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O Homem Bicentenário

O Homem Bicentenário

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2008
O HomemBicentenário
Isaac Asimov 
 
CALANGOPRESS
 
 
 
Toca do Calango http://calango74.blogspot.com
Página
1
 
O Homem Bicentenário
 As Três Leis da Robótica:1.
Um robô não deve fazer inala um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra qualquer mal.2. Um robô deve obedecer a qualquer ordem dada por um ser humano, desde que essa ordem não interfira com a execução da Primei raLei.3. Um robô deve proteger a sua existência, desde que esta proteção não interfira com a Primeira e Segunda Leis.
1.
 – 
Obrigado
 – 
disse Andrew Martin, aceitando o assento que lhe ofereciam. Nãoparecia ter sido compelido a isto, mas, na verdade bem que o fora. Aliás, para dizer a verdade, ele não parecia a coisa alguma, pois seu rosto estavaalgo pálido. O máximo que se poderia perceber era tristeza em seu olhar. Seucabelo era liso, de um castanho claro. Cabelos finos
 – 
e em seu rosto não haviapêlos. A aparência era de quem tinha se barbeado bem, e há pouco. Suas roupaseram nitidamente antiquadas, limpas, porém, com uma predominância de umaveludado vermelho-púrpura.Encarando-o por detrás da mesa estava o cirurgião, e a plaqueta de identificaçãosobre a mesa incluía uma série de números e letras de identificação, com a qual Andrew não se importou. Chamar o outro de doutor seria mais do que suficiente.E perguntou:
 – 
Quando poderemos fazer a operação, doutor?O cirurgião se exprimiu mansamente, com aquela inalienável nota de um certorespeito que um robô sempre usava com um ser humano.
 – 
Não estou certo,senhor, se compreendo como ou quando poderemos realizar a operação.Poderia ter havido um olhar de respeitosa intransigência na face do cirurgião, seum robô deste tipo, de aço inoxidável levemente bronzeado, pudesse tersemelhante expressão ou qualquer uma. Andrew Martin estudou a mão direita do robô, a mão que cortava, enquanto elajazia sobre a mesa em completa tranqüilidade. Os dedos eram longos e modeladosem artísticas curvas metálicas, tão graciosas e adequadas, que se poderia atéimaginar um bisturi encaixado nela, tomando-se, temporariamente uma peça só,fundida com a mão.No trabalho dele não haveria hesitações, tropeços, tremores, enganos.Naturalmente que isto advinha da especialização, especialização tão ardentementedesejada pela humanidade que poucos robôs eram dotados de um cérebro maisindependente. Está claro que um cirurgião tinha de sê-lo. E este, mesmo dotado decérebro, era tão limitado em sua capacidade que não reconhecia Andrew e,provavelmente, jamais ouvira falar dele.
 
 
Toca do Calango http://calango74.blogspot.com
Página
2
 
 Andrew disse:
 – 
Alguma vez pensou que gostaria de ser homem?Por um momento o cirurgião hesitou, como se a pergunta não se adequasse anenhuma das suas trilhas positrônicas.
 – 
Mas, senhor, sou um robô!
 – 
Não seria melhor ser homem?...
 – 
Seria melhor, senhor, para ser um melhor cirurgião. Se eu fosse homem, nãopoderia ser assim, mas só se eu fosse um robô avançado. Bem que eu gostaria deser um robô mais avançado.
 – 
Não o ofende o fato de eu poder lhe dar ordens? Que eu possa fazê-lo ficarde pé, sentar-se, mover-se para a direita e para a esquerda, apenas lhe dizendo o quequero?
 – 
Agradá-lo é meu prazer, senhor. Se suas ordens interferissem em meufuncionamento para com o. senhor ou para com qualquer outro ser humano, eunão lhe obedeceria. A PrimeiraLei, relacionada com meus deveres para com asegurança humana, teria precedência sobre a Segunda, que diz respeito àobediência. De qualquer maneira, a obediência é meu prazer... Mas em quem é queterei de fazer esta operação?
 – 
Em mim
 – 
disse Andrew.
 – 
Mas isto é impossível: está patente que é uma operação danosa.Calmamente, Andrew obtemperou:
 – 
Isso não importa.
 – 
Não devo lhe causar dano
 – 
disse o cirurgião.
 – 
Num ser humano, não deve mesmo
 – 
falou Andrew. Mas eu também sou umrobô.
2.
Logo que fora.. fabricado, Andrew se parecia muito mais com um robô. Àquelaaltura, ele se parecia com um robô mais do que qualquer outro anteriormentefabricado, suavemente desenhado e funcional. Tinha trabalhado direitinho na casa a que fora levado, no tempo em que osrobôs domésticos, em qualquer parte do planeta, eram uma raridade.Havia quatro em casa: o chefe da família, sua mulher, a moça e a menina. Sabiao nome deles, por certo, mas nunca os usava. O chefe era Gerald Martin.Seu próprio número de série era NUR 
 – 
esquecera os números. Sim, por certoque já fazia muito tempo, mas se ele tivesse querido se recordar, não teriaesquecido. Ele não quisera recordar. A menina tinha sido a primeira a chamá-lo de Andrew, porque não sabia usar asletras, e os demais a imitaram. A menina... vivera noventa anos; já fazia muito tempo que morrera. Uma vezele tentara chamá-la de senhora, mas ela não permitiu. Menina fora até seu últimodia. Andrew tinha sido destinado a desempenhar as funções de um camareiro, deum mordomo, de uma dama de companhia. Para ele, foram dias de experiência e,na verdade, para todos os robôs, exceto os que estavam nas indústrias, nasatividades extrativas e nas estações fora da Terra

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