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Estaríamos Melhor Com Banha de Porco Que Com Margarina - Michael Pollan - Prevenção

Estaríamos Melhor Com Banha de Porco Que Com Margarina - Michael Pollan - Prevenção

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06/27/2010

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ENTREVISTAMICHAEL POLLAN
Estaríamos melhor com banha de porcoque com margarina
Autor de livro sobre comida diz que dieta ocidental é invençãoda indústria e que tradição deve guiar o que as pessoascomem
Alia Malley
Michael Pollan
OS MAIS NOVOS conselhos sobre dieta acabam de vir dos EUA:primeiro, coma comida. Depois, não coma nada que sua avó nãoreconheceria como comida. Se isso parece óbvio para você, diz o
 jornalista americano
Michael Pollan
, vá ao supermercado – e tenteimaginar uma dona-de-casa de meados do século 20 tentandodecifrar dezenas de rótulos com ingredientes impronunciáveis de"substâncias semelhantes à comida" nas gôndolas. Em seu novolivro,
"Em Defesa da Comida" 
(editora Intrínseca), ele lança umataque impiedoso à indústria e aos cientistas da alimentação, que,ajudados por um governo americano complacente e por jornalistas
 
confusos,
transformaram a dieta ocidental em uma máquina deadoecer.
Essa revolução maligna na maneira como os americanos – e, por tabela, o resto do Ocidente – comem se instalou plenamente anos1980. Nessa década, diz o livro, os alimentos deixaram de ser vistos como entidades completas (uma cenoura, um tomate, umbife) e passaram a ser comercializados pelo que continham denutrientes: caroteno, licopeno, proteínas. A indústria passou a"engenheirar" a comida de forma a torná-la irreconhecível,
tudo emnome do lucro, disfarçado de benefício à saúde.
Qual foi o resultado? "Nossa saúde dietária é pior hoje do que era.Há mais obesidade, mais diabetes", diz Pollan. O enfoque nosnutrientes, que teve seu início nos anos 1960, virou uma ideologia,o "nutricionismo". Segundo o americano, essa ideologia é baseadana "ciência ruim" da nutrição, que é incapaz de produzir resultadosconsistentes em estudos epidemiológicos sobre dieta. Isso porqueos nutricionistas buscam avaliar nutrientes, mas um alimento émaior que a soma de suas partes.
 [ Um dos pecados dessa abordagem, argumenta, foi acondenação das gorduras saturadas de origem animal. ] 
Um dos pecados dessa abordagem, argumenta, foi a condenaçãodas gorduras saturadas de origem animal.
No lugar delas, osnutricionistas nos deram as gorduras trans, que hoje o mundointeiro – o Brasil inclusive – se esforça para banir.
"Estaríamosmelhor com
banha de porco
",
disse Pollan à Folha. Leia aentrevista. (CLAUDIO ANGELO)FOLHA - O sr. diz que a comida virou presa da ideologia. Comoassim?MICHAEL POLLAN - Meu argumento é que a maneira comopensamos sobre a comida e como desenhamos a comida hoje emdia caiu presa de uma ideologia que chamo de nutricionismo. Onutricionismo é a crença de que o que importa na comida são osnutrientes: as proteínas, os minerais, as vitaminas. E, se vocêobtiver o bastante dos bons nutrientes e ficar longe dos ruins, esseé o caminho para a saúde.Essa é uma visão muito reducionista tanto da comida quanto da
 
saúde. A comida é mais do que a soma de suas partes nutrientes. Opropósito dessa ideologia é dar mais poder para a indústria daalimentação, porque ela consegue redesenhar a comida de umamaneira que a natureza não consegue, e dá também muito poder aespecialistas na nossa sociedade, sejam cientistas ou jornalistas.A maior objeção é que pensar na comida dessa maneira não temfuncionado. Nós estamos reengenheirando a nossa comida há 30anos para ter mais coisas boas e menos coisas ruins, mas a nossasaúde dietária é pior hoje do que era. Há mais obesidade, maisdiabetes, e
tirar da comida a gordura
– supostamente umnutriente mau -
não ajudou.
 
Estamos comendo maiscarboidratos e ficando mais gordos e diabéticos.
FOLHA - Então não há nada errado com a gordura?POLLAN - Excesso de qualquer coisa é ruim, mas a gordura não éa vilã que achávamos que fosse. A gordura é um nutrientecriticamente importante, e há gorduras boas e ruins. Jogar todas asgorduras no mesmo balaio foi um erro enorme.
E afastar as pessoas das gorduras animais e aproximá-las de gordurashidrogenadas vegetais também foi um erro
. As gorduras transfazem muito mais mal.FOLHA - O Ministério da Saúde do Brasil quer banir as gordurastrans, mas está enfrentando uma enorme resistência da indústria,que diz que isso seria
"voltar à era da banha de porco".
 
Isso éruim?
 POLLAN - Eu tenho duas respostas a isso: um,
nós provavelmente estaríamos melhor com banha de porco do quecom gorduras trans
.
Ela é mais saudável
. Dois, há vários outrosóleos vegetais que não precisam ser hidrogenados. É tudo umaquestão de economia. Eles poderiam fazer batatas fritas com azeitede oliva e elas seriam deliciosas. Só que custariam mais.
 Ameaçar o público com o retorno da banha de porco, primeiro, não é tãoassustador; segundo, não é verdade.
 FOLHA - O público não está saturado com pesquisas sobre dieta?Hoje eu nem cubro mais estudos que dizem que o café faz mal oubem, pois o próximo desmentirá o anterior.POLLAN - Sim, é essa a situação do leitor hoje. Nós temos feitoreportagens em excesso sobre uma ciência muito imperfeita.
estado do conhecimento nutricional é muito primitivo. Nãosabemos o bastante para dizer se café faz bem ou mal...
 

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