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SUMÁRIO
Noções de Direito Administrativo
Estado, governo e administração pública:conceitos, elementos, poderes e organização...........................................3/5natureza, fins e princípios..........................................................................3/5Organização administrativa da Uniãoadministração direta e indireta................................................................10/17Agentes públicos:espécies e classificação...............................................................................11poderes, deveres e prerrogativas.................................................................5cargo, emprego e função públicos..............................................................11regime jurídico único:provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição..............40direitos e vantagens..............................................................................44regime disciplinar...................................................................................51responsabilidade civil, criminal e administrativa....................................55Poderes administrativos:poder hierárquico........................................................................................35poder disciplinar..........................................................................................35poder regulamentar......................................................................................35poder de polícia...........................................................................................38uso e abuso do poder...................................................................................8Serviços Públicosconceito, classificação, regulamentação e controle.....................................70forma, meios e requisitos............................................................................72delegação:concessão, permissão, autorização........................................................73Controle e responsabilização da administração:controle administrativo...........................................................................14/67controle judicial......................................................................................14/67controle legislativo.................................................................................14/67responsabilidade civil do Estado.................................................................70Lei nº 8.112, de 11/12/90, publicada no DO de 12/12/90 e posterioresatualizações (regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União)...........39Lei nº 4.878, de 3/12/65, publicada no DO de 6/12/65 (dispõe sobre aspeculiaridades do regime jurídico dos funcionários públicos civis daUnião e do Distrito Federal, ocupantes de cargos de atividade policial)..........80Lei nº 8.429, de 2/6/92, publicada no DO de 3/6/92 (dispõe sobre assanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimentoilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função da administraçãopública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências)....................76Lei nº 9.654, de 2/6/98, publicada no DO de 3/6/98 (Cria a carreira de PolicialRodoviário Federal e dá outras providências)..................................................81Decreto nº 1.655 de 3/10/95, publicado no DO de 4/10/95 (Define a competênciada Polícia Rodoviária Federal, e dá outras providências).................................75
 
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NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
J. Wilson Granjeiro
GOVERNO, ESTADO E ADMINISTRAÇÃOPÚBLICACONCEITO DE ESTADO
O conceito de Estado varia segundo o ângulo em queé considerado:I - corporação territorial dotada de um poder de man-do originário;II - comunidade de homens, fixada sobre um territó-rio com poder de mando, ação e coerção;III - pessoa jurídica territorial soberana;IV - pessoa jurídica de direito público interno;V - entidade política, ou seja, pode elaborar as suaspróprias leis.
GOVERNO
É o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais. É ocomplexo de funções estatais básicas. É a condução políti-ca dos negócios públicos. Na verdade, o Governo ora seidentifica com os Poderes e órgãos supremos do Estado,ora se apresenta nas funções originárias desses Poderes eórgãos como manifestação da Soberania. A constante, po-rém, do Governo é a sua expressão política de comando,de iniciativa, de fixação de objetivos do Estado e de manu-tenção da ordem jurídica vigente. O Governo atua median-te atos de Soberania ou, pelo menos, de autonomia políticana condução dos negócios públicos.
Elementos do Estado
O Estado é constituído de três elementos origináriose indissociáveis: Povo, Território e Governo soberano.Povo é o componente humano do Estado; Território, asua base física; Governo soberano, o elemento condutordo Estado, que detém e exerce o poder absoluto de auto-determinação e auto-organização emanado do Povo. Nãohá nem pode haver Estado independente sem Soberania,isto é, sem esse poder absoluto, indivisível e incontrastávelde organizar-se e de conduzir-se segundo a vontade livrede seu Povo e de fazer cumprir as suas decisões, inclusi-ve, pela força, se necessário. A vontade estatal apresenta-se e se manifesta através dos denominados Poderes deEstado.
