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N O Ç Õ E S D E D I R E I T O A D M I N I S T R A T I V O
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
J. Wilson Granjeiro
GOVERNO, ESTADO E ADMINISTRAÇÃOPÚBLICACONCEITO DE ESTADO
O conceito de Estado varia segundo o ângulo em queé considerado:I - corporação territorial dotada de um poder de man-do originário;II - comunidade de homens, fixada sobre um territó-rio com poder de mando, ação e coerção;III - pessoa jurídica territorial soberana;IV - pessoa jurídica de direito público interno;V - entidade política, ou seja, pode elaborar as suaspróprias leis.
GOVERNO
É o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais. É ocomplexo de funções estatais básicas. É a condução políti-ca dos negócios públicos. Na verdade, o Governo ora seidentifica com os Poderes e órgãos supremos do Estado,ora se apresenta nas funções originárias desses Poderes eórgãos como manifestação da Soberania. A constante, po-rém, do Governo é a sua expressão política de comando,de iniciativa, de fixação de objetivos do Estado e de manu-tenção da ordem jurídica vigente. O Governo atua median-te atos de Soberania ou, pelo menos, de autonomia políticana condução dos negócios públicos.
Elementos do Estado
O Estado é constituído de três elementos origináriose indissociáveis: Povo, Território e Governo soberano.Povo é o componente humano do Estado; Território, asua base física; Governo soberano, o elemento condutordo Estado, que detém e exerce o poder absoluto de auto-determinação e auto-organização emanado do Povo. Nãohá nem pode haver Estado independente sem Soberania,isto é, sem esse poder absoluto, indivisível e incontrastávelde organizar-se e de conduzir-se segundo a vontade livrede seu Povo e de fazer cumprir as suas decisões, inclusi-ve, pela força, se necessário. A vontade estatal apresenta-se e se manifesta através dos denominados Poderes deEstado.
Poderes de Estado
Os Poderes de Estado, na clássica tripartição deMontesquieu, até hoje adotada nos Estados de Direito,são o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, indepen-dentes e harmônicos entre si e com suas funções recipro-camente indelegáveis (CF, art. 2º).Esses Poderes são imanentes e estruturais do Estado(diversamente dos poderes administrativos, que sãoincidentais e instrumentais da Administração), a cada umdeles correspondendo uma função que lhe é atribuída comprecipuidade. Assim, a função precípua do PoderLegislativo é a elaboração da lei (função normativa); a fun-ção precípua do Poder Executivo é a conversão da lei emato individual e concreto (função administrativa); a funçãoprecípua do Poder Judiciário é a aplicação coativa da leiaos litigantes (função judicial). Referimo-nos à funçãoprecípua de cada Poder de Estado porque, embora o idealfosse a privatividade de cada função para cada Poder, narealidade isso não ocorre, uma vez que todos os Poderestêm necessidade de praticar atos administrativos, ainda querestritos à sua organização e ao seu funcionamento, e, emcaráter excepcional, admitido pela Constituição, desempe-nham funções e praticam atos que, a rigor, seriam de outroPoder. O que há, portanto, não é a separação de Poderescom divisão absoluta de funções, mas, sim, a distribuiçãodas três funções estatais precípuas entre órgãos indepen-dentes, mas harmônicos e coordenados no seu funciona-mento, mesmo porque o poder estatal é uno e indivisível.Aliás, já se observou que Montesquieu nunca empre-gou em sua obra política as expressões “separação dePoderes” ou “divisão de Poderes”, referindo-se unicamen-te à necessidade do “equilíbrio entre os Poderes”, em queum Poder limita o outro, como sugerira o próprio autorno original. Seus apressados seguidores é que lhe detur-param o pensamento e passaram a falar em “divisão” e“separação de Poderes”, como se estes fossem estanquese incomunicáveis em todas as suas manifestações, quan-do, na verdade, isto não ocorre, porque o Governo é aresultante da interação dos três Poderes de Estado –Legislativo, Executivo e Judiciário – como a Administra-ção o é de todos os órgãos desses Poderes.
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO• Entidades componentes do Estado Federal
A organização político-administrativa do Brasil com-preende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Mu-nicípios.Estas entidades são autônomas, cabendo à União exer-cer a soberania do Estado brasileiro no contexto interno eà República Federativa do Brasil, pessoa jurídica de di-reito público externo, o exercício de soberania no planointernacional.
• Competência da União, dos Estados, do DistritoFederal e dos Municípios
A União, pessoa jurídica de direito público interno,exerce os poderes que objetivam a garantia da soberaniae defesa nacionais; a manutenção de relações com paísesestrangeiros, a participação em organismos internacionaise a promoção do desenvolvimento econômico-social dopaís, bem como a garantia da cidadania e dos direitosindividuais dos cidadãos.Destacam-se, ainda, dentre outras atribuições de ca-ráter administrativo da União, as seguintes:–declarar guerra e celebrar a paz;–assegurar a defesa nacional;–elaborar e executar planos nacionais e regionaisde desenvolvimento econômico e social;–organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministé-rio Público e a Defensoria Pública do Distrito Fe-