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Virginia Conto Sarah Helena

Virginia Conto Sarah Helena

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Um conto de pirataria steampunk
Um conto de pirataria steampunk

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1
Virgínia
Um conto de pirataria steampunk por
Sarah Helena
 
2
ntre o mar claro e o céu cinzento, o Virgínia brilhava metálicoenquanto deixava no mar um largo rastro de espuma. Umobservador desavisado não entenderia como um
clipper 
navegavasem as velas. Olhando a partir da proa, ele seguia o desenho deum veleiro. Estreito e longo, o casco afilado, seus três mastros, a proa alta com umlongo gurupés. As velas estavam lá, recolhidas. Mas em um dia de calmaria comoaquele, a capitão Lefévre não tinha nenhum escrúpulo em atiçar as fornalhas quemoviam as grandes pás que giravam na popa, invisíveis para quem o visse pela proa.As oito chaminés formavam um leque alto e haviam sido enfeitadas com umprecioso trabalho que dava a elas a aparência de penas de pavão, deixando um rastromúltiplo de fumaça e vapor pelo ar. Enquanto outros chamavam barcos a vapor demonstros de metal, ela acreditava que era possível reunir o melhor de dois mundos
em sua ―ave de aço‖, c
omo costumava chamar ao navio.No alto do mastro principal, presa por um arnês a um cabo, Lefévre observava comsua luneta o mar que se estendia liso naquela tarde sem vento, e os marujos sentadosdescansando de seu turno a olhavam com prazer e devoção. Vestia uma calçamasculina e botas que chegavam até os joelhos, pela praticidade. Sua clara camisarendada, com um lenço de seda cor de vinho amarrado no pescoço, deixava ver queapesar do cinturão com sabre, adaga e pistolas, ela gostava de alguma beleza e luxo.Seu cabelo amarrado com uma larga fita de cetim vermelho escuro rolava pelascostas, e era coberto por um barrete frígio em vermelho vivo.Quase metade da tripulação usava aquele mesmo tipo de boina. Lefévre havia lhesensinado a ter orgulho de serem escravos libertos e ostentarem o barrete como umsinal disso. Alguns dos homens, mesmo tendo nascido livres, adotaram o hábitocomo uma forma de apoio aos companheiros.Cantando uma cantiga de marinheiros, ela deixou o cabo frouxo nas mãos e desceutocando o mastro com os pés de acordo com o ritmo. Wayra, o imediato, seguravaa outra ponta.
 — 
E então, como ficamos?
 
3
Lefévre sorriu.
 — 
Eles não vão conseguir. Mande jogar mais carvão na fornalha, euquero meu pássaro voando sobre a água.Wayra puxou uma alavanca expondo um pequeno cone ligado por um fio aomastro. Passou a ordem da capitão, e logo puderam sentir a velocidade aumentandoainda mais.
 — 
Desfraldem as bandeiras. Quero que esses ogros saibam de longe quem os estáatacando.Logo a bandeira do leopardo, símbolo de Peldor, era esticada pelo veloz movimentodo barco. Sob ela, a bandeira negra do Virginia tremulava: uma ampulheta ladeadapor uma pena de pavão. Entrando no castelo de popa, sentindo a vibração da saladas máquinas sob seus pés, Lefévre observou o estojo de couro onde repousava acarta de corso que garantia que os inimigos de Peldor eram sua caça. Naquelemomento, alianças eram feitas entre as nações do continente, e apenas um paísestava na listagem de inimigos. Ela não se importava. Enquanto pudesse afundar osnavios de Hébtida, estaria satisfeita.Observando o convés brilhante e os homens organizados e risonhos a bordo, eradifícil pensar neles como piratas. Havia quem dizia que a capitão era algum tipo desereia e que os homens e mulheres sob seu comando estavam sob encantamento. Naverdade, a alegria transbordante, o prazer em estar viva da capitão eramencantadores, sim, mas não eram o que mantinha os homens satisfeitos. Haviaescolhido a dedo sua tripulação, para que fossem disciplinados e capazes, mascompartilhassem seu ódio pela pátria onde nascera e um senso de que estar vivo eraalgo que valia a pena.Entre todas as nações do Continente, apenas Hébtida ainda tinha escravos. E serlivre lá não ajudava muito. Suas fabricas gigantes consumiam a vida dostrabalhadores em turnos inumanos, e a riqueza se concentrava nas mãos de umaspoucas famílias tradicionais que de latifundiários haviam passado a industriais. Umhomem poderia ser vendido para pagar suas dívidas. As minas de carvão matavam osoperários em acidentes e por doenças. A mesma tecnologia que ao sul doContinente servia para criar ideais democráticos e difundir o bem estar entre aspessoas, ao norte era uma massa de destruição e controle imperial.No ar, os imensos dirigíveis dominavam, e as águas do Mar Interno eram cortadasde forma constante por navios a vapor. Ali, no Oceano Exterior, Hébtida e Peldorcombatiam uma guerra não declarada pelo domínio da costa e pelos caminhos que

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