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EDITORIAL
Bem-vindo
3
 Agosto
2004
www.linuxmagazine.com.br
Éum prazerpoder finalmentepresentear vocêcom conteúdo damais alta quali-dade, como o queiremos lhe ofere-cer a partir destaprimeira edição da Linux Magazine.Após mais de 10 anos de sucesso naEuropa, onde vem sendo publicada noidioma local de países como Alemanha,Inglaterra, Polônia e Romênia, e estandodisponível em mais de 60 países, chegafinalmente ao mercado editorial brasilei-ro aquela que deverá ser a
sua
revistasobre Linux: contamos com a sua opi-nião e contribuição para poder repetiraqui no Brasil o sucesso que já foi alcan-çado no exterior.ALinux Magazine trará mensalmenteaté você temas que atendam aos inte-resses da nossa comunidade de usuáriosedesenvolvedores de sistemas de códigoaberto e livre, bem como do nosso mer-cado. Deste modo, a sua composiçãoconsistirá tanto de artigos de autoriainternacional – provenientes dos nossoscadernos que são publicados no exterior,focando, entretanto, as nossas necessi-dades locais – traduzidos para a línguaportuguesa, como de artigos de autoresbrasileiros. Assim, podemos dizer que,apesar de termos um corpo editorial es-palhado pelo mundo, atendemos sempreàs necessidades locais.ALinux Magazine é, então, uma publi-cação de caráter técnico, dirigida a umpúblico diversificado, uma vez que estásegmentada em assuntos corporativosenvolvendo Software Livre, no intuito deauxiliar executivos de TI a tomar deci-sões sobre as tecnologias que farão partedoseu alvo de investimentos, e tutoriais,voltados para engenheiros e administra-dores de sistemas, analistas, técnicos eusuários domésticos.Como leitor, de agora em diante vocêestará integrado a uma rede de informa-ções dedicada a distribuir conhecimentoe
expertise
técnico.Mensalmente a Linux Magazine trarátambém um CD-ROM repleto de softwarepara o seu sistema operacional favorito!Esperamos que você goste!
Finalmente...
Prezado leitor, prezada leitora da Linux Magazine,
O CD-ROM que acompanha a Linux Magazi-ne este mês traz uma versão customizadado Kurumin,desenvolvida especialmentepara esta edição.Ele é o Kurumin 3.0d acres-cido dos seguintes pacotes,entre outros*:
• dhcp3-server 
- Servidor DHCP
ethereal 
- Analisador de pacotes de rede
iptraf 
- Ferramenta de análise da rede
mrtg
- Monitor do desempenho da rede
mtr 
- Ferramenta de análise da rede
netcat 
- Canivete suíço do “networker”
nmap
- “PortScanner”
tcpdump
- Analisador de pacotes TCP
traceroute
- Analisador de rotas da rede
vncserver 
- Servidor VNC
nessus/nessusd 
- Analisador de segurançaA coletânea de software disponível no CD-ROM possibilita ao leitor utilizar o conheci-mento adquirido nesta edição da LinuxMagazine,mesmo que ele não disponha deLinux instalado em seu PC:basta inicializar osistema diretamente a partir do CD e todasas ferramentas necessárias para praticar es-tarão à disposição do experimentador inte-ressado.Divirta-se!______*
Para uma lista completa veja o conteúdo do CD.
CD-ROM do Mês
Rafael Peregrino da Silva
Editor
 
única empresa. Isso agora acabou. E naminha opinião eles erraram ao tentar uti-lizar o caminho legal para resolver umproblema de tecnologia, através de umaação judicial que teve caráter puramen-te intimidativo.Oque você achou da reação dacomunidade de usuários e desenvolve-dores de Software Livre (SL) à notícia doprocesso?Acomunidade respondeu com muitaforça e mostrou que o SL não dependedo governo e que não é o fato de seperseguir alguém isoladamente que vaimodificar a realidade de que o fim domonopólio na área de software é um fatoirrevogável. Uma vez eu estava dandouma entrevista no programa do PauloHenrique Amorim e ele me perguntou seestávamos prontos para enfrentar aMicrosoft. Ora, o que eu acho é que“eles” é que não estão preparados paraenfrentar a comunidade.Qual é o plano de migração do go-verno federal?Nós temos cerca de 300.000 desk-tops para migrar. O processo de migraçãoédividido em três passos:1.Novas estações de trabalho irão “ro-dar” utilizando SL. Aí é que aparecemalguns problemas de compatibilidade,tais como plugins que só funcionamno Windows, etc. Mas o problemaaqui não é tecnológico, e sim cultural.Mais ou menos 4 a 5 mil estações jáestão funcionando assim.2.Novas soluções e sistemas são imple-mentados como SL, sob a GPL e multi-plataforma (ou como aplicação web).3.São migrados em primeiro lugar os sis-temas que impeçam os dois passosanteriores, o que gera um efeito em
SALMSALM
rede, de modo que se avançarmos bas-tante agora, o SL vai se espalhar.Como superar a dominância da uti-lização do software proprietário no go-verno?Com pioneirismo. No Brasil, háalgum tempo atrás, quando a gentechegava para falar da alternativa SL opessoal questionava quais implemen-tações daquele tipo já existiam; ou setais ferramentas eram suficientes paraatender às necessidades do projeto.Assim percebemos no governo que tí-nhamos que criar “cases”, tomandodecisões que não visam prejudicar ne-nhuma empresa, mas que abrem umnovo espaço de desenvolvimento. Sãoprojetos que vão desde o apoio à comu-nidade que deseja uma implementaçãolivre da linguagem Java, passando pelaTV Digital, sistemas de gestão paramunicípios e projetos de inclusão digitalsustentável (que para ser sustentáveltem que ser baseado em SL).Ecomo fica a questão de custos. Hádiminuição palpável? A Microsoft cos-tuma alegar que os custos com licençascorrespondem apenas a 4% do custo deum projeto e que o TCO de seus sistemasémelhor devido a uma menor necessi-dade de treinamento. Como você encaratal argumentação?