Poderes de Estado
Os Poderes de Estado, na clássica tripartição deMontesquieu, até hoje adotada nos Estados de Direito,são o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, indepen-dentes e harmônicos entre si e com suas funções recipro-camente indelegáveis (CF, art. 2º).Esses Poderes são imanentes e estruturais do Estado(diversamente dos poderes administrativos, que sãoincidentais e instrumentais da Administração), a cada umdeles correspondendo uma função que lhe é atribuída comprecipuidade. Assim, a função precípua do PoderLegislativo é a elaboração da lei (função normativa); a fun-ção precípua do Poder Executivo é a conversão da lei emato individual e concreto (função administrativa); a funçãoprecípua do Poder Judiciário é a aplicação coativa da leiaos litigantes (função judicial). Referimo-nos à funçãoprecípua de cada Poder de Estado porque, embora o idealfosse a privatividade de cada função para cada Poder, narealidade isso não ocorre, uma vez que todos os Poderestêm necessidade de praticar atos administrativos, ainda querestritos à sua organização e ao seu funcionamento, e, emcaráter excepcional, admitido pela Constituição, desempe-nham funções e praticam atos que, a rigor, seriam de outroPoder. O que há, portanto, não é a separação de Poderescom divisão absoluta de funções, mas, sim, a distribuiçãodas três funções estatais precípuas entre órgãos indepen-dentes, mas harmônicos e coordenados no seu funciona-mento, mesmo porque o poder estatal é uno e indivisível.Aliás, já se observou que Montesquieu nunca empre-gou em sua obra política as expressões “separação dePoderes” ou “divisão de Poderes”, referindo-se unicamen-te à necessidade do “equilíbrio entre os Poderes”, em queum Poder limita o outro, como sugerira o próprio autorno original. Seus apressados seguidores é que lhe detur-param o pensamento e passaram a falar em “divisão” e“separação de Poderes”, como se estes fossem estanquese incomunicáveis em todas as suas manifestações, quan-do, na verdade, isto não ocorre, porque o Governo é aresultante da interação dos três Poderes de Estado –Legislativo, Executivo e Judiciário – como a Administra-ção o é de todos os órgãos desses Poderes.
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO• Entidades componentes do Estado Federal
A organização político-administrativa do Brasil com-preende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Mu-nicípios.Estas entidades são autônomas, cabendo à União exer-cer a soberania do Estado brasileiro no contexto interno eà República Federativa do Brasil, pessoa jurídica de di-reito público externo, o exercício de soberania no planointernacional.
• Competência da União, dos Estados, do DistritoFederal e dos Municípios
A União, pessoa jurídica de direito público interno,exerce os poderes que objetivam a garantia da soberaniae defesa nacionais; a manutenção de relações com paísesestrangeiros, a participação em organismos internacionaise a promoção do desenvolvimento econômico-social dopaís, bem como a garantia da cidadania e dos direitosindividuais dos cidadãos.Destacam-se, ainda, dentre outras atribuições de ca-ráter administrativo da União, as seguintes:declarar guerra e celebrar a paz;assegurar a defesa nacional;elaborar e executar planos nacionais e regionaisde desenvolvimento econômico e social;organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministé-rio Público e a Defensoria Pública do Distrito Fe-
 
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deral e dos Territórios, bem como as Polícias Ci-vil e Militar e o Corpo de Bombeiros do DistritoFederal;manter o serviço postal e o Correio Aéreo Nacio-nal;organizar, manter e executar a inspeção do traba-lho;emitir moeda.Cabe à União, privativamente, legislar sobre maté-rias específicas das quais destacam-se as seguintes:direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral,agrário e trabalho;população indígena;águas, energia (inclusive nuclear), informática, te-lecomunicações e radiodifusão; comércio exteriore interestadual;nacionalidade, cidadania, naturalização e direitosreferentes aos estrangeiros;seguridade social;diretrizes e bases da educação nacional;normas gerais de licitação e contratação para aAdministração Pública nas diversas esferas degoverno e empresas sob seu controle;servo postal;desaproprião.A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municí-pios