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Lucian Freud
(8 Dezembro 1922 – 20 Julho 2011)
 A Tate Britain dedicou-lhe em 2002 uma retrospectiva (o Room Guide ainda estáacessível aqui:http://www.tate.org.uk ) E o
Expresso
atribuiu-lhe a capa da Revista e14 páginas em 10 Agosto 2002 (pp. 28-37, 10 pág. + 4 sobre a Família Freud)
A foto é de Jane Bown (Camera Press), 1983?. No título gosto em especial do “provavelmente”: acho que torna a ideia de maior pintor vivo mais essencial 
«Em carne viva»
 No século da abstracção e dos corpos desfigurados ou fragmentados, a pintura de Lucian Freud levou mais longe quenunca a observação da realidade humana
Desde há váriasdécadas que a pinturade Lucian Freud é classificada como chocante, perversa, cruel ou mórbida, e o seu autor referido como um terrível e misterioso personagem. Hoje, perante a sua mais extensa retrospectiva de sempre, no ano em
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que vai fazer 80 anos, discute-se se é ou não o maior dos pintores vivos e é admiradocomo o último dos «Old Masters». Mesmo se há agora menos lugar para o escândalo,
a pintura de Freud não deixou de ser perturbante pelas razões de sempre - a presençareal (mais do que realista) da figura humana nos seus quadros, a excessiva veemênciafísica dos corpos representados como carne, a nudez crua dos seus modelosfemininos e masculinos observados sem complacência e sem pudor, a desmesura e adeselegância de algum desses modelos, a relação pessoal do pintor com os corposdevassados e expostos das suas mulheres, amantes, filhos e amigos. Vê-lo como umpintor consagrado não deverá significar um olhar distanciado e reverente sobre asobras, que continuam a ser incómodas e nos interpelam como um desafio irresolúvel.
Painter Working, Reflexion,
1993, 101,6x81,7 cm (Pintor trabalhando, reflexo)
A retrospectiva da Tate Britain reúne 158 obras de uma carreira de mais de 60 anos,desde os primeiros trabalhos de um jovem prodígio, no princípio dos anos 40, até aosquadros inéditos trazidos do atelier. Mais de um quarto, 42 números de catálogo, vemdesde 1990, e 11 são já do novo século, mostrando um pintor em plena actividade,que tem o seu lugar no presente e não só na história da arte. Na segunda metade dos
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anos 60 tinham surgido os primeiros retratos nus, em finais dos 70 os primeiros nusmasculinos; a primeira monografia é de 1982, a primeira retrospectiva internacional(Washington, Paris, Londres e Berlim) data de 1987-88. No entanto, as histórias daarte contemporânea não o referem e as que usam a designação arte moderna situam-no, quase sempre, nos movimentos do pós-guerra…Se não há mais viragens de orientação numa carreira marcada por uma longacontinuidade de processos e temas, são da última década algumas das obras de maiorambição e mais forte estranheza: aumentam as dimensões dos quadros, alguns deformatos irregulares, com bandas de tela acrescentada (mas há também pinturasminúsculas, de 13 por 18 cm); aparecem novos modelos com insólitas compleiçõesfísicas; as composições tornam-se mais dinâmicas e inesperadas; a matéria pictural émais áspera e mais carregada, revelando a muito lenta construção dos corpos; surgemexplícitos diálogos com Van Gogh, Cézanne e Chardin. O velho pintor está maisinquieto do que nunca e confronta-se com a morte no auto-retrato com que encerra aexposição, recortando o rosto emagrecido sobre um fundo de pinceladas informes, aparede onde limpa o resto de óleo dos pincéis.Ao longo das nove salas, o percurso cronológico começa por uma pintura feita aos 17anos,
Caixote de Maçãs no País de Gales
, 1939, onde a natureza morta se instalanum fundo de paisagem montanhosa. Nesse ano em que a guerra começava, Freudnaturalizou-se inglês, acompanhou a morte do avô Sigmund e trocou uma primeiraescola de arte em Londres, demasiado «sub-académica e depressiva», pela frequênciamuito livre de uma escola de Verão em Essex orientada por Cedric Morris, que surgeno primeiro dos retratos expostos. Os quadros que dominam a primeira sala são,porém, retratos da primeira mulher, Kitty Garman, filha do famoso escultor JacobEpstein, com quem casou em 1948. A eles corresponde o tempo da primeiraconsagração como o «Ingres do existencialismo», segundo a fórmula usada porHerbert Read para o apresentar no pavilhão inglês da Bienal de Veneza de 1954, aolado de Francis Bacon e Ben Nicholson. Mas, desde 52, o seu modelo e musa já era aaristocrática Caroline Blackwood.
 
Os títulos não identificam os modelos (por exemplo,
Rapariga com Rosas
, 1947-8;
Rapariga com Cão Branco
, 1950-51, o último para que posou Kitty;
Quarto deHotel
, 1954, um auto-retrato com Caroline doente em Paris) e Freud exigiu que as
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