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Educação Sexual

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Estudo relativo à aplicação deste tema na escola.
Estudo relativo à aplicação deste tema na escola.

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INTRODUÇÃO
Este artigo resulta da dissertação de mestradodo primeiro autor e centra-se nas atitudes dos pro-fessores dos 2.º, 3.º Ciclos e Ensino Secundário,em relação à implementação da Educação Sexual(ES)
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em contexto escolar. Pretende compreen-der essas atitudes e relacioná-las com os conhe-cimentos dos professores nessa área, assim comoos seus sentimentos de conforto ou desconfortoem tratar esses temas com os alunos. Interessa-nos também perceber se existe relação entre fa-ctores como a religiosidade e os estilos de ensinoe a atitude dos professores face à ES. Optámospor realizar este estudo com professores destesciclos de ensino pois, tal como referem Piscalho,Serafim e Leal (2000) «A Educação Sexual tor-na-se cada vez mais urgente nestas idades, umavez que a sexualidade adquire neste momentoespecial do desenvolvimento dos sujeitos uma gran-de importância e especificidade» (p. 355).Em relação à constante exposição dos jovensa mensagens (explícitas ou implícitas) alusivasao sexo e à sexualidade, os mesmos autores cla-rificam que embora o acesso a essa informaçãoseja muito fácil, por si só ela não faz a sua ES.Os jovens necessitam de ajuda para aprenderema processar estas mensagens de diferentes fontesde informação que lhes são transmitidas diaria-mente.Diante deste panorama torna-se clara a neces-sidade da intervenção da escola ao nível da ES.A orientação ministerial prevê que todos os pro- jectos a implementar devem estar incluídos no pro- jecto educativo de cada escola. Sampaio (2002)observa que «Seja qual for o sistema organizati-vo preconizado, os projectos de intervenção têmde ter em conta a realidade social da instituição eresponder a necessidades não resolvidas ou sóparcialmente resolvidas».A abordagem da temática da ES nas escolasportuguesas sugere o reconhecimento de um per-curso irregular. De situações de estagnação têm--se seguido outras, relevantes e significativas.Em 1978 e novamente entre os anos de 1981 e1984, a questão mais controversa nos debates pú-blicos centrou-se na questão da legalização doaborto. Essa legalização não foi aprovada mas foidesta forma, um pouco ao abrigo dessa discus-
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Análise Psicológica (2004), 4 (XXII): 737-745
A implementação da educação sexualna escola: Atitudes dos professores
 MARIAHELENAREIS (*) DUARTEVILAR(**)
(*) Professora de Educação Especial na EB 2,3 daCosta de Caparica.(**) Instituto Superior de Serviço Social, Lisboa.Director Executivo da Associação para o Planeamentoda Família.
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Em todo este texto será utilizada a abreviatura ESpara o termo Educação Sexual.
 
