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Os Bruzundangas

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12/17/2012

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"A 'Bruzundanga'
 
fornece matéria de sobra para livrar-nos, a nós do Brasil, de piores males, pois possui maiores e mais completos". Assim escreve Lima Barreto no prefácio de "Os Bruzundangas", obra-prima do Pré-Modernismo brasileiro. Nesse livro, o escritor carioca forja um narrador brasileiro que viveu durante algum temponum país chamado "Bruzundanga"(traduzindo, mistura de coisas imprestáveis) e queresolve nos contar suas impressões sobre o "interessante" país.Assim, ao longo das crônicas, o narrador expressa e analisa aspectos da vida social, políticae econômica da curiosa nação, tudo isso sob uma ótica sarcástica e mordaz: os literatosditos "expoentes" são medíocres, alheios aos problemas do país, e escrevem numalinguagem extremamente prolixa para simular uma erudição que não possuem; aaristocracia é fútil e europeizante; os políticos são arrivistas e corruptos; a Constituição éclassista; a diplomacia é decorativa; a Força Armada é ridiculamente defasada; a economia"vive aos solavancos"; os indíviduos considerados sábios não passam de ignorantesaforistas; os "heróis" nacionais são apenas máscaras para esconder a história desprezível do país; os artistas estrangeiros são tratados com honrarias em detrimento dos nacionais; onepotismo, a bajulação, os conchavos, a hipocrisia, são práticas constantes na sociedade; eem relação ao povo, ao povo "bruzundanguense", o narrador é radical e categórico: o povotem o governo que merece, pois aqueles que reclamam dos políticos são os mesmoscreditam seus votos a eles!Mas qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência. Ao escrever essa obra,Lima Barreto faz uma sátira no mais alto grau, através da qual denucia as mazelas do Brasil- que, aliás, perduram até hoje(que o diga a Câmara de vereadores de Natal!) - de maneiratendenciosa, direta, demarcando os alvos a serem atingidos.Espírito inconformado, revoltado, irriquieto, adepto da literatura militante, Lima traz nessaobra um desabafo definitivo contra toda uma estrutura viciada, decrépita e corrompida: oBrasil da Primeira Républica dominado pelas oligarquias cafeeiras.E toda essa denúncia é colocada numa linguagem simples, fluente, despojada, irônica,descontraída, com críticas incisivas, ferinas e contundentes, bem daquele modo barretiano.Bruzundanga é umpaís fictício, parecidíssimo com o Brasil do começo do século e o de hoje, cheio de elites incultas dominando um povo, com racismo (javaneses lá, mulatoscomo o autor cá), pobreza, obsessão com títulos e riquezas e uma literatura de enfeite, semsentido e desatualizada. O livro é um diário de viagem de um brasileiro que morou temposna Bruzundanga, conheceu sua literatura, a escola samoieda (falsa, monótona e afastada dacultura, com autores fúteis e aconchavados com a classe dominante); sua economia confusaque exauri a riqueza do país, sendo dominada pelos cafeeiros da província de Kaphet.Mostra também a obsessão por títulos como os de nobreza e os de doutor, mesmo quandoseus possuidores não são nobres e são pouco letrados. A seguir critica a legislação (a
 
Constituição, baseada na de um país visitado por Gulliver, tem uma lei que diz que se a leinão for conveniente a situação ela não é válida), a política (os presidentes, chamadosMandachuvas, assim como os ministros, os heróis e os deputados, são estúpidos e vazios), o processo democrático (tão corrupto quanto era na República Velha), a ciência, o resto dacultura (quase nula, por vezes perto do negativo), o exército e a política internacional.Repleto de caricaturas de personagens da vida política da época, como Venceslau Brás e oBarão de Rio Branco, o livro é uma crítica ferina a sociedade brasileira, sua literaturasorriso da sociedade e sua organização político-econômica.Resumo
Os Bruzundangas
(LIMA BARRETO)
Os Bruzundangas é um romance de Lima Barreto, escritor pré-modernoque fala da Bruzundanga é um país de ficção, localizado nas zonastropical e subtropical, é um lugar muito parecido com o Brasil, onde seencontra, elites pouco cultas dominando e explorando o povo. Destaforma, o narrador que é um brasileiro que morou uns tempos nesse país, vai fazendo deforma satirizada uma crítica a todas as organizações institucionais e algumas pessoas desse país.Logo no início da obra, o narrador faz referência à arte de furtar, seguindo sua narrativacrítica contra os samoiedas que é uma escola literária do país que só valoriza o cânoneliterário, deixando de lado a literatura oral e copiando hábitos e comportamentos de outroslugares que nada se enquadram com o país, como ocorria com a literatura brasileira daépoca. Neste país, as pessoas valorizam muito os títulos de nobreza, que está dividida em doisgrupos: os doutorais e os palpites, assim chamados porque todos querem ser doutores aqualquer preço, ainda que seja através do palpite de ter sido nobre, para dessa forma poderem usufruir das vantagens sociais que apenas esse grupo desfruta. Na Bruzundanga, todos que exercem o poder se beneficiam dele de alguma forma e assim,segue o narrador estrangeiro fazendo a crítica a todas as instâncias sociais como a política;a economia confusa que destrói a riqueza do país, que é dominada pelos cafeeiros da província de Kaphet.Critica a legislação, a Constituição, baseada na de um país visitado por Gulliver, tem umalei que diz que se a lei não for conveniente à situação ela não é válida, os presidentes, quesão chamados de Mandachuvas, assim como os ministros, os heróis e os deputados;também critica o processo democrático que é corrupto; a ciência através da medicina; oexército e a política internacional.Percebe-se na obra, as semelhanças com o Brasil do passado e ainda mais agravado nosdias atuais.OsBruzundangassãoumacoletânea de crônicas publicadas na imprensa por Lima Barreto. Essas crônicas revelam seu humor refinado e a sua sintonia com a realidade.Em
Os Brunzundangas
o nosso mestre dasátirana literatura  brasileira, simula uma viagem de um narrador brasileiro ao país dos bruzundangas, o qual em tudo assemelha-se ao Brasil
 