possuem competências comuns, que são exercidasde modo a que cada unidade restrinja-se a um determina-do espaço de atuação.Dentre estas competências destacam-se as seguintes:conservação do patrimônio público;saúde e assistência públicas;proteção dos bens de valor histórico, das paisa-gens naturais notáveis e dos sítios arqueológicos;acesso à educação, à cultura e à ciência;proteção ao meio ambiente e controle da poluição;combate às causas da pobreza e da marginalização,promovendo a integração dos setores desfavore-cidos.O art. 24 da Constituição Federal possibilita à União,aos Estados e ao Distrito Federal legislarem de formaconcorrente em matérias específicas.Neste âmbito, a União limita-se a estabelecer normasgerais. Os Estados e o Distrito Federal exercem compe-tências legislativas complementares, atendendo, cada um,às suas peculiaridades.Nos termos das competências concorrentes, os Esta-dos e o Distrito Federal adaptam-se à legislação federalvigente.Cabe à União, aos Estados e ao Distrito Federal le-gislar, de forma concorrente, sobre:Direito Tributário, Financeiro, Penitenciário, Eco-nômico e Urbanístico;orçamento;prodão e consumo;florestas, caça, pesca, fauna, conservação da na-tureza, proteção do meio ambiente e controle dapoluição;proteção do patrimônio histórico, cultural, artísti-co e paisagístico;educação, cultura, ensino e desporto;previdência social, proteção e defesa à saúde;proteção à infância e à juventude.Aos Municípios, compete legislar sobre assuntosde interesse local e ainda suplementar a legislação federale estadual, no que couber.Ao Distrito Federal, são atribuídas as mesmas com-petências reservadas aos Estados e Municípios.
DIREITO ADMINISTRATIVOCONCEITOS
Segundo Hely Lopes Meirelles: “Conjunto harmôni-co de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agen-tes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta,direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado”.José Cretella Júnior entende por Direito Administra-tivo “o ramo do Direito Público interno que regula a ati-vidade e as relações jurídicas das pessoas públicas e ainstituição de meios e órgãos relativos à ação dessas pes-soas”.Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o Direito Admi-nistrativo é “o ramo do Direito Público que tem por obje-to os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativasque integram a Administração Pública, a atividade jurídi-ca não contenciosa que exerce e os bens de que se utilizapara a consecução de seus fins, de natureza política”.Diógenes Gasparini vê o Direito Administrativo comouma “sistematização de normas doutrinárias de direito,conjunto harmônico de princípios jurídicos” destinadas aordenar a estrutura e o pessoal (órgãos e agentes) e osatos e atividades da Administração Pública, praticadas oudesempenhadas enquanto Poder Público.Para nós, Direito Administrativo é “o complexo deposições jurídicas e princípios que disciplinam as rela-ções da Administração Pública (órgãos e entidades) e seusagentes públicos na busca do bem comum”.
OBJETO
Para Hely Lopes Meirelles, a caracterização e a deli-mitação do objeto do Direito Administrativo estão nasatividades públicas tendentes a realizar concreta, direta eimediatamente os fins desejados pelo Estado.José Cretella Júnior diz que o Direito Administrativotem como objeto a administração, isto é, “os serviços públi-cos são o objeto do Direito Administrativo”.
FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO
Segundo o saudoso Hely Lopes Meirelles, o DireitoAdministrativo possui quatro fontes: a lei, a doutrina, a jurisprudência e os costumes, sendo a Lei a principal, for-mal e primordial.I - A lei, em sentido amplo, é a fonte primária doDireito Administrativo, abrangendo esta expressão des-de a Constituição até os regulamentos executivos. E com-preende-se que assim seja, porque tais atos, impondo oseu poder normativo aos indivíduos e ao próprio Estado,estabelecem relações de administração de interesse dire-to e imediato do Direito Administrativo.II - A doutrina, formando o sistema teórico de princí-pios aplicáveis ao Direito Positivo, é elemento construtivoda Ciência Jurídica à qual pertence a disciplina em causa. Adoutrina é que distingue as regras que convêm ao Direito
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