LMSALM
T
omando como base uma entrevistadada por Sérgio Amadeu da Sil-veira, atual presidente do InstitutoNacional de Tecnologia da Informação(ITI) e um dos maiores defensores doSoftware Livre no governo, à revistaCartaCapital em março, na qual a práticade doação de licenças de software é com-parada com “prática de traficante”, a Mi-crosoft entrou com um pedido deexplicações na 3
a
Vara Judicial de Baru-eri.Amadeu, após consultar seus advoga-dos, já declarou que não irá responderao que considera uma “provocação judi-cial inusitada e descabida”.A seguir leia a entrevista que o presi-dente do ITI cedeu à Linux Magazine,bem como a nota oficial que a Microsoftdivulgou a respeito da ação judicial queestá movendo contra ele.
Processo
(Linux Magazine)
Qual a suaposição em face da ação judicial que aMicrosoft está movendo contra você?
(Sérgio Amadeu da Silveira)
Eusempre tive uma postura e uma partici-pação afirmativa em todas as minhasatividades junto ao ITI e dentro do go-verno. Nunca chamamos nenhum jor-nalista para atacar qualquer empresa;muito pelo contrário. O que acontece éque apoiamos um modelo baseado nocompartilhamento do conhecimento pla-netário, o que não vai de encontro aosinteresses de alguns, mormente daquelesque detém posições de dominância eapostam na manutenção da reserva demercado de software e de monopólios.Porque no nosso país existia uma reservade mercado para o monopólio de uma
SALM
Microsoftleva à justiça o diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnolo-gia de Informação.Ação judicial aquece o debate em torno do Linux e do Soft-ware Livre,que chega à mídia não especializada.LM foi ouvir os dois lados.
POR RAFAEL PEREGRINO DA SILVA
8
Agosto
2004
www.linuxmagazine.com.br
NOTÍCIAS
Entrevista
Figura 1:Sérgio Amadeu da Silveira,presidente doInstituto Nacional de Tecnologia da Informação.
Opção do governo pelo Software Livre começa a incomodar
Microsoftx Governo
 
Tomemos por exemplo o projeto deinformatização da escola. São em tornode dois milhões de computadores, seconsiderarmos uma média de 20 máqui-nas por escola. O custo com licenças desoftware com o SL é zero. Considerandoum custo de US$100,00 por licença nocaso de utilizarmos software propri-etário, temos um custo, somente com li-cenças de software, de 200 milhões dedólares! Então o custo com licenças é deapenas 4%? Tudo bem: estes 4% podemnão ser o maior problema no total docusto, mas é um problema para o Brasil!Com 200 milhões de dólares para investirem capacitação ficamos numa situaçãoconfortável e temos suporte técnico pre-parado e com domínio de uma tecnolo-gia criada dentro do país, da qual temospleno controle. Já temos experiências po-sitivas de capacitação no governo (SER-PRO, ANATEL, etc.). Realizamos umevento institucional de capacitação deuma semana com mais de 99 cursos de 8a 40 horas de carga horária. De outrolado, não podemos ser ingênuos imagi-nando que não há necessidade de treina-
SA
mento em ferramentas proprietárias.Além disso, o suporte é mais barato amédio prazo quando consideramos o tri-nômio Apache-GNU/Linux. Quem a-prende a trabalhar com ferramentaslivres aprende a funcionalidade. No casodo software proprietário o que temos é arestrição do conhecimento e da fun-cionalidade a um só sistema ou pro-grama. É o futuro que está em disputa, eeu estou convicto de que este futuro serálivre.O que você diz àqueles que o acu-sam de ter uma posição ideológica naquestão do Software Livre?Eu digo que o meu objetivo é garan-tir a independência tecnológica ao país eque o modelo de desenvolvimento que oSoftware Livre oferece permite isso. Mui-tos interesses estão sendo contrariadospor isso. Quem me acusa de ter uma po-sição ideológica o faz pois está querendovender. Tem gente que defende a políticado monopólio. Aí eu estou fora! Tanto asempresas como o governo devem tentarser independentes de fornecedor, sempreque isso seja possível.
s
SALM
Entrevista
NOTÍCIAS
A Linux Magazine contactou a Microsoftnointuito de abrir o mesmo espaço para que aempresa se manifestasse em relação aocaso.Abaixo a nota oficial,recebida direta-mente da Assessoria de Imprensa daMicrosoft:A Microsoftgostaria de ressaltar que estácomprometida em trabalhar com o governode modo respeitável e colaborativo para a-tender às necessidades econômicas,sociaise educacionais do país.A Microsoftestá no Brasil há mais de 14 anose tem um comprometimento de longoprazo com o país.Por meio de 10 mil empre-sas parceiras,a companhia proporciona 45mil empregos e R$ 1 bilhão em receitas comimpostos.A Microsoftsabe que o Brasil tem liberdadepara escolher a melhor tecnologia para assuas necessidades.A companhia está satis-feita por competir pelos méritos de suatecnologia,que em análises objetivas mos-trará suas inovações e valor aos clientes.São Paulo,18 de junho de 2004MicrosoftBrasil”
Resposta da Microsoft
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