do início do século passado e o de hoje, cheio de elites incultas que dominam um povo, de pobreza, obsessão por títulos e riquezas e uma literatura de enfeite, sem sentido edesatualizada.O livro é um diário de viagem de um brasileiro que morou tempos na Bruzundanga,conheceu sua literatura, a Escola Samoieda que tinha uma educação falsa, monótona eafastada da cultura, com autores fúteis e aconchavados com a classe dominante; e que eraregida por duas leis, consideradas leis dos "estatutos poéticos": "
1ª - Sendo a poesia o meiode transportar o nosso espírito do real para o ideal, deve ela ter como principal função provocar o sono, estado profícuo ao sonho. / 2ª - A monotonia deve ser sempre procuradanas obras poéticas; no mundo, tudo é monótono.
".O personagem de destaque nessas crônicas é o Visconde de Pancome que é uma caricaturade um personagem real de nossa História, o Barão de Rio Branco.A Bruzundanga tinha uma economia confusa que tendia a esgotar a riqueza do país e queera dominada pelos cafeeiros da Província de Kaphet. O povo tinha verdadeira obsessão por títulos, fossem os da nobreza ou o de doutor, mesmo quando seus possuidores não fossemnobres e tão pouco letrados. O ensino superior fascinava a todos na Bruzundanga. "
Os seustítulos, como sabeis, dão tantos privilégios, tantas regalias, que pobres e ricos correm paraele. Mas só são três espécies que suscitam esse entusiasmo: o de médico, o de advogado eo de engenheiro
."A Legislação da Bruzundanga também era criticada, pois a Constituição que elaboraram,inicialmente seguiu os moldes da do País dos Gigantes, embora depois tenha sofrido váriasalterações. As várias interpretações da Lei maior deste país, aliás, se devem em grande parte a umartigoinserido nas disposições gerais que afirma que "
toda a vez queUmartigodesta Constituição ferir os interesses de parentes de pessoas da situação ou de membrosdela, fica subententido que ele não tem aplicação no caso
." Contudo, além deste artigo que permite que os dispositivos constitucionais não sejam seguidos à risca, há um artigo quenunca foi desrespeitado: o que estabelece as condições para eleição do presidente. Segundoeste artigo, na Brunzundanga, o presidente, também chamado de "mandachuvas", deveriaunicamente saber ler e escrever sem manifestação de nenhum sinal de inteligência ouvontade própria. Os ministros não deveriam entender nada das coisas da pasta que iriamdirigir, o que se exigia deles é que fossem bons especuladores, agiotas, sabendo organizar trusts, etc, e os deputados; estes não deveriam ter opinião alguma, apenas aquelas dosgovernadores das províncias que os elegeram. As províncias não poderiam escolher livremente seus governantes; as populações tinham de escolher entre certas e determinadasfamílias, aparentadas pelo sangue ou afinidade.Repleto de caricaturas de personagens da vida política da época, como Wenceslau Brás e oBarão de Rio Branco, o livro é uma crítica ferina a sociedade brasileira, sua literaturasorriso da sociedade e sua organização político-econômica.Os Bruzundangas é umromance de Lima Barreto, escritor pré-moderno que fala da Bruzundanga é um país de ficção, localizado nas zonas tropical e subtropical, é um lugar muito parecido com o Brasil, onde se encontra, elites pouco cultas dominando e explorandoo povo. Desta forma, o narrador que é um brasileiro que morou uns tempos nesse país, vaifazendo de forma satirizada uma crítica a todas as organizações institucionais e algumas pessoas desse país.Logo no início da obra, o narrador faz referência à arte de furtar, seguindo sua narrativacrítica contra os samoiedas que é uma escola literária do país que só valoriza o cânone

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