anos 60 tinham surgido os primeiros retratos nus, em finais dos 70 os primeiros nusmasculinos; a primeira monografia é de 1982, a primeira retrospectiva internacional(Washington, Paris, Londres e Berlim) data de 1987-88. No entanto, as histórias daarte contemporânea não o referem e as que usam a designação arte moderna situam-no, quase sempre, nos movimentos do pós-guerra…Se não há mais viragens de orientação numa carreira marcada por uma longacontinuidade de processos e temas, são da última década algumas das obras de maiorambição e mais forte estranheza: aumentam as dimensões dos quadros, alguns deformatos irregulares, com bandas de tela acrescentada (mas há também pinturasminúsculas, de 13 por 18 cm); aparecem novos modelos com insólitas compleiçõesfísicas; as composições tornam-se mais dinâmicas e inesperadas; a matéria pictural émais áspera e mais carregada, revelando a muito lenta construção dos corpos; surgemexplícitos diálogos com Van Gogh, Cézanne e Chardin. O velho pintor está maisinquieto do que nunca e confronta-se com a morte no auto-retrato com que encerra aexposição, recortando o rosto emagrecido sobre um fundo de pinceladas informes, aparede onde limpa o resto de óleo dos pincéis.Ao longo das nove salas, o percurso cronológico começa por uma pintura feita aos 17anos,
Caixote de Maçãs no País de Gales
, 1939, onde a natureza morta se instalanum fundo de paisagem montanhosa. Nesse ano em que a guerra começava, Freudnaturalizou-se inglês, acompanhou a morte do avô Sigmund e trocou uma primeiraescola de arte em Londres, demasiado «sub-académica e depressiva», pela frequênciamuito livre de uma escola de Verão em Essex orientada por Cedric Morris, que surgeno primeiro dos retratos expostos. Os quadros que dominam a primeira sala são,porém, retratos da primeira mulher, Kitty Garman, filha do famoso escultor JacobEpstein, com quem casou em 1948. A eles corresponde o tempo da primeiraconsagração como o «Ingres do existencialismo», segundo a fórmula usada porHerbert Read para o apresentar no pavilhão inglês da Bienal de Veneza de 1954, aolado de Francis Bacon e Ben Nicholson. Mas, desde 52, o seu modelo e musa já era aaristocrática Caroline Blackwood.
Os títulos não identificam os modelos (por exemplo,
Rapariga com Rosas
, 1947-8;
Rapariga com Cão Branco
, 1950-51, o último para que posou Kitty;
Quarto deHotel
, 1954, um auto-retrato com Caroline doente em Paris) e Freud exigiu que as
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