são, que surgiu a primeira legislação sobre ESescolar, a Lei 3/84. Os aspectos referentes ao pla-neamento familiar foram aprovados e a parte re-lativa à ES nunca foi regulamentada. Assim, oprocesso estagnou no início de 1985.Em Portugal, apesar da ausência de política so-bre ES do ministério, segundo Vilar (1990), nosanos que vão de 1984 até ao início do processoda Reforma educativa, em 1988, houve um cres-cimento significativo das actividades da ES nasescolas portuguesas.Em 1986 a Lei de Bases do Sistema Educati-vo (LBSE) atribuiu fundamentalmente ao siste-ma educativo a abordagem dos temas ligados àvida, aos problemas quotidianos e ao processo decrescimento pessoal e social das crianças e jovens.Entre esses temas encontra-se a ES.Em termos de legislação só 15 anos mais tar-de surgiu um outro marco importante. A Lei 120/99veio reforçar as garantias ao direito à saúde re-produtiva. Lê-se no seu número 3 que «A edu-cação para a saúde sexual e reprodutiva deveráadequar-se aos diferentes níveis etários, conside-radas as suas especificidades biológicas, psicoló-gicas e sociais, e envolvendo os agentes educati-vos».Com estas leis os poderes públicos propõempela primeira vez algo de inovador em matériade ES, através do sistema educativo. No entanto,a implementação de um programa de ES propos-to à organização escolar, coloca alguns proble-mas conforme o alerta feito por Sampaio (1990).Por si só a legislação não desencadeia a mudan-ça. Torna-se assim necessário fazer a distinção en-tre mudança e inovação.
 A Educação Sexual como Processo de Mudan-ça e Envolvimento
Mudança, como nos diz Sampaio (1990), é al-go que ocorre de modo espontâneo de baixo paracima. No caso da ES, seria os professores senti-rem-se motivados a implementá-la.Ao contrário, inovação é um processo de cimapara baixo, ou seja, quando uma organização queenvolve pessoas que estão a trabalhar no terreno,decide alterar alguma coisa que necessitava sermodificada. Sampaio prossegue levando-nos a re-flectir sobre qual é normalmente a atitude dos pro-fessores face à mudança, face à inovação e quefactores estarão relacionados com essa atitude.Em sua opinião ela se relaciona com a percepçãoque o professor tem da sua carreira profissional edo lugar que a carreira profissional ocupa na suavida pessoal.Por outro lado, para que o professor se sintamotivado para aderir a um programa inovador énecessário que sejam criadas algumas condiçõespor parte do ministério. É dentro do espaço esco-lar que tudo se joga: o tempo, o lugar e a circuns-tância.O estudo realizado por esta pedagoga em 1987é referido pela autora como preliminar e explora-tório o que não permite a generalização de da-dos. Destacou no entanto, que através desses re-sultados não tinha sido possível concluir que osprofessores são favoráveis a leccionar ES. Trintae nove por cento disseram que não ensinariamES ou que não sabem se o fariam. O conjunto dasrespostas negativas atingiu os 71%.Reveste-se de particular interesse verificar asatitudes dos docentes em relação a leccionaremES nas escolas, 15 anos após este trabalho.
 Atitudes, Conhecimento e Conforto em Educa-ção Sexual
O programa de ES inclui temas polémicos eas atitudes dos professores relacionadas com te-mas deste género vão influenciar decisivamenteo seu comportamento (López & Fuertes, 1999)diante destes assuntos.Torna-se assim pertinente retomar o conceitode atitudes abordado no nosso estudo anterior(estudo realizado em 2002 para validação doQAAPES). Segundo Insko e Schopler (1980, ci-tados por López & Fuertes, 1999), atitudes são«predisposições para avaliar favorável ou desfa-voravelmente os objectos» (p. 22). Elas vão sen-do formadas ao longo da vida como resultado deexperiências e comportamentos aprendidos comoutros. Segundo esses autores é possível distin-guir pedagogicamente opiniões, sentimentos etendências para agir de determinado modo.As opiniões são ideias ou crenças sobre ques-tões discutíveis para as quais o indivíduo não pos-sui fundamento científico. Essas opiniões são acom-panhadas de sentimentos. Citando novamente Ló-pez e Fuertes «os sentimentos são reacções fisio-lógicas que se manifestam através de mudançasbiológicas internas e interpretações subjectivas esociais dessas mesmas mudanças» (p. 22). Um
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professor que rejeite a ideia da homossexualida-de, provavelmente vai se sentir perturbado ao pre-senciar gestos amorosos entre jovens do mesmosexo.Para além das opiniões e sentimentos, as atitu-des envolvem uma predisposição para secomportar de uma determinada forma (p. 23).Sentimos rejeição em relação a algo que consi-deramos negativo ou perigoso. Assim, as três com-ponentes das atitudes (cognitiva, afectiva e com-portamental) reforçam-se mutuamente.Partindo do princípio de que o professor temuma atitude favorável em relação à abordagemde temas sexuais e que teve acesso a formaçãonessa matéria, ainda assim é necessário conside-rar que o factor desconforto pode permanecer. Pa-checo e Gamito (1993) focalizam como uma dasdificuldades na ES, o sentimento que chamam devergonha ao abordar temas de sexualidade, citan-do como exemplo o erotismo. A família e a esco-la preferem sabiamente, segundo o autor, ficar emsilêncio. Cada uma das instituições remete para aoutra o falar de assuntos desta natureza. Essa ver-gonha sugerida por Pacheco e Gamito não serámais que umas das manifestações de desconfortona abordagem de tais temas.Assim, neste trabalho foram considerados ossentimentos de conforto ou desconforto dos pro-fessores, conforme os temas de sexualidade a tra-balhar com os alunos e tentar relacioná-los comas suas atitudes.Por último, esperamos que um maior conhe-cimento das potencialidades actualmente exis-tentes ao nível legal e das políticas educativas,possam estar relacionados com um maior envol-vimento dos professores em ES.
 Religiosidade e Educação Sexual
Quando López afirma que as atitudes vão-seconstruindo ao longo da vida como resultante dasexperiências e comportamentos aprendidos reme-te-nos para factores sociais e culturais que as in-fluenciam. É essencial então considerar o factorda religiosidade como elemento que dita valoresmorais e regula comportamentos sexuais. Impor-ta então reflectir brevemente sobre o peso da in-fluência religiosa na sociedade, impondo normase repressões no que se refere à sexualidade hu-mana.A principal diferença entre a infância e a ju-ventude está marcada na nossa cultura pelo iní-cio da sexualidade, ou melhor, pela capacidadede reprodução. Não é possível esquecermos quena cultura cristã ambos os conceitos têm estadoprofundamente vinculados.Através dos rituais de mudança de etapas, acriança deverá não só compreender o que é seradulto como o que é ser homem e mulher.O discurso religioso, a partir da ideia de peca-do, joga um papel fundamental no sentimento in-dividual que deve ser normatizado na inter-rela-ção social.Com a ideia da sexualidade ligada ao pecadoe tendo como principal objectivo a reprodução,continua a ser ensinado um código sexual basea-do no medo do corpo. Entende-se a virtude sexu-al como a repressão da sexualidade nas socieda-des (Gudorf, 1995).Reiss (1990) afirma que rejeita os valores se-xuais dogmáticos que tentam impor a abstinên-cia. Rejeita essa ideia, tanto como rejeitaria a im-posição de uma única religião ou um único par-tido político.Também Gudorf (1995) alerta para aspectosda ES contemporânea que promovem a ignorân-cia sexual. Um deles é a pretensão de que o obje-ctivo da ES é promover a abstinência sexual en-tre os jovens. Portugal não tem sido uma exce-pção a estes movimentos (Vilar, 2001).Neste trabalho considerou-se a hipótese de queos professores com maiores níveis de religiosi-dade teriam uma atitude menos favorável e me-nos confortável para tratar temas de sexualidadecom os seus alunos.Esta reflexão remete-nos para um outro aspe-cto que pode estar relacionado com a resistênciaou adesão dos professores a programas inovado-res.
 Atitudes dos Professores e Estilos de Ensino
Referimo-nos ao modo de estar na profissão,se o educador adopta uma postura de envolvi-mento, de afastamento ou de indiferença. Aderirà inovação pode ainda ser uma ideia associávelao estilo de ensino do professor. Estarão os pro-fessores mais progressistas mais abertos em re-lação à implementação da ES nas escolas? Umestilo mais conservador, mais tradicional, será im-peditivo de uma atitude positiva sobre a inova-ção?
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