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Os Perigos do Fundamentalismo e Fanatismo "cristão", entre outros

Os Perigos do Fundamentalismo e Fanatismo "cristão", entre outros

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Ensaio sobre o retrocesso na sociedade ocidental com o retorno do discurso xenófobo e anti-democrático dos diversos fundamentalismos, especialmente o "cristão".
Ensaio sobre o retrocesso na sociedade ocidental com o retorno do discurso xenófobo e anti-democrático dos diversos fundamentalismos, especialmente o "cristão".

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Published by: Carlos Antonio Guimarães on Aug 05, 2011
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Os perigos do fundamentalismo e fanatismo"cristãos"
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Extremismos sempre existiram, em todas as áreas. Posicionamentos radicais muitas vezesresultam do medo e do desespero: do medo à liberdade de assumir os próprios atos, preferindo aacomodação de que alguém ou alguma instituição lhes dite o que deve ser feito,e do desespero de, por vezes, se sentir em um mundo que parece hostil ou que entenda as diferenças de cultura e de opiniçoescomo potencialmente perigosas de suas frágeis certezas.O extremismo religioso é o mais debatido hoje em dia, mas não é o único. Existem também oextremismo econômico (que, atualmente, no seu discurso neoliberal está levando ao desemprego, àpoluição, à retirada de direitos sociais), que foi criticado por Chaplin já nos anos 30 do século passado emseu filme
Tempos Modernos
. O extremismo racionalista homogenizador, que desacredita do singular, doafetivo, do poético, e que foi duramente criticado em filmes como
 A Laranja Mecânica
,
Matrix 
,
Gattaca
e
Equilibrium
. Mas o resultado destes outros extremismos parece ser a corrida ao fundamentalista religioso.Este resulta de uma adesão a uma interpretação literal dos textos considerados sagrados e que, portanto,ao invés de serem lidos e contextualizados, buscando extrair deles os elementos humanistas eespiritualistas que permitam o crescimento individual e coletivo (lembremos da civilização ocidental cristãe das tradições orientais), são aceitos na sua crueza literal (muitas veze em traduções que foramtruncadas ao longo do tempo), em uma espécie de embriaguez exclusivista, pois o "meu Deus" é ocorreto enquanto o de "vocês" é errado e precisa ser erradicado... Dirá Frei Betto em seu texto
OFundamentalismo Cristão
que
"para o fundamentalista, a letra da lei vale mais que o Espírito de Deus. E adoutrina religiosa está acima do amor." 
 O fundamentalista pode até posar de defensor da liberdade de expressão, especialmente adeles, para atacar os diferentes, mas logo mexem seus títeres para abafar a expressão de quem, muitasvezes com fundamento, os criticam.
 
Frequentemente o fundamentalista se acerca da política. Esta é vista como meio e instrumentode imposição de suas verdades.O século XXI começou com um retrocesso e uma marca sangrenta eminentementefundamentalista: Bush e Bin Laden deram o tom da primeira década, e agora, um fundamentalistanorueguês atrelado à extrema Direita faz da morte e da destruição instrumento para, em nome de Deus,propagar a exterminação dos diferentes.Diz Frei Betto no texto citado:
"Todo fundamentalista é, a ferro e fogo, um ³altruísta´. Está tão convencido de que só eleenxerga a verdade que trata de forçar os demais a aceitar o seu ponto de vista... para o bemdeles!" 
 
 A ânsia messiânica (ou virótica) do fundamentalista parece se fortalecer quanto mais consegueconverter as pessoas à sua "verdade", daí a imensa obsessão em se impor, qualquer que seja os meios.Quanto mais falam, mas tentam calar a razão e os argumentos de quem não pensam como eles.Hoje, o Brasil está sendo tomado pelo fundamentalismo evangélico de estilo pentecostal,espetaculoso e imediatista, para não dizer materialista. Edir Macedo, Silas Malafaia, R. R. Soares e tantosoutros constroem impérios econômicos explorando a fé do homem simples. Eventos como um tal deEncontro para a Consciência Cristã foi formulado, com a ajuda dos políticos envagélicos, para destroçar eventos de ecumenismo e diálogo interreligioso denocrático, como é o Encontro para a NovaConsciência, realizado em Campina Grande, Paraíba, na época do Carnaval. Ameaças e mesmoviolência são aplicados por fundamentalistas no Brasil contra católicos, espíritas, budistas, umbandistas eoutros e a situação tende a piorar. Até antigos teatros, cinemas e clubes, à exemplo da ASUFEP quepertencia à recreação e socialização dos servidores da Universidade Federal da Paraíba e que foivendido pela incompetência de um ex-professor da UFPB, estão sendo transformados em centros delavagem cerebral coletiva, a partir de certos modelos (veja-se o dócumentário
"Jesus Camp" 
) importadodos EUA.De fato, a corruptela interpretativa literalista, exclusivista e descontextualizada de muitosfundamentalistas, especialmente os cristãos pentecostais midiáticos, não escapou ao senso mesmo demuitos teólogos evangélicos. Um exemplo conhecido é dado pelo pastor Ed René Kivtz que narra suascríticas ao fundamentalismo religioso midiático dos pentecostais em
"O Evangelho dosEvangélicos" 
(facilmente encontrado na internet em áudio e em texto). Deste trabalho destaco a seguintepassagem:
 
"Estou convencido de que um é o evangelho dos evangélicos, outro é o evangelho do reino deDeus. Registro que uso o termo ³evangélico´ para me referir à face hegemônica da chamadaigreja evangélica, como se apresenta na mídia radiofônica e televisiva.
 
"O evangelho dos evangélicos é estratificado. Tem a base e tem a cúpula. Precisamos falar commuito cuidado da base, o povo simples, fiel e crédulo. Mas precisamos igualmente discernir edenunciar a cúpula. A base é movida pela ingenuidade e singeleza da fé; a cúpula, muita vez éoportunista, mal intencionada, e age de má fé. A base transita livremente entre o catolicismo, o protestantismo e as religiões afro. A base vai à missa no domingo, faz cirurgia em centro espírita,leva a filha em benzedeira, e pede oração para a tia que é evangélica. Assim é o povo crédulo ereligioso. Uma das palavras chave desta estratificação é ³clericalismo´: os do palco manipulandoos da platéia, os auto-instituídos guias espirituais tirando vantagem do povo simples, interesseiro,ignorante e crédulo." 
 

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