Alexandre Herculano, que acudiram em defesada liberdade de expressão.
A Geração de 70 
 
A
Geração de 70 
, também conhecida como ―Dissidência de Coimbra‖, começou por 
ser constituída por um grupo de jovens intelectuais da última metade do século XIX, doqual fizeram parte alguns dos maiores vultos da literatura portuguesa, como Antero deQuental, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Teófilo Braga e Guerra Junqueiro. Estegrupo de jovens afirmou-se como elite intelectual entre 1865, data do polémico texto
 
de Antero contra Castilho (―Bom senso e Bom gosto‖), e 1871, data das
Conferências 
 
do Casino 
.Na década de 1870, Portugal vivia os efeitos dos movimentos do Fontismo e daRegeneração. A
Geração de 70 
, claramente voltada para os valores da educação e dacultura, rebelou-se contra o progresso predominantemente material e mercantilista deFontes Pereira de Melo. Manifestando um grande descontentamento face à situaçãopolítica, cultural e social do país, os membros da
Geração de 70 
defendiam uma maiorabertura e receptividade de Portugal à cultura europeia e a urgência de uma reformacultural no país.O cariz revolucionário desta elite intelectual era sustentado pela assimilação de ideiasinovadoras da cultura europeia, nomeadamente através de leituras de autoresfranceses e alemães e do conhecimento de movimentos insurreccionais estrangeiros,como a
Comuna de Paris 
1
. Racionalistas, herdeiros do positivismo de Comte, doidealismo de Hegel e do socialismo utópico de Proudhon e Saint-Simon, os jovens da
Geração de 70 
protagonizaram uma autêntica revolução cultural no nosso país,
 
nomeadamente através da
Questão Coimbrã 
e das
Conferências do Casino 
.
Quem foram os membros da
Geração de 70 
?
Antero de Quental
(1842-1890): é incontestavelmente o mestre da
Geração de 70 
,assumindo um papel claramente interventivo nas
Conferências do Casino 
. É tambémeste grande poeta que protagoniza a
Questão Coimbrã 
contra Feliciano de Castilho.
Eça de Queirós
(1845-1900): conheceu Antero enquanto estudante em Coimbra etornou-se um escritor emblemático do romance português e um paradigma doRealismo, que defendeu acerrimamente.
Ramalho Ortigão
(1836-1915): apesar de inicialmente ser aliado de Castilho contraAntero, integrou a
Geração 
e assumiu um papel preponderante na
Questão Coimbrã 
.Escreveu
As Farpas 
.
Teófilo Braga
(1843-1924): deixou um espólio considerável nos estudos literários, napolítica, na investigação dos costumes portugueses e na tradição oral. Foicompanheiro de Antero na
Questão Coimbrã 
e, mais tarde, Presidente da República.
Guerra Junqueiro
(1850-1923): escreveu poesia e fez parte do Cenáculo e dos
―Vencidos da Vida‖. Foi ministro após a implantação da República.
Oliveira Martins
(1845-1894): foi deputado, ministro, jornalista, economista einvestigador e um amigo próximo de Antero e Eça. Deixou importantes contributos nosestudos históricos, nomeadamente com
História de Portugal 
ou
Portugal 
 
Contemporâneo 
.
 
A Questão Coimbrã
A Questão Coimbrã, também conhecida como a ―Questão do Bom Senso e
Bom
Gosto‖, foi a primeira e uma das mais importantes manifestações do grupo que viria a
ser apelidado de Geração de 70. Na linha da frente estiveram sempre Antero de
Quental, o ―Príncipe da Mocidade‖, e Teófilo Braga, já conhecidos no mundo das
letras.O motivo que desencadeou a revolta coimbrã, ou, como lhe chamou Antero de
Quental, a famosa ―Questão Literária ou a Questão de Coimbra‖, foi aparentemente

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